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Notas sobre o debate

por Pedro Correia, em 27.09.08

 

1. Começou morno e cheio de vacuidades. Barack Obama e John McCain mostraram preocupação pela grave crise financeira dos EUA e disseram querer defender os contribuintes. Foi pouco, perante os problemas que o país enfrenta.

2. Obama esteve melhor nesta parte. Foi eficaz ao associar a administração republicana de George W. Bush a John McCain, candidato do mesmo partido.

3. Muito mais interessante foi a discussão sobre política externa. Aqui McCain soube descer ao concreto enquanto o seu rival pairava na estratosfera com as habituais frases grandiloquentes.

4. O melhor momento de McCain aconteceu quando lembrou uma promessa de Obama: está pronto a avistar-se "sem pré-condições" com os ditadores do Irão, Cuba e Coreia do Norte. O democrata, visivelmente embaraçado, não conseguiu uma réplica à altura.

5. McCain tropeçou no nome do Presidente do Irão, que Obama conseguiu pronunciar sem gaguejar. Um ponto a favor do republicano.

6. McCain tratou o adversário sempre respeitosamente por "senador Obama". Este preferiu chamar-lhe "John". Uma diferença abissal.

7. "John tem razão", disse com frequência Obama. "Você não percebe", foi a frase mais repetida por McCain.

8. Não houve ataques pessoais. Nem nenhum se lembrou de dizer "ele", referindo-se ao adversário, como Mário Soares fez repetidamente contra Cavaco Silva em 2006.

9. Vencer o debate no capítulo da política externa, sendo relevante, não é decisivo para McCain. Na actual crise, de proporções gravíssimas, o que os eleitores valorizam sobretudo é a economia. E aqui Obama está claramente mais à-vontade. Até porque o seu partido não tem responsabilidades governativas desde Janeiro de 2001.

10. Reforcei a sensação de que estes são os dois melhores candidatos norte-americanos desde 1980, ano em que se defrontaram Jimmy Carter e Ronald Raegan. E cada vez mais me parece também que McCain chegou tarde a este combate: o seu momento ideal teria acontecido em 2000, quando enfrentou George W. Bush nas primárias republicanas. O jogo sujo do adversário - lançando campanhas que insinuavam que a mulher de McCain, Cindy, era "drogada" e tinha "um filho de um preto" - levou-o a abandonar precocemente a corrida. Azar dele, dos americanos e do mundo. Com McCain na Casa Branca, os últimos oito anos teriam sido bem diferentes.



11 comentários

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De Jorge A. a 27.09.2008 às 15:00

Caro Pedro,

O ponto nº3 parece-me carregado de preconceito para com Obama.

O ponto nº4 estou em acordo consigo.

O seu ponto nº6 e 7, ao contrário do que você parece sugerir, são pontos que favoreceram Obama.

O seu ponto nº9 parece assumir que McCain venceu o debate, olhando para as sondagens a seguir ao mesmo, ou tendo em conta a reacção da amostra da CNN ao longo do debate, foi Obama quem o venceu - e essa é a percepção que importa.

O ponto nº10 estou parcialmente em desacordo consigo. Isto porque Carter nunca foi um bom candidato. Quanto a McCain, concordo que teria sido um melhor candidato em 2000 do que quer Bush, quer Gore. O problema é que em 2008 McCain já não é o mesmo, ou, mesmo assumindo que é o mesmo, o partido republicano mudou e está replecto de uma retórica que assusta.

A verdade é que o McCain de 2000 dificilmente escolheria Sarah Palin para o cargo de vice, o de 2008 escolheu. Já viu a entrevista de Palin a Couric caro Pedro? Suspeito que terça-feira a corrida presidencial ficará praticamente decidida.
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De Pedro Correia a 27.09.2008 às 15:35

Caro Jorge,
Estamos de acordo em vários pontos e em desacordo noutros. Normal. Limito-me a chamar-lhe a atenção para a sondagem: como a própria CNN alerta, a maioria dos inquiridos são democratas assumidos, o que é suficiente para termos as maiores precauções quanto à leitura dos números.
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De Jorge A. a 27.09.2008 às 16:16

Caro Pedro,

"Limito-me a chamar-lhe a atenção para a sondagem: como a própria CNN alerta, a maioria dos inquiridos são democratas assumidos"

eu não falo numa sondagem, refiro-me no plural. A da CBS, por exemplo, deu 40% a considerar Obama o vencedor do debate contra 22% a favor de McCain, e esta não tem o problema que você refere (se é que o que refere é um problema):
http://www.marketwatch.com/news/story/cbs-news-takes-high-accuracy-approach/story.aspx?guid=%7BF4D1318C-BB77-47F8-A974-4729BB462F60%7D&dist=hppr

Mais, sobre o facto da sondagem dar a maioria dos inquiridos como democratas assumidos, valerá a pena o Pedro Correia ler isto:
http://pewresearch.org/pubs/773/fewer-voters-identify-as-republicans

Uma amostra representativa do eleitorado americano terá sempre de incluir mais democratas assumidos do que republicanos.
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De Jorge A. a 27.09.2008 às 16:20

Só mais um ponto. Quando refiro-me à "reacção da amostra da CNN ao longo do debate", não me refiro à sondagem da CNN, mas sim ao "focus group" constituido por republicanos, democratas e independentes que efectuavam a avaliação do debate em tempo real na parte inferior do ecrã para quem viu o debate pela CNN.
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De Pedro Correia a 29.09.2008 às 21:35

Caro Jorge, a 'sondagem' da CNN incidiu sobre 524 pessoas, e a da CBS sobre 483. Com toda a franqueza, acha isso representativo dos eleitores americanos?
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De Paulo Cunha Porto a 27.09.2008 às 15:20

Meu Caro Pedro,
acompanho a Tua pormenorizada dissecação. No ponto cinco julgo ter ficado um pequeno lapso e o ponto seria a favor do Democrata, não? E o tratamento pelo nome próprio é costumeiro no Senado (menos da Cãmara), para dar a atmosfera de clube. Há até uma regra informal que sugere o nome cristão para a normalidade e o "My Friend" para as ocasiões de distanciamento. O "Senator Obama" parece-me uma jogada para ser visto na pele de Presidente, habituar o público à ideia, pois seria assim que o inclino da Casa Branca trataria um membro da câmara alta.
Inteiramente de acordo, também, com o que dizes do kairos de McCain no que a ascensão à Presidência importa. Lembras-Te, na Primária da Carolina do Sul, em que até insinuações de homssexualidade espalharam sobre o pobre ex-Aviador?
Abraço
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De Pedro Correia a 27.09.2008 às 15:37

É verdade, Paulo. O meu número 5 é obviamente irónico. (Até porque, por mais que tente, jamais consigo pronunciar o nome do homem.)
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De Carlos Manuel Castro a 27.09.2008 às 15:21

Caro Pedro,
Só vi parte do debate, e pelo que já observei, depois, em resumos do primeiro debate, constata-se um Obama melhor na economia e um McCain mais bem preparado na política externa. Também reparei no que refere no ponto seis, o que evidencia um cuidado por parte de McCain, tal como a entrada inicial, quando referiu o estado de saúde de Ted Kennedy.
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De Pedro Correia a 27.09.2008 às 15:38

Eu, que aprecio algum formalismo na politica, reservo alguma atenção a estes pormenores, Carlos. Que às vezes são porMAIORES.
Abraço
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De Antifascista de Gema a 27.09.2008 às 21:01

Tanta conversa para evitar dizer que McCain ganhou claramente o debate...
Ora, bolas!
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De João Moura a 28.09.2008 às 20:39

Sobre o debate, que não vi, parece que os americanos retiraram uma dedução muito diferente da sua: deram a vitória a Obama.

E sobre a maravilha da última entrevista de Palin? Que achou?

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