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PCP nem sequer escuta Fidel e Saramago

por Pedro Correia, em 06.07.08

O PCP foi o único partido parlamentar português que recusou criticar as FARC na Assembleia da República. Até o Partido Ecologista Os Verdes, partido irmão do PCP, se associou ao voto conjunto apresentado pelas bancadas do PS, PSD e CDS (e votado igualmente pelo Bloco de Esquerda) que exprimia a congratulação do Parlamento pela libertação de Ingrid Bettancourt e criticava o bando terrorista que deteve durante mais de seis anos, na selva colombiana, a ex-candidata presidencial. Bernardino Soares, o mesmo que já admitiu classificar a Coreia do Norte como um regime democrático, recusa catalogar as FARC como terroristas.

Dominado pela sua ala mais ortodoxa, o PCP continua cego e surdo às mais bárbaras violações de direitos humanos quando são cometidas por aliados ideológicos - como são as FARC, neste caso. Isto acontece quando o próprio Fidel Castro, nas páginas do jornal comunista cubano Granma, considerou "injustificável" o sequestro de Ingrid e saudou a sua libertação, demarcando-se dos bandoleiros extorsionários de fachada comunista.

"Nunca deveriam ter sido sequestrados os civis, nem mantidos como prisioneiros os militares na selva. Foram factos objectivamente cruéis. Nenhum propósito revolucionário poderia justificar isto", sublinhou Castro, congratulando-se com a libertação dos reféns, "por elementar sentimento de humanidade", até porque "dificilmente poderiam ter resistido mais tempo", dadas as suas precárias condições de saúde.

E o insuspeitíssimo José Saramago demarcou-se sem sofismas dos terroristas colombianos declarando ao Diário de Notícias: "As FARC não são um movimento revolucionário. Começaram por sê-lo, mas há muitos anos converteram-se noutra coisa, porque um grupo armado que a partir de certa altura vive substancialmente do narcotráfico e do sequestro pode chamar-se tudo menos revolucionário." (sem link disponível).

Palavras que deveriam merecer reflexão na Soeiro Pereira Gomes. Se a sede do PCP não fosse o que é: um muro impermeável aos ecos do exterior. Mesmo aos ecos daqueles que lhes são mais próximos.



5 comentários

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De rms a 07.07.2008 às 11:28

O Pedro parece conhecer tão bem o PCP que, às vezes, até me interrogo qual de nós os dois é o militante...
O que o PCP fez foi recusar-se a condenar apenas as FARC, fazendo tábua-rasa do regime de Uribe, que continua a perseguir comunistas, sindicalistas e activistas dos direitos humanos.
Saberá o Pedro, como homem informado que é, que dias antes da libertação de Ingrid, foram assassinados pela polícia de Uribe três activistas dos direitos humanos. Mas estes, pelos vistos, não lhe merecem solidariedade.

E, para que fique claro, não considero o método das FARC o mais correcto, partilhando da ideia de que os generais seriam um alvo bem mais produtivo para as FARC, e não os civis.

E olhe que não fui expulso por manifestar livremente a minha opinião dentro e fora do PCP.

Como já lhe disse, o PCP é aquilo que seus os militantes quiserem, e não o que o Pedro Correia gostava que fosse...

Já agora, e depois de ter já deixado claro que não apoio totalmente os métodos das FARC, mas que não podemos condenar apenas um dos lados, gostaria de saber a opinião se os prisioneiros de Guantanamo são realmente prisioneiros ou se são reféns do regime dos Estados Unidos...
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De Pedro Correia a 07.07.2008 às 12:13

Meu caro, o que conta aqui é isto: o PCP foi o único partido parlamentar português (nem sequer o PEV o acompanhou nisto) que recusou criticar as FARC num voto de congratulação pela libertação de Ingrid B. Como pode um partido saudar a libertação de alguém sem criticar o bando que a sequestrou em plena campanha eleitoral e a manteve em cativeiro na selva durante mais de seis anos? Um partido que contemporiza com atitudes destas significa que tem uma concepção instrumental da democracia, na melhor das hipóteses. O que está em causa é isto - e nada mais. Tudo o resto é fugir à conversa.
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De rms a 07.07.2008 às 12:14

Ia jurar que o PCP apresentou um voto de congratulação pela libertação de Ingrid e apenas o PEV votou a favor com o partido proponente, corrija-me se estiver errado...
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De Pedro Correia a 07.07.2008 às 12:19

A questão não é essa. Esse voto, como já referi, saúda a libertação de Ingrid sem criticar os seus captores - a guerrilha narcoterrorista das FARC, que segundo Saramago e o próprio Fidel Castro de revolucionário nada tem. Essa guerrilha, que mantém cerca de 700 reféns na selva colombiana, merece a admiração do PCP, que por esse motivo recusou subscrever o voto conjunto PS-PSD-CDS (apoiado pelo BE e pelo PEV) e apresentou um voto próprio, em que não critica, as FARC. Este voto foi chumbado no Parlamento, tendo recebido apoio apenas do PCP e do PEV.
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De rms a 07.07.2008 às 12:29

"O resgate de Ingrid Betancourt coloca em evidência a gravidade da situação em que se encontram centenas de prisioneiros na posse da guerrilha e nas prisões do regime de Álvaro Uribe e a necessidade de encontrar uma solução humanitária".

Mas então neste excerto da moção do PCP não há uma crítica às FARC? Como lhe disse, o que o PCP não faz é criticar apenas um lado da barricada.

Aliás, vai mais além e apela à solução pacífica e política do conflito:

"3- Apela às partes envolvidas para que encetem negociações no sentido da libertação de todos os prisioneiros.
4- Valoriza todos os esforços orientados para alcançar uma solução política negociada.
5- Apela às partes para que se empenhem na busca de uma solução política negociada do conflito, que dura há mais de quatro décadas".

O resto, sim, é atirar poeira para os olhos...

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