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Chegámos ao fim de mais um ano — não sei bem como, mas cá estamos, firmes, vacilantes e com uma resistência à política nacional, assunto que em tempos não muito longínquos me apaixonou, digna de super-herói esfarrapado. A sensação de que, quase ao fim de uma vida, pouco ou nada muda, a noção da repetição dos casos e temas irresolúveis, é uma canseira. A conflitualidade acirrada e o insulto gratuito, antes apanágio dos marginais, democratizou-se. Se o campeonato fosse de promessas vazias e debates malcriados, estaríamos a celebrar um pentacampeonato nacional, mas, infelizmente, ganhámos apenas olheiras e um profundo desejo de alienação. Lá fora os sinais são parecidos, e a guerra a fervilhar à porta da frágil Europa, cheia de vícios e vazia de si…
As notícias tornaram-se tão desagradáveis que, num zapping neurótico, fujo dum debate para uma acesa discussão de bola, erros desumanos e vídeo-árbitros… para me acabar por refugiar nas páginas duma melancólica biografia dum rei outrora assassinado.
Sem dar demasiado nas vistas, o ano de 2025 passava, e a velhice, essa artista, cavou novas rugas na minha cara com inaudita criatividade. Enquanto isso, paulatinamente a geração acima vai-se retirando do palco da nossa vida, sem direito a encore, deixando-nos a sós com as memórias que nos fazem e dão sentido à caminhada.
Os filhos, esses que em tempos rodopiavam e palravam em disputas pela casa afora, descobriram que a independência é um prato que se serve frio, de preferência fora de casa. Voltam apenas para os clássicos: uma bainha para a mãe coser, refeições dominicais e, com alguma sorte, companhia para ver à bola. A casa, agora, na maior parte do tempo faz eco até do silêncio. E o cão muda preguiçosamente de lugar, enrolado em si mesmo.
Felizmente, repetiram-se as almoçaradas com amigos, onde a boa conversa se aquece à mesa e o vinho nunca está demasiado longe. Nesses momentos, o futuro engana-nos e surge-nos cheio de promessas, com a aparelhagem a bombar os meus clássicos — agora sem ninguém a protestar ou pedir para baixar o som. Um pequeno luxo, mas já ninguém me tira esta vitória doméstica de fim de semana.
Entre tanto nevoeiro e chuva, estamos a aprender, a minha mulher e eu, a sobreviver ao nosso prolongado Outono: a salamandra na sala, é monarca absoluta mesmo quando o frio tardava. E a aguardente velha, Santo Deus, alquimista do ânimo naquelas tardes mais longas. Se 2025 nos trouxe motivos de celebração, foi o Sporting bicampeão. A família festejou, mas eu já não fui ao Marquês.
Preocupante é verificar que o mundo está mesmo coberto por uma bruma espessa, ou talvez seja dos meus óculos que precisam de ser limpos, já não sei. O que sei é que, entre salamandras, goles de aguardente, episódios de ironia involuntária, noites em Alvalade, rock clássico a ecoar pelas paredes e almoços partilhados entre amigos, sobrevivemos a mais um ano. O próximo vem com eleições presidenciais, imaginem só…
Deus nos guarde, que isto pode sempre piorar!
Sim, eu dedico-me a contrariar os Rolling Stones (Who wants yesterday's papers) e à tolice de ler jornais atrasados.
E é assim que chego ao editorial do Público de 24 de Dezembro.
É certo que, logo nesse dia, olhando para a capa, sabia que vinha aí outra vez arroz, mais um artigo de Rafaela Burd Relvas a falar, criativamente, de preços de casas, com base num relatório do INE ("Casas já subiram mais 27% desde o primeiro pacote de medidas do Governo").
A tese implícita neste título é a do costume: a de que são as políticas públicas que definem o preço das coisas que, neste caso, Rafaela Burd Relvas leva ao cúmulo de achar que o anúncio de uma medida (por exemplo, a alteração da fiscalidade sobre as rendas que ainda não está em vigor) deveria reflectir-se imediatamente no preço das casas.
Não tendo acontecido, Rafaela Burd Relvas conclui que a medida falhou, apesar de ainda nem sequer ter entrado em vigor. Não, não sou eu a inventar: "Desde a apresentação do Construir Portugal, e até ao final do terceiro trimestre deste ano, o índice de preços da habitação já registou um aumento de 26,8%. Considerando um período idêntico, mas durante o qual estas medidas não tinham ainda sido criadas, os preços das casas aumentaram em cerca de 14% entre o início de 2022 e o terceiro trimestre de 2023".
O que me interessa, neste post, não são os delírios de Rafaela Burd Relvas sobre o mercado imobiliário, o que me interessa é que a invenção criativa sobre habitação é uma opção do jornal, assumida em editorial.
Qual é o problema na habitação?
O acesso à habitação por parte de grupos sociais mais pobres, que atinge cada vez mais gente em consequência de uma subida dos preços das casas mais rápida que a subida dos salários.
O Público resolve ignorar que este é o problema e insiste que o problema é a subida do preço das casas.
No entanto, o Público vai dizendo, mas não integrando na sua interpretação do mercado imobiliário, que para além da subida dos preços, tem havido uma subida paulatina, embora menor, de transacções, o que significa que tem havido maior acesso, e não menor acesso à habitação, apesar do aumento de preços.
É verdade que este maior acesso é socialmente desigual, mas globalmente, há mais transações, logo, há mais acesso, até porque os suspeitos do costume (os tubarões estrangeiros que gostam de investir hoje à espera que um dia as casas atinjam preços estratosféricos, mantendo o investimento parado e sem gerar rendimento durante a espera) são uma percentagem mínima: essencialmente, quem compra e vende casas são as famílias que são responsáveis, quer como compradoras, quer como vendedoras, por quase 90% das transações.
Aliás, aparentemente o Público desconhece o facto da mesma família poder ser vendedora numa transacção e compradora noutra, porque para o Público os compradores que conseguem comprar casas a estes preços são abutres especuladores à espera de ficar milionários, e os proprietários são uma classe de exploradores da miséria alheia, vendendo a preços especulativos, ou pedindo rendas usurárias, sendo a generalidade da sociedade constituída por vítimas destes penhoristas, uns anjos sem mácula que não conseguem ter casa.
"importa dizer o óbvio: as políticas públicas falharam. O Governo respondeu à maior crise da habitação das últimas décadas com uma sucessão de incentivos fiscais dirigidos sobretudo a proprietários, investidores e promotores, como se o obstáculo central fosse a falta de estímulos ao mercado e não a escassez estrutural de oferta a preços compatíveis com os rendimentos ... A habitação não se resolve com medidas avulsas nem apenas instrumentos fiscais de curto prazo. Exige investimento público continuado, políticas urbanas consistentes, regulação eficaz do mercado de arrendamento e tempo político para colher resultados que não coincidem com ciclos eleitorais cada vez mais curtos".
Vamos esquecer a contradição do jornal que conclui que medidas que ainda nem sequer existem falharam ao mesmo tempo que realça a necessidade de tempo político para colher resultados e centremo-nos em coisas mais substanciais.
É natural que um jornal que vive da caridade de terceiros, isto é, que tem um funcionamento que está fora do mercado por ter os seus prejuízos da sua actividade pagos com os lucros da actividade de venda de feijão, omita, totalmente, o papel do investimento privado na gestão do problema de acesso à habitação.
O editorialista acha que não há nenhum problema de mercado, há só um problema de escassez estrutural de oferta, que não é uma questão de mercado porque se resolve, de acordo com o editorialista, com investimento público em casas disponibilizadas abaixo do seu preço de mercado, num contexto em que o Estado português tem os seus serviços públicos em ruínas, uma regulamentação de contratação pública inacreditavelmente castradora, um histórico de atrasos no investimento colossal e luta para não voltar a défices que terão de ser pagos no futuro.
Imaginemos que o Estado reduz, de forma relevante, a sua comissão no negócio de casas (outro nome para a redução dos impostos no sector), como pretende fazer o governo.
O Público acha mal porque os proprietários, investidores, promotores e outros párias da sociedade se vão apropriar dessa borla fiscal.
Imaginemos que sim, que dado o desequilíbrio entre oferta e procura, os proprietários, investidores, promotores e outros abutres exploradores estão em condições que ficar com a totalidade dos recursos de que o Estado resolveu prescindir para tornar o mercado mais atractivo.
Nessas circunstâncias, os proprietários, investidores, promotores e outros agiotas ganham mais em cada transacção, ou seja, o negócio torna-se mais compensador para esses capitalistas (que incluem 70% das famílias portuguesas, as que são proprietárias da sua própria casa) o que tenderá a atrair arrivistas que também querem subir na vida, explorando o filão do lucro fácil do mercado imobiliário.
O resultado global?
Aumento do investimento, aumento da disponibilidade de casas, aumento da oferta.
É oferta incompatível com os salários, gritará o Público do fundo do salão.
Sim, é bem possível, mas convenhamos que a proposta moralista do Público, o controlo administrativo dos preços e do mercado, tem, historicamente, sempre o mesmo resultado: escassez do bem ou serviço e a expansão dos mercados informais, mercados esses que são ainda mais penalizadores para quem não tem uma rede social extensa e socialmente mais poderosa.
Eu sei, eu sei, é sempre assim, estes amigos dos pobres, que estão mais interessados em acabar com os ricos que com os pobres, acabam sempre, sempre no papel de amigos, sim, não dos pobres, mas da onça.
"E para além disso o Atendimento e Assistência são, por regra mais competentes, atenciosos e humanizados, que no Privado. Nestes, os Privados, há uma frieza que causa arrepios. Logo na recepção o olho "clínico" da recepcionista, avalia o cliente, mede-lhe capacidade da bolsa, e em função disso, doseia cuidadosamente a qualidade do atendimento. Quando o plafond do Seguro é atingido acaba-se o tratamento que isto não são as Carmelitas Descalças e o senhor faça o favor de ir pedir sopa para outro lado. Eu cá se fosse o Gov. Separava com muito cuidadinho as Águas e cortava pela raiz; Se prefere o Privado, nada a obstar. Mas quando esgotar o Plafond da apólicezinha, o amigo está por sua conta e esqueça o Publico".
Este comentário, muito comum, é pura sinalização de virtude e não tem qualquer relação com a realidade, nem utilidade para a discussão.
Comecemos pelo mais evidente: para ter este nível de conhecimento sobre o atendimento de saúde em instituições privadas (que, convém não esquecer, incluem as misericórdias) é preciso ser um cliente assíduo, o que é incompatível com a ideia de que não se frequenta os privados porque as instituições estatais é que são boas.
Poder-se-ia pensar que se trata apenas de um hipócrita que nem sequer admite que quer privados quer estatais são muito diferentes entre si, não sendo possível caracterizar o tipo de atendimento em função da propriedades dos meios de produção.
Mas não, é mesmo alguém a inventar tanto que nem sequer imagina que uma grande parte das vezes pode entrar e sair das instituições privadas que lhes prestam o serviço sem qualquer contacto com nenhum recepcionista.
Isto são apenas palas nos olhos, a indigência intelectual vem depois.
Uma pessoa qualquer paga os seus impostos e, com base neles, tem acesso a um serviço gratuito.
No entanto, por razões que só ao próprio dizem respeito, resolve pagar para ter o mesmo serviço noutro lado qualquer.
O que isso quer dizer é que essa pessoa está a pagar (duas vezes, uma nos impostos, outra na utilização) para aliviar a pressão sobre os meios do Estado, o que é bom para os contribuintes (que têm de pagar menos) e para os utilizadores (que acedem a serviços menos pressionados).
Pois bem, o simpático comentador quer cortar o assunto pela raiz, mas não explica porquê, visto que se alguém paga para ser atendido fora das instituições estatais, está de facto a criar melhores condições de funcionamento para as instituições do Estado.
O castigo sugerido baseia-se em que princípio moral ou de gestão?
Em princípios de gestão não é com certeza, o Estado, os contribuintes e os utilizadores dos serviços estatais beneficiam com essa opção e ninguém tem nada com as opções de quem resolve pagar para ter acesso a um serviço que lhe é fornecido pelo Estado, pago pelos seus impostos, sim, mas sem pagamento pela utilização.
Será pois uma questão moral.
O que está em causa, para o simpático comentador, é o castigo que merecem todos os que têm recursos suficientes para exercer a sua liberdade de escolha, em vez de contribuírem para um Estado com progressivamente mais poder sobre a sociedade.
Ou dito de outra maneira, pretende-se substituir a revolução pela censura moral para chegar ao mesmo sítio: a apropriação colectiva dos meios de produção.
O Observador (mas peças do mesmo tipo podem-se encontrar frequentemente noutros orgãos de comunicação social) fez um artigo interessante com o título: "Hospitais privados já fazem 39 partos por dia e são responsáveis por 31% dos nascimentos na região de Lisboa".
Um leitor que não parta do mesmo ponto de vista do jornalista, isto é, um leitor que jamais escreveria aquele "já" no título, pergunta-se qual é a questão dos privados fazerem mais ou menos partos que os prestadores de serviços estatais.
Não é que a informação, bem como outras informações na notícia ("um parto pode custar entre os três e os nove mil euros, consoante seja parto normal ou cesariana, com ou sem seguro de saúde, mas a procura não pára de aumentar") não seja relevante, mas para o tal leitor que parte de um ponto de vista diferente, o jornalista esqueceu-se do que seria socialmente mais útil.
Primeiro o jornalista só fala do custo do parto numa instituição privada, não fala no custo numa instituição do Estado, o que permitiria discutir quem é mais eficiente (ou, pelo menos, começar essa discussão).
Depois o jornalista não perde grande tempo em saber por que razão alguém que tem disponível um serviço gratuito, decide pagar para obter o mesmo serviço pagando.
Acresce que o jornalista descreve com clareza a situação "na região de Lisboa e Vale do Tejo — onde a falta de médicos obstetras e o encerramento de urgências obstétricas mais se têm feito sentir — o peso dos hospitais privados é muito maior: nesta região, são responsáveis por 31% do total de partos" mas evita dar o passo seguinte, tirando a conclusão lógica mais relevante: sem a actividade assistencial dos privados, a situação nas instituições estatais seria muito pior visto que haveria quase mais vinte por cento de partos a fazer por um sistema que está rebentar pelas costuras com os outros quatro quintos.
Finalmente o jornalista não explora a sua frase "há cada vez mais mulheres, particularmente das classes economicamente mais favorecidas" para realçar o resultado prático das políticas públicas de saúde existentes em Portugal: uma saúde para ricos e outra para pobres.
É por isso que aquele "já" do título nunca deveria lá estar, porque introduz ruído desnecessário na discussão necessária sobre um verdadeiro sistema nacional de saúde que integre a actividade privada e evite a situação dual que hoje existe, impedindo os pobres de escolher.
A discussão da eficiência é relevante (é preciso fazer mais com menos), a situação dual de uma saúde para ricos e outra para pobres é relevante, saber se o dono das paredes da sala de partos é o Estado ou um privado, é completamente irrelevante.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
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Depois de os Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egito e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar». José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egito e ficou lá até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pelo Profeta: «Do Egito chamei o meu filho». Quando Herodes morreu, o Anjo apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram». José levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe e voltou para a terra de Israel. Mas, quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai, Herodes, teve receio de ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Assim se cumpriu o que fora anunciado pelos Profetas: «Há-de chamar-Se Nazareno».
Palavra da salvação.
Imagem: Murillo, 1650
O que diz Augusto Santos Silva sempre teve pouco interesse, como de maneira geral acontece com as pessoas que são verdadeiramente sectárias (poderá haver interesse em ouvir sectários em matérias específicas em que realmente tenham qualificações sólidas, mas não em matérias gerais, diria eu).
Acresce que Augusto Santos Silva se considera a si próprio como um político relevante, sem que até hoje se perceba porquê (desempenhou dezenas de cargos políticos, incluindo ser ministro várias vezes, e ninguém sabe o que verdadeiramente contribuiu para a comunidade, lembrando-se dele, essencialmente, como um trauliteiro).
Por razões também pouco claras, resolveu fazer de king maker nas presidenciais, com o resultado conhecido: ninguém ligou nenhuma às suas diatribes, tendo apenas como resultado reforçar a ideia de que a candidatura de António José Seguro era uma candidatura decente.
Como também por vezes acontece às pessoas muito inteligentes (e convém lembrar a afirmação recorrente do meu pai de que nunca foi inventada uma maneira de medir a inteligência), embrulhou-se na sua inteligência abstrata, repudiou António José Seguro, e anda agora no mato sem cão, completamente perdido.
Poderia simplesmente guardar de Conrado o prudente silêncio, mas preferiu fazer mais uma pirueta argumentativa para dizer que não apoia Seguro, mas como nenhum candidato serve para presidente e, apesar de tudo Seguro é o menos mau, enfim, é fazer as contas.
Este contorcionismo argumentativo reflecte uma coisa que parece evidente, há muito tempo: qualquer pessoa de esquerda que queira impedir que Ventura vá à segunda volta (depois das expectativas que criou, não ir à segunda volta será uma clara derrota para Ventura, mesmo que tenha uma votação razoável), só tem como opção votar em Seguro.
Apenas pessoas muito, muito, muito inteligentes é que são capazes de ver outras hipóteses.
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"Depois celebrava-se a ceia, o mais solene banquete da família minhota. Tinham vindo os filhos, as noras, os genros, os netos. Acrescentava-se a mesa. Punha-se a toalha grande. Os talheres de cerimónia, os copos de pé, as velhas garrafas douradas. Acendiam-se mil luzes nos castiçais de prata. As criadas, de roupinhas novas, iam e vinham activamente com as rimas de pratos, contando os talheres, partindo o pão, colocando a fruta, desrolhando as garrafas. Os que tinham chegado de longe nessa mesma noite davam abraços, recebiam beijos, pediam novidades, contavam histórias, acidentes da viagem; os caminhos estavam uns barrocais medonhos; e falavam da saraivada, da neve, do frio da noite, esfregando as mãos de satisfação por se acharem enxutos, agasalhados, confortados, quentes, na expectativa de uma boa ceia, sentados no velho canapé de família.
E o nordeste assobiava pelas fisgas das janelas; ouvia-se ao longe bramir o mar ou zoar a carvalheira, enquanto da cozinha, onde ardia no lar a grande fogueira, chegava um respiro tépido o aroma do vinho quente fervido com mel, com passas de Alicante e com canela. Finalmente o bacalhau guisado, como a brandade da Provença, dava a última fervura, as frituras de abóbora-menina, as rabanadas, as orelhas-de-abade tinham saído da frigideira e acabavam de ser empilhadas em pirâmide nas travessas grandes. Uma voz dizia: - Para a mesa! Para a mesa!
Havia o arrastar das cadeiras, o tinir dos copos e dos talheres, o desdobra do guardanapos, o fumegar da terrina. Tomava-se o caldo, bebia-se o primeiro copo de vinho, estava-se ombro com ombro, os pés dos de um lado tocavam nos pés dos que estavam defronte. Bom aconchego! Belo agasalho! As fisionomias tomavam uma expressão de contentamento, de plenitude. Que diabo! Exigir mais, seria pedir muito. Tudo o que há de mais profundo no coração do homem, o amor, a religião, a pátria, a família, estava tudo aí reunido numa doce paz, não opulenta, mas risonhamente remediada e satisfeita. Não é tudo?
Não é. O primeiro dos convivas que tinha o sentimento dessa imperfeição, era a velhinha sentada ao centro da mesa. Ela, que para nós representava apenas a avó, tinha sido também a filha, tinha sido a irmã, tinha sido a esposa, tinha sido a mãe… No seu pobre coração quantos lutos sobrepostos, quantas saudades acumuladas! Por isso, enquanto os outros riam e conversavam alegremente, a mão dela emagrecida e enrugada tremia de comoção ao tocar no copo, e dos seus olhos cansados despregavam-se silenciosamente duas lágrimas, que ela embebia no guardanapo enquanto a sua boca procurava sorrir e titubear palavras de resignação, de conforto, de felicidade.
Essas lágrimas eram como a evocação do espírito dos ausentes e do espírito dos mortos para aquele banquete. A festa era então interrompida por silêncios graves, pensativos, durante cada um se recolhia em si mesmo e olhava um pouco ao passado e um pouco ao futuro. Dos que se haviam sentado àquela mesa, em idêntica noite, quantos tinham partido para não voltarem mais! Quantas lacunas dentro dos últimos anos! Dentro de alguns anos mais, quantas outras!
Se havia, como quase sempre sucede, um filho, um neto, um irmão ausente, era em volta da recordação dele que se agrupavam e fixavam esses vagos cuidados dispersos. A mágoa do passado, a incerteza do futuro, acabava por aparecer a cada um sob a figura aventurosa do viajante intrépido ou do trabalhador vigoroso que celebrava aquela noite num país longínquo ou nas águas do mar.
E esse amado ausente era o conviva que cada um sentia mais perto, a essa mesa, junto do seu coração. Não nos tinham explicado suficientemente que o louro menino Jesus que nos sorria no seu bercinho, tão descuidado, tão alegre, no meio do esplendor dos círios e do perfume das violetas, era o mesmo Deus Só nós, as crianças, é que gozávamos nesta festa uma alegria imperturbável e perfeita, porque não tínhamos a compreensão amarga da saudade nem as preocupações do futuro. Para nós tudo na vida tinha o carácter imutável e eterno. O destino aparecia-nos ridentemente fixado, como no musgo as alegres figuras do presépio. Supúnhamos que seriam eternamente lisas as faces de nossa mãe, eternamente negro o bigode de nosso pai, eternamente resignada e compadecida a decrépita figura de nossa avó, toucada nas suas rendas pretas, no fundo da grande poltrona.
Não tínhamos compreendido ainda todo o sentido do Natal. Não nos haviam explicado descarnado e lívido, coroado de espinhos, alanceado no coração, pregado na cruz e exposto no altar. Repugnar-nos-ia acreditar, se então no-lo dissessem, que o terno e suave bambino de presépio, cercado de amores, de cânticos, de festas, de dádivas, de bonitos, cheio de carícias e de beijos, teria um dia de ser um mártir, um herói, um Deus, mas que para isso haveriam de o perseguir como um rebelde, de o torturar como um criminoso, de o justiçar como um bandido, que ele teria de ser esbofeteado, azorragado, traído, que receberia o beijo de Judas, que seria preso entre os seus discípulos no jardim das Oliveiras, qua mandaria embainhar a espada de Pedro para beber o cálice da amargura, que seria levado de Caifás para Pilatos, que seria condenado, que lhe poriam a coroa de espinhos, que o fariam subir o Calvário sob o peso da cruz, que finalmente o crucificariam entre os dois ladrões aos olhos da sua própria mãe.
Não, a vida não é uma festa permanente e imóvel, é uma evolução constante e rude. O Natal é a festa das lágrimas para todos aqueles para quem ele não é a festa da inexperiência. E todavia pensavam alguns que era útil não deixar de a celebrar. Que importa que o número ou que o nome dos convivas varie em cada ano? Que importa que alguns amados velhos faltem ao banquete? Que importa que nós mesmos faltemos para o ano que vem na festa dos mais novos?
Esta noite de alegria para as crianças será sempre de alguma saudade para os adultos. Assim teremos a esperança terna de sobreviver, por algum tempo, na lembrança dos que amamos – uma boa vez ao menos – de ano a ano.”
(Ramalho Ortigão - As Farpas – Vol. I - O Natal minhoto pág. 71)
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Evangelho segundo São João 1,1-18.
No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio dele e sem Ele nada foi feito. Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho dele, exclamando: «Era deste que eu dizia: "O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim"». Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.
Palavra da Salvação
Não nos dias de cheias, em dias como hoje, que ora chove sem grande intensidade, ora faz Sol, talvez se consiga ter uma ideia mais clara do que pretendo dizer quando digo que votarei no presidente de câmara que me prometer, de forma a que eu acredite, que a sua prioridade é manter as sarjetas a funcionar impecavelmente.
Em dias como este, é muito fácil encontrar sarjetas que até foram bem projectadas, mas que uma pequena obra posterior, com um mau acabamento, acaba de prejudicar a sua função, é fácil encontrar sarjetas que simplesmente estão bloqueadas com folhas ou lixo e, aqui e ali, sarjetas que não fazem bem a sua função porque foram mal planeadas.
O essencial não são os pequenos incómodos que isso gera, o essencial é que isso traduz de falta de atenção e rigor na gestão do espaço público.
O post, na verdade, até nem seria sobre isso, que é uma mera manifestação de um problema mais fundo, os efeitos deletérios que o enfraquecimento da autoridade e presença do Estado estão a ter, sem que os partidos centrais proponham soluções. O Chega tem proposto soluções irrealistas e, nesse sentido, também não tem soluções.
Diga-se que há uma boa razão para que ninguém tenha soluções, é que é muito difícil, complicado e caro reparar o erro de estarmos há muitos anos a retrair o investimento do Estado em matéria de segurança.
Os primeiros a sentir foram os produtores agrícolas, agricultores, pastores e etc., que há muitos anos são vítimas da ausência da segurança garantida pelo Estado e vêm animais, cortiça, azeitonas, equipamentos, combustíveis, metais, etc., serem roubados das suas propriedades. A situação é táo grave e tão evidentemente conhecida do Estado, que o Estado, por exemplo, regulamentou a apanha de pinhas para facilitar a fiscalização dos roubos, em vez de reforçar a presença da polícia no território.
Mas para quem é pouco sensível ao verdadeiro faroeste que caracteriza o mundo rural actualmente, pode ver o mesmo efeito no trânsito das grandes cidades, em que a quase ausência da polícia, potenciada pela entrada de um grande grupo de condutores com uma cultura rodoviária bem diferente, tem levado à desvalorização das regras com o progressivo aumento do risco rodoviário (cheio de manobras perigosas) e a progressiva diminuição da fluidez (um bom exemplo é o efeito absolutamente absurdo que o desrespeito das zonas amarelas dos cruzamentos têm vindo a gerar).
Por mim, não percebo por que razão um autocarro de um clube de futebol circula pela cidade com escolta policial, a mandar parar os outros condutores independemente da cor dos semáforos, ao mesmo tempo que não há polícia para forçar o respeito por regras básicas de trânsito.
Suspeito que seja porque uns pagam (os clubes de futebol) e outros (os contribuintes nem por isso), acabando para distorcer a disponibilidade da polícia, migrando-a do serviços a todos (e, consequentemente, os mais pobres) parao serviço a quem paga.
Provavelmente isso implica acabar com os gratificados, o que implica pagar convenientemente aos polícias e respeitar a sua função.
Só que isso não se faz com proclamações bombásticas sobre a autoridade da polícia, faz-se com mais polícia, melhor polícia e melhor gestão, tudo coisas manifestamente caras e, de maneira geral, impopulares no Orçamento de Estado (a popularidade da polícia só existe quando as vítimas somos nós).
Não admira que nenhum partido tenha uma política séria para o problema, é que para haver recursos para isto, seria preciso que o Estado deixasse de os gastar em companhias de aviação, empresas de transportes, televisões, agências noticiosas e ineficiência, muito ineficiência, em serviços fundamentais.
E para isso há pouco políticos disponíveis.
Pedro Adão e Silva tem um percurso de membro do PS, e depois ex-membro do PS em união de facto com o PS, que o levou a Ministro de António Costa.
Escreve habitualmente em jornais traduzindo fielmente os pontos de vista dos donos do regime, isto é, a elite do PS (ocasionalmente, quando não tem mais assunto, faz uns textos mais culturais, na linha da cultura do regime).
De há tempos para cá, como compete a um dos donos do regime que sente a erosão da sua influência (os seus amigos ocupam menos o poder, condicionam menos o espaço público e têm menos recursos para distribuir), malha em Montenegro, por causa da Spinumviva, não tendo o menor pudor em misturar mentiras, meias verdades (que continuam a ser mentiras, na verdade a verdade não se pode servir pela metade) e factos, desde que isso seja útil para manter a sua tese, a tese de que Montenegro perdeu legitimidade ao deitar fora o mais precioso activo de um primeiro ministro, a sua santidade ética (curiosamente, a santidade e a ética são coisas muito pouco relacionadas, mas Pedro parece não fazer ideia disso porque não entende que seja a caridade, e não a pureza ética, a base da santidade).
Falemos então da ética do primeiro ministro, não do actual, mas daquele a quem Pedro Adão e Silva serviu como ministro.
Não vale a pena recuar mais para trás, comecemos pelo facto de António Costa ter estado anos a debitar como comentador político na televisão em que o seu irmão era um dos mais poderosos. Eu nunca o faria, essa é a minha ética, mas não vale a pena tentar impor a ética pessoal a terceiros, a ética, por definição, é um juízo pessoal (caro Pedro, uma sugestão, leia o exemplo de João César das Neves no seu livro sobre ética empresarial, que refere o dilema ético do empresário que tem 200 famílias a cargo, tem a empresa à beira da falência, mas pode salvá-la se ganhar um projecto, o que implica subornar alguém, isto é, entrar num esquema de corrupção e depois diga-me se há solução que não seja a avaliação ética e pessoal do peso relativo que cada um dos dois bens - honrar o compromisso que o liga a essas 200 famílias ou honrar o seu princípio de jamais corromper alguém).
Durante esse tempo, António Costa ganhava mais como comentador que como presidente de câmara em exclusividade de funções, apesar do seu ordenado de presidente ser aumentado por estar em exclusividade de funções. Eu nunca estaria em exclusividade de funções nestas circunstâncias, mas António Costa serviu-se de um esquema manhoso (facturava como direitos de autor o pagamento da sua prestação de serviços a um canal de televisão em que o irmão tinha forte influência) que lhe permitia estar em exclusividade de funções, ao mesmo tempo que recebia um segundo ordenado maior que o primeiro (nem discuto as implicações fiscais dessa manhosice).
Mais tarde chega a Secretário-geral do PS. Usando métodos eticamente irrepreensíveis? Não, traindo pela calada um camarada de partido, através de uma aliança com o grupo de apoio do mais duvidoso (não, não apenas pelo fumo de corrupção, mas pela responsabilidade política na irresponsabilidade financeira que levou milhares de pessoas ao desespero mais tarde) secretário-geral que o PS tinha tido até então. Eu nunca o faria, mas recuso-me a cobrar a António Costa o facto de ter uma ética diferente da minha.
Uma vez chegado a Secretário-Geral do PS, conseguiu ser primeiro ministro. Porque explicou aos eleitores ao que vinha e teve o seu apoio? Não, porque quando se apercebeu que ia perder as eleições, como efectivamente perdeu, trabalhou afincadamente uma coligação de perdedores que nunca tinha defendido (pelo contrário, no tal programa de comentário político defendeu, com todas as letras, que PS e PSD deveriam trabalhar a estabilidade fazendo um pacto de viabilização dos respectivos governos minoritários, formados por quem ficasse em primeiro nas eleições). Mais do que nunca ter defendido publicamente o que veio a fazer, fez questão de esconder essa possibilidade dos eleitores, ao ponto de usar o habitual fretismo do Expresso (não sei se já disse que o irmão era uma pessoa influente no grupo de média do jornal) para passar a uma jornalista que essa era a sua intenção, prevenindo-a de que se a jornalista o identificasse como fonte da informação, ele desmentiria, portanto poderia publicar o seu plano para formar uma coligação de perdedores, desde que omitisse a fonte da informação.
E foi assim, com esta lisura ética e transparência, que o seu primeiro ministro, o primeiro ministro de quem aceitou ser ministro, conseguiu formar um governo que usou como trampolim para uma reforma dourada.
É por isso, caro Pedro, que as suas (e de muitos outros que partilham esse lugar de fala de privilégio e propriedade do regime) crónicas sobre a ética de Montenegro são tão ridículas, a sinalização de virtude com este histórico público e reconhecido, são tão ridículas como as cartas de amor e, já agora, é também pelo silêncio da generalidade da bolha mediática sobre percursos éticos deste tipo que são ridículas as exigências de transparência da actividade empresarial de candidatos seja ao que for: com a ética dominante na política e nos jornais, é hilariante a exigência de transparência noutras actividades a que qualquer pessoa se pode dedicar, antes, depois e durante a sua actividade política.
E é esta rapsódia ética, cinicamente cultivada pelos donos do regime, que tem alimentado o crescimento dos populismos vários que vão medrando à sombra dessa flexibilidade de critérios necessária à permanente sinalização de virtude que sustenta o regime.
Boa sorte, quanto aos resultados que daí virão.

O ano está no fim. Um outro ano em que me senti humilhado pelo "pensamento" ético-republicano e as suas enormidades proferidas. Ou seja, com o cada vez mais usual dislate com que falam da I República, da Ditadura (ou "Estado Novo") e da III República, para concluirem, afinal, que houve duas Repúblicas e, de permeio, a "longa noite do fascismo". A Imprensa é poderosa e a enganosa mensagem vai passando, aos pontapés nas pessoas e na aritmética...
Portanto, repondo a verdade, de 1910 a 1926 foi a vigência da I República, sob a batuta da Constituição de 1911; o mais absoluto desconchavo parlamentar, o homicídio impune e os milhares de portugueses mortos numa guerra que não era deles. De então até 1974, arrastou-se a II República, autocrática, salazarista, persecutória, colonialista ex tempore e suportada pela Constituição de 1933 que nos dizia um "Estado corporativo" (deturpada noção das ideias do Integralismo Lusitano). Finalmente, depois do 25 de Abril, a III República, dita democrática, mas essencialmente um regime partidocrata e plutocrata, cuja lei suprema é a Constituição de 1976 e, sendo já a mais idosa, acarreta consigo a Nação no descalabro que sabemos.
Há muito venho referindo a superveniência de uma IV República. Algo que, dado o actual enquadramento parlamentar, é agitado como um papão. A IV República, advindo, só poderá ser um regime (transitório) onde os portugueses terão voz activa e definirão o seu futuro. Uma fase, em suma, onde a questão de regime será suscitada e discutida sem demagogias.
O que hoje é impossível por razões múltiplas, entre as quais a passividade dos monárquicos. E a tremenda e cissiante ideologização da História estudada, o grande mal actual a combater.
É o que espero aconteça. Que os dados do estudo não sejam viciados. E que haja estudiosos.
Entretanto... Ainda irei ver se restam umas perdizes por aí. Donde, hoje mesmo, os meus votos sinceros e amigos que a todos (mesmo aos "éticos") endereço de um Santo e Feliz Natal, com a Fé enorme num futuro muito melhor.
Um abraço!
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.
Palavra da salvação.
Imagem - O sonho de São José, Luca Giordano - 1626
"A euforia que Luís Montenegro não conseguiu esconder depois da decisão do Ministério Público diz tudo. Prova a gravidade do caso Spinumviva, porque de outra maneira não haveria razão para tanto alívio".
É assim que começa uma crónica de Rui Ramos.
Quando é Rui Ramos a achar normal esta frase, não há grandes razões para ter esperança.
É verdade que Rui Ramos resolveu cavalgar forte e feio o caso Spinumviva, penso que como instrumento para forçar uma alteração no PSD que permitisse materializar um governo de maioria com o Chega, condição que Rui Ramos considera indispensável para reformar Portugal.
Compreendo portanto que tenha dificuldade de, em algum momento da sua vida, admitir que se enganou na análise do caso (que, diga-se, sempre foi fraquíssima e sem qualquer base factual minimamente racional) e portanto acabe a adoptar o comportamento de Ana Gomes e muitas outras pesssoas ligadas ao PS e ao resto da esquerda, incluindo muito jornalistas, que consiste em manter razões obscuras para tentar manter no ar um balão furado.
Daí a argumentar que a satisfação de alguém se ver ilibado de acusações graves só pode demonstrar que as acusações são verdadeiras, porque um inocente não fica satisfeito com o facto de se ver livre de acusações injustas, vai, apesar de tudo, um fosso da dimensão da fossa das marianas.
Que Pedro Adão e Silva persista em contar mentiras sobre o caso (algumas infantilmente evidentes, como a de dizer que na primeira intervenção de Luís Montenegro sobre o assunto, que foi na Assembleia da República e está integral e facilmente discponível, Montenegro disse que a empresa era para gerir umas leiras herdadas, quando nessa intervenção a descrição de toda a actividade da empresa é clara e inclui as prestações de serviços), é da natureza das coisas, trata-se de um antigo ministro de António Costa que acha isso não lhe retira credibilidade para discutir a dimensão ética de Montenegro.
Agora quando é Rui Ramos a desenvolver a tese de que a demonstração, pela justiça, de que não se passou nada de ilícito é irrelevante face à alegria que Montenegro demonstra por ter sido ilibado que, essa sim, a alegria de Montenegro, demonstra a sua culpa, caramba, a mim parece-me uma espécie de actualização do ordálio, coisa que não esperava ver em Rui Ramos.
Circula pelas redes sociais um ‘post’ do Chega em que o André Ventura afirma em letras garrafais (e podia ser de outro modo?) que “Cancelar as fotos ou as luzes de Natal para ser ‘inclusivo’ com os imigrantes de outras regiões é um disparate e uma traição à nossa identidade.” Pois, definitivamente os imigrantes não gostam nada de luzinhas, e menos ainda de fotos, esse símbolo da decadência ocidental. Ocidente esse que enche as suas praças e avenidas de 'luzinhas' a piscar sem uma única menção ao Natal ou a Jesus Cristo.
Até parece que André Ventura evita falar do Presépio e do nascimento do Salvador para não ofender os seus correligionários ateus ou a laicidade do Estado...

Há que dizer, não assisti à entrevista televisiva de Ana Gomes, ontem tão propalada. Mais altos valores se alevantavam, quais fossem eles o jogo do F. C. do Porto e do meu (do coração) F. C. de Famalicão, para a Taça Nacional. Isso sim, coisa importante, a razão de uma equipa minhota posta diante do Campeão nortenho. Perdemos... Já é um hábito perder... tudo menos a razão e o dito coração.
Mas de antemão se sabia que Ana Gomes (que estranhas razão e coração) não se daria por vencida. Hoje, nas minhas fugazes passagens pela Internet, isso mesmo confirmei. Ana Gomes disparou para todo o lado e foi jurisprudenciando sobre a magistratura europeia e nacional. Onde o fascismo, infelizmente, não a quer a inquirir e julgar.
O tema é conhecido. Houve uma averiguação prévia sobre as actividades da tal Spinunvivus. Sem obrigatoriedades e contando somente com a abertura do(s) averiguado(s). É a tal questão do "ónus da prova": o contemplado (neste caso, Montenegro) facultaria o que lhe aprovesse e, face aos elementos recolhidos, o MP avançaria, ou não, para um eventual inquérito.
Ao que se sabe. Montenegro abriu as portas da casa. - Espreitem tudo - terá dito. E do tudo saiu nada. Assunto arrumado.
É óbvio, a Esquerda (realço, no entanto, as palavras mais amáveis do Livre) apressou-se a retirar a questão do plano judicial e a colocá-lo na órbita política. A Esquerda tem sempre razão e o Chega, seu ocasional parceiro, também.
Os portugueses, de caminho, já nem sabem do que está sendo falado. Não incumbido nem detentor de mandato do 1º Ministro, gosto das conclusões da dita averiguação. Para o bem ou para o mal, quero Montenegro na chefia do Governo. Desde logo porque sim; depois porque acredito, na actual conformação partidária, com alguma sageza ele chegará onde quer.
A questão resume-se a saber se ele quer chegar onde deve. O julgamento da sua governança terá o seu momento nas eleições sequentes. Assim Montenegro, contra ventos e marés, se revele um reformista. Um verdadeiro social-democrata.
Este País, este tão cinzento País político, ainda poderá despertar e colorir-se. Aposto no Governo. Ainda não sei como publicamente silenciar todas as suas Anas Gomesssssss. No cimo dos montes, onde elas viperam, é de paulada na cabeça.
Fernando Alexandre fez uma boa intervenção, sobre o que parecem ser boas decisões e fez uma coisa politicamente corajosa que é rara: assumiu que preferia uma solução diferente, reconheceu as dificuldades dessa solução, razão pela qual entendia que só faria sentido tomá-la se houvesse um grande apoio em quem tinha de a executar, mas os que teriam de a executar preferiam outra solução.
Começo por dizer que nem que Fernando Alexandre tivesse o melhor comunicador do mundo teria podido desenhar uma estratégia de comunicação que, racional e voluntariamente, tivesse o êxito que este episódio teve do ponto de vista comunicacional, conseguindo passar para todo o país um conjunto de ideias que, o mais provável, era terem ficado na sala em que foram expostas e depois condicionar decisões futuras.
O estrondoso êxito comunicacional que Fernando Alexandre conseguiu tem duas componentes essenciais.
A primeira, que dependeu dele e de quem trabalha com ele, é que o que pretendia comunicar tinha substância, era sólido (eu até discordo da lógica excessivamente estatista proposta, no plano das ideias, mas tenho dúvidas suficientes para achar que até poderá ser que ele tenha razão, e não eu) e foi comunicado num discurso bastante claro (se tinha a qualidade discursiva de, por exemplo, Salazar? Não, não tinha).
A segunda componente não dependeu dele, mas de opções de comunicação de uma imprensa indigente que foram cavalgadas por adversários políticos que escolheram uma estratégia de comunicação suicidária: deturpar a realidade, torturando o discurso até que ele dissesse o que queriam que ele dissesse (cito Miguel Araújo para caracterizar a coisa, "O argumento do espantalho (ou falácia do espantalho) consiste em deturpar, exagerar ou distorcer o argumento real do interlocutor para o tornar mais fácil de atacar. Em vez de responder à questão efectivamente colocada, refuta-se uma versão enfraquecida e fabricada do argumento".
Essencialmente, deu-se destaque a isto:
"aquilo que nós fazemos no Ensino Superior é não misturar, é pôr nas residências universitárias os estudantes dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos e por isso também já agora é que depois elas se degradam, é por isso que elas depois se degradam, é por isso que elas depois não são cuidadas e é por isso que eu devo-vos dizer, eu pedi ao CNIPES essa reflexão e essas ações, mas confesso que eu não estou nada otimista, nada, porque quando nós metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais baixos a beneficiar do serviço público nós sabemos que esse serviço público se deteriora, é assim nos hospitais, é assim nas escolas públicas, nós sabemos que é assim. E por isso que aquilo que nós vemos nas residências e que eu - espero enganar-me -, mas que provavelmente vai continuar a acontecer, é que nós vamos ter residências todas renovadas que daqui a cinco anos vão começar a degradar."
O que é relevante neste destaque, na verdade, não é o que está transcrito, o que é verdadeiramente relevante é que este é o miolo de um parágrafo ao qual se retirou o início e o fim, exactamente porque esse princípio e fim impedem a leitura do miolo que se pretendeu fazer.
"E para a mobilidade social, que eu gosto muito de falar, se há coisa mais importante e é por isso que eu sou um grande defensor da Escola Pública, se há coisa que é importante para a mobilidade social e para a democracia é a mistura de extratos sociais e aquilo que nós fazemos no Ensino Superior é não misturar, é pôr nas residências universitárias os estudantes dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos e por isso também já agora é que depois elas se degradam, é por isso que elas depois se degradam, é por isso que elas depois não são cuidadas e é por isso que eu devo-vos dizer, eu pedi ao CNIPES essa reflexão e essas ações, mas confesso que eu não estou nada otimista, nada, porque quando nós metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais baixos a beneficiar do serviço público nós sabemos que esse serviço público se deteriora, é assim nos hospitais, é assim nas escolas públicas, nós sabemos que é assim. E por isso que aquilo que nós vemos nas residências e que eu - espero enganar-me -, mas que provavelmente vai continuar a acontecer, é que nós vamos ter residências todas renovadas que daqui a cinco anos vão começar a degradar. Eu espero que não, mas isso vai ser preciso um esforço muito grande, a reinvenção por parte dos gestores dos serviços sociais, das universidades e dos politécnicos, porque aquele elemento que verdadeiramente faz a diferença, que é nós termos os diferentes estratos socioeconómicos a beneficiar do serviço público, aqui não vai existir, não vai continuar a existir."
A opção comunicacional da oposição de esquerda é tão absurda que acabou com dezenas de pessoas da esquerda democrática a criticar uma ideia claramente social-democrata (os serviços públicos tem de ser de acesso universal gratuito porque orientá-los apenas para os pobres tem um efeito de estigmatização dos utilizadores e resultam em maus serviços públicos), com o argumento de que era uma ideia de direita que ofende os mais pobres.
Eu, por acaso, acho que os social-democratas estão errados nesta ideia, ou melhor, estando de acordo com o diagnóstico de que desenvolver serviços públicos para os mais pobres (ou sob condição de recurso) resulta em maus serviços públicos, discordo da solução de os generalizar a todos, preferindo a solução de deixar a prestação dos serviços aos privados, financiando o Estado o acesso dos que não têm dinheiro para os pagar.
Só que a questão aqui não é eu concordar ou não com o Ministro, que já disse acima que nem por isso, o que é verdadeiramente relevante é que a opção de comunicação da oposição que consiste em aproveitar a indigência do jornalismo para usar a falácia do espantalho, rende, no médio e longo prazo, muito menos que a opção do ministro apresentar argumentos sólidos para as opções que tem vindo a fazer.
Já agora, marginalmente, talvez fosse útil que, neste tipo de situações, os profissionais de comunicação não se entretivessem a medir a distância entre a comunicação real e a comunicação perfeita e insistissem que a boa fé é uma condição imprescindível de comunicação, pelo que, quando o receptor não está de boa fé, não há técnica de comunicação que valha para evitar o conflito.
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Realiza-se hoje, quinta-feira, no Palácio da Ajuda pelas 18:30, o lançamento da Fotobiografia de Dom Duarte de Bragança “Ao serviço dos portugueses”. Em modo de homenagem, a apresentação, contará com a presença da Família Real, estando a apresentação da obra a cargo do Professor José Miguel Sardica.
Este elegante livro da autoria de Vasco Medeiros Rosa, relata com profusas imagens o percurso de vida do Chefe da Casa Real Portuguesa, e conta com prefácio de S.A.R. D. Isabel de Bragança.
O livro estará à venda no local ou poderá ser adquirido aqui.
Estamos todos convidados!
Um dos meus irmãos sempre insistiu comigo que não se pode pedir a uma pessoa mais do que aquilo que pode dar mas, reconhecendo eu a sageza, acho que nunca aprendi e continuo a esperar de pessoas e instituições mais que o que podem dar, razão pela qual continuo a escrever sobre jornalismo e outras quimeras.
Desta vez foi o ministro da educação (cuja história de vida basta conhecer para reconhecer a estupidez de tudo o que foi dito ontem sobre umas declarações normais que fez) que fez umas declarações dizendo uma coisa que é séria e que o país deveria levar a sério.
A propósito de residências universitárias, falou da dualidade social do país que é acentuada e prejudica os mais pobres sempre que das regras que temos resultam uma segregação social na prestação de serviços públicos.
Referiu ainda o efeito de retorno negativo sobre os próprios serviços públicos, que se degradam de cada vez que os seus beneficiários são apenas os mais pobres e frágeis, isto é, os que menos têm voz para exigir do Estado o que lhes é devido.
Quem quiser saber o que realmente disse o ministro, não se fie no jornalismo, vá directamente à fonte.
Dizem jornalistas que as declarações podem induzir uma leitura assim e assado.
Eu não acho que possam induzir a leitura que a imprensa, e a bolha política interessada, pretende que seja possível fazer, mas isso é irrelevante, o relevante é saber o que realmente o ministro disse e queria dizer, e não se uma interpretação criativa pode andar à procura de significados terceiros no que é dito.
O papel do jornalismo é exactamente ir à procura do que disse e quiz dizer o ministro, não é dar asas à imaginação para pôr o ministro a dizer o que não disse nem quiz dizer, baseando-se em possibilidades teóricas de interpretação da literalidade do que foi dito.
O que seria normal era haver pelo menos meia dúzia de jornalistas com liberdade e isenção suficiente para dizer que as reacções de vários partidos, do PS ao Chega, passando pela extrema esquerda (ou a esquerda da esquerda para não ferir susceptibilidades) são de enorme estupidez ou má-fé, sendo a terceira possibilidade, a que me parece mais provável, as duas coisas ao mesmo tempo.
Ide em paz, e que o Senhor vos acompanhe.
"Package salarial de um médico no privado = Base + Comissão por consulta/operação + Comissão por exames prescritos. Existe um claro incentivo a operar e consultar e a prescrever, nem sempre coincidente com o interesse do doente - que deveria ser o norte da conduta profissional do médico".
Na falta de argumentos substanciais, repetem-se vezes sem conta raciocínios lógicos e falácias, jamais deixando que os factos influenciem as opiniões.
Em Portugal os cuidados de saúde são assegurados universalmente de forma tendencialmente gratuita, a toda a gente.
Ao mesmo tempo mais de 4 milhões de pessoas têm um seguro de saúde e mais de 50% têm dupla cobertura de saúde.
Para os estatistas, o facto de alguém que tem acesso aos melhores cuidados de saúde de borla estar disponível para, ao mesmo tempo, pagar para ter outros cuidados de saúde que não estão alinhados com os seus interesses, é irrelevante, porque os estatistas sabem muito bem o que é melhor para mim, ao contrário de mim que não faço ideia do que será melhor para mim.
É por isso que vamos continuar nesta situação em que estamos à espera do comboio na paragem do autocarro, situação que nada tem de estranho se decidirmos ignorar a realidade.
Chamaram-me a atenção para o facto de haver uma dissociação relevante entre o que se decide enquanto eleitor e o que se decide enquanto consumidor, isto é, votamos a favor de mais direitos para os trabalhadores, mais regulamentação ambiental, comércio mais justo, mas compramos na loja do chinês que é mais barato.
Achei esta ideia muito útil para voltar a discutir a utilidade de esperar o comboio na paragem do autocarro.
Lembremos o contexto: fiz um post que é uma crónica de uma consulta médica, crónica essa que se centra no efeito que pode ter o sub-investimento no suporte informático na produtividade de um médico, lembrando eu que num sistema que não é orientado para o lucro e para a eficiência de processos que o optimiza, é mais provável que as decisões dos gestores sejam sub-óptimas para médico e doente, porque na verdade os gestores estão a responder a incentivos que apontam para a eficiência na captação de eleitores ou, pelo menos, de favor mediático.
Sem surpresa, as principais críticas ao que escrevi dividem-se em duas posições ideológicas que não acrescentam nada ao que escrevi.
Uns acham que estou a falar do mau atendimento proporcionado pelos serviços do Estado para justificar as suas tinetas de que tudo o que se faz no Estado é inútil e errado.
Outros contestam uma simples constatação dos efeitos do desfasamento entre interesses de utilizadores de um serviço e decisores de alocação de recursos como um ataque ao Estado, recorrendo à habitual falácia de apontar os problemas que existem nos mercados como demonstração de que o melhor é estatizar a interacção entre as pessoas (a economia é só isso, interacção entre pessoas) como forma de optimizar resultados sociais, porque os mercados não são perfeitos, sem perderem um segundo na demonstração de que, em geral, o Estado toma decisões mais eficientes na alocação de recursos que os mercados.
É aqui que me parece útil retomar a ideia de que tratamos o voto e a compra de forma diferente, não porque somos hipócritas, mas porque o voto não tem custos, no sentido em que não é evidente que dispor dos meus recursos eleitorais para apoiar A implica restrições em B, mas a compra implica sempre uma escolha de afectação de recursos que facilmente reconhece que essa escolha implica restrições decorrentes de outra escolha potencial.
A legislação laboral, em que optar por segurança para o trabalhador pode significar rigidez para o empresário, acabando os dois prejudicados, ou as opções de saúde, em que recusar a lógica do lucro pode significar afectação ineficiente dos recursos disponíveis, acabando toda a gente prejudicada (é extraordinária a forma infantil como a demonstração feita pelas PPP tem sido tratada pela imprensa ao ponto de António Costa achar boa ideia acabar com elas, sabendo perfeitamente que estava a prejudicar doentes e profissionais de saúde para ganhar o apoio da esquerda radical que lhe fazia falta para formar a coligação de perdedores de eleições que apoiaria um governo seu), são bons exemplos de como o abandono do reconhecimento da eficiência na alocação dos recursos induzida pelo interesse do investidor pode levar os eleitores a fazer escolhas com elevado potencial de prejuízo próprio, de que manifestamente não têm consciência.
Ao contrário do que acontece na decisão de compra, em que a opção pelo mais barato, ou por outro critério qualquer de compra, implica uma clara consciência de que os recursos gastos na primeira compra deixam de estar disponíveis para outra compra.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
Candidate-se, ganhe as eleições com esse programa ...
O que é que sabe sobre o assunto?
O autor fala de "reformas estruturais dolorosas" c...
António José Seguro parece á evidência, o candidat...
> entre estes dois socialistas, qual"it's not a...