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Querido banco:

por Teresa Ribeiro, em 05.10.08

Abro correspondência e leio: "Encoste-se a nós". Sorrio. É do meu banco! "Triplique aqui o seu ordenado", desafiam-me. Humm, a ideia é tão tentadora... No topo da folha, a foto de Ricardo Pereira com um sorriso convidativo: "Que tal?", pergunta-me ele olhos nos olhos (é um daqueles retratos que são tirados de forma a criar a ilusão de que o fotografado está a olhar para nós).

Leio o preâmbulo do texto, o banco oferece-me ainda a emissão de dez cheques por mês e não me cobra a comissão de manutenção desta conta que me propõe, entre outros mimos.

O importante é que me põe na mão um cartão que me dá acesso ao triplo do meu ordenado... essa é que é essa!

Fico tocada com tanta generosidade, mas... (suspiro) decido não aceitar. Tenho que ser responsável. Afinal é de pessoas como eu que depende a saúde da economia mundial (opinião de vários analistas e opinion makers).

Se calhar escrevo-lhes a explicar isto mesmo: que apesar de ser bem intencionado, o esforço que fazem para facilitar a vida a pessoas como eu, tem este efeito perverso - deixa a economia nas mãos de um bando de indigentes que não fazem ideia do que seja ter bom senso. Vou já responder-lhes: 

"Querido banco:

Venho por este meio...bla, bla, bla..."



9 comentários

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De Paulo Cunha Porto a 05.10.2008 às 14:16

Querida Teresa,
ia a dizer que seria algo ingrato rechaçar assim quem Lhe passou cartão, mas a fórmula pela qual A interpelaram legitima plenamente a atitude: a Teresa não gosta de ENCOSTOS abusivos, é tudo.
Menina Ponderada! Assim os nossos contemporãneos, a começar pelos governos, agissem de modo equivalente...
Beijinho
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De mike a 05.10.2008 às 14:21

Temo que isto de haver pessoas responsáveis e sensatas comece a pôr em risco o meu ganha pão. Raios partam a economia em crise! Pondere a oferta generosa do seu Banco Teresa. Ele precisa de si. Vai ver que não se arrepende. É de reciprocidade da dádiva que estamos, afinal, a falar. ;-)
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De Dutilleul a 05.10.2008 às 15:39

Não resisto à tentação de reproduzir aqui aquilo que escrevi (sem a mesma graça e em lugar menos bem frequentado):

O Sr. Salgueiro, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, informou esta semana que os depósitos dos portugueses estavam garantidos até a um montante de 5000 euros por conta… Diabos me levem se o homem não parecia estar com uma valente pedrada.
Coisas que acontecem a todos, mais dia, menos dia.

Pouco depois, culpava os portugueses pelo endividamento e arranjou tempo para declarar a uma rádio que “… a cultura do desenrasca, muito própria do povo lusitano, que não faz contas à vida, também não ajuda…”

Isto tudo a propósito do diálogo de um Sr. Lopes, acima representado pelo Sr. Salgueiro que vem seguindo mais ou menos assim:

Lusitano estouvado: -É pá, ó Lopes, ainda bem que te encontro. Olha lá, desenrascas aí quinhentas mocas?
O Lopes: Conhecemo-nos, caro senhor? Bom, isso agora não interessa. Tem a certeza que só necessita de quinhentas?

E assim se vão juntando letras, formando sentidos que me escapam, em obediência a uma vontade que não é minha mas de lugar que me é estranho.
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De Mialgia de Esforço a 05.10.2008 às 18:52

Reconsidere, Teresa. Porque esse banco é um óptimo banco para se encostar. E generoso. Tem disso exemplos bem recentes: o do filho do ex-presidente, receptor de uma gorda doacção em espécie; e aquele senhor ex-caixa em Mogadouro e inventor daquela coisa extraordinária chamada Fundação para a Prevenção e Segurança.

Se isto não são bons encostos...
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De JuliaML a 05.10.2008 às 18:57


Por acaso, acho dos créditos que mais compensa. Muto mais do que os cartões dourados e outros que tais.
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De Ana Vidal a 06.10.2008 às 02:04

O efeito preverso destas cartas, completamente contrárias à necessidade imperiosa de apertar cintos, é arrasador mesmo. Imagino que para muitas famílias em desespero deve ser uma tentação irresistível... o pior é depois.
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De JuliaML a 06.10.2008 às 10:11


o perverso disso tudo, é que eles só oferecem a quem não precisa. Lembro que há uns anos me queriam oferecer um cheque para as férias. ri deles nas trombas. ofereciam-me o que eu já tinha. sem precisar pagar ?? se eu precisasse oferecer-me-iam? com toda a certeza que não.
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De Manuel Leão a 06.10.2008 às 20:12

Não sei qual é o banco nem me interessa.

Mas cuidado com as palavras. O banco pode ser querido, mas não sabe ler. E, quem vai ler, ainda acaba por acreditar nisso e inventa outra promoção qualquer. Nunca se deve subestimar um técnico de marketing. Eles possuem armas de destruição maciça!
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De Teresa Ribeiro a 07.10.2008 às 10:05

Paulo: Não faça de mim juízos precipitados. Quem disse que às vezes não gosto de encostos abusivos? Depende... mas dos que o meu banco me propõe não gosto mesmo :)

Mike: Não se preocupe, na Tugalândia somos todos saudavelmente irresponsáveis!

Dutilleul: Pois faço minhas as suas palavras :)

Mialgia: Encostar-me a bancos? Eu? Jamé!

Julia e Ana: Este sistema é perverso e cria efeitos ainda mais perversos.

Verdade, Manuel Leão, os marketeers são uns terroristas :)

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