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Complexos irracionais

por Tiago Moreira Ramalho, em 27.04.09

 

É incompreensível que haja tanta gente neste país a passar noites em claro pelo facto de a Assembleia da República ter feito um voto de congratulação pela canonização de D. Nuno Álvares Pereira. Sim, porque não acredito que consigam dormir de noite, tal é o escândalo e o horror que mostram durante o dia.

A ideia de que a secularidade do Estado está posta em causa devido a isto é tão absurda como julgar que poderíamos estar a prestar vassalagem à Suécia quando nos congratulámos pelo prémio Nobel atribuído a José Saramago. É uma distinção, a maior feita por um Estado, e isso deve ser sempre motivo de orgulho. Do mesmo modo que seria um motivo de orgulho uma distinção feita por uma outra religião ou por um outro Estado.

O pior é que à conta de toda a pressão destes grupos de idiotas, ontem, no Vaticano, Portugal estive unicamente representado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, por D. Duarte Pio de Bragança, pelo Paulo Portas e pela Matilde Sousa Franco. Uma parvoíce, tudo.

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26 comentários

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De Anónimo a 27.04.2009 às 19:38

O pessoal da AR, por exemplo, prefere ir ao futebol a Sevilha.
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De O falso Rei das Pampas a 27.04.2009 às 19:44

Ficou lá muito bem o D. Duarte Pio, montado no seu cavalo que ajoelha sempre que vê uma virgem.
De facto, "Uma parvoíce, tudo".
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De West a 28.04.2009 às 02:10

De facto. É tudo uma parvoíce! tudo! Por este andar já faltou mais para termos uma nova santa - A Santa Padeira de Aljubarrota!
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De l.rodrigues a 28.04.2009 às 09:46

Há-de explicar-me também a racionalidade de atribuir a responsabilidade de acontecimentos improváveis (também conhecidos por milagres) a um tipo que andou à espadeirada há uns 600 e tal anos atrás.
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De fernando antolin a 28.04.2009 às 17:55

Terá a mesma que atribuir ao filho de um carpinteiro da Galileia a possibilidade de ter feito o mesmo,aí há uns quase 2000 anos.Para muitos não é racionalidade,é fé. Coisa difícil de explicar.Só não entendo a raiva e o melindre de quem tanto esbraceja e no fundo sobre um assunto que não tem qualquer importância para quem não crê.
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De Anónimo a 28.04.2009 às 20:18

Não tem nenhuma importância para quwem não crê, precisamente. E e por is que acho idota que quem não crê esteja a pagar cerimónias e viagens para assuntos estritos da fé. Percebeu agora a irritação, Fernando? É que estas coisas das ligações do Estado a assuntos estritos da fépa passam-se em paises como Portugal (viu-se agora...) e na Grécia, que tem uma religião oficial, por exemplo,
Pedro
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De Tiago Moreira Ramalho a 28.04.2009 às 20:31

Não é racional. É lá com eles e isso não me sinto capacitado para julgar...
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De Anónimo a 28.04.2009 às 14:34

Eu acho idiota é ter estado o Ministro dos Negócios Estrangeiros no Vaticano, por causa disso. Quantos ministros dos negócios estrangeiros de paises decentes vão ao Vaticano a cerimónias de canonização de pessoas dos seus paises? E o Tiago está a ser mais papista do que o Papa. Afinal, não houve um bispo português que disse que este assunto não era de Estado, mas sim da Igreja?

Pedro
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De Tiago Moreira Ramalho a 28.04.2009 às 20:31

Também posso achar estranho que Portugal se tenha feito representar quando um português recebeu um Nobel. Afinal, só tem que ver com o indivíduo...
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De Anónimo a 28.04.2009 às 14:58

No mesmo dia, o Papa canonizou quatro (4) italianos. Tiago, vá ver qual foi a participação do Estado italiano no assunto, desde o parlamento ao governo (e estamos a falar da Itália, Itália, não de França ou Inglaterra, ou mesmo a Espanha...)

Pedro
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De Tiago Moreira Ramalho a 28.04.2009 às 20:32

Não sei, nem quero saber.

E suponho que se estivessem estado mil italianos no Vaticano, o Pedro diria que tinham tido um mau comportamento. O que os outros fazem ou não fazem não é justificação para nada, porque lá por serem os italianos, não significa que não errem.
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De carlos mata a 28.04.2009 às 15:55

ao grupo de idiotas contrapõem-se em igual número um grupo de parvos
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De a.pacheco a 28.04.2009 às 19:54

Se uma confissão religiosa resolve QUATROCENTOS ANOS após sua morte , dizer que o Condestável é SANTO, isso é assunto que só lhe diz respeito a ela.

Qual a diferença deste milagre e daqueles que todos os Domingos a IURD oferece aos seus crentes?

O Estado LAICO não tem que dar importancia a estes assuntos.

Gostei sobretudo da parte de chamarem DOM ao sr. Duarte de Bragança, talvez também ainda não tenham percebido que Portugal é uma República, e por isso o tratamento por DOM não existe, enfim...

Portugal tem de ser á força um estado religioso, como o são o Irão, Israel, Vaticano , ou a Arábia Saudita.

E a República Portuguesa tem de prestar vassalagem a putativos reis de opereta, como este Duarte de Bragança.

É RIDÍCULO....
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De Tiago Moreira Ramalho a 28.04.2009 às 20:35

A questão aqui é que houve um português que, sendo um símbolo importante da nossa história, recebeu a mais alta condecoração de um Estado vizinho. Por acaso esse Estado é uma teocracia e a condecoração é a canonização, mas isso não interessa.

Chamo D. como podia chamar cidadão, mais francês, mais liberté, fraternité et egalité... Apeteceu-me, se quiser...

NÃO ACHO ASSIM TÃO RIDÍCULO (não gosto de escrever em maiúsculas, mas já que o pacheco insistiu...)
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De JMG a 28.04.2009 às 22:35

E o senhor Cardeal Patriarca e restantes bispos, podemos tratá-los por Dom, ou a Républica não o admite?
Já agora: A Républica regula a forma como se tratam as pessoas? Eu julguei que isso era deixado aos usos e costumes.
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De Manuel Leão a 28.04.2009 às 22:15

O Tiago Moreira Ramalho escreveu:
«O pior é que à conta de toda a pressão destes grupos de idiotas, ontem, no Vaticano (...)».

Ora bem, esta questão é uma questão do foro religioso e, como tal, sujeita a críticas por parte não só dos não crentes, como até alguma perplexidade por parte de alguns crentes. Mas isso é uma questão interna à Religião Católica.

Há católicos que têm manifestado alguma perplexidade perante o modo como se processou o processo, mas mais uma vez nisso é soberana a Igreja.
Todavia, o Tiago tem de admitir que o mesmo se não passe com o voto aprovado na A. R. E neste caso é perfeitamente legítimo que haja quem manifeste a sua discordância.

Não me parece, portanto, apropriado chamar idiotas a quem tal contesta.

Se o Tiago for crente e se intimamente apoia esta decisão, está no seu pleno direito. Mas, esteja de acordo ou não, nada lhe dá o direito de tratar por "imbecis" quem tem outro entendimento do assunto. Quer seja sobre o processo religioso, no caso de crentes que não compreendam a decisão, quer seja na questão do voto da A.R. A César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

De um modo ou de outro não está em causa o que Nuno Álvares Pereira representa na nossa memória colectiva, numa época crucial como foi a crise de 1383 -1385 e a consequente luta pela soberania de Portugal. Com ou sem canonização, com ou sem voto na A. R.
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De Tiago Moreira Ramalho a 28.04.2009 às 22:27

Por acaso deveria ter feito uma 'declaração de desinteresse'. É que não sou propriamente devoto.

E sim, Manuel, foi uma idiotice para não dizer mais. Foi uma sociedade ateísta (não me lembro do nome) da qual a Fernanda Câncio faz parte que levantou os maiores problemas, quando o problema não era o da laicidade do Estado, mas sim com a própria canonização. No a torto e a direito, a dona f. chegou a gozar com o alegado milagre.

Se tivesse havido alguém a apresentar um único argumento contra o voto de congratulação, teria todo o gosto em fazer uma resposta bem polida. Assim, com fanatismos, fundamentalismos e delírios, só posso chamar o que chamei.

Cumprimentos
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De Anónimo a 28.04.2009 às 22:42

Suponho que para si não seja fanatismo, fundamentalismo e delirio achar que um morto cura o olho a alguém... eu acho que é e tenho o direito a dizê-lo,. ou nao? E a achar que o Estado não se deve meter em fanatismos e delirios. A própria Igreja diz A César o que é de Cesar, a Deus o que é de Deus. O mesmo, obviamente, por outras palavras, disse um bispo português a propósito deste assunto. Não deu conta disso?
Pedro
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De Tiago Moreira Ramalho a 28.04.2009 às 22:48

Pedro, podemos ter uma discussão saudável ou uma não-discussão. O Estado não se pronunciou sobre o milagre, pronunciou-se sobre a canonização, uma espécie de condecoração última de um Estado vizinho. Eu também poderia dizer que o Estado não se devia intrometer nas questões literárias e, portanto, não se devia congratular com um nobel da literatura ganho por um português...
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De Manuel Leão a 29.04.2009 às 00:33

Tiago Moreira Ramalho reitera que «assim, com fanatismos, fundamentalismos e delírios, só posso chamar o que chamei». Isto é, de idiotas e isso é muito mau. É muito mau porque argumentos combatem-se com argumentos.

E depois há aí uma grande confusão. A canonização. que eu saiba, nunca foi uma condecoração. A canonização é o reconhecimento, por parte da Igreja, de que uma determinada pessoa acabou vivendo no estado de Santidade. É uma questão de merecimento espiritual e não uma condecoração para agradecer alguns bons ofícios. É uma questão da fé não é uma questão protocolar e terrena e ignora (ou é suposto ignorar) nacionalidades e fronteiras.

Já que referiu declarações de interesses, como já escrevi aqui, mais do que uma vez, sou cristão.
Mas isso não invalida o respeito pelas posições agnósticas ou de reiterado ateísmo ou ainda de quem professa qualquer outra religião. Até porque se tivesse nascido noutra parte do mundo provavelmente teria outra religião.
Quanto ao aproveitamento que algumas pessoas fazem disto, não se preocupe. Essas fá-lo-ão sempre. É a maneira de estarem na vida, em tudo! Até nas feiras...
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De Tiago Moreira Ramalho a 29.04.2009 às 08:54

O problema é que não há argumentos... suponho que lhe escapou essa parte no meu comentário. São tudo medos. De quê, não sei.

A canonização é um reconhecimento de algo. Um prémio Nobel também. As medalhas do 10 de junho também. Acha que se o Cavaco der uma medalha à Vanessa Fernandes, vai abrir uma brecha para que os desportistas se intrometam nos assuntos de Estado?
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De Anónimo a 29.04.2009 às 10:32

Tiago, sobre o seu anterior comentário e este ultimo, nenhum Estado interpreta a questão da forma que coloca, nenhum, nem sequer o estado do Vaticano. O Tiago insiste em ignorar isto. A canonização não é uma questão diplomática, nem é uma condecoração. O Vaticano tem os seus canais próprios para as questões diplomáticas e tem as suas condecorações. A canonização é uma questão… canónica, é uma questão de fé, do estrito âmbito da fé católica. São os católicos, na sua dimensão de fé, que acreditam em milagres, que se reunem para celebrar a canonização.
Coisa muito diferente é a condecoração seja de escritores, seja de desportistas, seja de cientistas. Aqui, o estado está a reconhecer feitos terrenos, não sobrenaturais, de cidadãos seus, ao mesmo tempo que cumpre a sua função de promover a leitura, o desporto e a ciência. Não lhe compete celebrar a santidade nem promover curas milagrosas por cidadãos seus que morreram há centenas de anos, pois não? Claro que não.
O Tiago acha que a representação do estado ao nível de um ministro e a sessão na assembleia da república foi pouco. Eu acho que foi demais. Não é questão de não dormer, nem de ter medo. Não sou idiota e para além disso tenho outras preocupações maiores na vida. Estamos simplesmente a debater uma questão interessante, é tudo.

Pedro
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De Tiago Moreira Ramalho a 29.04.2009 às 14:52

Pedro,

Começo pelo fim do seu comentário. Tem toda a razão e se calhar excedi-me no post.

Continuando.
A ideia de que ao nos congratularmos por uma canonização, nos estamos a comprometer em relação ao motivo da canonização é, quanto a mim, errada. Repare, era o mesmo que o Estado português afirmar que Saramago escreve bem porque ganhou o Nobel. O Estado congratulou-se, mas subscrever a decisão é algo que já não cabe ao Estado (até porque alguns nem devem ter lido muitos livros recentemente).
O que levou à congratulação não foi o facto de o Nun'Alvares ter feito um milagre, se é que o fez. É o facto de um outro Estado, o Vaticano, considerar o Nun'Álvares uma personalidade a destacar na melhor forma que têm para o fazer e segundo os seus padrões mais genuínos. Eles avaliam consoante o tipo de vida e feitos 'cristãos'. A Academia das Ciências da Suécia avalia a qualidade dos livros.
Estamos a fazer uma tempestade num copo de água. Em 1918, na República mais anti-clerical das três, Portugal esteve mais representado na beatificação do Nun'Alvares do que agora.
Não faz mal ficarmos contentes por haver um grupo de pessoas ou um Estado a considerar que um dos nosso foi 'acima da média'.

Cumprimentos
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De Anónimo a 29.04.2009 às 15:51

Tudo bem, Tiago, o Estado que diga lá então qualquer coisa sobre o assunto. Afinal é mais um santo português e o homem vai ser falado aqui e ali, durante algum tempo. Mas quanto a mim, uma nota oficial bastava, não é preciso fanfarras e deslocações de ministros, quanto mais “a mais alto nível”. E no fundo vai ser só mais um santo para a já vasta hagiografia da Igreja. Eu acho que a maior homenagem que se pode fazer ao homem é promover a investigação histórica dos seus feitos, de forma rigorosa, eventualmente realçar a sua importância civica, com critérios que obviamente não coincidem com os da Igreja, embora possam ter pontos em comum.
Cumprimentos

Pedro
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De Manuel Leão a 29.04.2009 às 22:37

Tiago Moreira Ramalho:

Não há volta a dar e isto parece uma conversa de surdos. Você insiste na condecoração. O que é que quer que eu lhe diga? Olhe, ganhou: fique com a taça!

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