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Num post abaixo, o João Villalobos fez uma crítica a um texto do Henrique Raposo, do blog Atlântico. E recebeu uma resposta curiosa. Estavam os dois a falar de corrupção, mas parece que o Henrique vê em Portugal uma singularidade. Diz ele: “Os partidos colonizaram Portugal, colonizaram o sistema político”; “sistema partidário não pode ser sinónimo de sistema político”; “numa democracia liberal decente, os partidos actuam num sistema político. Não são donos dele. Em Portugal, não é assim”.
A resposta do Henrique Raposo parte de uma ideia que me parece errada: temos mais corrupção do que os outros porque o nosso sistema é diferente. O Henrique até faz a extraordinária observação de que temos partidos a mais.
Parece-me que é ao contrário em ambos os casos: temos partidos a menos e o nosso sistema não difere daquele que existe na maioria dos países.
Se houvesse mais partidos, havia coligações (como na Alemanha) e não seria preciso maioria absoluta, uma tentação.
Na realidade, temos um sistema político bipartidário, igual ao dos vizinhos, incluindo EUA, Reino Unido (que sendo quase tri, é na realidade bi), Espanha (onde as autonomias alteram essa divisão ao meio) ou Suécia. Portugal não tem nada de especial na matéria e apenas imitou os outros.
As carreiras políticas fazem-se através de partidos. É assim na democracia. Há poucos independentes nos EUA e um candidato independente não conseguirá ser eleito presidente. No Irão, para ser líder, basta saber muito de teologia.
Em todas as democracias parlamentares, os partidos são donos do sistema político. Incluindo nos EUA, onde a disciplina partidária é menor do que na Europa. Os partidos políticos têm grande controlo sobre a imprensa, a economia e a cultura. Em todos estes países se discute o financiamento dos partidos e a corrupção.
Não há singularidade portuguesa e se o país é mais corrupto, as causas serão outras, nomeadamente a forma como o eleitorado desculpa abusos. Há um aspecto cultural: os portugueses estão dispostos a perdoar. Na Suécia, uma ministra demitiu-se por usar o cartão de crédito do Estado para comprar fraldas para o filho; em Portugal, isso era impossível. No máximo, haveria um encolher de ombros.
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