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Para os monárquicos

por Tiago Moreira Ramalho, em 02.01.09

Levanto esta questão aqui e não noutro lado por achar que provavelmente aqui terei melhores respostas. Ao ver o enorme número de pessoas que defendem a monarquia como o melhor sistema político, dou por mim a perguntar qual o fundamento dessa defesa. Quais são os argumentos que sustentam a atribuição do poder de decisão de um país por herança. O que é que suporta a ideia de que o filho de um Rei deve também ele reinar? As minhas dúvidas são maiores ainda em relação aos sistemas de Monarquia Absolutista - o que é que leva a que se defenda a criação de uma entidade toda poderosa, sem qualquer fiscalização e sem possibilidade de perda do poder a não ser pela morte?

Queria já antecipar, para não ferir susceptibilidades, que não tenho qualquer problema com as pessoas em si, longe de mim, o que não compreendo é a ideia que sustentam, daí a questão que levanto.



16 comentários

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De Daniela Major a 02.01.2009 às 20:16

Tiago, é uma boa pergunta pois eu partilho exactamente da mesma dúvida. Esspero que alguém responda.
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De Zé Pedro a 02.01.2009 às 21:10

Eu não me importo que haja monarquia desde que seja eu o rei.
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De Toupeira a 02.01.2009 às 22:21

É fácil responder! A república é o melhor exemplo: primeiro só alguns podem ser eleitos; depois desses poucos (sabe-se lá com que critérios foram escolhidos ou porque se auto-impuseram - Sampaio -) a capacidade para exercerem a função anda próxima do zero. No 1º mandato, agem para se reelegerem (logo, estão-se a borrifar para o interesse nacional): no 2º mandato, agem para favorecer o respectivo partido e guindá-lo ao poder (logo, estão-se a borrifar para o interesse nacional). Ou seja, comportam-se como Fidel só que conseguiram que uns 2 milhoes de paspalhos, sob a capa de eleições, os legitimassem. Assim, só um Rei garante a defesa efectiva dos interesses nacionais e a sua aclamação está sempre sujeita ao escrutínio das Coortes, que são eleitas pelo Povo, ou seja, o Rei tem sempre uma legitimidade democrática, pouco importando se é da família A ou B porque isso já é semelhante à república com o respectivo presidente, e o Rei sempre será mais facilmente afastado, caso não convenha, sem que, para tanto, traga prejuízos de maior à Pátria. No mais, os paises mais desenvolvidos e politicamente estáveis da Europa são monarquias e ninguém neles se incomoda!
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De André Couto a 04.01.2009 às 01:38

Sim, sim.

O expoente máximo de monarquia estável é mesmo a Bélgica com dez governos em doze anos.

AC
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De João Távora a 02.01.2009 às 22:25

Caro Tiago: No mundo civilizado quase todas as monarquias absolutas foram derrubadas entre o Século XVIII e o XIX. Quem frequenta a blogocoisa como o Tiago já deveria conhecer bem a nosso pensamento e argumentação... Mas enfim, já que me pede transcrevo aqui um excerto do post do João Gomes (colaborador da Plataforma do Centenário da República cuja argumentação básica está muto bem sintetizada:

"(...) Defendo uma monarquia moderna para Portugal, uma chefia de estado de cariz hereditário e europeísta, herdeira do legado deixado pelos nosso últimos reis. Pegando neste ponto, a primeira razão para me dizer monárquico é uma motivação histórica e identitária de um jovem do século XXI que olha para Portugal. Estamos perto de comemorar o centenário da república e a esta distância podemos começar a reflectir sobre as verdadeiras motivações do regicídio e também da revolução republicana do 5 de Outubro. Não me quero alongar neste ponto, até porque muito já foi dito e escrito neste último ano, mas basta compararmos as personalidades dos nossos dois últimos reis com a dos nossos vários presidentes do século XX português. Cem anos de república, foram em parte 40 anos de ditadura fascista, de isolamento diplomático e de um retroceder cultural. Tudo aquilo contra o qual o Rei D. Carlos e o Rei D. Manuel II lutaram. Um rei é um garante da soberania, da cultura e da história de um povo – o rei é livre, o país também.

A segunda razão é óbvia para quem observa esta questão sem filtros, sem palas e sem preconceitos. Portugal é hoje um país de compadrios, onde impera a corrupção, os escândalos que envolvem políticos e gestores das grandes empresas, onde os ricos são cada vez mais ricos e conseguem com facilidade manipular os políticos, nascidos e criados nos aparelhos partidários. Tem alguma lógica que um chefe de estado venha do próprio sistema? Sendo o chefe de estado o arbitro e moderador das relações políticas do país, deverá ele vir dos próprios aparelhos partidários? Esta promiscuidade não existe quando o chefe de estado já o nasce sendo, sem precisar de vender a sua alma ao capital, aos interesses e aos lobbys . É este o principal paradigma da república, que a faz ser cada vez mais questionada.

A terceira e última razão é de ordem prática. Um rei, ao contrário de um presidente da república, tem por parte do povo e da comunidade internacional uma legitimidade que um presidente da república não tem. Por parte do povo, porque o rei é rei de todos os portugueses, ao contrário do presidente da república que é eleito apenas por uma parte dos eleitores, que posteriormente não se reflectem na sua figura – Cavaco Silva é um exemplo por demais evidente. Por parte da comunidade internacional, por razões históricas, familiares e mais importante do que as outras duas, por ser independente face a pressões políticas de grupos partidários de cariz internacional. (...)"

De resto aconselho-o a visitar o blogue Centenário da República (link aí mesmo na barra leteral) onde encontrará bastante matéria para sua ponderação.
Não espero que concorde, mas que nos entenda.


Abraço!
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De Anónimo a 02.01.2009 às 23:01

Que pergunta tão fácil, mas não vai ter uma resposta honesta de um monárquico... Eles querem um rei porque aspiram a pertencer à Corte. Porque estão fartos da bandalhice , querem uma sociedade com castas e privilegiados , onde se distingam pelo nome, pela pose e pela sua muy antiga cultura, e não necessariamente pela trabalheira que dá fazer alguma coisa, ou pelo sujar de mãos que precisam para corromper os reizinhos cá do bairro. Têm saudades, muitas saudades, do que não sabem bem o que é, mas têm a certeza que será melhor do que isto. Porque a democracia representativa é uma grande confusão, onde ninguém se distingue , e correm o grande risco de alguém os confundir, mais tarde ou mais cedo, com o povo.
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De Dorean Paxorales a 03.01.2009 às 10:30

Parabéns, anónimo! Acabou de descrever o nosso sistema "republicano"!
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De Costa a 02.01.2009 às 23:21

Bem vistas as coisas, entre uma monarquia constitucional e uma república constitucional, não vejo onde esteja esse tremendo pecado original de um regime monárquico.

Diria que a Europa está razoavelmente preenchida de monarquias onde, salvo melhor opinião, opera uma democracia - e um grau de bem-estar e desenvolvimento - que em nada ficam dever à nossa.

E não deve ser mau de todo saber que num lugar de poder, mesmo que apenas simbólico (a tal questão de "poder vs autoridade", que muita gente confunde), está alguém que não tem que medir o que diga ou faça por uma agenda a quatro ou seis anos, ou prazo similar). Parece-me que, da nossa experiência, isso resulta, "a contrario", demonstrado.

Costa
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De José Magalhães a 03.01.2009 às 16:06

Caríssimo,
Não sendo monárquico, simpatizo com a ideia, e entendo que só um Rei pode garantir a defesa dos interesses nacionais, pois que desde o berço foi educado para tal, sendo suprapartidário e isento, e o Rei, como um Presidente da República, tem sempre uma legitimidade democrática uma vez que é eleito pelas Coortes que são eleitas pelo povo, e não tem de ser mudado de quatro em quatro anos (com os custos que isso tem para o país). Acresce que não necessita de "se portar bem" para obter votos na eleição seguinte (a segunda). Para além disso, os países mais desenvolvidos e politicamente estáveis da Europa são monarquias!

Melhores cumprimentos

JM
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De editor69 a 03.01.2009 às 16:20

O anónimo que deixou o comentário pré-concebido de que todos os monárquicos são alguém marialva de apelido e que só querem pertencer à corte,demosntra bem o pensamento que a sociedade tem em relação à monarquia.
Mas o argumento primeiro sempre contra é a inveja...do tipo...
porque é que "eles" hão-de ter e eu não?
Tome-se o meu exemplo...não sou de familias algumas titulares...sou classe média baixa...não quero ir para corte nenhuma...sou jovem...
quero pertencer ao seculo XXI...mas também quero o melhor para o meu país...e essa representação é em MONARQUIA!
Abraços.
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De Carlos a 03.01.2009 às 19:19

A resposta é simples: porque um povo só é verdadeiramente livre quando o seu líder é também livre. Só um Rei garante a liberdade e a soberania nacional. Os reis são livres; livres de partidos, de sociedades secretas, de seitas, de interesses económicos e de tudo o mais. Viva o Reino de Portugal Livre ! Viva a Santa Liberdade!
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De Anónimo a 03.01.2009 às 21:28

O "republicanismo fascista" nasceu, assim, da compensação de, não podendo domesticar a monarquia, substituí-la por uma chefia de Estado agrilhoada. A monarquia, forma não democrática de escolha e sucessão da chefia do Estado é, assim, o melhor garante da Liberdade colectiva e de uma chefia de Estado independente e imparcial. A monarquia é caução de democracia.

em http://combustoes.blogspot.com/

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