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Barack Obama e a esquerda europeia

por Pedro Correia, em 09.08.08

 

A esquerda europeia anda eufórica com a perspectiva de vitória de Barack Obama nas presidenciais de Novembro. Em Portugal também é assim: não há comentador de esquerda, nos jornais ou na televisão, que não se apresse a proclamar a sua devoção pelo candidato “negro” – apesar de Obama não ser negro, mas mulato – que promete uma “revolução” nos Estados Unidos e no mundo inteiro com legiões de apoiantes a proclamar a palavra mágica: “Mudança”. No fundo, estamos perante as mais elementares técnicas dos tele-evangelistas aplicadas à política: muita retórica, alguma telegenia e um esforço permanente para aparentar convicção por detrás da cortina de banalidades.
Parece muito. Mas é pouco.
De qualquer modo, tentemos olhar além das aparências. Qual é o verdadeiro pensamento político de Barack Obama? Quanto mais tento aprofundar o tema, mais chego à conclusão que o candidato da “esquerda” norte-americana se parece muito com um dirigente conservador europeu. Há dias, falando perante uma plateia quase só composta por afro-americanos, em Cincinatti, Obama fez um claro apelo à responsabilidade moral dos cidadãos, nomeadamente na educação dos filhos.
“Devemos começar por ensinar às nossas filhas que as imagens da televisão nunca devem dizer-lhes quanto valem e aos nossos filhos que devem tratar as mulheres com respeito, e fazer-lhes ver que a responsabilidade não acaba na concepção”, sublinhou o candidato, acentuando: “O que deve realmente caracterizar um homem não é a sua capacidade física de ter um filho, mas a sua coragem em criá-lo.”
Talvez naquele momento Obama pensasse no seu próprio pai, que o abandonou muito cedo, entregando-o em exclusivo aos cuidados da mãe. A sua reflexão está certíssima. Mas convém perceber: nada há de revolucionário no que diz. Palavras como estas poderiam ter sido proferidas pelo mais empedernido conservador.


16 comentários

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De Manuel Leão. a 09.08.2008 às 17:18

«A esquerda europeia anda eufórica com a perspectiva de vitória de Barack Obama nas presidenciais de Novembro. Em Portugal também é assim (...)»

Quem disse?
Entre os dois gostava que Obama ganhasse. Mas tenho muitas dúvidas. Mesmo muitas. Nos EUA é diferente e esta eleição vai fazer soltar muitos "demónios". Repito: Gostava que Obama ganhasse, mas daí a estar eufórico... Posso dizer que, neste momento, estou tão eufórico como uma amiba.
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De l.rodrigues a 09.08.2008 às 17:54

Caro Pedro Correia,
"Não é preto, mas mulato. "
Há-de explicar-me exactamente em que tonalidade é se deixa de ser negro para se ser outra coisa. E sobretudo qual é o Pantone (TM) que consideraria confortável aos olhos de um eleitorado conservador e com medo do BBMG (Big Black Man with a Gun).

Quanto à substancia do discurso, não foi ela que elegeu Reagan, Clinton ou Bush. Esqueça. Ele está a dizer o que tem que dizer, como tem que dizer, para ser eleito. Se o faz bem ou mal, é outro assunto.

Qualquer candidato Democrata (com ambiçoes à vitória) à presidencia dos Estados Unidos é necessariamente conservador e à direita do centro da politica Europeia. Embora isso já fosse mais verdade do que hoje, vide Sócrátes.

Há-de também mostrar-me o pai de esquerda que aponta a novelas da tvi como modelo de educação para as filhas....

E não era talvez por acaso que o discurso é feito para uma plateia Afro-americana, onde quer queiramos quer não, o machismo mais primário ainda é bastante prevalecente. E é contra esse machismo, que é mais conservador do que progressista, que ele fala.

Concluindo, este post parece muito, mas é pouco.
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De Pedro Correia a 09.08.2008 às 19:07

Caro L. Rodrigues,
1. Satisfez-me que tivesse subscrito as declarações de Obama. Eu também as subscrevo, com gosto. Consegue imaginar alguns dos nossos políticos da esquerda mais radical com tal discurso? Eu não
2. Em nome do rigor, negro não é igual a mestiço. Tal como branco e mestiço também não são a mesma coisa. Há quem diga que nós, portugueses, inventámos o mulato (e a mulata). Razão acrescida para sermos sensíveis nesta matéria. Eu, pelo menos, sou. E ninguém defende mais a mestiçagem do que eu.
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De l.rodrigues a 09.08.2008 às 19:36

Negro devia ser igual a mestiço que devia ser igual a branco. Mas como o Pedro Correia diz muitas vezes:
as coisas são como são.

Nas palavras de Michael Franti:
"any dilution is viewed as polution"
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De Antifascista de Gema a 09.08.2008 às 20:37

Quem é que ainda não está farto do clown?
Nos EUA, toda a gente já enjoou com a peça de ópera bufa.
Resta a Europa dos Pedros Correias, mas esta não vota.
Felizmente!
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De Manuel Lewão a 10.08.2008 às 12:33

Nos USA o palhaço que se conhece não é este. É um palhaço que tem custado muito mal à humanidade.

Gema, o apelido, acredito que tenha, mas quanto ao nome próprio, desculpe, mas deve ser outro.
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De Manuel Leão a 11.08.2008 às 11:07

Lewão não sou. Sou Leão. Mas não se assuste...
Eu não mordo. O que escrevo, por vezes é mordaz, mas só para quem merece.

O Senhor ficou esclarecido?
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De Nuno Castelo-Branco a 09.08.2008 às 21:15

Sempre me pareceu um típico conservador. Se ganhar, os republicanos nada terão que temer.
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De Jorge A. a 10.08.2008 às 01:29

Quando Obama fala dos veteranos de guerra norte-americanos e da falta de apoio dado aos mesmos (um tema recorrente na sua campanha), lembro-me sempre de Paulo Portas e do PP... :)
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De Manuel Leão a 10.08.2008 às 12:35

Realmente ... comparar P. Portas a Obama, só visto!
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De Jorge A. a 10.08.2008 às 12:59

Caro Manuel Leão,

realmente nada há a comparar, muito provavelmente Obama estará mais à direita (afirmação sempre relativa, porque o contexto politico norte-americano e português é muito diferente).

Mas se quiser pode dar uma vista de olhos por este quadrozinho:
http://media.economist.com/images/20080329/CBR072.gif

Tirado deste artigo da Economist:
http://www.economist.com/world/britain/displaystory.cfm?story_id=10926321

Onde são comparadas as atitudes politicas dos norte-americanos face aos britânicos. Dos seis tópicos analisados, em três os eleitores do partido Democrata ficaram mais à direita do que o partido conservador britânico - imagine como seria num quadro de análise com os partidos portugueses que, julgo não cometer nenhum erro de análise, têm uma queda mais para a esquerda que os britânicos.
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De Manuel Leão a 10.08.2008 às 17:28


Jorge A.:

Pois é isso mesmo, relativo. É que nunca me passou pela cabeça medir intensidades (ou profundidades) de esquerda, ainda para mais em contextos diferentes. Nada no meu comentário, ou melhor, desabafo, lhe permite tirar semelhante conclusão. Eu, por acaso, estava a referir-me à credibilidade das duas personagens. Eu acho que se Obama tivesse tirado não sei quantos milhares de fotocópias de documentos do Ministério da Defesa, nas vésperas de sair do cargo, nunca mais seria político de coisa nenhuma. Nos EUA, evidentemente.

Era só isto.
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De José Manuel Faria a 10.08.2008 às 14:40

Estamos à espera que os EUA defendam a Geórgia da invasão russa. Nada de conversas, actuar contra o Putin assassino.

Podemos esperar sentados.

A geórgia não é a jugoslávia nem o iraque.
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De Fernanda Valente a 11.08.2008 às 10:44

Infelizmente, penso que Obama vai ganhar e por uma larga maioria. Ele é a única saída que os EU têm para fazer reverter a política externa norte-americana, no que diz respeito à guerra do Iraque e ao seu posicionamento quanto ao conflito israelo-árabe.
Penso que a Ocidente, nós ainda não estamos preparados para uma mudança tão radical e suas consequências a todos os níveis.
Decididamente, Hillary Clinton teria sido a melhor aposta democrata, mais moderada, como alternativa ao partido no poder. Mas, Obama terá beneficiado e muito da crise do subprime...

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