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Warp 10, mr. Galopim

por Luís Naves, em 10.11.08

O Nuno Galopim é, com o João Lopes, autor de um dos excelentes blogues que podem ser lidos na blogosfera portuguesa, Sound + Vision. É também fã de O Caminho das Estrelas (daí a imagem) e profundo conhecedor de ficção científica, de música e de cinema.

Numa conversa de redacção (sentamo-nos perto um do outro e conversamos bastante) desafiei o Nuno a produzir uma lista, devidamente justificada, de dez filmes americanos dos últimos vinte anos que tenham sido marcantes a ponto de poderem influenciar a História do cinema futuro. Têm de ser obras-primas indiscutíveis.

Isto veio a propósito de uma tese que tenho defendido: considero que o cinema americano entrou num período de decadência e que os últimos grandes filmes clássicos foram feitos nos anos 70 e 80. Barry Lyndon, O Padrinho, Apocalipse Now e Blade Runner são essas derradeiras obras-primas indiscutíveis, ainda por igualar nos últimos vinte anos.

Não sei a razão da decadência de Hollywood, embora suspeite que isso se deve à perda de poder por parte dos realizadores, em favor dos actores e dos produtores. Existe também forte infantilização do cinema americano, fruto do impulso para ganhar muito dinheiro, muito depressa. Este último efeito está relacionado com a forma de financiamento, que mudou profundamente. Aliás, como os filmes estão caríssimos e dependem de capital de risco, penso que a “indústria” (como eles chamam), vai mergulhar numa crise gravíssima nos próximos três a cinco anos. Espero estar enganado.

Oficializo aqui a nossa combinação e avisarei os leitores quando o Nuno Galopim der a sua resposta.



12 comentários

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De Eng. J. Pitágoras a 10.11.2008 às 19:17

Náo está enganado, não, meu caro. A indústria cinematográfica norte-americana vai mesmo «mergulhar numa crise gravíssima», como muito bem disse. Por sinal, já está a mergulhar. Por sinal, não só a indústria cinematográfica...
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De Gabriel Silva a 10.11.2008 às 23:01

Bem, dou a minha contribuição para a lista de novos classicos:

Pulp Fiction
Mars Attacks!
Monsters Inc
Wall E
The Nightmare Before Christmas
Tudo sobre mi madre


(star wars 1,2,3 obviamente, mas star wars são sempre um clássico à aprte)








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De Luís Naves a 11.11.2008 às 13:24

gabriel, em princípio, concordo consigo nos desenhos animados por computador, mas até que ponto são proezas tecnológicas semelhantes a outras? de um ponto de vista narrativo, o que trouxeram de novo? o último filme que indica é espanhol e pulp fiction será provavelmente citado por outras pessoas. talvez seja uma questão de gosto, mas tarantino não me convence com aquela violência gratuita e muito exagerada que já vimos em, por exemplo, Sam peckimpah
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De Gabriel Silva a 11.11.2008 às 14:00

Bem, não considero os filmes de animação que citei «proezas tecnológicos semelhantes a outras».
De facto, nada de parecido existia até então e a sua técnica revolucionou os filmes de animação. Basta ver os anúncios de filmes em sistema clássico que por vezes passam nas sessões de cinema e fica-se com aquela sensação, de «mas isto é velho», «isto é horrível».
Acresce que cito Wall-E e Monster Inc porque a meu ver também revolucionam em termos de narrativa e sãio claramente superiores a outros, proventura pioneiros, da pixar. Monsters Inc destaca-se pela originalidade do argumento e fluxo narrativo, verdadeiramente notável.
Wall-E consegue ter os primeiros 23 minutos sem diálogo e sem música. Só som ambiente. Num filme familiar. Toda a narrativa é exclusivamente imagem. Considero mesmo tal uma proeza digna de figurar nos anais da história do cinema. À parte todo o conjunto do filme que é verdadeiramente extraordinário.

Cães Danados é muito bom, filmado em espaço fechado, como numa sala de teatro, e com uma intensa carga emotiva. Mas é um modelo já testado anteriormente com sucesso, por exemplo no The Conversation (74) de Coppola, entre outros.
Já Pulp fiction entendo como marcante sobretudo pela narrativa episidodica, sobreposta e de forma descontinuada. Não me lembro de nada assim, e todo o conjunto (cenas, episódios, actores, música) resulta na perfeição.

Não esquecer o Mars Attack! pois que é um puro gozo levado ao extremo, quase kitch, tornando irrelevantes todos os filmes semelhantes anteriores e marcando certamente qualquer tentativa que se venha a fazer daí para a frente.

Sim, enganei-me ao citar o «tudo sobre mi madre», mas aproveito para acrescentar o Matrix, não sendo especial fã, não se pode de deixar de considerar o paradigma dos filmes de fc da actualidade, com o grande mérito de incorporar muito bem as técnicas de movimentação do kung fu dos filmes de hong-kong, num revivalismo temático do genero iniciado por Blade Runner e Brazil, sendo que consegue ainda tornar-se o paradigma dos videojogos.



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De Anónimo ao Sul a 11.11.2008 às 00:15

Não concordo. Hollywood tem o condão de se ter reinventado sempre. Depois, cá para mim, os donos da indústria estão apenas à espera que terminem as comemorações do centenário de Manuel de Oliveira, para contratarem o mestre.
Parece-me que Oliveira vai dirigir as mega-produções agendadas para os próximos 20 anos.

Saudações
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De joão campos a 11.11.2008 às 08:03

Subscreveria a sua breve lista (sobretudo nas referências ao Blade Runner e ao Barry Lyndon, dois dos meus filmes preferidos). Mas daí para cá foram feitos excelentes filmes em Hollywood. O Gabriel Silva mencionou o Pulp Fiction, mas do Tarantino, a escolher algum (exercício fútil), escolheria o Reservoir Dogs. Mais: mencionaria The Matrix (goste-se ou não, entenda-se ou não, foi incontornável), The Crow, Twelve Monkeys, Fight Club...

Saindo de Hollywood, há os filmes do Almodovar, mais o No Man's Land e o Control, por exemplo. Ainda não estamos assim tão mal.
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De Luís Naves a 11.11.2008 às 13:29

joão, também agradeço esta sua opinião, sobretudo ter lembrado matrix. mais uma vez, a mesma questão: até que ponto o fascínio pela tecnologia levou a erros de história? por exemplo, já reparou que as personagens não têm complexidade psicológica? são heróis, pronto, e nunca percebemos a razão... quanto à ideia base, ela é obviamente boa, mas este universo é de Philip K. Dick, muita parafernália para demasiada imitação.
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De João André a 11.11.2008 às 09:43

Tenho dificuldade em subscrever esse ponto de vista. Não é uma questão de termos visto obras-primas absolutas entretanto, mas o facto de ser frequentemente necessário algum tempo até saber o que é uma obra-prima ou o que é que influenciou o cinema americano.

Por exemplo: Blade Runner. É um filme que eu não considero, nem de perto nem de longe uma obra-prima. É um belo filme, com excelentes cenas, mas que eu não levo aos patamares que muita gente levaria. No entanto influenciou muito o cinema desde então.

Mais recentemente vimos isso com Pulp Fiction, um filme que tem influenciado muita gente no estilo e no tom. E se formos falando em obras-primas em estado bruto, temos no Country for Old Men, um filme que eu colocaria sem dificuldade num patamar superior ao de Blade Runner e ao nível de um Apocalypse Now. Mantendo-nos nos mesmos realizadores, é fácil trazer mais dois filmes: Blood Simple e Miller's Crossing.

Se quisermos ir a outros, podemos apontar para Eastwood, com Million Dollar Baby ou (especialmente, para mim), Mystic River (ou até A Perfect World, mas eu sou parcial). Mas Eastwood é um realizador de outros tempos, não é exactamente moderno. Temos também Paul Thomas Anderson que, com Magnolia, "fundou" (na mente de muitos) o estilo de realização fragmentário (de que Crash ou Babel são pobres exemplos).

Na ficção científica não vejo muito. Os Star Wars são todos eles fortemente sobrevalorizados. São bons (especialmente os episódios 5 e 4), mas os episódios 1, 2 e 3 são apenas espectáculos de CGI. Nesse aspecto prefiro um outro, spin-off de uma série de culto mas pouco conhecida. O filme chama-se Serenity e a série Firefly. Um filme de Sci-Fi mais "sujo" mas também muito interessante.

Já daqueles filmes muito em voga, com câmara ao ombro e muito tremidos, lembro-me de ver um primeiro exemplo (talvez não o fosse, mas é o primeiro que recordo) com La Haine, de Kassovitz, ainda de 1994 (creio).

O grande problema de Hollywood é que não pretende fazer nada com "visões". Faz filmes que sejam vistos. Os estúdios preferem fazer 10 comédias American Pie com baixos custos e grande potencial (basta que uma ou duas sejam bem sucedidas para dar um lucro astronómico sobre todas) do que um filme ao nível (de qualidade e de custos e riscos) de um Barry Lyndon (para falar do primeiro exemplo). É a velha questão do mercado. Infelizmente.

PS - nos últimos anos podemos sempre depender de Woody Allen, que de tempos a tempos despacha uma ou outra obra-prima cá para fora. Mas ele não será exactamente hollywoodiano, pois não?

PPS - se querem aber porque razão não saem amis filmes de qualidade, basta ver a lista de Top-250 do IMDb. O primeiro lugar pertence a'Os Condenados de Shawshank, o filme mais sobrevalorizado de todos os tempos.
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De Luís Naves a 11.11.2008 às 13:34

Agradeço muito este seu comentário. excelente análise, joão. discordo em relação a blade runner, mas são questões de gosto. concordo com o que diz sobre as influências de estilo e tema. mas já reparou que os temas de hollywood estão fraquíssimos e que parece haver uma enorme falta de ideias? eastwood é obviamente um clássico e (gosto imenso de imperdoável), mas aquilo é escola Ford. e, naturalmente, concordo com a dificuldade do distanciamento temporal.
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De arguto a 11.11.2008 às 10:54

'Barry Lyndon' é um filme de produção britânica, não é de hollywood
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De Luís Naves a 11.11.2008 às 13:36

sim, mas kubrick é um dos grandes realizadores americanos. trabalhava em inglaterra, mas acho que deve ser incluido na corrente que convencionámos chamar Hollywood
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De João André a 11.11.2008 às 13:49

É de produção britânica, mas apenas o estilo de Kubrick distancia o filme de Hollywood. Um dos produtores era Bernard Williams, que andou recentemente a produzir coisas como Daredevil, The Score ou Bowfinger (se bem que na altura ainda fosse pouco hollywoodiano).

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