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O pior cego é aquele que não quer ver

por Duarte Calvão, em 29.07.07
Confirmando-se que só Mendes e Menezes se candidatam à liderança do meu partido, é mais do que provável que não vote em nenhum. Depois da eleição, vou esperar mais um pouco para saber o que o líder eleito tem para dizer e ver que pessoas o acompanham. Mas não acredito que haja alguma coisa que me surpreenda positivamente. Talvez espere por Rui Rio, ou alguém dessa categoria, para 2009. Talvez não. Talvez ache que o PSD já não tem salvação, com o vazio de poder causado pela elite do partido, paralisada em tacticismos e comodismos. Um vazio de poder ocupado por um tipo de gente do aparelho de que só quero distância.
Mesmo que Mendes ou Menezes viessem a ganhar em 2009, que tipo de gente levariam para o governo? Acham que essa gente do aparelho não cobra a factura quando chega a hora? Acham que podem aliar-se a eles sem perder a alma? Se pensam assim, não aprenderam nada com o que se passou em Lisboa, e não vale a pena apostar em ingénuos ou cínicos.
Perante este cenário, fico pasmado em ver como a ideia de um novo partido no espaço não-socialista é condenada logo à partida. Quem faz comparações com o PRD ou a Nova Democracia não percebe nada do que se está a passar nesse espaço. É claro que um novo partido nunca poderia ser unipessoal, servindo apenas às ambições políticas de um líder incontestado. Nem Santana Lopes, nem Portas, ganhariam nada se apostassem num partido assim. Mas porque não um novo partido formado por gente que já não aguenta o aparelhismo que tomou conta do PSD, que fizesse uma clara ruptura com as más práticas e os programas indistintos que vigoram na chamada "direita"? Com gente de valor que está congelada nos partidos de "direita"? Estamos condenados a um eterno sistema partidário que, como se viu nas eleições de Lisboa, já pouco ou nada diz a muitos eleitores?
Pacheco Pereira, por quem tenho uma enorme admiração, espanta-me agora. Depois de ter descrito magistralmente o estado a que o PSD chegou, é o primeiro a dizer que não há espaço para um novo partido. Ele e outros por quem tenho apreço que digam onde pode haver esperança de uma regeneração do PSD e prometo que vou ouvi-los com toda a atenção. Não gostaria de deixar o partido de que sou militante. Mas, para já, parece-me melhor começar a pensar em alternativas. Ou então desistir de vez.



1 comentário

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De Anónimo a 30.07.2007 às 14:43

A lista aqui ao lado dos putativos futuros líderes do PSD só deixa adivinhar desgraças.

José Pedro Aguiar Branco não tem obviamente curriculum. É um desconhecido para a grande maioria da população.

Luís Marques Mendes tem feito uma oposição muito mais inofensiva do que se esperaria de quem dava a táctica no tempo de Durão. Já não se vislumbra que possa dar a volta à situação.

Manuela Ferreira Leite já não está para isso, e faz muito bem.

Nuno Morais Sarmento não deixou grande imagem e «passa» relativamente mal nos media e como orador, mas para quem está de fora (como eu) parece o menos mau e alguém que pensa e mede o que faz.

Luís Filipe Menezes é um troca-tintas, que diz o que lhe vem à cabeça em cada momento, sem nenhum perfil de estadista.

Pedro Santana Lopes devia desaparecer da cena política, tal a imagem que deixou e, mais uma vez, é alguém sem nenhum sentido de Estado. Barroso acertou na mouche quando o qualificou como um misto de Zandinga e Gabriel Alves.

Rui Rio parece-me sério e honesto, mas incompatibiliza-se com toda a gente e é demasiado obstinado e teimoso.

António Borges daria um ministro das finanças ou algo do género, mas nunca um líder para o PSD. Imaginá-lo em campanha a distribuir beijinhos pelas velhinhas e pelas criancinhas é completamente impossível.

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