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Uma comparação impossível

por Luís Naves, em 30.12.08

 

A situação em Gaza incomoda as consciências, é natural, mas comparar o ataque israelita ao Holocausto não faz qualquer sentido. Este último foi um crime horrendo, sem paralelo, que destruiu comunidades inteiras, milhões de pessoas pacíficas, de todas as idades e profissões, num contexto de barbárie sem nexo. A razão invocada para o crime foi racial, a de purificar a humanidade. Nos últimos 50 anos, não houve sequer palavras para descrever o que aconteceu. É impossível compreender.
 
A crise em Gaza pode ser compreendida. É do domínio do racional, embora nos doa e seja difícil de aceitar.
O Hamas é uma organização fundamentalista islâmica que não aceita reconhecer Israel e que aproveita os ataques israelitas para resolver a sua guerra civil com os palestinianos seculares que aceitam falar com os israelitas.
O ataque não é contra a população civil, mas contra o Hamas.
 
Podemos argumentar que o ataque israelita a Gaza é desproporcionado e dá força aos radicais, que os protagonistas têm interesses políticos. É possível argumentar que o bloqueio a Gaza é injusto para a população.
 
Mas as comparações com o Holocausto são absurdas...   

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7 comentários

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De l.rodrigues a 30.12.2008 às 17:43

Da Wikipédia:

Godwin's Law (also known as Godwin's Rule of Nazi Analogies)[1] is an adage formulated by Mike Godwin in 1990. The law states:[2][3]
"As a Usenet discussion grows longer, the probability of a comparison involving Nazis or Hitler approaches one."

Ou seja, diria que o problema está em usar a comparação para inicio de conversa. Chegar lá, é mais ou menos inevitável.
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De Luís Naves a 30.12.2008 às 18:20

Tento compreender a raiva no médio oriente e julgo entender uma parte dela. podíamos ir longe nessa discussão.
agora, quando vemos o vazio das cidades na Europa central, os que faltam, a cultura perdida dos judeus mortos, das famílias assassinadas... não é preciso mencionar o horror dos testemunhos, dos criminosos e das vítimas... o insensato de matar alguém porque é inferior...pela pureza da raça...
não, nem como princípio de discussão, nem como meio ou final, é impossível...
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De Sofia Loureiro dos Santos a 30.12.2008 às 17:52

Totalmente e acordo.
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De PALAVROSSAVRVS REX a 30.12.2008 às 18:18

Luís, eu sou judeu e até poderia parecer suspeito, mas a verdade é que a um holocausto é somente uma perspectiva: o que se passou na Bósnia foi um holocausto? O que se passou no Rwanda foi um holocausto? O que fizeram os espanhóis pela centro-sul-américa e os norte-americanos na Norte-América foi um holocausto? As perseguições religiosas, os gulags comunistas e cambojanos foi tudo isso um holocausto?

O que e um holocausto? É uma matança intensiva e extensiva num curto prazo, como a nazi ou poderá ser um século, dois ou três de gradual tomada de posse e irradicação de um povo do seu local de origem por muito legítima que sejam as pretensões de um povo desalojado pelos Romanos depois de Massada, de Tito e do estertor dos zelotas, novos Macabeus?

Eu sou judeu e sou suspeito, mas olha que terás de olhar para milhares de eventos e de avanços territoriais israelitas e para um facto com cariz Gueto-de-Warsówia só que dilatado no tempo e por isso mesmo mitigado. Os mesmos muros altos. A mesma condenação à indignidade e desumanização gradual.

Mas isto sou eu, que sou judeu e não poderia amar mais o meu povo israelita como eu amo.

Não sou é cego nem consigo ser tendenciosamente correcto.

Abraço
joshua
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De Antónimo a 05.01.2009 às 13:45

Point, Set, Match !!!

O Joshua cortou a teoria do Luis pela raiz.
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De nuno granja a 30.12.2008 às 23:23

pois já que estamos numa de comparações...

o Hammas é um grupo radical e violento, etc etc, assim o eram os elementos da UPA que massacraram os brancos em Angola no início dos anos 60

agora faço aos israelitas a mesma pergunta que faria aos brancos de Angola na época, acham que ocupar a terra dos outros roubar-lhes os recursos e humilhar-los iria durar até quando?
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De Peter a 31.12.2008 às 12:30

Percebo o que diz Nuno no entanto não concordo com a postura do Hamas nem tão pouco com a postura da UPA em Angola. Embora diga-se de passagem que Portugal em 3 ou 4 séculos de ocupação de Angola deve ter massacrado bem mais angolanos do que o contrário. Assim como os israelitas têm morto muitos mais palestinianos do que o contrário apesar dos muitos actos condenáveis perpetrados pelo Hamas. Conclusão, apesar do que se diz sobre o Hamas e a UPA que eram(2) e são (1) terroristas também os portugueses o foram e os israelitas o são. Estes últimos então bem mais até que o Hamas. As infelizes vítimas do Holocausto até devem dar saltos nas suas tumbas com aquilo que o seu povo actualmente faz: assassínio, retirada de terras e humilhação de outros povos, criação de novos muros e guetos. Pelos vistos os seus sucessores não aprenderam nada, absolutamente nada. E depois até têm o apoio incondicional de pessoas como o Barack Obama, e depois querem-me fazer querer que com ele as coisas vão mudar? A mim não me iludem.

P.S.- Ainda ontem ouvi 1 deputado do parlamento europeu dizer que este recente conflito em Gaza foi provocado pelo corte de mantimentos e de medicamentos feitos pelo governo israelita àquela região que originou por sua vez a resposta condenável do Hamas e que por sua vez originou uma resposta ainda mais condenável de Israel. Sim porque dizerem que só têm atacado alvos estratégicos e não civís é a cantiga do costume, esquecem-se sempre dos lamentáveis danos colaterais.

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