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Crimes que vêm do frio

por Teresa Ribeiro, em 30.04.08

Quando sou confrontada com notícias como esta, lembro-me, invariavelmente, da conversa que tive há alguns anos com um juiz, no Centro de Estudos Judiciários, sobre o perfil dos homicidas portugueses. Bem sei que não é de homicídio o caso que está neste momento a abalar a Áustria, mas para o efeito a comparação serve. Esse magistrado disse-me então que, tal como os outros povos latinos, os portugueses não são dados a crimes que envolvam grande planeamento e sofisticação. Falta-lhes método e sangue-frio. O homicida típico português, apesar de o padrão, no contexto do crime urbano, se estar a americanizar, continua a ser o fulano que movido pela raiva ou pelos ciúmes ataca com uma sachada na tola, ou dois tiros no peito.

Torturas, sequestros, violações continuadas, cadáveres às postas quase não constam do nosso cardápio.

Em compensação é no coração das sociedades tidas como o expoente máximo da civilização que medram os monstros. Será que demasiada civilização faz mal à saúde?

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18 comentários

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De Mike a 30.04.2008 às 23:38

Pouca (em demasia) saúde mental é que dá cabo da civilização.
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De JB a 01.05.2008 às 00:19

“O quinto império”
Em português, as palavras são um simples meio de simpatia, ou o seu contrário. As pessoas perdem assim horas em conversas inúteis, só com o fim de garantir a sua estima recíproca (95)
Uma das particularidades portuguesas: o gosto da pequena polícia, a que mantém relações sentimentais como povo. A sua arte de bisbilhotar, de procurar por trás, de inventar razões e causas, a um tempo teima de funcionário e regressão à inteligência infantil. Ou bem que os portugueses não fazem nada, ou bem que vão até ao último pormenor e, chegados aí, largam tudo como de costume (196)
Cada cinquenta anos, o país sonha ser a primeira sociedade liberal avançada do mundo. Cada cinquenta anos, o libertário volta à superfície. Procura-se então um banqueiro ou um professor de economia capaz de casar meio século de bordel com O Espírito das Leis (223)
Sem endereços e todos com o mesmo nome, obedecendo a dois ou três pequenos princípios, entre os quais o de inventarem títulos... (302)
Os portugueses nunca descobriram nada, senão a Índia no século XVI.
Dominique de Roux (1977, Paris) “
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De Vítor a 01.05.2008 às 03:50

Só nos falta o curso de engenharia. Esperem só as novas oportunidades começarem a surtir efeito e teremos toda uma nova geração de criminosos muito mais sofisticados. ^^

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