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Quando me falam em “grandes carreiras”, lembro-me logo daquela que foi a principal da minha vida. Refiro-me à do autocarro nº 9, de Campo d’ Ourique ao Bairro Madre de Deus e vice versa. Quando os meus pais se instalaram em Campo d’ Ourique, tinha eu 3 anos, foi inicialmente num prédio de gaveto a dar para a Manuel da Maia, por onde aqueles monstros verdes de dois andares iniciavam o seu percurso para a Avenida da Liberdade, Baixa, e enfim, para mais longe onde a minha imaginação não chegava ainda. Nas minhas memórias mais remotas, lembro-me de, com o meu irmão, nos sentarmos divertidos à janela daquele 1º andar a esperar a passagem dos autocarros mesmo ali em frente onde faziam a primeira paragem do percurso. O seu ronco era inconfundível. Na verdade, o fascínio estava na publicidade disposta entre as duas fileiras de janelas, e o anúncio do chocolate em pó Toddy era para nós o mais atractivo. Enquanto nos entretínhamos assim, não fazíamos grandes estragos.
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