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Emoções básicas (4)

por Luís Naves, em 30.07.08

 

Por razões técnicas, só agora posso responder ao post de Henrique Raposo, em Atlântico. Esta nossa conversa surgiu por causa de um texto sobre corrupção, onde o Henrique fazia uma ligação entre o sistema político e esse fenómeno. No post de ontem, ele explica ainda melhor o seu pensamento.

Não discordo do que escreve Henrique Raposo sobre as limitações da democracia e a excessiva ligação entre partidos e instituições do Estado. A prática tem numerosos inconvenientes. As formações políticas são também centros de emprego, onde singram numerosos medíocres. Muitas instituições do Estado estão povoadas de belas carreiras políticas, com arrivistas, incompetentes e também corruptos. Mas há os outros: os capazes e honestos.

Ao contrário do Henrique, penso que Portugal não é muito diferente dos restantes países, no que respeita à ligação entre sistema político e partidos. As instituições do Estado, a imprensa, os bancos privados têm militantes partidários, cujas carreiras são facilitadas. A história repete-se na Suécia, no Reino Unido, em França ou na Polónia. Em alguns países, as instituições são fortes e mostram independência em relação aos poderes partidários; há outros onde a autonomia não é tão nítida. Mas tudo isto acontece em sistemas muito parecidos com o nosso, com leis idênticas.

Em resumo, se a corrupção portuguesa é mais elevada do que a média das democracias parlamentares (não digo que o seja, mas penso que o Henrique acredita nisso), então teremos de encontrar outras razões, para além da falta de leis ou fiscalização.

A ocasião faz o ladrão e a oportunidade tem certamente um papel. A ausência de receio de ser punido terá de ser factor importante.

Mas a corrupção nacional tem raiz na forma como alguns pecados são aceites. Tantas vezes fechamos os olhos a pequenos delitos e desculpamos faltas de civismo ou abusos, para não arranjarmos chatices ou porque não compensa a queixa. Em Portugal, a denúncia não é bem vista. E não falo de coisas graves, mas das pequeninas. Um delator escandaliza muito mais do que um chico-esperto.

Isto, claro, não faz o sistema político-partidário. É apenas um caldo cultural onde também os partidos têm de viver.

 

Ilustração: pintura de James Ensor (1860-1949)

 

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