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Há sempre alguém que diz não

por Pedro Correia, em 17.05.08

Em 230 deputados, apenas quatro se atreveram a votar ontem contra o "acordo ortográfico" na Assembleia da República, despachado com uma burocrática indiferença, quase sem debate no hemiciclo, tal como já havia sucedido com a ratificação do Tratado de Lisboa. Um dos deputados que ousaram contrariar a regra da quase-unanimidade parlamentar numa questão tão polémica foi Manuel Alegre. Sinto-me representado por ele e pelos restantes três que também recusaram fazer coro com a maioria de legisladores que declarou guerra às consoantes mudas em nome da impossível unidade ortográfica luso-brasileira - Luísa Mesquita, António Carlos Monteiro e Nuno Melo. Eu e todos os portugueses que somos frontalmente contra este "acordo" agradecemos-lhes a ousadia. Felizmente há sempre alguém que diz não. Mesmo em tempos de união nacional, acrítica e monolítica.

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16 comentários

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De joão melo a 17.05.2008 às 20:41

caro pedro acho que foi o paulo portas e não o nuno melo que votou contra
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De Pedro Correia a 17.05.2008 às 20:50

Não, caro João, foi mesmo assim: incluí agora um link para não haver dúvidas. Paulo Portas absteve-se. Menos mau, apesar de tudo. Incompreensível foi a atitude dos deputados que, discordando do "acordo", preferiram ausentar-se do hemiciclo no momento da votação. Isto é quase um tratado sobre a coerência entre o pensamento e acções...
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De joão melo a 17.05.2008 às 21:12

ah ok. então foi isso. dai a minha confusão . abraço beirão....olhe e já agora boa sorte para o seu sporting para amanhã na final da taça
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De Mialgia de Esforço a 17.05.2008 às 20:48

"Mesmo em tempos de união nacional, acrítica e monolítica." Inteiramente de acordo.

This is zombieland (T-Bone Burnett).

Cinematograficamente falando, veio-me à memória o "They Live" de John Carpenter.

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De J.C. a 17.05.2008 às 20:53

A polémica no 'país real' em relação ao acordortografiquês e o comportamento desprezível dos deputados (com as quatro excepções que referes) diz bem sobre o modo como eles levam a sério o sentido de representação dos eleitores que era suposto transportarem.

Como já disse antes, foi um vergonhoso acordo comercial assinado pela quase totalidade dos deputados, esta autorização para importarmos a nossa língua...
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De Anónimo a 17.05.2008 às 20:56

Foi um 'ato' desprezível.
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De Pedro Correia a 17.05.2008 às 21:18

Excelente analogia, ó Mialgia!

Subscrevo, compadre. É assim mesmo.

Obrigado pelo desportivismo, caro João. Um abraço
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De Fernando a 17.05.2008 às 21:50

Como é que se pode exigir uma discussão sobre matéria linguística, cultural, histórica, nacional, a um grupo de incultos que mais não faz que acautelar o reebimento do seu ordenado, e outras benesses, que pode ser escrito em qualquer língua. Afinal de contas, cacau, carcanhol, pasta, grana, pilim, dinheiro, etc. etc., não é tudo a mesma coisa? Afinal é a única matéria que os preocupa e que entendem.
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De J.C. a 18.05.2008 às 02:58

Tem toda a razao, o Fernando. Não resisto a ilustrar-lhe as palavras com aquele deputado alentejano pelo Porto (?), chamado José Raúl dos Santos ou algo assim. Interrogado por um repórter, dizia ele há umas semanas, sobre a proibição de fumar em S. Bento, que «devia 'de' haver» mais sítios para os fumadores.

Não sei se o grupo dele é o dos que votaram a favor do acordortografiquês ou se o grupo dele é o dos que saíram do hemiciclo no momento da votação. Mas deve 'de' ser um deles...
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De Carlos a 18.05.2008 às 00:45

(In)felizmente daqui a uma meia-duzia de anos continuará tudo na mesma, diria o Principe de Salinas.
Por outras palavras, o acordo é totalmente anódino.
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De O Raio a 18.05.2008 às 02:31

Todos os portugueses não!
Eu sou português e concordo com o acordo.
Portugal já fez várias reformas ortográficas. Basta irmos a um alfarrabista e pegarmos num qualquer livro anterior a 1920, 1921.
Porque é que não podemos fazer outra?
Se não fizermos esta reforma, acabaremos por ver os outros países de língua portuguesa (com Angola à frente), adoptarem a norma brasileira.
Seria uma questão de tempo até nós, para utilizarmos o português em qualquer instância internacional termos de o escrever com a tal norma brasileira.
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De vg a 18.05.2008 às 03:50

Subscrevo inteiramente esta nota de apreço ao deputados que votaram contra - mas não chega. É preciso fazer alguma coisa.
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De Ana Vidal a 18.05.2008 às 12:13

Mais uma pérola do brilhante deputado (como, meu Deus?) Nuno da Câmara Pereira, em entrevista à SIC:

"A Constitução da República proíbe a discriminação em função do género e do sexo."

Ora aí está, clareza e verve. Deve ser o português do novo acordo ortográfico.

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