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Imperdoável

por Teresa Ribeiro, em 07.05.08

Em Portugal, tal como na Áustria, é possível a um pedófilo ou violador adoptar uma criança. Como é que tamanha aberração pode acontecer? Fácil. Se ao fim de cinco, sete ou dez anos – conforme os casos – os prevaricadores não reincidirem, ou, para ser mais rigorosa, não forem apanhados a reincidir, ficam sem cadastro. Assim, de folha limpa, se quiserem, como Joseph Fritzl, adoptar uma criança... podem. Eventualmente gozando até de preferência sobre outros candidatos, cuja situação não preenche os requisitos considerados ideais pelas entidades responsáveis por estes processos.

Em Portugal, como em muitos países civilizados aplica-se um preceito que em teoria é muito lindo e encontra raízes no melhor da nossa cultura judaico-cristã, que é o do direito a uma segunda oportunidade: uma vez paga a dívida à sociedade e mediante anos de aparente bom comportamento eliminam-se os registos criminais em sinal de magnanimidade e de fé na capacidade de regeneração humana.

Sabendo-se que os comportamentos criminosos associados a perturbações psicológicas graves – como é o caso das violações e crimes de pedofilia – apresentam uma elevada taxa de reincidência eu pergunto como é que a justiça pode ignorar estas evidências científicas em nome de uma suposta humanização do sistema desprotegendo desta forma infame as potenciais vítimas?

Helena Matos, na crónica que assinou ontem no Público chamou a atenção para este absurdo. Disse ela que esta situação lhe provocava náuseas. Já somos duas!



6 comentários

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De J.C. a 07.05.2008 às 13:30

Por causa dos distraídos, um pormenor apenas sobre a ilustração baseada na deusa grega da Justiça: há muito que a representação da Témis deixou de ser com os olhos vendados.
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De OnceinaWhile a 07.05.2008 às 14:32

.. já somos três!

brilhante a forma como coloca a sua questão.
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De Mialgia de Esforço a 07.05.2008 às 15:19

E como se chega a esta situação aberrante de um pedófilo poder adoptar uma criança? As ditas sociedades desenvolvidas acreditam na reabilitação total do criminoso onde “integrar é preciso” e toca de passar uma esponja sobre o passado/cadastro. Por outro lado, não existindo esses registos criminais, os governantes pretendem passar a noção de que as sociedades são cada vez mais bacteriologicamente puras.

Sempre se poupa ao pedófilo o trabalho de procurar a vítima!

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De RMR a 07.05.2008 às 16:28

Então sinta um pouco mais de náusea e vá ler alguns dos 50 e tal comentários ao post sobre as declarações do presidente do Observatório Permanente da Adopção (...), sobre a possibilidade pessoas condenadas por violação ou pedofilia se tornarem pais adoptivos: “Se já não tem cadastro não vejo o problema. Não me impressiona.”
Há n-comentadores a acharem que sim, que os direitos dos pedófilos condenados têm de ser salvaguardados. Isto ainda é mais nauseante - é abjecto. Parabéns pelo post .
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 07.05.2008 às 16:45

Os regimes democráticos têm destas bonomias. Olham para os cidadãos como potenciais corruptos, vigaristas prontos a enganar o próximo, ou incorrigíveis relapsos em termos fiscais...mas quando está em causa proteger os cidadãos de criminosos, o Estado olha para eles ( criminosos) com complacência e acredita que se vão regenerar. Por isso lhes dá sempre uma segunda, terceira ( e por aí adiante...)oportunidade.
No caso específico da pedofilia, está mais ou menos provado que não têm emenda, mas quando Sarkozy aventou a hipótese de proceder à castração química, acusaram-no de fascista, nazi e sei lá que mais.
Eu sei que a democracia não é um sistema perfeito, mas sendo o menos mau, que pelo menos haja quem o extirpe de algumas aberrações que só causam conflitualidade social e despertam ínvios desejos de regresso ao passado.
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De RMR a 07.05.2008 às 17:07

Esqueci-me de referir que o artigo da HMatos vem no Blasfémias e é lá que vem o tal artigo do Metro, "inspirado" no artigo dela do Público. É lá que o tal senhor diz que não se impressiona. Com comentários para todos os gostos.

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