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O 'feedback' do 'self-checkout'

por Pedro Correia, em 30.09.08

 

“Agora, uma viagem aérea pode ser comprada e o check in feito em máquinas automáticas on line. Já é possível em vários estabelecimentos comerciais usar caixas automáticas, em que é o próprio cliente a registar as suas compras em scanners de códigos de barras e a fazer o pagamento. Com o self-service, as empresas tornam-se mais competitivas. Há já o exemplo dos call centers. E há outras vertentes. A primeira é a apetência que um certo grupo de consumidores, os early adopters, tem por experimentar e testar novas formas de oferta. E apenas 5 por cento de clientes de supermercados se recusaram a utilizar serviços de self-checkout. O feedback dos clientes é muito positivo porque o self-checkout permite uma passagem em caixa mais rápida, sendo que o sistema é user-friendly. Mas falta ainda uma espécie de incentivo, como um voucher que desse descontos, e colocar pequenos chips nos produtos, cuja informação pode ser lida automaticamente.”

Este texto de leitura tão penosa resulta de uma montagem de frases que fiz, todas extraídas de um artigo saído recentemente num dos principais jornais portugueses. Um artigo que demonstra pelo menos duas coisas. Por um lado, a vontade de comunicar com o leitor, da parte de alguns jornalistas, é mínima – o que me deixa perplexo. Por outro, sem que quase nos apercebamos disso, é cada vez mais evidente que os nossos jornais começam a ser escritos com frequência numa espécie de crioulo luso-americano, povoado de termos de importação tecnocrática que se pretende transpor a martelo para o discurso comum.
É feio. E triste. E é sobretudo muito sintomático de um certo provincianismo mental português. Que pode aparecer com um verniz modernaço mas que é quase tão antigo como a fundação da nossa nacionalidade.
 
Publicado no Sete Vidas como os Gatos, correspondendo a um amável convite do Rui Vasco Neto

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19 comentários

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De Carlos Portugal a 01.10.2008 às 11:10

Caro Pedro:

Excelente postal, e excelente caracterização da «novilíngua» que tem realmente mais de crioulo do que de Português ou Inglês, mesmo abastardadamente americanizado.

Ao seu «É feio, é triste», eu acrescentaria «é ridículo, é grotesco», próprio de criaturas sem qualquer cultura, que vêem na desumanização do «pensamento único» americanófilo um sinal de «progresso». Um pouco como os papuas da Nova Guiné, ao criarem o Culto «Cargo» (aqui o anglicismo é intencional), a partir da ocupação das ilhas pelos EUA durante a 2ª Guerra Mundial.

A mentalidade é a mesma, de papuas de civilização pré-histórica, talvez ainda mais primária do que o ar de basbaques e o dedo a apontar enquanto exclamam: «ò patego, olha o balão!», e a resposta pronta: «Ahhh! Que bonito!»

Substitua «patego» por «consumer», balão por «infoscience» (ou outro disparate no género) e «Ahhh! Que bonito!» por um qualquer«Oh, my God! It's awesome!», de preferência em «inglês técnico», e tem o quadro completo.

O problema é que querem tomar-nos todos por mais pategos do que eles são, ou, pelo contrário, por refractários ao novo Culto «Cargo»...

Cumprimentos.
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De Pedro Correia a 01.10.2008 às 14:33

Pois, Carlos. O problema é que dantes os pategos tinham algum pudor em exibir-se, agora fazem em gala em palrar e saracotear-se por todo o lado. Alguns são até apontados como casos exemplares, veja lá...
Cumprimentos

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