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E depois de Sócrates?

por Tiago Moreira Ramalho, em 02.03.09

Nos últimos meses as sondagens têm evidenciado um grande aumento  por parte da extrema-esquerda nas preferências de voto. Ao mesmo tempo, o PSD tem diminuido, e muito, as suas percentagens nas sondagens. O PS, claro está, mantém-se no topo.

Esta pequena introdução para colocar agora a questão que me fez escrever este texto: e depois de Sócrates?

Há quatro anos atrás, lembremo-nos, José Sócrates ganhou a um PSD fragilizado. O PS obteve, então, a sua primeira maioria absoluta com a ajuda dos desgostosos da direita. As lideranças do PSD sucederam-se, todas más, marcadas pelas guerras fraticidas do partido e o PS, feliz, continuou a escavar direita a dentro. Esta invasão da direita, deixou a esquerda aberta, completamente aberta. Muito do eleitorado do PS, desgostoso com a via, passou a olhar para o Bloco com outros olhos e aderiu ao grupo.

Quem é, então, o eleitorado do PS agora? Os velhos resistentes, que votariam PS mesmo que fosse Mário Machado o líder e os desgostosos do PSD.

Sabendo nós que tudo isto se deve ao carisma e qualidade na retórica - há que admiti-lo - de Sócrates e à falta de alternativa à direita, o que será de esperar quando Sócrates sair e quando a alternativa surgir? Simples. A extrema-esquerda manter-se-á: quem entra dificilmente sai, e o PSD recuperará quem anteriormente perdeu para o PS. Teremos, caso a alternativa seja boa e a gestão melhor, um PSD fortíssimo com o seu eleitorado de sempre e para o qual sabe falar e um PS numa encruzilhada: sem capacidade para abarcar o centro-direita e com um eleitorado de esquerda já demasiado desligado. O Partido Socialista terá bastantes dificuldades em recuperar depois de passar dez anos como Partido Sócrates.

 

[Fotografia: Pedro Azevedo/Sojormedia]

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13 comentários

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De Nilton a 02.03.2009 às 23:42

Se pensarmos no tempo que Sócrates levou para subir ao topo do PS não há problema que ainda não tenha aparecido seguidor. Embora ele tenha ganho com o suposto envolvimento de Ferro Rodrigues no processo Casa Pia e com a debanda do Durão Barroso o que fez com que muita gente nem se tenha apercebido de onde surgiu ele e quão rápida foi a sua subida ao poder.
Essa mesma questão colocou-se nos pós Cavaco e não faltou quem se seguisse. Aliás, foram tantos que até hoje não encontram consenso.
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De Tiago Moreira Ramalho a 02.03.2009 às 23:48

Tinha no post uma frase que dizia, mais ou menos, que José Sócrates está a fazer hoje ao PS o que Cavaco Silva fez ao PSD do seu tempo, mas tirei-a por achar que ficava "a mais". Pelos vistos não...
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De Nilton a 03.03.2009 às 01:30

Tiago, terá de se fazer sempre a comparação, até porque líderes carismáticos deixam sempre um vazio atrás de si. Resta saber quem será o Fernando Nogueira do PS daqui a 4 anos.
isto partindo do princípio que até lá já o PSD arrumou a casa e construiu uma alternativa capaz de lhes fazer frente.
A ver vamos, para já a resposta à tua pergunta será provavelmente: Depois de Sócrates a travessia no deserto.
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De PCV a 03.03.2009 às 00:16

He´s here 4 the moment...and he`s not going anywhere soon...
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De J.M. Coutinho Ribeiro a 03.03.2009 às 00:23

A questão está em saber se o PSD aguenta até lá.
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De J.Loroña a 03.03.2009 às 00:55

"...carisma e qualidade na retórica..." ?!!!

Por favor! Como se podem confundir conceitos tão elevados, com as "qualidades" inatas deste senhor que é o PM de Portugal...?!
Este senhor apenas tem o "carisma" da mentira e da bazófia. E quanto às "qualidades", duvida-se que Diógenes de Sínope, de candeia na mão, conseguisse vislumbrar alguma..
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De João André a 03.03.2009 às 09:30

«A extrema-esquerda manter-se-á: quem entra dificilmente sai»

Não consigo concordar Tiago. Aliás, a política portuguesa foi pródiga no passado em provar o erro desta afirmação. PRD, PSN, votações bem mais fortes no PCP ou CDS-CDS/PP-PP no passado, etc. Basta que a crise amaine, o PSD recupere alguma da força (e para isso precisa de quem o organize, seja uma pessoa ou um grupo) e haja novas eleições em clima de acalmia. Os resultados de BE ou PCP descem logo. É verdade que a situação actual é diferente, mas se o PCP e o BE se mantiverem, não é por "dificilmente saírem". Isso não existe (na minha opinião, claro).

Já agora, juro que não consigo compreender qual o carisma de Sócrates. Admito que seja um político extremamente hábil e até cativante no contacto pessoal, mas não lhe vejo carisma, pelo menos naquela definição de, ao o ver e ouvir falar, ficar preso a ele pela forma, mais que pelo conteúdo. Basta compará-lo a políticos como Soares, Cunhal, Sá Carneiro ou outros para perceber que não é carismático. Sê-lo-à, no máximo, em comparação com o cinzentismo que predomina. Aí, talvez...
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De araújo a 03.03.2009 às 16:51

sócrates é um políticomuito carismático e com um domínio perfeito da retórica. Aliás, se assim não fosse, a direita não estaria tão preocupada com ele e obcecada em desferir-lhe ataques.
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De Amêijoa Fresca a 03.03.2009 às 11:42

Num espectáculo deprimente
com sumidades figurantes,
este “socialismo” demente
é composto por políticos ignorantes.

Este (des)Governo ornamentado
por tão ilustres personalidades,
o desânimo é acalentado
pelas suas pueris imoralidades!

Para o mexilhão observador,
deste jardim tão róseo,
este “socialismo” arrebatador
envergonha qualquer “Ambrósio”!
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De Manuel Leão a 03.03.2009 às 15:36

E depois, adeus...

(Não confundir com depois do adeus).
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De Rodrigo Lobo d'Ávila a 04.03.2009 às 11:25

Bom raciocinio, se bem que se trata (na minha opinião) de um pouco de "wishful thinking"...
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De Tiago Moreira Ramalho a 04.03.2009 às 13:12

É possível, quem não cai de quando em no wishful thinking? No entanto, basta lembrarmo-nos do que doi o PSD pós-Cavaco (situação que considero perdurar até hoje, pois mesmo Durão Barroso foi um pouco transitório - muito por culpa dele) e transpôr para o PS pós-Sócrates. As semelhanças são imensas.

O tempo dirá se tenho razão...

Cumprimentos (e já agora obrigado pelo elogio)
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De Rodrigo Lobo d'Ávila a 04.03.2009 às 14:08

Quando falava de wishful thinking, n me referia á sua previsão para o PS com a qual concordo, embora sinceramente ache que o PS, não corra o mesmo risco que o PSD, dado haver alguns delfins (Antonio Costa por exemplo), que talvez consigam ter peso para aguentar o barco (coisa que Cavaco nunca teve; os seus delfins eram Barroso, Santana e Mendes). Tava-me a referir a hipotese de o PSD se voltar a tornar num partido fortissimo. Sinceramente penso que os sociais democratas se assemelham agora um pouco, a uma grande nação, mas que é composta por uma infinidade de tribos (regionais, ideológicas, económicas), cada uma com o seu chefe tribal, e todas elas num estado de guerra permanente. Para alem de achar que o PSD já ultrapassou o ponto de não retorno para a auto destruição (para citar o prof. Marcelo), duvido que exista alguém que consiga unificar as varias tribos. Á excepção de talvez Rui Rio... E este tem sempre o problema da CMP e do calendario autartico...

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