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Aborto já não é "falha grave"

por Teresa Ribeiro, em 27.09.08

O que é respeitar a vida? Defender encarniçadamente a pena de morte mas ser contra o aborto em quaisquer circunstâncias, mesmo nas previstas pela lei? Que humildade perante Deus tem o cristão que aprova a execução de um ser humano? E que espécie de humanidade encerra a imposição a uma mulher, que foi violada, de uma gravidez que não quer? A que vida estamos a condenar os enfermos cujo sofrimento atroz os leva a preferir a morte?

O nosso "respeito pela vida" é discutível. Obedece muitas vezes a critérios contraditórios, passíveis de discussões intermináveis e inconclusivas.

Vem toda esta retórica a propósito do novo código deontológico dos médicos que finalmente atribui a estes profissionais a liberdade de agirem de acordo com a lei e sobretudo com a sua consciência que pode, ou não, ter matriz cristã. Demorou cerca de um ano a dar este passo, que eu aprovo.

A relação de cada um com a vida transcende aquilo que deve ser o limite de um código que serve para regular práticas e éticas profissionais e não a moral de cada um. Essa coisa íntima, por vezes indecifrável, e que deve ser expressa, isso sim, segundo o conceito tão cristão do livre arbítrio.



7 comentários

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De Sagitário a 27.09.2008 às 13:03

O livre arbítrio não é a relativização da moral, nem tão pouco a inobservância da ética. Um erro infelizmente enraizado numa sociedade cada vez mais secularista.

E indo um pouco mais longe, um código - seja ele qual for - não pode ser incoerente com a prática assente em princípios fundamentais. Tolerar/sancionar o aborto livre é quebrar os laços fundamentais da prática de medicina.
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De Teresa Ribeiro a 27.09.2008 às 13:41

Também é um equívoco pensar que se é dono da moral, caro Sagitário.
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De Sagitário a 29.09.2008 às 09:32

Cara Teresa, ninguém é dono da Moral, porque a Moral é um valor absoluto. Poder-se-á dizer que é a Moral que nos faz distinguir o bem do mal, a verdade da mentira, o certo do errado? Quero acreditar que sim. Ainda quero acreditar que sim.
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De Paulo Cunha Porto a 27.09.2008 às 15:26

Querida Teresa,
mas todos temos o dever de contribuir com a nossa parte de Verdade para a edificação dela, da Moral.
Eu só defendo pena de morte para seres que pela sua conduta se demonstraram em extremo desumanos, não para seres humanos.
E quanto ao caso da violação, que, reconheço põe na balança valores atendíveis de um lado e de outro, o problema está em o desgraçado que vai a caminho da pia não ter tido qualquer culpa no acto medonho que o gerou, para o qual não foi tido ou achado.
Beijinho
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De Maria João Marques a 27.09.2008 às 16:29

Apesar de só ter sido representada a parte simétrica, também me parece especialmente falho de lógica e de humanidade condenar veementemente a pena de morte mesmo em casos de autoria crimes de violência bárbara e considerar legítimo terminar uma vida absolutamente icocente apenas porque está na fase embrionária ou fetal.

(Eu sou contra a pena de morte em qualquer caso e contra o aborto excepto em caso de perigo de vida ou para a saúde da mãe - e incluo neste ponto as gravidezes resultantes de violações).
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De Teresa Ribeiro a 28.09.2008 às 00:39

Paulo: Percebo muito bem o seu ponto de vista, mas não deixa de ser contraditório defender "o respeito à vida" alegando que o ser humano não tem o direito de decidir sobre algo que é "sagrado" nuns casos e noutros não. Pessoalmente o risco de erro judiciário - que existe sempre - é suficiente para eu ser contra a pena de morte.
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De Teresa Ribeiro a 28.09.2008 às 01:01

Maria João e Paulo: No caso da IVG, como em todos os outros, quando as pessoas falam em saúde esquecem-se sempre de incluir no "pacote" a saúde mental, tão ou mais importante que a física. Em minha opinião, forçar uma mulher a gerar uma criança que foi concebida após um acto de violação é de uma violência extraordinária. Mas este é apenas um caso extremo, que felizmente a lei reconhece. Há outros, menos consensuais, que para mim também fazem sentido, mas discutir isso agora seria abrir uma caixa de pandora :)

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