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Andar a Dias

por Paulo Cunha Porto, em 04.10.08

S. Francisco Pregando Entre os Animais,

de Hans Stubenrauch

Devo à Cristina Ribeiro a lembrança do dia que nunca devia esquecer, o do Poverello de Assis, Caso Raro entre todos os que se procuram purificar pela renúncia, na senda, simples de definir mas dificílima de observar, de não advogar superioridade sobre os que não seguem a mesma via. Tendo trocado as alegrias da prosperidade pela Alegria na prática mendicante, sempre S. Francisco se insurgiu contra a tentação de os discípulos pregarem contra a riqueza, fazendo-lhes ver que os abastados eram essenciais à Esmola de que tinham decidido viver, para se consagrarem a mais Alta Devoção. E, no célebre incidente de Fabriano, ao predizer a ruína iminente de uma obra empreendida por operários que haviam recusado parar para permitir que Ele fosse ouvido, deu-nos a lição de que o Trabalho nem sempre é estimável, mormente quando se oponha à difusão da Espiritualidade. Lições actualíssimas para os embrutecimentos de sinais opostos da nossa época.

Mas mais nos ficou do Fundador dos Frades Menores. A dignificação pelo afecto pelos outros animais, através do dia deles que hoje também se comemora, como herança laica da benção dos ditos, saída da tradição Franciscana. Fez coisa  maior o Grande Santo do que proscrever os maus tratos que ainda hoje é a tentativa modesta com que nos temos de contentar. O seu universalíssimo Amor pregado foi ao ponto de os elevar ao nível humano. No conhecido caso do lobo de Gubbio, reconhecendo-lhe essa especificidade que cremos humana para o pior e para o melhor, como, amansando-o, determinando-lhe a vida que tinha escolhido para si e para os seus, a de viver da Caridade da povoação que, maravilhada, jamais a negou, até que o bicho naturalmente se extinguiu. Mas também no caso do cordeiro que confiou a D. Jacoba de Settisoli e era por ela tida como verdadeiro seguidor das regras da predicação do Mestre, ou a ovelha oferecida em Santa Maria dos Anjos, a qual, segundo S. Boaventura, demonstrava tal respeito durante a celebração da Missa, que poderia servir de exemplo a muitos cristãos. Esta humanização das alimárias deveria incentivar-nos a não nos restringirmos a um dia de boas intenções, ou a anos simbólicos de protecção de uma espécie, para depois voltarmos à crueldade de sempre. Assim como se fizéssemos o voto de não matar o nosso semelhante apenas no período da Quaresma...



6 comentários

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De Anónimo a 04.10.2008 às 18:52

não vejo o tipo a pegar em nada
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De Luísa a 04.10.2008 às 19:12

Embora mal conheça a vida de S. Francisco de Assis, Paulo, vem-me da infância uma profunda simpatia pela sua figura. Representa, para mim, a personificação da bondade, que considero a qualidade número um, por, de algum modo, incluir as outras todas. :-)
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De Paulo Cunha Porto a 04.10.2008 às 19:28

Pois, Caro Anónimo, se nem há touro presente... Grato, já introduzi o "r" de Reprovado.

Querida Luísa,
sem dúvida, assim como me diz bastante o juízo de Jorge Luís Borges, segundo o qual "os Sete Pecados Capitais são um só, a Crueldade".
Beijinho
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De Cristina Ribeiro a 04.10.2008 às 19:59

Obrigada, Paulo!
Admiro muito este santo; o quanto pregou o amor entre os homens, o amor pelos animais.
Um desejo que espero concretizar, é a visita à cidade onde, em 1986, e promovido por João Paulo II, se realizou o Dia Mundial da Oração pela Paz...
Beijo
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De Maria Teresa Goulão a 05.10.2008 às 00:30


Francisco, ilumina me no seu exemplo, e quando a vida nos mostra o seu lado mais negro, rezo para que Francisco na sua humildade e fé me ajude.


A este propósito de Francisco, Poverello de Assis, saliento o Blog http://betus-pax.blogspot.com/


E neste dia reproduzo a Oração a São Francisco de Assis do Papa João Paulo II

Ó São Francisco,
estigmatizado do Monte Alverne,
o mundo tem saudades de ti,
qual imagem de Jesus crucificado.

Tem necessidade do teu coração
aberto para Deus e para o homem,
dos teus pés descalços e feridos,
das tuas mãos trespassadas e implorantes.

Tem saudades da tua voz fraca,
mas forte pelo poder do Evangelho.

Ajuda, Francisco, os homens de hoje
a reconhecerem o mal do pecado
e a procurarem a sua purificação na penitência.
Ajuda-os a libertarem-se
das próprias estruturas do pecado,
que oprimem a sociedade de hoje.

Reaviva na consciência
dos governantes a urgência
da Paz nas Nações e entre os Povos.

Infunde nos jovens o teu vigor de vida,
capaz de contrastar as insídias
das múltiplas culturas da morte.

Aos ofendidos
por toda espécie de maldade,
comunica, Francisco,
a tua alegria de saber perdoar.

A todos os crucificados
pelo sofrimento,
pela fome e pela guerra,
reabre as portas da esperança.

Ámen.
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De Paulo Cunha Porto a 05.10.2008 às 08:55

Querida Cristina, Boa! Em querendo companhia, até poderíamos combinar uma peregrinação, quando o panirama estiver mais desanuviado.

Querida Maria Teresa,
muito Bem-Vinda ao comentarismo dos meus textos. Obrigadíssimo pela bela Oração e pela sugestão do blogue, que visitarei. Bem precisamos de toda a Força inspiradora e sobrenatural do Intercessor Perfeito que foi o Grande Santo, num mundo cheio de males, dos quais os oriundos da plutocracia se tornam particularmente visíveis.
Beijinhos a Ambas

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