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Timor: aplauso ao Governo

por Pedro Correia, em 26.05.06
1. Levantam-se já umas vozes na blogosfera apelando à suspensão dos laços de cooperação entre Portugal e Timor-Leste. Vozes de esquerda, sobretudo – o que me parece revelador de uma compreensível má-consciência histórica. Foi a esquerda radical que em 1975 entregou os timorenses nos braços do invasor indonésio, nada fazendo nos anos imediatos para minorar o drama de um povo que se considera nosso irmão.
2. Agiu bem o Governo em ignorar estas vozes, remetendo para Timor-Leste mais de uma centena de efectivos da GNR. Um envio que aliás já tinha sido pedido, poucos dias antes de rebentar a actual crise, em entrevistas do primeiro-ministro Mari Alkatiri (ao Diário de Notícias) e do ministro dos Negócios Estrangeiros, José Ramos-Horta (ao Público).
3. Estive em Timor há dois anos e pude verificar como a presença da GNR era muito bem acolhida pela generalidade dos timorenses. Dadas as responsabilidades históricas de Portugal no jovem país, esta cooperação é moralmente obrigatória e politicamente recomendável. Criticá-la em nome da necessidade de conter despesas ou pelo facto de Díli se encontrar a 15 mil quilómetros de Lisboa é pura miopia política. A defesa dos interesses estratégicos de Portugal não se esgota no perímetro da Europa comunitária: pelo contrário, estende-se a todos os países que partilham os nossos mais profundos valores culturais, expressos na língua portuguesa.
4. A defesa destes interesses estratégicos implica a urgente criação de um contingente militar no âmbito da CPLP, capaz de acorrer a situações de emergência sempre que para tal for solicitado por um dos países membros, no estrito quadro da legalidade internacional.
5. País entalado entre duas potências regionais (Indonésia e Austrália), Timor-Leste adoptou a língua portuguesa como idioma oficial e o Direito de raiz portuguesa como matriz jurídica. A ligação histórica a Portugal (e, por extensão, ao conjunto dos países que integram a CPLP) é um elemento estruturante da identidade nacional timorense. Temos a obrigação histórica – que devemos encarar como um imperativo político – de não virar novamente costas a um povo que esquecemos demasiadas vezes no passado. E de acentuar a cooperação com Timor em diversas áreas – a começar na educação e formação de quadros, onde o balanço destes últimos quatro anos é largamente positivo. José Sócrates, felizmente, não ouviu o apelo daqueles que o incentivam a governar com vistas curtas no domínio das relações externas, tomando a decisão mais correcta. Os timorenses agradecem. E as centenas de portugueses que lá residem – apostando em Timor como terra de futuro – também.

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7 comentários

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De Anónimo a 27.05.2006 às 12:38

De boas intenções está o inferno cheio.
Ajudar Timor, claro, mas só até ao limite da decência. Ou, no estado em que Portugal se encontra, será legítimo que nós, contribuintes portugueses, arquemos com os custos da desordem timorense?
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De Anónimo a 26.05.2006 às 22:36

Timor tem futuro e nós devemos também contribuir para que isso aconteça.
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De ccc a 26.05.2006 às 21:55

Eu acredito em Timor!Na minha visão de cidadã comum, que está atenta ao que se passa à sua volta, o que me parece é que Timor precisa de uma ajuda maior do que aquela que tem tido até aqui. É por demais evidente, que um País tão jovem, com décadas de luta pela independência, não poderia em poucos anos consolidar uma governação que a todos agradasse. Timor precisa de ajuda e vai precisar ainda por muito tempo. E Portugal tem obrigações grandes nessa área. Quero acreditar que vamos dizer sim!
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De Anónimo a 26.05.2006 às 21:35

E São Tomé e Príncipe ou a Guiné-Bissau têm?
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De Anónimo a 26.05.2006 às 21:31

Também não, mas isso é outra conversa.
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De Anónimo a 26.05.2006 às 21:06

E Portugal tem?
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De Anónimo a 26.05.2006 às 20:46

Essa de uma força militar da CPLP tem piada. Antes de mais, era necessário que a dita CPLP existisse; depois, que Portugal fosse suficientemente rico para suportar tal força. Ou alguém acredita que os restantes países lusófonos pagassem o que, em princípio, lhes competiria?
Deixemo-nos de ilusões. Os motivos da actual situação timorense são dois: a incompetência do Governo (Xanana incluído) e o atraso da população.
Timor-Leste não tem condições objectivas para ser um país independente. Nem hoje nem nos próximos decénios.
Só isso.

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    Acho muito bem, que quem viu os seus carros ardido...

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    Então se as instituições e os costumes não servem ...

  • Anónimo

    ainda vai dizer que parte o focinho ao ministro


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