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Emoções básicas (45)

por Luís Naves, em 02.02.09

O afundamento

Não percebo nada de política, mas sei que na sociedade portuguesa não se aplicam as mesmas regras a todos. Há uma grande diferença entre ricos e pobres no acesso à justiça, à educação ou à saúde. Há génios da farinha amparo que não precisam de trabalhar e nunca deixam de ser génios. E os juízos de valor são diferentes conforme a tribo a que se pertence.

Fiz um esforço de memória, mas não me lembro das razões exactas que levaram à demissão do governo anterior. Houve um ministro que se demitiu, um comentador de televisão afastado do seu programa e as contas públicas estavam a agravar-se. Já não me recordo se o túnel do marquês veio ao barulho ou o casino de Lisboa, mas lembro-me da violência dos editoriais na imprensa. Era mau, de facto. Resultado: dissolução da assembleia e eleições antecipadas.

A situação que envolve o actual governo provocou uma reacção algo diferente. Tudo parece normal, dizem que é preciso manter a serenidade, que se trata de uma campanha negra, de uma conspiração, de calúnias, e nem pensar em eleições antecipadas.

 

A reacção talvez fosse adequada se não estivéssemos na situação em que estamos. O Correio da Manhã fez as contas e são 370 desempregados por dia em Portugal, 11 mil mensais. Ouvi durante vários dias, várias vezes, a notícia de que em França o desemprego atinge 45 mil pessoas por mês. Era noticiado como catastrófico. Mas considerando a população, para ter o ritmo português, deviam ser 66 mil. Ou seja, a nossa situação é bem pior. Também tenho ouvido muitas notícias sobre os pobres dos islandeses, tão atingidos pela crise. Mas os islandeses têm um rendimento per capita de 50 mil dólares e podem perder 20% da sua riqueza. E a França tem uma rede social que aguenta taxas de desemprego elevadas.

O que quero sublinhar é que a nossa situação é muito mais grave do que a dos outros países, incluindo Espanha, pois só sairemos da crise depois dos espanhóis. Mas parece que lá fora é que é mau.

 

Por isso não percebo o tabu das eleições antecipadas. A oposição espera que o Governo Sócrates frite em azeite lento e que o poder lhe cai no colo sem esforço. Os socialistas esperam certamente fazer regressar o partido ao centro-esquerda, manter o poder e inverter o sentido das poucas reformas que este governo conseguiu iniciar. Mas isto são cálculos de politiquice. Enquanto alguns esperam que o fruto apodreça na árvore, nada muda. Se existe o pântano ele é certamente este escândalo em câmara lenta. Com o país parado, continuaremos a assistir ao empobrecimento geral, a este afundar devagarinho, que nem sequer provoca pânico quando se percebe que não há bóias para todos.

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