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Sexo Com Fantasmas

por Paulo Cunha Porto, em 01.10.08

Prostituta, de Jarred Gutekunst

A tributação das actividades ilícitas, quando referente às prostitutas, sempre foi mais uma tribulação, por ser impossível de controlar, como porque fazê-lo estende à fiscalidade a desaprovação social que estigmatiza os comportamentos cúmplices. A legislação sueca, no sentido de legalizar a venda do corpo mas criminalizar a compra, é, evidentemente, mais uma aberração que brota da imaginação de opressões. Que se criminalize o tráfico e a exploração, e compreensível, pelas coacções que muitas vezes envolvem. Estender às profissionais por conta própria a igualdade e consideração, retirando-as ao cliente que lhes dá o sustento é uma tentativa de inversão de valores tradicionais, a qual tenta fazer tábua rasa do entendimento multissecular de que vender-se é mais reprovável do que descarregar energias. Além de ser determinado pelo mais irrealista dos preconceitos, o de que é a escassez que conduz ao aluguer de si, não a facilidade.

Neste contexto, a reivindicação das mulheres da vida suecas de passarem a pagar impostos, para acederem à assistência e à segurança social como qualquer outra actividade, está inquinadíssima pela consequência que pode trazer o não-preenchimento dos recibos com o nome dos clientes. A inverificabilidade será total, nada garantindo, sobretudo em imigrantes provenientes de outras culturas, que não sejam preenchidas declarações com recibos fictícios, para gozar de prestações a que, de outro modo, não se teria direito. O homem foi eliminado deste circuito, cada peixão fisgado na mira de espremer o fruto proibido passará a ser um número de quitação. Até que o próprio número, mesmo sem correspondência, se torne a realidade, fazendo muita dona de casa esforçar-se por passar por meretriz.

Claro que na nossa santa terrinha o problema não se põe, ninguém sonharia desejar declarar impostos. Em primeiro lugar, a qualidade das regalias é a que se sabe. Depois, faz parte do carácter nacional contar mais com um pássaro na mão, esperando que a sorte trate de evitar as necessidades de doença e velhice, num enganar antes que se seja enganado muito típico.



23 comentários

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De Anónimo a 01.10.2008 às 16:11

Já agora, as famílias reais têm ordenados e pagam impostos?

Se eu fosse ao sr. Honrado do RCP perguntava esta.
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De Änönïmö a 01.10.2008 às 16:12

Épá, que cheiro a bacalhau!

PS- Aquilo é um bacalhau, não é?
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De Anónimo a 01.10.2008 às 16:23

Aquilo é um espadarte azul, também conhecido por marlin, e trata-se de um exemplar capturado em Sesimbra.
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De Anónimo a 01.10.2008 às 16:13

A estas senhoras é que a CML devia dar casa.
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De Isto digo eu, não sei a 01.10.2008 às 16:15

Gutekunst deve querer dizer BoaCoxa.
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De Anónimo a 01.10.2008 às 17:06

Kunst acho que quer dizer «arte». O tipo chama-se a si próprio Boa-arte.
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De Anónimo a 01.10.2008 às 16:21

"a qualidade das regalias é a que se sabe..."


Ora, há regalias brasileiras, ucranianas, etc.
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De Anónimo a 01.10.2008 às 16:27

...raispartam as legislações idiotas dessas monarquias pretensamente avançadas...
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De Anónimo a 01.10.2008 às 17:03

Sexo com fantasmas não aprecio. Não têm nada a que uma pessoa se agarre.
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De Margarida Pereira a 01.10.2008 às 17:40

Ora agora é vão ser elas para retrucar a estes "anónimos" todos!
Ou não.
Vai tudo 'corrido' de uma penada com 'Querido(s) Anónimos' e depois uma valente prédica sobre a virtualidade da monarquia (os tempos e os sujeitos estão a favor).
O assunto de fundo será um bom assunto..., mas não há nada a fazer.
As trabalhadoras, como sempre, têm a força da razão e a objectivlidade do labor, do qual não se envergonham, a clientela, como sempre foi, é e será seu apanágio, prefere a dissimulação e as sombras.
A dupla face, a manutenção do público versus privado. Ou depravado.

Dois apontamentos apenas:
Um - (...)"Que se criminalize o tráfico e a exploração, e compreensível, pelas coacções que muitas vezes envolvem(...)"
"que muitas vezes envolvem"??
Então o tráfico e a exploração não são, em si mesmas, coacções infames e integralmente coactivas?!
Dois - (...)"fazendo muita dona de casa esforçar-se por passar por meretriz.(...)"
A dualidade e duplicidade das "actividades" é coisa do passado.
Não o sendo, lá voltará o fantasma das 'mães de Bragança'... (acordem minhas senhoras...)
Agora lembrei-me de um filme do Woody Allen -'Mighty Aphrodite'.
Nem sei porquê...
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De José Manuel Faria a 01.10.2008 às 18:02

Porque é um excelente filme! Talvez.
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De Paulo Cunha Porto a 01.10.2008 às 18:22

É bem possível, Meu Caro JMFFaria,
mas, longe de o rejeitar, os meus preferidos de WA são «Manhattan», «Annie Hall», «Zelig», Hannah e as Suas Irmãs» e um algo diferente, «A Rosa Púrpura do Cairo».
Abraço
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De Ana Vidal a 01.10.2008 às 18:04

Belo texto como sempre, Paulo!
Nem imaginas como eu gosto de concordar contigo... e desta vez concordo mesmo.
Beijinhos
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De Paulo Cunha Porto a 01.10.2008 às 18:24

Querida Ana,
só ler isto já fez valer a pena escrever o post! Quanto à qualidade, és Suspeita, como Amiga.
Beijinho
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De Paulo Cunha Porto a 01.10.2008 às 18:17

Caro Anónimo das 16,11H,
também As há assim, pois! E nos casos em que é diferente, como em Inglaterra, os acordos de utilização pela Comunidade do património familiar são mais do que vantajosos para esta.
E se eu fosse o Grande João Távora, responderia com o exemplo do deputado republicano norueguês que votou pela Monarquia como Forma de Estado... por sair muito mais barato. Mas o Nosso Amigo, superiormente, melhor decidirá.

Caro Änonimö,
após um exame minucioso da imagem, penso que convirá ao assunto deixar a solução... em suspenso.

Caro Anónimo das 16,23H,
finalmente uma boa notícia para as nossas pescas! Não é o Ministro Jaime Silva que me interpela, é?

Caro Anónimo das 16,13H,
mas há assim tantas reivindicando o estatuto contributivo? Não parece que assim seja, lá ia o parque habitacional camarário ficar devoluto, disponível para as boas acções que têm vindo a lume.

Brilhante Isto Digo Eu, não Sei,
como um coxa bem torneada é uma indesmentível obra de arte, temos aberta uma via de cinsenso.

Caro Anómimo das 17,06,
ora, também não temos um atleta - que deve ser Exemplo de vida e vitalidade - chamado Boa-Morte?

Caro Anónimo das 16,21H,
aí não iria melhor reegalos? Mas claro que nem todas as vistas ficariam, ou se sentiriam, (ar)regaladas...

Caro Anónimo das 16,27H,
Amen. Por essas e por outras é que defendo uma Monarquia sem pretensões!

Caro Anónimo das 17,03,
teve o condão de despertar em mim a lembrança de «O Fantasma Apaixonado», de Mankiewicz: quando Gene Tierney se explica ao fantasmático Rex Harrison, por lhe ter preferido um vigarista de carne e osso:
"- Ele é rea!"

Querida Margarida,
respondo sempre com prazer a interpelações graciosas, apenas ignorando as gratuitas. Ignoro é se estarei à altura.
Sobre as Suas dúvidas:
- Nem sempre. Conheço casos em que as trabalhadoras são entusiásticas acerca do seu modo de vida e se dão muito bem com o patrão. Ossos de ter sido advogado estafiário...
- Mães de Bragança é conceito impensável na Suécia, até porque claro está que os desavergonhados a banir são os homens que dão essas escapadelas. Acha que no nosso País era plausível um movimento no sentido de correr com eles?
Embora não seja dos meus Allen' s preferidos, vou sorvendo a Sua lembrança cinéfila... por causa da SORVino.
Beijinhos e abraços
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De Margarida Pereira a 01.10.2008 às 18:40

Eis um exemplo de respostas que valem tanto quanto os 'posts'.
Aguardo-os sempre com redobrada expectativa (são 'pessoais'). E nunca desiludem (ai a 'responsabilidade' a crescer...:))
"entusiásticas" é um nadinha exagerado, não?!
"resignadas" talvez...; "ignorantes" sobretudo.
E..."patrões"?... ocorrer-me-ia outro vocábulo. Mas é grosseiro. Não reproduzo.
Não, não. Isso é uma forma - mundana e elegantemente masculina - de manter um pressuposto com o qual não posso concordar.
Tirando as 'escort girls', que praticam a actividade num patamar mais 'sofisticado' e, sobretudo, 'independente', a alegação não colhe, caro quase-causídico...
A actividade semi-lúdica que se pratica a esse nível até pode considerar-se 'entusiástica'. 'Cavalheiros' de 'bom nível', viagens, pagamentos chorudíssimos, jogos de sedução em que os jogadores estão a par, posso compreender a 'diversão'. O(s) gozo(s).
As mulheres arroladas para a submissão infame, para todas as práticas forçadas e humilhantes, com 'mentor' de carrasco bruto, aí não haverá alma que se submeta sem ser forçada.
Infelizmente, nem seria preciso socorrermo-nos do termo 'profissional'. As desgraçadas 'amadoras' que sofrem tratos de polé dos 'cônjuges' estão a par das 'profissionais' da coisa.
Infelizes, todas.
Coisa monstruosa a combater, denunciar, punir.
Voltamos à tese de que os homens não são criaturas lá muito recomendáveis, não é?...
Mas todos se "divertem" muito com a temática.
O respeito, o conceito de direitos humanos, a simples piedade pela condição do outro, são princípios e ideais bocejantes para os cidadãos egoístas e bestiais que por aí deambulam.
O tema é muito sério.
Não desisto de acreditar que algum dia as mulheres se rebelarão em massa contra a utilização ignóbil e redutora que delas tanto se faz. Aqui e no resto do mundo.
Na carne e no espírito.
Mas eu, está claro, sou uma sonhadora.

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