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Entrevistei Dinis Machado duas vezes, no início da minha carreira profissional. Da primeira vez entrei-lhe em casa sem pré-aviso: morava na Rua Sacadura Cabral, ao Campo Pequeno, abriu-me de imediato a porta e ficámos a conversar até às tantas, como se fôssemos velhos amigos. Guardo dele a imagem de um homem de extrema bonomia, capaz de falar com prazer dos mais variados temas - do cinema aos policiais, da literatura clássica à banda desenhada, sem esquecer a política. Foi precisamente pela banda desenhada que ouvi falar, ainda em miúdo, do autor de Molero: ele era na altura chefe de Redacção da revista Tintim, que iniciou toda uma geração de portugueses na leitura - uma geração de que fiz parte.
Nessa conversa num acanhado aposento da Sacadura Cabral, repleto de livros e cheirando a cigarrilha, tive ocasião de agradecer a Dinis Machado aquela década de fascinantes histórias em banda desenhada. Saí de lá com uma extensa entrevista, um autógrafo no meu exemplar de O Que Diz Molero - uma edição do Círculo de Leitores com uma belíssima capa - e um livrinho que ele me ofereceu: Mão Direita do Diabo, de um tal Dennis McShade, então autor de culto em certas tertúlias lisboetas.
Machado-Molero-McShade era um adulto que nunca deixou de ser criança. O seu Molero - cujo êxito de vendas, impressionante para a década de 70, à escala portuguesa, nunca deixou de o surpreender - pode ser lido desta forma: como uma crónica em tamanho grande de um autor sem idade. E também como uma apaixonada declaração de amor a Lisboa, a sua cidade de sempre. Uma obra irrepetível.
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