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Kosovo: um recuo inaceitável

por Pedro Correia, em 07.10.08

Um dos raros motivos que me levaram este ano a elogiar sem reservas o Governo deixa de existir a partir de agora: ao reconhecer a pseudo-independência do Kosovo, a reboque dos grandes directórios europeus, que por sua vez andaram a reboque dos Estados Unidos, o Executivo de Lisboa abdica de ter uma voz própria nesta matéria. E abdica sobretudo de ter uma voz autorizada, respeitadora do Direito Internacional e da doutrina de validação de fronteiras estabelecida na Conferência de Ialta, em Fevereiro de 1945. Países que nos são próximos, como a Espanha e a Grécia, continuam sem reconhecer a "independência" unilateral do Kosovo, estribada num inaceitável predomínio étnico que legitimaria - por exemplo - o imediato levantamento insurrecional no País Basco contra os estados espanhol e francês.

Portugal, que tão bem andou em Fevereiro, aliás sob a orientação do Presidente da República, opta agora por trair os princípios que enunciou há oito meses sem que nada de relevante possa justificar este contorcionismo. Pelo contrário, as recentes proclamações de "independência" dos territórios georgianos da Abcásia e da Ossétia do Sul, instigadas pela Rússia, só confirmam a necessidade de não abrirmos a Caixa de Pandora no continente que gerou as duas guerras mais mortíferas de todos os tempos. Ambas há menos de cem anos, não esqueçamos. E um século não é nada quando estamos a falar de História.

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24 comentários

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De Anónimo a 07.10.2008 às 16:26

Mas também pode acontecer que a Ilha da Poncha declare unilateralmente a independência. Em tudo há um lado positivo.
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De Anónimo a 07.10.2008 às 16:33

Lá está o sr. Correia sempre a defender o Luis Filipe Menezes...
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De Manuel Leão. a 07.10.2008 às 16:39

Chama-se a isto capitular. E, ainda por cima, gratuitamente.

Mas eles sabem lá de história.
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De Anónimo a 07.10.2008 às 17:43

Gratuitamente, como?
V. domina os segredos de diplomacia relativos a este caso?
Não fale de cor sobre tudo e mais alguma coisa. Cale a boca e reduza-se...
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De Manuel Leão a 07.10.2008 às 18:25

Anónimo das 17:43,

Segredos não domino, como é óbvio, mas você também não. Mas sou livre de pensar que tenha sido assim. Até prova em contrário.

Por sua vez, você pode também pensar o que quiser.

Eu, no entanto, não escrevo para o mandar reduzir, porque:

Primeiro, não está na minha maneira de ser;
depois, porque você poderia ficar pequeno demais.

Claro que o seu "cale a boca" só o posso tomar como uma força de expressão.

É que eu escrevi, não falei. Não se precipite, não esteja nervoso.
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De Anónimo a 07.10.2008 às 19:27

"Segredos não domino, como é óbvio, mas você também não".

Como é que sabe o que eu sei ou deixo de saber?
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De Manuel Leão a 07.10.2008 às 22:05

Desculpe, nunca pensei que estivesse a dialogar com alguém que dominasse segredos de Estado.

Ando com sorte, ainda ontem falei com um senhor que me afirmou ser o verdadeiro Napoleão.

Há cada coincidência.
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De Bonaparte a 07.10.2008 às 22:19

Napoleon C'EST MOI!
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De Anónimo a 08.10.2008 às 14:36

Se a estupidez fosse música, caro Leão, você não era um felino mas a filarmónica da Arrentela.
Algo impede que se seja comentador no "Corta-fitas" e simultaneamente diplomata?
Reduza-se, repito... Vá dar uma volta ao bilhar grande e não regresse, por favor.
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De Paulo Cunha Porto a 07.10.2008 às 17:16

Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro.
Tens toda a razão, Pedro. Tens toda a razão, Pedro.
Abraço
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De Pedro Correia a 07.10.2008 às 20:50

Abraço, Paulo
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De Mialgia de Esforço a 07.10.2008 às 17:24

Exactamente, Pedro. Em Fevereiro passado quando foi internacionalmente reconhecida a independência, vários comentadores alertaram para o que se poderia vir a passar na Ossétia do Sul e na Abcásia.

O que leva a comunidade internacional a reconhecer uma região problemática, que só subsiste à custa da ajuda internacional, que é controlada pelas mafias locais, que tem um PIB per capita de $1.800, uma taxa de desemprego de 43% e um esboço de tecido produtivo obsoleto e desqualificado? (Parece quase um retrato da Tugalândia, mas ainda não estamos assim tão mal.)

Foi a pressão internacional que levou o Governo tuga a seguir a vai da atracção pelo abismo!?
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De Gabriel Silva a 07.10.2008 às 17:25

reparo que a vontade das populações, a sua autodeterminação, enfim a sua liberdade não contam para nada.
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De Manuel Leão a 07.10.2008 às 18:55

Gabriel Silva:

Mas, então, contam em todos os casos.

Não pode é contar umas vezes e não contar nas outras.
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De Gabriel Silva a 07.10.2008 às 20:37

nem eu disse o contrário, por ser evidente.

Na verdade, o que não pode, como parece resultar da posta, é a liberdade nunca contar para nada.
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De Pedro Correia a 07.10.2008 às 20:54

Caro Gabriel, a questão não é a da "liberdade": a questão é a da proliferação de independências unilaterais. Aceitando uma, aceitam-se todas. Ou em nome de que critério de "liberdade" se aceitam umas para negar as restantes?
Por mim, sou contra a independência unilateral do Kosovo tal como sou contra a independência da Abcásia e da Ossétia do Sul. E assumo esta posição não com base num palpite mas no Direito Internacional, a última coisa de que devemos fazer tábua rasa.
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De Luís a 07.10.2008 às 17:25

Bem sei que foi há quase 900 anos e que quase nada se pode comparar, mas a independência de Portugal também foi declarada unilateralmente. Saudações
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De Manuel Leão a 07.10.2008 às 18:38

É isso mesmo, não se pode comparar!

Portanto ...

(Mas, mesmo assim, só ficou reconhecida pelo Papa Alexandre III, em 1179, não obstante o Tratado de Zamora ter sido assinado em 1143)
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De Anónimo a 07.10.2008 às 19:31

A patetice é livre, estamos num país democrático...
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De l.rodrigues a 07.10.2008 às 17:33

Sem ter seguido o assunto de perto ou ouvido as vozes dos responsáveis politicos e diplomáticos acerca da posição portuguesa, sempre achei que essa era simplesmente uma não posição, um "nim", a ver vamos. Ou seja, nunca me pareceu que deste governo fosse de esperar grandes afirmações de principios.
Quem fez o que fez com os voos da CIA ia fazer o quê com isto?
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De Ana Pereira a 07.10.2008 às 17:38

Portugal junta-se asim ao grupo de paises que não podem criticar a Rússia por reconhecer a independencia das duas provincias que faziam parte da Geórgia.
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De Cristina Ribeiro a 07.10.2008 às 18:03

Atendendo à importância histórico-religiosa do Kosovo- visto pelos sérvios como que a "pedra base" da Nação- parece-me que poder-se-á muito bem estar a brincar com o fogo...
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De João André a 08.10.2008 às 09:51

Nesse aspecto cara Cristina, os sérvios têm consciência que não recuperarão o Kosovo por uma razão de pragmatismo: os países mais poderosos apoiam essa independência (aliás, orquestraram-na desde há muito tempo).

Aquilo que os sérvios esperam é então que sejam reconhecidas certas questões algo diferentes. Uma, que seja então reconhecido o direito aos territórios croatas e bósnios com maioria sérvia de se tornarem independentes ou de se juntarem à Sérvia. Outra, que sejam entregues à igreja ortodoxa sérvia os territórios que ela possuía no Kosovo (não só o berço da Sérvia enquanto nação mas também da sia igreja). Por fim, que seja reconhecida a especificidade do território ocupado maioritariamente por sérvios no Kosovo.

Além disto tudo, há um outro ponto diferente. Os albaneses do Kosovo dividem-se essencialmente em dois grupos: um deles, resultante de uma imigração mais recente, é o que possui o controlo do território, seja ele político ou mafioso. Outro, o resultante de uma presença, essa sim, de séculos, tem menos peso mas há muito tempo que viviam em paz com os sérvios.

A questão do Kosovo é um saco de gatos sem sequer se falar nas suas ramificações internacionais. Isto ainda vai dar muito que falar, especialmente no processo de adesão da Sérvia à UE.

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