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Carlos Leone

por João Távora, em 19.06.08

O convite

 
Só mesmo por convite escrevo em blogs. Assim no Esplanar, assim no Peão, assim, agora, em O Amigo do Povo. E, de momento, no Corta-fitas. Os convites pressupõem um reconhecimento, mais do que apenas conhecimento. Isto é, conhece-se alguém pelo que faz e reconhece-se nisso algo de valioso. O que vale para quem faz o convite e para quem o aceita. No meu caso, aceitei o convite do João Pedro por motivos de amizade. No ano seguinte, o tempo no Peão foi um equívoco sem grandes consequências, mas afortunadamente passei a conhecer o Hugo Mendes (ver blog Véu da Ignorância II). E junto dos amigos do povo faço o papel de ateu de serviço, o que tem a sua piada e razão de ser.
O convite do Corta-fitas coloca um embaraço. Eu conheço este blog desde o «dia 1». Por uma coincidência, o FAL escreveu-me a anunciar o blog no mesmo dia em que entrei no Esplanar. Em 2006, até houve bastantes links recíprocos. E não foi pela mudança de pouso que eles diminuíram. Foi pela tal questão do reconhecimento. Por um lado, o género de coisas que eu faço (fazia, cada vez mais), coisas quase sempre argumentativas, não pesa muito na economia do Corta-fitas. Por outro, o género de comentário (não de análise) do Corta-fitas não me motiva. O reconhecimento não desaparece, mas esvai-se.
Isto não me impede de ler o CF de quando em vez, sem as surpresas de que necessitaria para mudar de ideias (um João Villalobos não faz a Primavera). Ainda recentemente, o «caso FAL-JPP» mostrou os limites do modelo «comentário». Menos bocas ao Governo «socialista» sobre a alegada pressão contra jornalistas e outros vícios afins teria dado autoridade para indignações contra a sugestão descarada de despedimento feita no Abrupto. Mas a profusão de posts «olhem para nós que somos de Direita», deu nisto: quando uma coisa grave acontece, já se gastou as munições em guerras de alecrim e manjerona (antes do Abrupto, o deslinkado tinha sido o Câmara Corporativa, espécie de CF ao contrário, mas se prezassem mais a honorabilidade teriam deslinkado outros primeiro). É, genericamente, o problema (meu) com o convite (e com o CF): muita agitação e certezas, pouco argumento e autocrítica, muita vontade e pouca imprevisibilidade. A seu modo (que não o meu), outro convidado já se referiu a isto (foi o Pitta). Podia alongar-me, mas isto do «reconhecimento» é hegeliano o bastante para eu evitar falar no problema que é ficarmos presos ao olhar que o «outro» tem de nós, no «mau infinito», etc. E nem os blogs servem para conversas destas, realmente.
Pela minha parte, gostei do convite (surpresa, para mim) e de corresponder. O CF é um caso de estudo das tendências da «bloga» nacional e, pela actividade dos seus animadores, da comunicação social portuguesa. Como o parágrafo anterior regista.
Parabéns pela ideia e boa sorte para o futuro.
 
Carlos Leone (do blogue O Amigo do Povo)


6 comentários

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De João Villalobos a 19.06.2008 às 15:11

Isso é que foi cuspir na sopa, hem!? :) Mas, pela parte que me toca, os agradecimentos deste criado sempre ao dispor de V. Exa, que não faz a Primavera mas vai fazendo outras coisas igualmente primevas.
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De l.rodrigues a 19.06.2008 às 15:22

Andorinha..
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De Francisco Almeida Leite a 19.06.2008 às 17:14

Essa foi de amigo.
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De Anónimo a 20.06.2008 às 00:36

Que grande papelão! Só lhe fica bem, de resto
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De Ana Duarte a 20.06.2008 às 01:12

De facto as pessoas não cessam de me espantar. Como é que alguém aceita que lhe estendam o tapete vermelho para depois debitar um texto tão aviltante como este?
Sou leitora assídua deste blogue porque entre outras coisas lhe reconheço um tom despretensioso que contrasta com a muita arrogância intelectual que abunda na blogosfera e para a qual não tenho a menor pachorra. Arrogância que este seu texto transpira por todas as linhas e entrelinhas!
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De Pedro Correia a 21.06.2008 às 11:54

Quero agradecer a elegante lição de sapiência que nos deixou aqui o Carlos Leone. Graças a ele, pudemos perceber enfim a diferença entre análise e comentário. É sempre um privilégio aprender com quem, indubitavelmente, sabe muito mais que nós.

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