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Emoções básicas (25)

por Luís Naves, em 09.10.08

 

Certezas
O meu camarada de redacção Ferreira Fernandes fez-me uma crítica útil. Ele tem lido algumas coisas que escrevi no DN e, presumo, outras que escrevi no Corta-Fitas. Resumidamente, ele ia a passar e disse, como quem não quer a coisa, que me tenho enganado em algumas análises e opiniões, pois sou “demasiado taxativo”.
Acho que, apesar de tudo, a crítica inclui aquele pudor que tenta embelezar uma verdade incómoda.
De facto, bem vistas as coisa, sou demasiado taxativo e costumo enganar-me. A realidade faz sempre uma visita às previsões imprudentes. Se não acreditam, leiam com atenção textos mais antigos que escrevi. Sobre as eleições americanas há autênticos clássicos de nonsense. Pensei que Hillary Clinton seria a candidata democrata e nunca acreditei em Barack Obama, tornado vencedor após o colapso da Lehman Brothers (bolas, lá estou eu...).
Nem sequer tenho desculpa, pois li um interessante livro, o Cisne Negro, de Nassim Nicholas Taleb, onde o autor faz uma demolição da seriedade das previsões económicas e políticas. Usando as ideias da teoria do caos, Taleb mostra a impossibilidade de se compreenderem os sistemas complexos e de antecipar a sua evolução. Tudo depende de tantos factores que ninguém pode verdadeiramente saber o que acontecerá a seguir. Veja-se, por exemplo, o que se passa com o clima, com a crise financeira internacional ou com o PSD.
Sabemos que as flutuações são cíclicas e que os sistemas complexos costumam encontrar uma solução qualquer para as suas crises, mas quando tentamos entrar nos detalhes, tudo se torna mais difícil.
Mas existe um truque feliz para não falharmos numa previsão taxativa: adivinhar o fim do mundo (parece que muita gente está a fazer isto, na crise financeira, no clima, no PSD).
Se o pior cenário não se confirma, podemos sempre dizer que ainda não foi desta, mas que será da próxima. Se acabar o mundo, lá estaremos todos para felicitar o autor de uma previsão bem feita.



15 comentários

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De Anónimo a 09.10.2008 às 15:25

Demasiado taxativo é o Teixeira dos Santos, acho eu. Ele é só taxas e impostos...
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De Anónimo a 09.10.2008 às 15:40

Ora, o sr. Fernandes queria mas era ir até um luxuoso hotel de Monarch Beach, Califórnia, com direito a factura final de uns 300 mil euros, entre diárias, almoços e massagista.
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De Allanónimo a 09.10.2008 às 15:51

O quê? Ainda não foi o fim do mundo? Ah, assim fico muito mais descansado...
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De Mialgia de Esforço a 09.10.2008 às 15:54

Sobre o seu lado taxativo: tenha uma conversa com o Cornélio Suave. Vai ver que resulta.
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De Margarida Pereira a 09.10.2008 às 15:55

Luís, não se apoquente…; ‘taxativos’ somos todos, já que divulgarmos e defendermos os nossos pontos de vista tem sempre riscos. Mas não o fazem todos? Que cronista não despeja o fígado (sobretudo) a propósito de (quase) tudo o que mexe?
E quantas vezes não se prova errado? Mas quantas “dá a mão à palmatória”? Nem todos, nem todos…
Este ‘mea culpa’ é muito querido e só fomenta que o leiamos com maior interesse e carinho.
As gradações, comendas, pedestais e projecções são de cada um para cada um.
E há sempre tempo para a aprendizagem (menos, para a mudança).
Continue, que vai bem.
A independência e a genuinidade são valores.
Com o (ultra)passar das ‘ratoeiras’ perde-se muito mais do que o que se ganha. Humanamente.
(e o sr. Ferreira Fernandes escreve também muito bem)
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De l.rodrigues a 09.10.2008 às 16:18

Se a alternativa a ser taxativo é ser vago e não se comprometer, continue que vai bem,
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De Ferreira Fernandes a 09.10.2008 às 16:25

Chamei-te "demasiado taxativo", Luís? Acho que fui demasiado peremptório. Na verdade, leio-te, relativizo e gosto.
FF
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De Luís Naves a 09.10.2008 às 17:01

tens razão, a palavra foi "peremptório"
estou a ver que não acerto uma...
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De Margarida Pereira a 09.10.2008 às 17:01

... se é MESMO o excleso Ferreira Fernandes (nestas coisas nunca se sabe...), grande aplauso!
Porque 'deu a mão à palmatória' (lindo e amoroso) e porque é um GRANDE cronista.

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De Luís Naves a 09.10.2008 às 17:02

aproveito para agradecer os comentários
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De invejoso a 09.10.2008 às 18:30

Só a mim é que ninguém chama excelso...
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De Margarida Pereira a 09.10.2008 às 18:40

Caro 'Invejoso', esses epítetos merecem-se...
Se mostrar espírito, graça e inspiração, será devidamente encomiado :)
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De agora já menos invejoso a 09.10.2008 às 18:45

Farei os possíveis para merecer tal epíteto, para fazer jus aos seus encómios..
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De Manuel Leão a 09.10.2008 às 20:09

Luís Naves:

Não deve ter receio de ser demasiado peremptório ou taxativo. É preferível ser peremptório do que escolher um estilo difuso, para permitir passar nos intervalos da chuva. Tipo Pitonisa de Delfos, onde até a pontuação faz toda a diferença.

Devemos escrever claro e falar claro e sem ambiguidades. Podemos errar? Provavelmente. Mas é intelectualmente mais honesto.

Acerca disto:

«Taleb mostra a impossibilidade de se compreenderem os sistemas complexos e de antecipar a sua evolução. Tudo depende de tantos factores que ninguém pode verdadeiramente saber o que acontecerá a seguir. Veja-se, por exemplo, o que se passa com o clima, com a crise financeira internacional (...)»,

permita que lhe diga que os sintomas andavam por aí. A falência da ERON , aquele caso das actividades da AFINSA e do FÓRUM FILATÉLICO, em Espanha, que configuravam uma pirâmide, estilo D. Branca. Intramuros, num âmbito diferente, recorde a crise do BCP , no ano passado, que deu origem a uma "guerra" entre os principais accionistas de referência.

Dir-me-à que ninguém adivinhava que este desenlace se iria dar justamente agora. Talvez sim, talvez não. Mas parece-me evidente que, mais tarde ou mais cedo, acabaria por desembocar numa situação destas ou parecida.

Os factores são muitos e complexos, é verdade, mas é por isso que esses gestores são pagos a peso de ouro, tendo ao seu dispor instrumentos de análise sofisticados.
O problema é que uma parte substancial (obscena mesmo) das remunerações, são indexadas ao montante do negócio e isso conduz, muitas vezes, a engenharias contabilísticas para permitir alimentar a ganância.

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