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Emoções básicas (51)

por Luís Naves, em 05.04.09

O tempo em fuga

Perante sinais de dissolução do poder, cada vez mais visíveis, seria normal que crescesse uma alternativa. Mas a oposição continua paralisada, isto a dois meses da primeira votação do ano das três eleições. Portugal vive uma crise estranha: instalou-se o medo e ninguém tem uma ideia de como podemos sair do labirinto. As pessoas temem pelo seu futuro e a total ausência de liderança só pode agravar o estado de alma.

Este governo pensou que liderar era o mesmo que fazer propaganda. A realidade, sempre cruel, acabou por fazer uma visita macabra à maioria absoluta, que pensava controlar tudo com a magia das belas frases.

O meu caso pouco importa, mas estou bastante mais pobre do que em 2005. Na realidade, estou mais pobre do que em 1998. E trabalho mais.

O que importa é que o meu caso é idêntico ao da maior parte dos portugueses. As desigualdades agravaram-se. Além disso, no Portugal contemporâneo, a vida não é apenas mais insegura do ponto de vista económico. A insegurança é física e o futuro de cada um mais incerto. Olhe-se para os jovens de vinte e poucos anos da classe média, geração na qual o país investiu muito esforço; não têm emprego, não têm futuro nas empresas e quase não terão pensões de reforma; muitos deles terão de emigrar; muitos dos que ficarem têm diplomas inúteis. É caso para perguntar: para que serviram vinte anos de subsídios europeus equivalentes a uma média anual de 3% do PIB?

Nas classes tradicionalmente menos favorecidas, o panorama é ainda mais negro, pois são famílias mais pobres, com empregos mal pagos, que estão a sofrer os choques mais brutais da crise. Nem vale a pena falar da exclusão social. Essa será terrível nos próximos anos.

A política não oferece qualquer saída visível. A renovação da maioria absoluta é improvável e os efeitos do caso Freeport vão agravar-se para os socialistas. A oposição social-democrata não parece capaz de ganhar eleições, embora possa tirar a maioria ao PS. O Bloco de Esquerda é uma incerteza e não consegue livrar-se da retórica anti-capitalista. Devido ao calendário das presidenciais, um governo de bloco central teria de durar um mínimo de dois anos, até meados de 2011. Mesmo admitindo que há líderes com esse grau de paciência, a crise económica pode durar mais dois anos, talvez agravada por decisões que estão a ser tomadas. É demasiado tempo para esperarmos por milagres, mesmo um de natureza modesta.

 

 



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