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Emoções básicas (5)

por Luís Naves, em 28.08.08

Chegado da Europa Central, onde estive separado na nossa visão do mundo, percebo que na crise georgiana muitos blogues portugueses parecem dar razão à Rússia.

Parece-me que é um pouco como dar razão à Áustria-Hungria, na sua reacção ao assassinato do arquiduque Franz Ferdinand, em Agosto de 1914. Vivemos no século XXI, mas as duas últimas semanas pareceram tiradas de alguma novela anacrónica, do século XIX e da guerra anterior, com direito a canhoneiras e expedições punitivas.

Dar razão à Rússia, neste contexto, é fácil de fazer em Portugal, pois aqui nunca se sentiu a influência imperial russa (e é disso que estamos a falar).

Acho que esta crise terá duas consequências: Moscovo ficará mais isolada e o regime de Vladimir Putin vai entrincheirar-se ainda mais num medo policial e autoritário. A esperança da democracia ficou adiada outro década e aquele poderoso império continuará a mergulhar no seu imparável declínio político e demográfico, entretido num apagamento que julgo não ter qualquer paralelo na história recente. E para culminar o absurdo, a Rússia precisará cada vez mais do seu pior pesadelo, a China.

Como provou o caso citado acima, a política internacional não tem de ser lógica ou sequer racional. Um atentado político transformou-se num conflito que matou milhões de pessoas e os diplomatas perderam o controlo da situação numa altura em que ninguém previa que pudesse estalar um conflito. O mau exemplo foi agora lembrado por Mikhail Gorbachov. A Primeira Guerra Mundial podia ter sido evitada, mas a Europa preferiu suicidar-se. Pareceu mais importante defender a razão de Estado. A monarquia austríaca sabia que estava a lançar-se numa aventura e que não tinha capacidade para sustentar uma guerra moderna, mas atirou-se de cabeça.  

 

 

E não podia discordar mais deste post do Eduardo Pitta. Quando os europeus estão genuinamente preocupados e falam duro, como é o caso, são irrequietos; se ficam divididos, mais valia estarem calados; se ficam calados, mais valia falarem duro.

Nunca vi os europeus tão unidos e preocupados. Mas em Portugal, que não depende do gás natural russo, é mais fácil desvalorizar o perigo.

 

 



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