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Obama: teste superado

por Pedro Correia, em 29.08.08

 

Barack Obama sabe muito bem como falar numa grande reunião partidária: em 2004 ele foi a estrela da convenção de Chicago que confirmou a nomeação de John Kerry como candidato à Casa Branca, ganhando aí mesmo a projecção nacional que lhe permitiu ser este ano o representante do Partido Democrata nas presidenciais. Esta madrugada confirmou os seus pergaminhos como orador num dos melhores discursos já pronunciados por um candidato presidencial norte-americano. Não o fez à porta fechada, mas no espaço imenso do estádio Invesco, em Denver, perante uma multidão avaliada em quase cem mil pessoas. Uma fasquia que representa um sério desafio para a convenção republicana, que começa segunda-feira.

Mostrando convicção ao longo de todo o discurso, Obama deu um conteúdo concreto ao rótulo de mudança que lhe serve de bandeira. Eis algumas das suas promessas:

- Aliviar a carga fiscal para 95% dos americanos.

- Acabar, na próxima década, com a dependência energética dos EUA face ao Médio Oriente.

- Multiplicar os investimentos na educação, de modo a que nenhum jovem que o queira fique impedido de frequentar a universidade.

- Garantir cuidados de saúde para todos.

- Estabelecer o princípio da igualdade salarial entre homens e mulheres.

- Retirar os militares americanos do Iraque. "Não derrotamos terroristas que operam em cerca de 80 países ocupando o Iraque."

Afirmou-se pronto para o debate com o seu rival, John McCain (haverá três, mais um debate entre os candidatos a vice-presidentes), mas deixou claro que nenhum dos dois deve questionar "o carácter e o patriotismo" do adversário. Essa é uma péssima tradição da política americana que também, a seu ver, deve ser alterada.

"Somos o partido de Roosevelt e de Kennedy. Não me digam que os democratas não defendem este país", sublinhou, acentuando diversas vezes que os EUA não podem "andar para trás". Entre críticas contundentes à administração Bush que o fizeram abandonar aquele ar de bom escuteiro que costumava exibir até agora.

Muito mais do que falar para os fiéis, o seu objectivo era captar a simpatia e o voto dos eleitores indecisos - que são ainda muitos. Este discurso certamente contribuiu para o relançar nas sondagens. Como veremos por estes dias.

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7 comentários

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De João André a 29.08.2008 às 08:29

Não vi nem li o discurso, mas pelas amostras anteriores, seria de esperar que fosse bom. Só não sei se será assim tão bom quanto isso no geral. Foi um discurso feito na convenção democrata para democratas, não para os eleitores em geal ou para os republicanos.

Obama poderá subir um pouco, mas parece que McCain está para anunciar o nome do seu vice-presidente, o que poderá diluir o efeito da convenção. Depois da convenção republicana, aí sim, teremos de ver como é que as coisas evoluem, porque é nessa altura que se vai decidir tudo.
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De Pedro Correia a 29.08.2008 às 22:41

João André, não esqueças que o discurso foi visto por milhões de pessoas nos Estados Unidos - e em todo o mundo.
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De pedro oliveira a 29.08.2008 às 11:55

Vi o que deu nos canais portugueses, a minha mulher que não liga à politica, fez um comentário engraçado: isto é que é um politico,agora os nossos...

Vi também a mensagem de Mcain, em dizia,por outras palavras, que a América vivia um dia histórico com a formal candidatura de Obama e que hoje lhe dava os parabéns e que amanhã começava a luta.
Tão diferente das nossas,horriveis e nada estimulantes campanhas eleitorais.
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De Pedro Correia a 29.08.2008 às 12:12

Gostei também pela elevação do discurso, nada que se pareça com o que estamos habituados.
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De Ana Vidal a 29.08.2008 às 14:01

Começo a acreditar que Obama pode mesmo ganhar as eleições. Tem sido um mestre em campanha, e tem os trunfos todos. Não sei se será tão bom presidente como é homem de marketing, mas será sempre um marco histórico.

Gostava, realmente gostava, de ver a reacção de Luther King ao saber da notícia. Mas verei a de Mandela.
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De Teresa Ribeiro a 29.08.2008 às 14:42

Não o vi, tenho sido bem céptica em relação a ele, mas gostei muito destas premissas. Sobretudo do argumento que usou a favor da retirada do Iraque e da boca relativa ao péssimo hábito que os americanos têm de atacar o carácter e o patriotismo dos adversários políticos em campanha. E não só...
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De Carlos Santos a 29.08.2008 às 20:33

A nomeação surpresa de Sarah Palin como candidata a VP republicana tem o potencial de tirar cobertura mediática a Obama. Independentemente do carácter oco da sua candidatura (como escrevi em http://ovalordasideias.blogspot.com/). Contudo, uma candidata oca não deixa de ser uma candidata que pode captar parte das swing voters que estavam com HRClinton.
Carlos

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    Ó génio, isso chama-se eleições ;)

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    A representatividade é inexistente. Voto sim, mas ...

  • Anónimo

    E que tal mudar de políticos ?

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