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Emoções básicas (14)

por Luís Naves, em 18.09.08

Manifesto anti-taxista

 

Andar de táxi em Lisboa é muito inseguro e caro.

Ontem, ao chegar ao aeroporto, já de noite, deparei com um pirata que, após me mostrar metade da cidade, reagiu com insultos e ameaças ao meu desagrado. Só não concretizou as ameaças porque saí do veículo e, no exterior, sempre tenho um metro e oitenta. Mas imagino o que não teria feito a uma mulher sozinha, por exemplo, ou a um homem mais lingrinhas.

A cidade (e sobretudo a zona de chegadas do aeroporto) está entregue a taxistas que prestam um péssimo serviço, que ameaçam a segurança dos seus passageiros e, mesmo assim, gozam de apoios públicos, subsídios disto e daquilo, direito a choradinhos constantes na comunicação social. Eles constituem um poderoso lóbi, apesar de funcionarem como um autêntico cancro.

Não se compreende o preço dos táxis em Lisboa, que é superior ou igual ao de outros países onde os salários são bem mais elevados (sendo este um serviço, a parte salarial devia ser a decisiva na criação dos preços). Mas o que se passa no aeroporto é socialmente nocivo e tem certamente impacto muito negativo no turismo.

Claro que o ministro Pinho não anda de táxi e desconhece este maravilhoso aspecto do nosso turismo de altíssima qualidade, mas o taxista português é o primeiro português que qualquer turista vê. E as impressões não podem ser as melhores: o turista sabe que está a ser roubado, que se protestar será insultado de forma agressiva, e sobretudo terá dúvidas se conseguirá chegar à segurança do seu hotel para dormir descansado a primeira noite neste paraíso que viu na brochura.

Já fui esfolado por taxistas em muitas partes do mundo. Tenho algumas histórias para contar sobre este encantador meio de transporte. Mas acho que o aeroporto de Lisboa é tão perigoso como o de Dacar, no que respeita a tomar um táxi desconhecido.

Andei de táxi em sítios onde isso não era recomendável e encontrei taxistas honestos que não tinham dinheiro para comprar comida para os filhos. Em Bissau, numa ocasião, um mandinga de um metro e noventa protegeu-me de uma turba com o corpo dele e, em Quetta, um taxista pediu a um primo para andar connosco, armado, para me proteger.

Estou cansado de aventuras e, por uns tempos, limitarei o meu uso de táxis a situações laborais e só por cooperativa.


14 comentários

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De Anónimo a 18.09.2008 às 11:19

Se o ministro Lino fosse leitor deste blogue, diria logo que isso é mais uma razão para o Aeroporto de Lisboa mudar para o deserto.
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De Teresa Coutinho a 18.09.2008 às 11:37

A realidade portuguesa não é muito diferente daquela que encontramos em outros países. Se a sociedade está diferente, seria lógico que essa mudança afectasse também oos taxistas. O mal é precisarmos deles, se não fosse assim, qual o taxista que reagiria assim?
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De António Correia Novais a 18.09.2008 às 11:41

Meu Caro,

ficou com a matrícula do carro em questão para apresentar queixa junto do Ministério Público de Lisboa?

É que aquilo que o Táxista fez é um crime.
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De Anónimo a 18.09.2008 às 11:52

...merecedor de prisão preventiva...
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De Mialgia de Esforço a 18.09.2008 às 11:57

Já passei pelo mesmo, porque a "corrida" até minha casa faz-se em 10 minutos. E lá tive que levar com a ladainha que "um gajo está aqui parado há 2 horas, e depois aparece-lhe disto". A minha reacção, verbal bem entendido, não se fez esperar e a coisa ficou por ali. Depois disto, passei a apanhar táxi na zona das partidas. E até hoje não tive que aturar mais cenas destas.

A menos que me escape alguma coisa, estou em desacordo consigo qual compara o preço dos táxis. De memória, não me ocorre nenhum país europeu onde o preço seja mais baixo. Em especial, na Noruega, Suécia e Irlanda o taxímetro consegue ser mais rápido que o Bolt a correr os 100 metros.
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De irene osorio a 18.09.2008 às 12:05

Como eu o compreendo... moro nos Olivais!
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De Ingratos! a 18.09.2008 às 12:03

O governo pensou em tudo e o metro não tarda nada vai servir o Areroporto de Lisboa.

Depois o Aeroporto vai passar para a Outra Banda e o Metro vai servir os condomínios a construir na Portela de Sacavém.

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De Anónimo a 18.09.2008 às 12:10

Os taxistas usam ceroulas de malha.
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De MGP a 18.09.2008 às 12:57

A táctica de apanhar um táxi nas partidas é o melhor remédio...

Na paragem de autocarros de Sete Rios, como antes, no Arco do Cego, era a mesma coisa...
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De Carlos P. Abreu a 18.09.2008 às 18:51

Há duas classes "profissionais" que estão a destruir turismo lisboeta:
- os taxistas do aeroporto e
- os carteiristas da Baixa.
Um dia destes, depois de assistir ao roubo descarado de um turista no eléctrico 28, perguntei, no local, a um polícia por que motivo não eram detidos os bandidos. Respondeu-me com uma pergunta:
- Para quê, se meia hora depois estão cá fora outra vez?
Mas será que ninguém, a nível político, pensa nos prejuízos que estes parasitas provocam à imagem do país, com o consequente reflexo nas receitas do turismo?
E por que não se tomam medidas eficazes contra eles, que toda a gente (a começar pela polícia) sabe quem são?
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De André Correia Maricato a 18.09.2008 às 19:04

Eu só ando de táxi mesmo em último caso. Em Portugal não tenho ideia quanto é. Sempre que ando é porque não tenho mais nenhuma alternativa e então pago o que for. Mas aqui em Florianópolis, à noite, paguei R$32 (cerca de 12€) para fazer 15 Km.
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De Luís Naves a 19.09.2008 às 09:48

obrigado a todos os leitores e uma palavra especial ao andré, que nos envia um comentário do brasil. o táxi de florianópolis é relativamente barato, comparado com o preço de lisboa. aqui, uma viagem dessa dimensão ficaria sensivelmente pelo dobro.

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