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O estranho caso do comunicador incomunicante

por João Villalobos, em 21.01.09

Leitor atento de jornais e de blogues, não vejo nenhum editor ou jornalista de política tão na ribalta como o nosso FAL. Pela qualidade das suas fontes, capacidade de escrita e nenhuma tendência para a subserviência, ele incomoda muita gente. De vez em quando, lá surgem os ataques à esquerda e à direita tentando condicioná-lo e limitá-lo no que publica como o faz, mais uma vez, José Pacheco Pereira, pelo menos desta vinda com a coragem de escrever o nome da pessoa que acusa.
Autor de cada vez menos linhas, Pacheco Pereira parece ter agora mais tempo livre para dissecar notícias e editoriais em anatomias do «situacionismo» e posts que "denunciam" a suposta conspiração Passos Coelhista do Diário de Notícias e do Francisco em particular. Isto é: A JPP não interessa analisar o facto de Manuela Ferreira Leite, ao contrário de Passos Coelho, nunca ter tido uma estratégia de comunicação coerente, ou sequer associar a visibilidade superior deste último, face à líder, com a certeza instalada de que se MFL conseguir chegar até às eleições é apenas para se demitir a seguir ou dar lugar ao senhor que se segue. Não. Para Pacheco Pereira, cada notícia ou ausência dela sobre a direcção do PSD brota de uma campanha estruturada onde os autores são à vez o Governo, o Francisco ou quem fala com o Francisco.

Não atravessa a sábia mente do autor do Abrupto que cada notícia ou ausência dela reflecte apenas o desconforto e a inabilidade com que a líder e a sua entourage tratam a comunicação social, com excepção de Azevedo e Silva (alguém que imagino só não faça bem o que não lhe deixam fazer). É triste, porque é um comportamento autista que não leva a lado algum. Se JPP; como diz, apenas iniciou a lista de toda uma série de jornalistas e jornais a quem apontará os dedos todos da mão, faz mal. Bater no mensageiro, como todos sabemos, não elimina o conteúdo da mensagem. Por mais que desagrade a Pacheco Pereira, ele falhou e a direcção que apoia falhou também. Mas pronto. Imagino que ele só veja neste post «uma manobra evidente do lobby das agências de comunicação», essas grandes nacionais-situacionistas. E amiguismo. É capaz de ver aqui uma demonstração de amizade e nisso - só nisso - não falha. Sou amigo dos meus amigos e mais amigo da verdade. Quando as duas coisas se juntam, como neste caso, não há que hesitar.   

P.S. Agradeço que não escrevam comentários a vilipendiar Pacheco Pereira. Este post não é para isso e eu não me presto a aprovar insultos anónimos. 



18 comentários

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De Tiago Moreira Ramalho a 21.01.2009 às 21:24

Mera curiosidade: no tempo do Santana, em que todos os dias 97% das "notícias" eram a falar mal do senhor, o Abrupto apresentava estes relatórios?

E quando os editoriais do JMF, no Público, fizeram a blogosfera socialista arder (lembro-me dos imensos textos do Tiago Barbosa Ribeiro, no extinto Kontratempos, sobre os afamados editoriais), o sr. JPP preocupava-se com isto do "puro jornalismo" e do engano?

A dualidade de critérios é tramada...

(João, eu não vilipendiei o senhor!)
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De Daniel Santos a 21.01.2009 às 21:29

não vou insultar o senhor JPP.

Nunca li nem vi o blogue dele, uma questão de opção.

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De Luís Naves a 21.01.2009 às 21:32

O DN é o jornal da concorrência daquele onde ele escreve, por isso pode ser acusado de situacionismo. E se não fosse o PS que deixaste no final, eu acrescentaria que se trata de um ataque intelectualmente desonesto, o que não pode surpreender ninguém. JPP é um pretensioso, apenas, e acha que tem contas a ajustar com o DN, onde foi colunista durante anos. Aliás, o DN praticamente inventou JPP. Chama-se a isto cuspir na sopa, falta de gratidão. Quanto às acusações contra o Francisco, basta ler o post mal escrito de JPP para compreender imediatamente que a acusação cai por terra. Chama-se a isto política de má qualidade, feita por um perdedor profissional...
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De Pedro Correia a 21.01.2009 às 22:15

Escreveste muito bem. Aplaudo e subscrevo.
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De Jorge Luís a 21.01.2009 às 22:32

Só duas notas: no seu post não refuta nenhuma das acusações de Pacheco Pereira, não há uma única critica à substância do que é escrito no Abrupto limitando-se a atacar o próprio Pacheco Pereira. Este, ao contrário dá exemplos concretos do que afirma.

JPP não põe em causa o mensageiro mas a mensagem.

Depois, do seu post resulta que o que preocupará JPP é o facto de MLF não ter uma estratégia de comunicação. (Não está dito, mas infere-se que, pelo contrário, Passos Coelho a terá.)

Ora o que JPP diz é que Passos Coelho claramente tem uma estratégia de comunicação que não passa por fazer oposição ao Governo mas sim por se apresentar todos os dias na imprensa como alternativa a Ferreira Leite. Mais, JPP diz que FAL é o portador evidente (e demonstra como) dessa mensagem. E isso não é aqui refutado.

(E eu acrescento mais: Este blogue, tal como o vosso blogue irmão, Delito de Opinião, aderiu a essa mesma estratégia.)

JPP diz ainda que seria bom que a adesão a essa estratégia de oposição interna fosse claramente assumida para que os leitores do Diário de Noticias soubessem que estão a ler um comentador apoiante de Passos Coelho contra Ferreira Leite e não um jornalista independente e isento.

Por fim, torna-se óbvio que isto é vantajoso para Sócrates, ou seja, para a situação.

Jorge Luís




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De João Villalobos a 22.01.2009 às 00:00

Vantajoso para Sócrates é ter uma oposição inoperante e não mobilizadora. Quanto ao que JPP demonstra, é a sua opinião. O Francisco é jornalista e obviamente as suas notícias reflectem os conteúdos com interesse mediático que lhe são apresentados. MFL apresenta, ao Francisco e aos restantes, poucos ou nenhuns.
Do ponto de vista da estratégia comunicacional, Passos Coelho constrói-se como alternativa tal como MFL o deveria fazer, através do debate em regime de think tank, utilizando novas plataformas entre as quais os blogues mas também o twitter por exemplo. Que saiba, apesar dos conhecimentos cibernáuticos de JPP, em nada isso contribuiu para a comunicação do PSD. Misturando citações retiradas de editoriais do DN e fragmentos de notícias do Francisco, JPP pretende colocá-lo como um jornalista que é simplesmente uma cãmara de eco de outros alguéns. Ora todos os bons jornalistas são eco das suas fontes, mas igualmente gatekeepers e filtros entre as fontes e os leitores. É isso que o Francisco faz. Se o fizesse mal, certamente não seria atacado como é.
Quando e se Passos Coelho for líder do PSD, o Francisco será provavelmente acusado de ser outra coisa qualquer, como aliás é o que tem acontecido através de diferentes e sucessivas direcções do partido.
Finalizando, como se poderá comprovar por uma pesuisa simples neste blogue, fui desde o início defensor de MFL nas directas e depois disso, até perceber que a inexistência e o adiamento ad eternum de um modelo de desenvolvimento para o país não compensam as críticas obviamente muitas vezes certeiras que faz à governação socialista. Como está, o PSD não ganha eleições com maioria absoluta e Sócrates está muito inteligentemente a utilizar o discurso de que só uma maioria absoluta é modelo governativo em tempo de crise o que, com excepção de um modelo de governo de salvação nacional que esperemos não venha a ser necessário, é certeiro. Como pode o PSD alcançar a maioria absoluta nestas condições?
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De João Villalobos a 22.01.2009 às 00:01

Câmara e não cãmara, obviamente. Peço desculpa
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De Tiago Taron a 22.01.2009 às 00:39

assino por baixo, se me permite Jorge Luís, como aliás resultará do comentário que escrevi e que aqui deixei, por coincidência ao mesmo tempo em que o Jorge Luís escrevia o seu, enfim, sintonias
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De Tiago Taron a 21.01.2009 às 22:37

Caro João,
Dizer mal de Pacheco Pereira (PP)? Nesta questão é difícil, sobretudo porque o que diz é dito com uma colecção de evidências em que os factos falam por si. Que o que está a ser feito a Manuela Ferreira Leita (MFL) não dignifica quem o faz é o que eu penso e sinto-o de tal forma que me parece que isso pode deitar fora a simpatia que tinha por Pedro Passos Coelho (PPC) enquanto disputou a liderança com MFL. Liderar um Grupo de Reflexão, promover um jantar / debate de que saíram as notícias que saíram (TGV, Impostos, no essencial) é, na minha opinião, muita encenação para disfarçar a evidência de que PP fala. Na noite do tal jantar por acaso estava a pintar e a ouvir a rádio e dei comigo a pensar, isto não é normal, mas este senhor está a ter um tempo de antena e uma intervenção como nenhum dos três últimos lideres do PSD tiveram.Nota comum em todas as emissões, a apresentação de PPC como aquele que disputou a liderança do PSD com MFL, mas qual disputou? ouviamos aquilo e só apetecia mudar o tempo do verbo para disputar. E Caro João, é raro falar de questões políticas, o que mantenho, porque esta situação antes de ser politica é humana. Sinceramente acho que esta actuação do PPC o irá marcar negativamente aos olhos de quem esteja a assistir a isto e é uma pena porque essas marcas, pelo menos para mim, são nódoas difíceis de apagar.
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De Miguel Marujo a 22.01.2009 às 00:17

João,

fui ler o relambório anti-situacionista e pasmo perante a virgem ofendida. Em momento algum o senhora pára e diz, "eh pá, fizemos asneira da grossa". MFL na sua sanha anti-situacionista pôs em causa o bom nome profissional de um jornalista da Lusa, mas este senhor que ganha grande parte do seu salário graças à comunicação social não faz um mea culpa que seja. Enfim. Se os jornalistas fazem muitas vezes asneiras, neste caso, é o típico "temos as costas largas" para arcar com os erros e falhanços dos outros, que é como quem diz o PSD, JPP e MFL.
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De Anónimo a 22.01.2009 às 09:19

O FAL, que recebe emails directamente do Obama, agora está imparável. Cuidado com ele.
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De David a 22.01.2009 às 11:12


É interessante o que se diz nos comentários a este post.

Diz o João Villalobos que “O Francisco é jornalista e obviamente as suas notícias reflectem os conteúdos com interesse mediático que lhe são apresentados”.

Se é no seu critério de “interesse mediático” que se pode avaliar o jornalista que é (e aí a avaliação também não é famosa…), é também na forma como trata os conteúdos “que lhe são apresentados”, que podemos avaliar se está a informar ou a comentar. E nisso a análise dos textos não deixa dúvidas, os exemplos que JPP dá são gritantemente óbvios. Tanto mais óbvios e irrefutáveis quanto a sua recorrência. É muito curioso verificar que a sua função de gatekeeper e de filtro funciona sempre a favor de PPC, quer no Diário de Notícias quer neste blogue.

O João Vilallobos que diz que Passos Coelho se constrói como alternativa “do ponto de vista comunicacional” e critica Ferreira Leite por não o fazer. Não lhe ocorre que isso pode ser uma clara opção de Ferreira Leite, numa recusa expressa do espectáculo e da desvalorização da actividade politica que esse espectáculo representa? Ou acha que se Ferreira leite quisesse ter blogues, jornais e twitters não saberia também onde ir?

E quanto ao “think tank” sempre lhe digo que o “Construir Ideias” é de uma pobreza assustadora, aliás raiando o ridículo com um texto que lá está, uma redacção escolar a que só faltam erros ortográficos, sob o título “A crise da sustentabilidade”. Compare-o com o site do Instituto Francisco Sá Carneiro (http://www.institutosacarneiro.pt/?idc=500 ) e logo vê. Neste site, porém, não vejo nenhuma intervenção de Passos Coelho que tanto diz que quer “contribuir” para a troca de ideias dentro do PSD. Também não vejo nenhuma notícia sobre o Instituto Francisco Sá Carneiro no Diário de Notícias ou no Corta – Fitas. Não terão os seus conteúdos interesse mediático para o jornalista que no DN faz a cobertura do PSD, ou seja o FAL?

Quanto à sua insatisfação com Ferreira Leite, talvez o possa alegrar ler o que escreveu António Barreto:

“MANUELA FERREIRA LEITE tem razão. Ela e o seu partido têm chamado a atenção para questões essenciais que o governo parece ocultar ou dar menos importância. Como, por exemplo, a economia produtiva, as pequenas e médias empresas, as famílias e os grupos sociais mais frágeis. Tem igualmente razão quando alude à carga fiscal, sobretudo das empresas, mas também das famílias. Muitas das suas sugestões foram anunciadas antes da crise financeira internacional se ter tornado pública, pesada e generalizada. Outras foram apresentadas imediatamente após os primeiros acontecimentos. “

David D.P.
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De João Villalobos a 22.01.2009 às 11:33

A análise dos textos a mim não deixa dúvidas mas por razões contrárias, os exemplos que JPP dá são gritantemente manipulados e ignorados dezenas de outros. O objectivo é o do condicionamento do trabalho do jornalista e isso parece-me evidente.
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De David a 22.01.2009 às 11:36

Mas então dê exemplos de artigos ou noticias do FAL que contrariem o que JPP diz. Ou refute simplesmente o que JPP demonstra. Deve ser fácil. Gritantemente fácil a avalia pelas suas palavras.

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De João Villalobos a 22.01.2009 às 11:39

Nã, nã, nã. Vá ao arquivo do DN e consulte você mesmo, homessa! Tenho mais que fazer.

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