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Emoções básicas (43)

por Luís Naves, em 19.01.09

Em vários posts publicados em Blasfémias, mais recentemente neste post de Helena Matos, sobre o que se define como "catastrofismo ambiental", são insinuadas críticas às notícias sobre alterações climáticas, como se estas fossem fantasia ou exageradas. Penso que estes autores estão a cair num equívoco.

 

A política energética faz parte da política externa das grandes nações. As sociedades industriais contemporâneas precisam de energia barata para se sustentarem. Percebendo estes factos, os críticos da tese das alterações climáticas partem do pressuposto de que as notícias são alarmistas e de que na realidade esta é uma questão política, tipo esquerda-direita. Quem defende a ideia está à esquerda, quem ataca afirma-se de direita.

 

Parafraseando Charles de Talleyrand, pior do que um crime isto é um erro. Não estamos perante uma questão política, mas de sobrevivência da espécie humana.

O aumento do teor de dióxido de carbono na atmosfera é um facto, não é uma teoria. A diminuição das calotes polares (pelo menos no hemisfério norte) é um facto, não é uma teoria. Mais grave: podemos estar a atingir pontos de não retorno.

Os cientistas não mencionam aquecimento global, mas sim alterações climáticas. O sistema de clima do planeta é tão complexo, que em algumas regiões, por exemplo na Europa, pode haver arrefecimento. Globalmente, as temperaturas médias vão aumentar (o dióxido de carbono absorve mais energia solar e entretanto está a subir o nível de metano, um gás ainda mais perigoso). O principal efeito será o de maior número de fenómenos extremos, sobretudo secas, inundações e tempestades.

A ciência usa modelos que tentam antecipar a evolução dos acontecimentos. Esses modelos não têm toda a informação, por isso dão origem a probabilidades, não são necessariamente uma antevisão do futuro. Mas ignorá-los é disparate.

A informação que Helena Matos tenta desvalorizar é intuitiva. Num cenário de alterações climáticas, ao longo deste século, haverá perturbações na produção alimentar. Este sim, é um fenómeno com potencial para ter graves consequências políticas. Fomes generalizadas, escassez localizada, deslocamento de populações, perturbação de preços, guerras civis. Estas não são questões de esquerda-direita.

 

A estratégia de sobrevivência da espécie humana tem sido a de usar a sua inteligência para se adaptar rapidamente a alterações no meio ambiente. Nada garante que seja uma estratégia melhor do que a dos dinossauros, que não se surpreenderam com a sua extinção.

 

 



5 comentários

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De Anónimo a 19.01.2009 às 15:12

Se, em Portugal, as alterações não se verificarem, não faz mal, pois o nosso coveiro se encarregará de nós.
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De l.rodrigues a 19.01.2009 às 18:26

Os Blasfemos defendem aquilo que defendem para tudo: Se ninguém fizer nada, os problemas acabam por desaparecer. O que tem um fundo de verdade. Quem está morto não tem problemas.
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De João André a 19.01.2009 às 22:10

Caro Luís, o CO2 não absorve a energia solar. O que se passa é que parte da energia que a Terra recebe do Sol é reenviada para o espaço sob a forma de radiação infravermelha, e é esta a energia que o CO2 absorve. Ou seja, o CO2 impede a energia de se dissipar no espaço, mantendo-a na Terra e assim criando o tal efeito estufa.

De resto, de acordo, de uma forma geral. Só uma nota extra. É um facto que o Luís não diz que o arrefecimento da Europa é o cenário mais possível, mas convém dizer que é um cenário muito improvável.
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De Luís Naves a 19.01.2009 às 23:31

agradeço estes comentários.
ao joão andré: meu caro, tem razão, mas a energia reflectida é solar. se não quisermos complicar, podemos fazer a formulação que eu fiz

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