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Dúvida existencial

por Tiago Moreira Ramalho, em 12.02.09

Porque é que ao ler isto sinto um profundo nojo, mesmo passados dois anos?

 

Comentário do Joaquim Carlos (Palavrossavrvs Rex):

 

«Tiago, é de ter nojo e um nojo Absoluto essa tradução em Lei de uma prática abjecta do princípio ao fim: a abjecção que é a supressão naturalíssima de uma vida em dada fase do seu desenvolvimento natural, a facilitação e quase encorajamento disto.

Não há emancipação verdadeira que suporte e se sustente numa ideia de Sangue Derramado como saída 'moderna' e 'decente', por razões de 'dignidade' ulterior do nascituro ou de 'economia' familiar.

É um capricho brutal e um retrocesso civilizacional tolerar, como no tempo dos Romanos que abandonavam recém-nascidos à sorte e à morte ou dos Povos que praticavam sacrifícios humanos, a redução do conceito de liberdade corpórea e de definição livre de um rumo individual a permissão de matar sob os auspícios do Estado, havendo tantas e tão belas saídas positivas, menos o pôr e dispor de um potencial de vida que ninguém pode calcular nem caluniar antecipadamente.

Estamos no âmago de um genocídio silencioso tão asqueroso como qualquer outro em qualquer época. É de ter nojo da mesquinhez, mero vão-de-escada-moral, a que nos trouxe tal lei»

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16 comentários

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De Joca a 12.02.2009 às 20:59

Porque continuas a ser um fundamentalista.
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De Tiago Moreira Ramalho a 12.02.2009 às 21:06

Acho uma graça a esses comentários:

"Não concordas comigo, logo, és fundamentalista".

Obrigado pelo contributo Joca
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De Daniel Santos a 12.02.2009 às 21:31

Não devias ler, tem coisas que fazem mal ao estômago.
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De Francisco Sousa a 12.02.2009 às 21:48

Talvez porque nunca tenha assistido a uma IVG de "vão de escada"!

Francisco Sousa
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De Tiago Moreira Ramalho a 12.02.2009 às 22:06

Acha isso um argumento?

Acho também muita graça a essa via do "já que se faz, que se faça como deve de ser", não interessando se é certo ou errado. Enfim...
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De flagelo a 12.02.2009 às 22:27

o sousa, pelos vistos, deve ter assistido a muitos. é o que se chama um expert. fazia a esterelização dos instrumentos ou varria as escadas?
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De francisco sousa a 12.02.2009 às 22:36

Por mim a discussão acaba aqui! Se o meu argumento não é "válido" o do flagelo faz juz ao seu nome, um verdadeiro flagelo na arte da conversa! E já agora, para acabar em beleza e utilizando a sua argumentação, tenho pena de não ter assistido ao seu!
boa noite!
Francisco Sousa
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De Tiago Moreira Ramalho a 12.02.2009 às 22:44

Ora Francisco, não abandone a discussão. Neste tipo de tema há sempre alguma exaltação. E neste caso também houve alguma da sua parte.

Mas continuo a afirmar que, logicamente, o seu argumento não é válido, porque o que faz é dizer, como já referi, "dado que se faz, ao menos que se faça como deve de ser". Não diz se é certo ou errado. Aliás, não querendo dizer que é o seu caso, muitos dos que usam este argumento nem querem saber se é certo ou errado: o seu fim é outro...
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De Francisco Sousa a 12.02.2009 às 23:28

Caro Tiago, abomino o aborto tanto como você! Não posso é ficar indiferente aos factos e os factos dizem-me que a IVG clandestina acontecia (acontece) e não pode ser ignorada, como tal é necessário encontrar soluções, para as mulheres que se veêm na contigência de ter que recorrer a essa prática, para aqueles que as praticavam (praticam) sem as minimas condições. Ou seja a prática é condenável, mesmo sem entrarmos em considerações histórico/filosóficas, mas a sua existência obriga-nos a conseguir alternativas e não assobiar para o ar e deixar tudo como estava (está?)
E já agora perdoe-me a exaltação que nunca é boa conselheira!
Boa noite
Francisco Sousa
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De PALAVROSSAVRVS REX a 12.02.2009 às 22:54

Tiago, é de ter nojo e um nojo Absoluto essa tradução em Lei de uma prática abjecta do princípio ao fim: a abjecção que é a supressão naturalíssima de uma vida em dada fase do seu desenvolvimento natural, a facilitação e quase encorajamento disto.

Não há emancipação verdadeira que suporte e se sustente numa ideia de Sangue Derramado como saída 'moderna' e 'decente', por razões de 'dignidade' ulterior do nascituro ou de 'economia' familiar.

É um capricho brutal e um retrocesso civilizacional tolerar, como no tempo dos Romanos que abandonavam recém-nascidos à sorte e à morte ou dos Povos que praticavam sacrifícios humanos, a redução do conceito de liberdade corpórea e de definição livre de um rumo individual a permissão de matar sob os auspícios do Estado, havendo tantas e tão belas saídas positivas, menos o pôr e dispor de um potencial de vida que ninguém pode calcular nem caluniar antecipadamente.

Estamos no âmago de um genocídio silencioso tão asqueroso como qualquer outro em qualquer época. É de ter nojo da mesquinhez, mero vão-de-escada-moral, a que nos trouxe tal lei.
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De João André a 13.02.2009 às 11:24

O maior nojo aqui é o comentário do Joaquim Carlos e a opinião de todos que equiparam o aborto a "genocídios". Tentem conhecer pessoas que pertencem a grupos com memórias colectivas de genocídios (no meu caso, tutsis, judeus e arménios) e falar-lhes do "genocídio" que é o aborto. Experimentem, mesmo.

Se o aborto "vão de escada" não é argumento, então o "genocídio" ainda o é menos. E se o Tiago aceita o segundo (dá-lhe honras de adenda no post) mas não o primeiro (que foi um dos argumentos usados para a vitória do "Sim"), então não vale a pena estar a falar contra quem se exalta. A sua capacidade de discutir este assunto de forma séria é tanta como a do Francisco Sousa quando exaltado.
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De Tiago Moreira Ramalho a 13.02.2009 às 11:30

João André,

Estima-se que se façam, no mundo, 50 milhões de abortos por ano. Se considerarmos os fetos seres humanos (que outra coisa lhes podemos chamar?) significa que morrem tantos seres humanos por ano em abortos como na segunda guerra mundial.

O aborto em vão de escada foi um dos argumentos mais falaciosos da campanha do 'Sim'. Basicamente diz-nos: já que se faz, que se faça em termos. Não se preocupa com a moralidade do acto, mas sim com as consequências do mesmo. Eu pessoalmente gosto de roubar em termos, pouco me importa se é certo ou errado, mas exigo que me comecem a abrir as portas de casa porque arrombá-las aleija.

Eu não o ofendo neste comentário, por isso, gostava que não voltasse a acusar-me de falta de seriedade, sff.
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De João André a 13.02.2009 às 11:34

Quanto à questão em si, penso que o blogue explica as suas razões. Se o Tiago não compreende, não é problema dos outros. Que não concorde, direito que lhe assiste. Que diga que lhe causa nojo... bem, então tome um comprimido e siga em frente, que a campanha do "Não" causou-me a mim e continuei a ter que a ver.

A legalização do aborto não criou o problema. Quem abortava antes, continua a abortar agora. Melhor, quem abortava antes talvez até nem aborte agora, porque existem diversos mecanismos para o evitar. Um deles passa pelas associações anti-aborto, que ajudam quem não quer os filhos (trabalho meritório que mereceria muito mais posts do que os deste tipo). Outro pelo lado de médicos que poderão aconselhar mulheres que chegam aos estabelecimentos de saúde e as podem aconselhar a não o fazer ou as poderão ajudar a que o problema não se repita.

Por outro lado, o aborto era antes praticado ou em condições repulsivas (é um argumento perfeitamente válido, mais válido que o do Zézinho) sobre quem não tinha dinheiro ou com todos os luxos... no estrangeiro, para quem o podia pagar. Pior, as mulheres que o praticassem eram, à luz da lei, criminosas que poderiam ir para a cadeia. Imagine uma mulher cujo crime era não querer a criança que tinha dentro de si e se via obrigada a ir para a cadeia. Isso deveria ser, segundo o Tiago, uma coisa muito boa. O Tiago é homem, portanto não teria problemas, não é verdade?

E outro pormenor é a questão do preservativo. Muitas associações (e movimentos e pessoas individuais) anti-aborto são católicas e escudam-se nessa moral para a sua posição. Legítimo, como é óbvio. Por outro lado, também dizem que o aborto não pode ser uma forma de planeamento familiar, como se fossem a favor do mesmo. Por outro lado, são contra o preservativo, não gostam da pílula e propõem a abstinência sexual até ao casamento como solução (como se o aborto fosse um exclusivo de mulheres solteiras). A isto tudo chama-se hipocrisia.

PS - se fala dos romanos, eu posso falar desses católicos passados tão morais e moralistas que andaram a queimar mulheres. Um argumento é tão válido como o outro, parece-me. Talvez não o seja, contudo, para católicos, que só gostam dessas comparações se envolverem muçulmanos.
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De Tiago Moreira Ramalho a 13.02.2009 às 11:45

João André,

Apenas algumas notas:

1. Dizer que a legalização do aborto veio diminuir o problema é gozar com a tropa.

2. Logicamente, o argumento do "vao de escada" não é válido. Lá porque você o repete até à exaustão, nada se altera.

3. Sou homem, mas se engravidasse uma mulher não aceitaria que ela fizesse um aborto. A culpa seria do homem e da mulher, não da criança: uma criança não tem de morrer apenas porque os pais não assumem as suas acções.

4. Sou completamente a favor do uso de todos os métodos contraceptivos.

5. Isso dos católicos passados (e presentes) cujo moralismos leva a esses extremismos é lamentável. Mas a introdução do dado na discussão apenas prova que não compreendeu o que o Joaquim queria dizer.

6. Tenho uns 4 posts sobre o aborto no meu outro blogue: O Afilhado (http://oafilhado.blogs.sapo.pt/). Se o João André quer um debate, aqui me tem prontinho, se quer perpetuar a sua opinião de forma clubística, é lá consigo.

Cumprimentos
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De João André a 13.02.2009 às 15:39

Ainda estou para saber porque razão a questão do aborto clandestino não é um argumento. O Tiago estabelece a comparação com um assalto, mas essa comparação é completamente falaciosa. Uma mulher que aborta não o faz para ganhar vantagens específicas (como um ladrão). Uma mulher que aborta também sofre. Seja fisicamente, seja moralmente, seja psicologicamente.

Em todo o caso, faço-lhe uma pergunta: concorda que as mulheres que abortam sejam criminalizadas e presas?

Quanto aos seus números, a Lancet falava em 2003 de 42 milhões, número com tendência decrescente desde 1995 (46 milhões, com menor população). Também re refere no artigo:

«The abortion rate per 1000 women was lowest in
western Europe (12), and was also quite low in northern
and southern Europe (17–18) and Oceania (17). In these
geographic areas, most abortions were legal and abortion incidence had been low for decades»

Ligação: http://media.mcclatchydc.com/smedia/2007/10/17/13/Chang-Guttmacher_Institute_abortion_report.source.prod_affiliate.91.pdf

Quanto à questão moral, também não gosto do conceito de aborto. Sou contra ele. Apenas não imponho esse conceito a outros nem envio ninguém para a prisão por causa dele.

Em relação à questão: «o que chamar a um feto?», ela tem a sua própria resposta: um feto. Ou o Tiago também quer considerar aborto uma masturbação que desperdiça tantos espermatozóides que poderiam dar origem (com óvulos) a crianças? (Este argumento, reconheço-o eu, é desonesto, mas pouco mais que a questão do que chamar a um feto).
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De Tiago Moreira Ramalho a 13.02.2009 às 18:22

É um argumento, a questão é que é falacioso. O argumento de: o aborto deve ser legalizado, pois caso não o seja vai haver mulheres a fazer abortos em vãos de escada, faz um apelo às consequências, isto é, em vez de analisar a moralidade do acto, incide sobre as consequências da sua não legalização. Um raciocínio semelhante é: há tráfico de órgãos, como a retirada dos órgãos é feita em más condições, os compradores podem sair lesados, logo, é preferível que se legalize e que se passe a retirar os órgãos de forma mais limpinha. A analogia não é falaciosa: a mulher quando faz um aborto tem um benefício, senão não o faria. Cada mulher terá o seu, mas qualquer uma terá algum, mais não seja, esconder do papá que engravidou no fim de semana com as amigas.

O João André diz a determinada altura que não gosta do conceito de aborto e que é contra ele. Mas a seguir diz que não impõe esse conceito a outros nem envia ninguém para a prisão por causa dele. Bom, a mim não me agrada o conceito de homicídio, sou contra os assassinatos. No entanto, não imponho isso aos outros, logo, quem achar que matar não é errado é livre de o fazer.

Quando nos masturbamos não estamos a matar ninguém. Quando nos masturbamos estamos a "mandar fora" células nossas, no máximo, estamos a cometer suicídio parcial. Quando fazemos um aborto, o caso muda de figura. E quando eu disse o que lhe chamar era em relação à discussão da humanidade ou não humanidade do feto: há quem diga, sabe Deus porquê, que o feto não é humano. Deve ser um canídeo ou uma ave qualquer.

Quanto à pergunta que me coloca: sim, as mulheres que fazem abortos deveriam ser presas. E se quer que lhe diga, o sim ganhou exactamente por uma boa parte dos eleitores ter interesse no assunto: muitas mulheres fizeram abortos clandestinos em Portugal e dá jeito que o aborto seja legalizado. Mas, infelizmente, do lado do sim não ouvi um único argumento que me fizesse pensar que matar um feto não é errado, porque é aqui que está a questão: matar um feto é ou não errado?

Cumprimentos

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