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Crimes que vêm do frio

por Teresa Ribeiro, em 30.04.08

Quando sou confrontada com notícias como esta, lembro-me, invariavelmente, da conversa que tive há alguns anos com um juiz, no Centro de Estudos Judiciários, sobre o perfil dos homicidas portugueses. Bem sei que não é de homicídio o caso que está neste momento a abalar a Áustria, mas para o efeito a comparação serve. Esse magistrado disse-me então que, tal como os outros povos latinos, os portugueses não são dados a crimes que envolvam grande planeamento e sofisticação. Falta-lhes método e sangue-frio. O homicida típico português, apesar de o padrão, no contexto do crime urbano, se estar a americanizar, continua a ser o fulano que movido pela raiva ou pelos ciúmes ataca com uma sachada na tola, ou dois tiros no peito.

Torturas, sequestros, violações continuadas, cadáveres às postas quase não constam do nosso cardápio.

Em compensação é no coração das sociedades tidas como o expoente máximo da civilização que medram os monstros. Será que demasiada civilização faz mal à saúde?


18 comentários

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De Ana Vidal a 30.04.2008 às 20:40

Não sei se será o excesso de "civilização", Teresa, mas é talvez o excesso de "contenção". As sociedades muito regradas são também aquelas onde há mais vigilância e delacção da parte dos cidadãos, e logo, onde as pessoas têm que esconder mais fundo as suas facetas mais negras. E são sempre essas facetas as mais explosivas e perigosas. A proverbial desorganização e bonomia dos portugueses protege-nos um pouco da criação desses perfis tenebrosos, embora isso esteja a mudar por cá também. Improvisamos tudo, e até o crime. Somos mais passionais, somos latinos. Os povos do norte da Europa são os piores nesse aspecto, especialmente os anglo-saxónicos. Não sei porquê, mas é assim. Talvez seja do clima mais frio, que endurece as pessoas e as torna menos afáveis e mais agressivas, não sei.

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