Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A coutada do novo czar

por Pedro Correia, em 11.08.08

O Times de hoje tem uma manchete impressionante: Why won't NATO help us?" É o grito lancinante de uma georgiana proferido logo após o lançamento de uma série de bombas russas em Gori, a cidade-berço de Estaline, agora transformada em cidade-mártir. Numa excelente reportagem, Tony Halpin, o enviado do diário londrino à Geórgia, observa que o povo georgiano "sente-se atraiçoado" pelos países ocidentais - com os Estados Unidos à cabeça - que andaram a cortejá-lo desde a implosão do império soviético.

A geopolítica é velha como o mundo: a NATO não auxiliará a jovem mãe com a filha ao colo que surge na capa do Times, fotografada em pranto junto às ruínas da casa onde habitava. Nem auxiliará georgiano nenhum. O Cáucaso gravita na esfera de influência russa - desde o tempos dos czares até ao actual consulado de Putin, passando pela décadas estalinistas. O diálogo de civilizações é muito bonito, mas não consegue iludir o peso da história e da geografia.

Indiferente ao vozear europeu e norte-americano, o novo czar exibe músculo, tratando o Cáucaso como coutada. A mãe de Gori bem pode bradar aos céus.



15 comentários

Sem imagem de perfil

De selim a 12.08.2008 às 00:43

Calma aí.O simples facto de Gori ter parido o Estaline nada do que lhe aconteça é demais...
Depois quem é que os mandou armar em reconquistadores?
Mas vão certamente apanhar um banho de humildade...
Sem imagem de perfil

De Ana Costa a 12.08.2008 às 01:27

Infelizmente os governantes da Geórgia embalados pelas palmadinhas nas costas dos Srs.da Nato não viram a tempo o que lhes ia acontecer.O povo que os elegeu é que está a sofrer na pele o preço da sua cegueira politica.
Sem imagem de perfil

De Marian a 12.08.2008 às 02:05

Pedro,
A história nunca é contada da mesma forma pelos protagonistas dos conflitos, como é bem evidente nos comentários deixados pelos leitores, de diversas origens, na página do Times Online, mas a impotência das vítimas é sempre a mesma. É o único factor que todos entendemos da mesma forma. Põe-nos cara a cara com a nossa própria impotência.

Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.08.2008 às 02:06

Marian,
O meu ponto é precisamente esse.
Imagem de perfil

De Rui Vasco Neto a 12.08.2008 às 03:27

Há impotências e impotências, já agora. Há a nossa, é verdade, sentimo-nos impotentes perante o quadro real (bem) traçado pelo Pedro Correia no seu texto. Vemos de cima, sabemos as regras e temos o privilégio da serenidade para poder pesar prós e contras de cenários apenas imaginados. Essa é a nossa impotência. Aqui entre nós, parece-me infinitamente menos impotente que a ausência total de alternativas da tal mãe de Gori. A diferença? Uma vida.
Sem imagem de perfil

De José Manuel a 12.08.2008 às 07:36

Porque é que os jornalistas portugueses não referem os massacres de ossetas perpetrados pelo s georgianos, conforme testemunhou o correspondente da RTP? Foi o único que referiu isto e também é o único que foi à Ossetia, epicentro do conflito.
Sem imagem de perfil

De João André a 12.08.2008 às 08:44

Convém perguntar o que se esperaria então do "mundo ocidental", que tão rapidamente acorreu à Sérvia e ao Kosovo mas não liga peva à Geórgia. Obviamente que tem a ver com o vizinho, que nunca o permitiria. Aliás, arrisco-me a dizer que, com a situação das limpezas étnicas do Kosovo a terem sucedido hoje, a NATO lá não teria metido o bedelho, que a Rússia não deixaria.

Sejamos francos: a Geórgia não tem interesse para lá de estar na rota dos oleodutos. E como, geoestrategicamente, está completamente na esfera de influência de Moscovo, nada se passará por aquelas paragens sem autorização de Putin.

Pelo meio sofrem as populações, como sempre. E daqui por uns anos surgirão os novos aprendizes de feiticeiro, prontos a espremer os seus concidadãos em troca de "estabilidade" canina. E estes, para sua desgraça, até agradecerão. Com naturalidade.
Sem imagem de perfil

De l.rodrigues a 12.08.2008 às 10:38

Os Georgianos viram a colaboração com os EUA no iraque como uma oportunidade de modernizar e treinar o seu exército para depois poderem reconquistar territórios que consideram seus.

Pelo menos desde 1100 que estas disputas estão presentes, sempre com a Geórgia a bater no mesmo muro: a Rússia.

A Ossétia do Sul foi criada por Estaline, antes apenas havia a Ossétia. Foi uma prenda para a "sua" Geórgia.
Antes disso vigorava o Tratado de Karr, com a Rússia a garantir a protecção dos cristãos do norte e a Turquia, a fazer o mesmo pelos muçulmanos do sul.

A NATO (Tratado do Atlãntico Norte) é que não tem nada que ver com aquilo.
Confundir a NATO com a "Coalition of the willing" de Bush, é mais uma perversão da politica externa americana, que nos ultimos anos aproveitou para fazer à Rússia aquilo que os EUA não poderiam nunca tolerar.
Basta imaginar o que seria haver uma base militar Russa no México...

Já agora, a mãe Georgiana não chamou pela NATO, o artigo diz claramente que era um agricultor fazer a pergunta.
Sem imagem de perfil

De Carlos Barbosa de Oliveira a 12.08.2008 às 10:56

Meu caro Pedro:
Mas é bom não esquecer que desde 1995 a Europa assiste, impávida, aos massacres perpretaos pela Geórgia na Ossétia.
E depois, ainda há aquel pequeno pormenor do Kosovo, que me leva a acreditar, para mal de todos nós, que aiprocissão ainda vai no adro.
Abraço
Sem imagem de perfil

De Tiago Moreira Ramalho a 12.08.2008 às 12:07

Apesar de eu nesta história estar do lado da Geórgia, há que lembrar sempre que foi a Geórgia que declarou guerra. Apesar de estar próxima do Ocidente, não tem nenhuma aliança formal, o que significa que tudo isto foi uma estupidez tremenda com a assinatura do Presidente georgiano (que tem um nome que não consigo memorizar). Penso realmente que a Geórgia tem direito ao território da Ossétia, é do povo georgiano, a questão é que a Geórgia não soube avaliar a situação. Valha-nos São Sarko que se deslocou à Mãe Rússia para falar co Mdvenev que parece dar sinais de quem quer parar com aquilo tudo.
Sem imagem de perfil

De l.rodrigues a 12.08.2008 às 12:53

Será do povo Georgiano ou do povo Ossetiano?
A Ossetia tem uma lingua própria, e no passado usou sempre a alçada russa para resistir às tentações expansionistas da Geórgia.

Não tenho a certeza mas suspeito que a Ossetia nunca foi territorio Georgiano inquestionado, antes da separação da URSS, ainda que o Sul lhe pertencesse administrativamente dentro do dominio Soviético.
Sem imagem de perfil

De Tiago Moreira Ramalho a 12.08.2008 às 16:26

Em Portugal fala-se Mirandês, isso é razão para que quem fale Mirandês crie uma nação? É o "administrativamente" que interessa nas fronteiras, não as culturas.
Sem imagem de perfil

De l.rodrigues a 12.08.2008 às 16:37

Ok.. timor-leste foi um equivoco.
Sem imagem de perfil

De A. Moura Pinto a 12.08.2008 às 16:09

"O diálogo de civilizações é muito bonito", sim senhor, se não se fizer com armas. No caso, temos o ditado: quem com ferro mata, com ferro morre. Que diabo! Então não foi a Geórgia quem, passados tantos anos sobre uma situação estabilizada, pegou em armas? Se foi - e foi mesmo - esperava o quê como resposta? Flores?
Nisto porque importa a consideração que nos merece Putin (a mim, nenhuma). Mas isso impede que se seja objectivo na análise dos acontecimentos, que se subverta a verdade?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 12.08.2008 às 16:59

E porque raio ninguém fala do interesse dos EUA e de Israel no controlo dos oleodutos e gasodutos que atravessam e Georgia?

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Reescrevem-nos a História, rasuram-nos o passado,...

  • Miguel Alçada Baptista

    Obrigado pela dica. Sou covilhanense e não conheço...

  • Anónimo

    Criar um Museu temático dos Descobrimentos Portugu...

  • Anónimo

    Os afamados produtos da reputada Fábrica Renova, ...

  • Anónimo

    La Palisse , em voz baixa : "Os EUA já não existe...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2020
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2019
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2018
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2017
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2016
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2015
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2014
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2013
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2012
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2011
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2010
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2009
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2008
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2007
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2006
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D