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Emoções básicas (21)

por Luís Naves, em 30.09.08

 

Pânico em Wall Street

O mundo vai olhar com angústia para a evolução das bolsas nos próximos dias, pelo menos enquanto não houver um plano de salvamento dos mercados financeiros. Ontem, em Wall Street, volatilizaram-se 1,2 biliões de dólares (algo como 800 mil milhões de euros), muito mais dinheiro do que o custo do plano proposto por Bush. As consequências políticas também serão importantes: John McCain não deverá vencer as eleições, pois apostou demasiado no êxito do plano de salvamento, tendo sido abandonado pelo seu partido. A votação de ontem mostrou o pânico entre os republicanos, que estão sob ameaça de serem trucidados nas eleições para o congresso.

Mas a crise deve ser colocada na sua verdadeira dimensão. Está longe de ser o fim do capitalismo e não passa de uma das suas convulsões regulares.

Ontem, a bolsa de Nova Iorque caiu 7%. Os EUA têm uma taxa de desemprego de 6,1% e o ritmo de crescimento económico, este ano, deve atingir 1,6%. O país nem sequer está em recessão. Em comparação, o crash de 1987 representou uma quebra de 22% num só dia. Em 1929, a bolsa caiu 48% em dois meses, iniciando um fenómeno de depressão económica que originou, entre 1930 e 1932, uma nova queda de 86% no valor das acções. A grande depressão foi acelerada por um colapso bancário que destruiu as poupanças dos americanos e levou milhares de negócios à falência. O desemprego chegou a 30%. O contexto era também muito diferente. Não houve intervenção para salvar bancos e deu-se um colapso do sistema de comércio internacional. Nessa época, havia um bloco comunista e a crise alimentou a emergência de um bloco fascista, muito agressivo, que iria mais tarde provocar a guerra mundial.

No passado houve outras quedas bolsistas, sempre associadas a crises. A mais recente recessão foi entre 2000 e 2002. Tudo indica que esta será séria, talvez mais profunda e mais prolongada do que a anterior. Mas, no fundo, depende de tantos factores, que ninguém pode ter certezas.

 

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12 comentários

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De Anónimo a 30.09.2008 às 11:11

Diz para aí que a maioria das bolsas europeias estão hoje a valorizar...

Que seria se o programa amaricano tem sido aprovado.... se calhar, desvalorizavam...
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De Once a 30.09.2008 às 11:18

clarissimo este Caro LN .. acresce que em 1929 as economias eram estanques .. neste momento de "globalização" as consequências serão certamente mais nefastas ..
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De Anónimo a 30.09.2008 às 11:22

Ninguém pode ter certezas excepto a berloquista Joana Amaral Dias, ora essa.
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De Tiro aos Pratos a 30.09.2008 às 11:34

Já a camarada Ana Sara, com os dinheirinhos que arrecadou à custa da renda ridícula que durante décadas pagou, está livre de preocupações.
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De Grunho a 30.09.2008 às 11:45

Pois...
ada que não se resolva com uns trocos.
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De Anónimo a 30.09.2008 às 11:49

Será que a crise já chegou à Coreia do Kim e ao Laos?
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De rms a 30.09.2008 às 11:50

A diferença entre hoje e crises anterior é que naquela altura ainda havia possibilidade de o capitalismo se expandir e encontrar carne fresca. Hoje, não há. Por isso, as receitas que funcionaram anteriormente já não funcionam agora. Digo eu...
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De Mialgia de Esforço a 30.09.2008 às 11:51

Ler estas palavras de esperança vindas de um negativista, dá-me uma certa esperança no futuro.

Não há nada como umas vitórias do maior clube do Mundo, quiçá da Europa até, para levantar o moral.
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De João André a 30.09.2008 às 12:04

A análise até está correcta, mas mais que os valores, interessa saber qual o estado da confiança dos investidores. É que a economia e as finanças dependem muito das percepções e estas indicam que poderá não haver bailout.

Há, no entanto, um problema com os números da crise actual: quais seriam eles se não tivesse havido intervenção estatal americana nos Bear and Sterns, no AIG, etc? E europeia no Fortis e, ontem, na maior agência imobiliária alemã? Seria a queda de apenas 7%? Não se teria já alastrado?

Concordo que os fundamentos até são sólidos (a frase de McCain, que eu acho neste momento que daria um péssimo presidente, até foi correcta: a força da economia americana são os seus trabalhadores e estes continuam a trabalhar). O que fica por saber é se não existirá a mesma acção de arrasto de queda de instiuições financeiras que leva os negócios pelo mundo fora atrás. Sem o bailout, a prova dos nove poderá vir para o final do mês e do ano, quando têm que se fechar as contas.
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De Luís Naves a 30.09.2008 às 13:21

agradeço muito todos estes comentários

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