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Emoções básicas (52)

por Luís Naves, em 13.04.09

A traição

Em conversa com amigos surgia uma tese recorrente que sempre achei meio absurda. Diz esta teoria que ao ter aceite o cargo de Presidente da Comissão Europeia, em 2004, Durão Barroso criou as condições para a derrota do seu partido, preparando a maioria absoluta dos socialistas.

Em Portugal existe a ideia dos homens providenciais e os partidos mostram ter dificuldades na substituição dos líderes, sendo essa talvez a maior limitação da democracia portuguesa.

Mas a análise em cima parece esquecer factos simples sobre a União Europeia. Portugal teve a oportunidade de ocupar um cargo de alto nível e poderá não voltar a ter outra nos próximos 50 anos. Embora isso não seja bem compreendido aqui, a função de presidente da comissão é extremamente poderosa. Um exemplo entre muitos: na negociação das perspectivas financeiras (a distribuição do dinheiro entre os Estados membros é política da mais séria) Portugal foi beneficiado, face a outros países, e o facto de ter o presidente da comissão não foi alheio ao bom resultado.

A “fuga” ou "traição" de Durão podia na altura ter sido colmatada pela ascensão de outro líder que pudesse manter a coligação PSD-CDS e que não cometesse os erros e excessos que Santana Lopes cometeu. Mas essas pessoas não apareceram na altura. Muitas, nem sequer depois.

Sempre achei estranha a forma como os observadores desprezam a circunstância de haver um português à frente da comissão europeia. O apoio de José Sócrates à recandidatura de Durão Barroso nem devia ser motivo de discussão. Devia ser óbvio. 

  

 

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10 comentários

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De Luisombras a 13.04.2009 às 15:44

Só o simples facto de todos repararem nisso e ninguém dizer nada já é bom, agora falta é começar a abrir os olhos a quem os fechou. Porque não fazer as coisas para o bem de todos! E deixarmos o egoísmo de lado!
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De Pedro Almeida a 13.04.2009 às 17:44

Pode-me explicar exactamente o que ganhámos enquanto país em tendo o Durão Barroso como presidente da CE ?

Basta um exemplo...
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De Luís Naves a 13.04.2009 às 20:22

até posso. Quando começou a negociação sobre as perspectivas financeiras, na qual havia várias posições, os diplomatas portugueses achavam que com sorte Portugal podia talvez alcançar uns 17,5 mil milhões de euros em fundos estruturais. Ao longo da negociação, as coisas começaram a melhorar e talvez conseguíssemos 19 mil milhões. Acabámos com 24 mil milhões.
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De mfmaroda a 13.04.2009 às 17:53

Seria útil para o país que os críticos que detêm influência na comunicação social parassem um pouco para pensar... mais naquilo que neste momento é importante , e deixassem de ter um pensamento tão restritivo e clubista . Concordo totalmente com a sua análise .
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De Tiago Moreira Ramalho a 13.04.2009 às 18:31

Luís,

Com este último QREN fomos realmente beneficiados, no entanto, tirando a possibilidade de algum lobbying, a Comissão Europeia em nada teve responsabilidade nisso. Quem realiza o Orçamento Comunitário é o Conselho da União Europeia, que é aprovado pelo Parlamento, e não a Comissão, que apenas o aplica.
A haver algum benefício para Portugal, será de notoriedade a nível internacional, que assumo existir. Mais, não.

Abraço
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De Luís Naves a 13.04.2009 às 20:19

Refiro-me às negociações sobre o orçamento, cuja base se formou à volta de propostas elaboradas pela comissão, que ia ouvindo os vários países. Tratava-se de uma complexa negociação que durou pelo menos um ano na sua fase mais difícil. Nas reuniões finais, o presidente da comissão, então ainda relativamente recente no cargo, teve um papel decisivo na aproximação das posições dos Estados membros. Mas aqui está um exemplo de como as pessoas, mesmo as bem informadas, têm uma noção errada de que como funciona a máquina. A decisão pertence aos chefes de governo, mas a negociação tem sempre um pivot, que pode puxar para um lado ou outro...
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De Luís Naves a 13.04.2009 às 20:42

Não insistas, Tiago. Não foi lobbying, foi o funcionamento normal. Ninguém faz propostas sem estudos e quem tinha os estudos era a Comissão. O presidente da comissão actuou como uma espécie de intermediário da negociação, o pivot que vai de herodes para pilatos e traz a resposta, o que vai aproximando lentamente as diferentes posições. neste caso, a presidência do conselho também foi muito importante, mas houve duas a falhar consecutivamente. A comissão tinha o máximo conhecimento dos detalhes e na discussão final ela foi DECISIVA. É assim, é a máquina da UE. Não tem nada a ver com lobbies
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De Tiago Moreira Ramalho a 13.04.2009 às 20:49

Ok. Vai um pouco contra aquilo que julgava saber do funcionamento do 'triângulo', mas se insiste que assim é, é porque certamente saberá do que fala. Que fique então o Durão por ser cá dos nossos.
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De Antifarsista a 13.04.2009 às 20:39

Eu, por acaso, até era a favor do Barroso, mas mudei de opinião logo que soube que o Sócrates também era. Livra!

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