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A força do nacionalismo na velha Europa

por Pedro Correia, em 23.07.08

 

 
A Bélgica é um caso que merece estudo profundo. Por um lado, alberga a sede da União Europeia, organismo que pretende congregar todas as nações do Velho Continente. Mas, por outro, é um país irremediavelmente dividido, povoado por duas comunidades com raízes culturais, religiosas e linguísticas muito diversas, à beira de um divórcio litigioso. A norte fica a rica Flandres, de fala flamenga, cheia de afinidades com a vizinha Holanda. A sul fica a pobre Valónia, de fala gaulesa, encostada à poderosa França. Em Antuérpia, cidade flamenga, rejeita-se o francês. Em Liège, cidade da Valónia, rejeita-se o flamengo.
Povo unido? Nem por sombras. Só Bruxelas, a cinzenta e burocrática Bruxelas, finge ainda um sonho de unidade. O país esteve sem governo entre Junho de 2007 e Março deste ano. Quatro meses depois, volta a parecer ingovernável: o frágil executivo de Yves Leterme acaba de cair. Bruxelas é o palco principal de uma lenta agonia política que a todo o momento trai os princípios de unidade e solidariedade que os comissários europeus tanto gostam de proclamar.
Sob o frágil verniz do federalismo cosmopolita, espreita a pulsão nacionalista da velha Europa. Ainda e sempre.

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15 comentários

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De mike a 23.07.2008 às 22:00

... e para sempre?
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De Cristina Ribeiro a 23.07.2008 às 22:57

Porque a Europa será sempre feita de Nações, distintas entre si, como é óbvio, com tudo o que as singulariza...
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De l.rodrigues a 24.07.2008 às 01:37

Se os comissários falam de solidariedade, pouco fazem para a promover, mais preocupados que estão em fazer a Europa mais "competitiva".
Essa competição também é fomentada internamente. Porque é que a Flandres abastada há-se arrastar uma Valónia empobrecida, numa Europa que é só para vencedores?
Está tudo dentro do "espirito do tempo"....

Mas daí a falar de nacionalismo como se bastasse um pretexto para desatarmos todos à traulitada.... ainda falta um bocado, ainda há demasiados velhotes vivos que viram a Europa em cacos.

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De João André a 24.07.2008 às 07:11

Pedro, que cidade é a da fotografia, que não consigo identificar? Gent?

Apesar de todos estes problemas, não creio que a Bélgica acabe por se desintegrar. Os holandeses não têm vontade de receber os flamengos e os franceses não querem os valões. Já o resto da UE quer Bruxelas para si e ainda passa um dia destes a cidade-estado. Como nem os flamengos nem os valões querem perder a cidade, o país vai contnuar, pelo menos nas próximas gerações, unido.
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De Gabriel Silva a 24.07.2008 às 09:35

Bonita fotografia de Gent
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De Carlos Duarte a 24.07.2008 às 10:54

Só uma correcção: a Bélgica é um país uniformente Católico. Aliás, um dos motivos para a independência da Bélgica em relação aos Países Baixos prende-se com a religião.

Quanto ao resto, nada a apontar.
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De Anónimo Veneziano a 24.07.2008 às 13:08

Da leitura do post fica a impressão de que certos países podem viver perfeitamente sem Governo. Não é que esses países não sejam governados, creio, mas não o são, seguramente, pelo governo formal.
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De Pedro a 24.07.2008 às 13:45

Essa de dizer que a Valónia é pobre, só devem ter mesmo contado para você! Quem dera a Portugal estar tão pobre....
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De Aqeduto Livre a 24.07.2008 às 15:19

Caro Pedro Correia,

O dossier Bélgique é muito mais interessante e complexo do que deu a entender.

A história da Bélgica explica muito, mas não tudo.

A Valónia não se identifica nada com a França.

Integrou desde tempos imemoriais (estamos a falar do séculoX, XI, XII, XII...) o Hainaut, que fez parte da Borgonha, donde vieram os nossoa pais fundadores do Condado Portucalense. Os valões sempre foram fonte de chacota dos "parigos", os parisienses...As anedotas, francesas, sobre os belgas...são, sempre, sobre os valões.

A rica Flandres "identifica-se" com a Holanda?...nem por sombras. É território que pertenceu, em tempos aos Países Baixos, mas dele se afastou: pela lingua; pela cultura e, sobretudo, pela religião. Os flamengos são, sempre o foram, católicos, estiveram na contra-reforma. Os holandeses são calvinistas...

Os flamengos são germanófilos. Na ocupação alemã, na 2.ª Guerra Mundial, foram colaboracionistas (tiveram quase um estatuto parecido com o de Vichy em França...).

A última edição discográfica de Jacques Brel, "Les Falmangnants", que, na época, provocou um enorme frémito na Bélgica - foi um ajuste de contas do "flamengo" dos arrabaldes de Bruxelles, mas francófilo, Brel, com aquele passado recente e hediondo dos flamengos.

Essa do "federalismo cosmopolita"...não percebi.

A Bélgica tem 3 Comunidades distintas e uma Região(pela geografia, pela cultura e pela lingua): Valónia, Flandres, Bruxelles e uma pequena comunidade alemã. Encontraram, faz relativamente pouco tempo, uma estrutura Federal, que contentou TODA a gente. A federação funciona. O que continua (mesmo antes da federação já assim era...) a levantar problemas é a constituição do Governo Federal Central! Mas não se esqueça dum pormenor (ou pormaior) a Bélgica é uma Monarquia. O Rei, Albert, irmão do falecido Baudoin, da casa de Liége (filho de Leopold I, que teve de abdicar por colaboração com os alemãs...)é o garante da coesão nacional e do funcionamento das instituições.

Qual é o dado novo? O crescimento abrupto da extrema direita flamenga, em torno do Vlamisch Partei (?) que sustentam a independência da Flandres, mas por puro egoismo economicista. Quando a Valónia vomitava industria e extraia milhões de toneladas de carvão ( até aos finais da década de 60 do século XX, os flamengos não tugiam nem mugiam...). Hoje as coisas são diferentes.

Por aqui me fico.

Abraço,

José Albergaria
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De Manuel Leão a 24.07.2008 às 15:34

Então, somos praticamente uma Europa a 28. E qualquer dia, provavelmente, a 32. Mas com os mesmos quilómetros quadrados!

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