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Emoções básicas (50)

por Luís Naves, em 30.03.09

 

Haverá sempre esmeraldas

As notícias dizem que a situação internacional é bem mais grave do que se supunha. Aliás, ao longo dos últimos meses temos tido surpresa atrás de surpresa: em cada momento, a situação é sempre pior do que se supunha. Os próximos dias serão importantes para o futuro do capitalismo e a sequência desta crise, com a reunião do G20.

Numa cena de A Cidade e As Serras, de Eça de Queiroz, um banqueiro tenta convencer a personagem principal, Jacinto, a investir numa exploração de esmeraldas algures na Ásia. Jacinto duvida e pergunta se foram feitos estudos, se encontraram esmeraldas. E o banqueiro responde: “Há sempre esmeraldas desde que haja accionistas”.

Certas coisas não mudam e talvez haja sempre esmeraldas. Mas foram capitalistas assim que nos trouxeram ao ponto onde estamos. Por outro lado, este será um daqueles momentos da história que mais tarde produzem a sensação de termos vivido algo de invulgarmente intenso. Os acontecimentos precipitam-se sem aparente relação entre si. Tal como aconteceu em outras ocasiões: após a queda do muro de Berlim, por exemplo, ou no final da década de 60 e início de 70, nos anos 30 ou antes da Primeira Guerra Mundial, nas décadas de 70 e 40 do século XIX, em sucessivos saltos de 20 ou 30 anos.

A consciência de termos vivido a História surge mais tarde, mas pelo menos desta vez não podemos ter a atitude de Jacinto e dizer "que é tudo uma seca". 

 

Por lamentável erro, indisfarçável ignorância, chamei Joaquim à personagem Jacinto de Eça. Fica a correcção.

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11 comentários

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De Zé Dias da Silva a 30.03.2009 às 10:42

Joaquim ou Jacinto?
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De Luís Naves a 30.03.2009 às 15:49

Jacinto, claro
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De Anónimo a 30.03.2009 às 11:12

Foram capitalistas brancos e de olhos azuis. Já lá disse o cachaceiro-mor.
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De JTeles a 30.03.2009 às 13:08

É um insulto, e uma mentira, esta história da cachaça, inventada por um jornalista americano, há meia dúzia de anos, e completamente esclarecida na altura. Ficou provado que o Presidente Lula só bebe, e moderadamente, em ocasiões sociais. De resto não consome álcool, nem mesmo às refeições. Insistir na calúnia, sob a capa do anonimato, não dignifica ninguém. E não tem piada nenhuma. Declaração de interesses: eu não gosto do Presidente sindicalista brasileiro e nunca votarei no Mário Nogueira, ex-professor de trabalhos manuais, para Presidente da República de Portugal.
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De Anónimo a 30.03.2009 às 15:06

Ah, ah, ah, essa teve graça!
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De Anónimo a 30.03.2009 às 15:07

E, é verdade, tem mais: também não foi ele que disse aquilo dos brancos de olhos azuis. É outra campanha negra.
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De JTeles a 30.03.2009 às 15:47

Disse e disse muito bem. Não foram os banqueiros do 3º mundo que armaram esta confusão. Foram alguns que em Portugal por exemplo ainda há meia dúzia de meses defendiam a privatização da segurança social, a entrega dos descontos dos trabalhadores aos Madoffs ou aos Rendeiros, os "fazedores de fortunas", lembra-se?

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De Anónimo a 30.03.2009 às 15:56

Já vi que temos por aqui alguém que só encontra
racismo e xenofobia quando alguém diz que pretos ou ciganos cometem crimes. É a habitual imparcialidade.

Esquecia-me de dizer: José Eduardo dos Santos é de uma honestidade a toda a prova e jamais teve nada que ver com off-shores.
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De JTeles a 30.03.2009 às 14:07

Belíssimo post, Luís: também tenho a sensação que vivemos um tempo único, como no PREC, ao contrário, e que vale a pena pensar, como o Eça, que haverá sempre esmeraldas. Embora, por falar no Eça, a primeira coisa que me veio à mente tenha sido a mais óbvia "Catástrofe", o conto que na minha edição acompanha o "Conde de Abranhos":
..."Havia jornalistas, magistrados, políticos, e agora, através das frases, sentia-se, em todos, o abatimento das almas. Ninguém acreditava na resistência possível, e, diante do perigo, o egoísmo erguia-se feroz e brutal. O ódio ao inimigo era violento -- menos pela perda possível da Pátria livre do que pelos desastres particulares que traria a derrota: um, tremia pelo seu emprego, outro, pelo juro das suas inscrições".
E estoutro parágrafo:
"Foi em Lisboa que soube, aos fragmentos, todos os detalhes da catástrofe: as esquadras inimigas no Tejo, a cidade sem água, porque o conduto do Alviela fora cortado, a insurreição nas ruas, e uma plebe alucinada, passando do abatimento ao furor, ora arrojando-se contra as igrejas, ora pedindo armas, e juntando-se à confusão da derrota os horrores da demagogia".
Assim falava Eça, o profeta, há cento e tal anos. Confiemos que não tenha passado de um exercício de humor.
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De JB Online, 8 de Julho de 2005 a 30.03.2009 às 18:57

BRASÍLIA - Em meio a pior crise política de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva surpreendeu ontem com um discurso improvisado na posse dos três novos ministros do PMDB usando frases inusitadas, como fazer exercício para poder trocar remédio por taça de vinho, substituir notícia ruim por passeio e até evitar ter filhos a cada relação. Alguns dos que estavam no salão nobre do Planalto, entre eles médicos e representantes da área da saúde, se entreolhavam a cada colocação de Lula. Outros esboçavam risos.
Em tom informal, o presidente elogiou o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, dizendo que ele tem futuro, e deu ao novo ocupante da pasta, Saraiva Felipe, não só a tarefa de cuidar do ministério como a de ''dar uma ordenada'' no ''querido'' PMDB. Enquanto listava os compromissos de seu governo, Lula citou o Farmácia Popular e o fracionamento de remédios. Foi aí que veio a comparação:



- Quando alguém quer ir ao bar tomar um aperitivo, ele não chega lá e pede uma garrafa de cachaça e toma toda. Ele vai pedindo uma por uma dose. Então, remédio tem que ser assim. Por que é que tem de comprar todo de uma vez? Comprar um por um daquilo que ele quer comprar, apenas na quantidade certa.




Em seguida, ao tratar do programa de planejamento familiar, o presidente disse ser dever do Estado oferecer informações à população.



- Precisamos orientar homens e mulheres, que eles não têm de ter um filho cada vez que têm relação. Isso é o Estado que tem de fazer.



Lula também falou do programa Brasil Saudável, lançado recentemente para incentivar a população a praticar esportes. O presidente fez outra comparação.



- Conheço pessoas que tinham pressão alta e quando começam a andar passam a ter a pressão regulada. Ao invés de tomar um comprimido, pode tomar uma tacinha de vinh. Ao invés de ficar vendo na televisão notícia ruim, vai andar um pouco. Se for marido e mulher, vão de bracinho dado, namorando.


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De Leonor a 30.03.2009 às 23:37

Excelente post Luís.

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