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A idade não (se) perdoa

por Teresa Ribeiro, em 10.11.08

Começamos por vacilar entre bonecas e mini saias, baralhadas, ainda a contas com a infância, mas já à mercê de uma espécie de pipocas que explodem no sangue a que chamam hormonas A puberdade sempre foi uma fase de transição, mas agora passa a correr. Acho que são “programas de culto” como os Morangos e as revistas muito à  frente para esta faixa etária – li há tempos numa Ragazza, líder deste segmento, que “o esperma não tem calorias, por isso não engorda” – que nos tiram a inocência  assim como quem tira uma bejeca à pressão.

Depois, com os 18 anos, vem a maioridade, o nosso primeiro passo na vida adulta. Para as radicais é aqui que a juventude fica à porta. As mais complacentes aceitam esperar até aos 25 – afinal o términus oficial da juventude – para decretar que estão a deixar de ser novas.

Estas constatações, embora sorridentes, anunciam a aproximação da nossa primeira crise, antecipada em dez anos, que assinala a chegada dos 30. Já inteiramente reconhecido, este ritual de passagem ganhou até o direito à depressão, antes apenas reservado às que completavam 40 anos.

Quando balzaquianas vivemos no limbo, entre a juventude e a meia idade, em contagem decrescente e em contra-relógio, porque já não temos muito tempo. Como a independência se conquista cada vez mais tarde, acontece-nos tudo nesta fase da vida: casamentos, filhos, separações, consolidação de carreiras, compra de casa. Por isso não temos tempo a não ser talvez para registar – oh céus! - a chegada dos primeiros cabelos brancos.

Na outra margem, organizam-se as que já não podem lamentar a passagem dos anos, por uma questão… de idade. Nesta fase permitimo-nos alguns desabafos, mas só em certas circunstâncias e com contenção, pois não é de bom tom induzir os outros, por cortesia, a entrar em negação. É também chegada a altura de renovarmos o vocabulário. Não se diz velha, diz-se madura. Do nosso discurso passam a constar genuínas declarações acerca da satisfação que é descobrir a vida aos quarenta e aos cinquenta. Há revistas especializadas em felicidade que nos ensinam a articular estes chavões  e sobretudo a consolidar a ideia de que pensar de outra forma é impensável.

Cuidamos do corpo mais que nunca, investimos em botox, em massagens, em silicone, em cremes com extractos de placenta, numa fuga para a frente que prossegue, se a saúde colaborar, até à idade da reforma.

Chegadas a este ponto podemos, finalmente, serenar. E sem luta, sem angústias, viver em comunhão com a Natureza tal como há muitos anos quando ainda andávamos de cócoras a observar o movimento das formigas e a nossa identidade sexual era uma coisa relativamente inócua e sobretudo muito pouco exigente. Uffff!!!

 

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1 comentário

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De Teresa Ribeiro a 10.11.2008 às 23:31

Mialgia, Carlos e Once: Não faço anos hoje, só daqui a uns dias, o que me leva a concluir - não tinha pensado nisso - que foi mesmo o meu subconsciente que me induziu a escrever sobre este tema. Obrigada pelos parabéns adiantados!

Manuel Leão: Concordo, mas não é fácil. A pressão é muita :)

Anónimo do sul : Silicone? Não, obrigada! Tenho horror a bisturis.

Ana V. : Grande citação! è isso mesmo!

Mike: Penso nisso muitas vezes: se os homens fossem tão indecentemente pressionados como nós para ficarem sempre jovens e bonitos, como se comportariam? Se calhar pior que as mulheres :))))

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