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Crónicas de resistência

por henrique pereira dos santos, em 21.05.22

Estive, na semana passada, no lançamento do livro do João Távora que tem tido aqui no blog várias referências.

Depois disso li-o, com proveito.

Será bom, para quem o leia, estar atento ao sub-título, é um livro de crónicas, não é um livro de história, embora sejam crónicas históricas.

E, desse ponto de vista, é um livro que vale a pena.

Tenho ideia de que no prefácio o meu cunhado Carlos (fica feita a declaração de interesses, Portugal é muito pequenino) diz que não é habitual termos o ponto  de vista das classes dominantes e, sem bem percebi a ideia, estou de acordo com ela, embora não exactamente com a forma como é descrita a ideia.

Parece-me que a história é, por definição, o ponto de vista dos vencedores, ou seja, dos que estiveram do lado certo da história, sendo o lado certo uma categoria literal - os que ganharam e se tornaram dominantes - e não uma  categoria moral, o lado do bem.

O que me parece mais interessante no livro, e é assim que leio a tal passagem do prefácio, é mesmo que estas crónicas da história são feitas a partir do ponto de vista dos que estiveram sempre, sempre, do lado errado da história, no sentido do lado que perdeu sempre, independentemente da sua eventual razão.

E mais interessante ainda é o facto destes perdedores saberem que são perdedores, que provavelmente serão perdedores no futuro e, ainda assim, persistirem no "erro", porque aquilo que entendem representar é mais do que aquilo que são.

Já nos anexos do livro, aparece a chave de leitura, que aliás João Távora refere na conversa que ocorreu no lançamento do livro: "A minha situação financeira no momento permitia-nos ausentarmo-nos de Portugal por algum tempo, pois tinha uma determinada quantia em ouro num banco. É verdade que se o movimento [se] gorasse ou demorasse muito ver-nos-íamos em sérios embaraços seguidos fatalmente da ruína total. Se ficássemos, porém, a ruína viria igualmente, embora mais demorada, pois o meu rendimento não me chegava de maneira nenhuma para viver, e como estavam as coisas públicas não via maneira de o aumentar de maneira nenhuma. A ter der cair na miséria, antes fazê-lo com honra".

Por coincidência, foi no mesmo dia em que li esta parte do livro que apareceu nos jornais a notícia de um estudo sobre os jogadores de raspadinha, maioritariamente dos estratos mais pobres, e que gastam rios de dinheiro neste jogo de azar, fazendo de Portugal, de longe, o país da Europa em que mais se gasta, per capita, neste jogo.

Será eventualmente absurdo, mas para mim foi imediata a semelhança de atitudes, quer das elites, quer do povo, depositando todas as suas esperanças num futuro melhor na roda da fortuna, como se apenas as circunstâncias definissem o futuro, independentemente dos esforços individuais, um bom indicador de como está (e provavelmente sempre esteve, em maior ou menor grau) avariado o elevador social em Portugal.

O que estas crónicas têm de interesse tanto diz respeito a quem gosta de ver a história de vários pontos de vista, como de quem gosta de olhar para o que se passa à sua volta para procurar entender de onde vem e para onde vai o mundo em que vive.

Eu acho que o livro valeu bem os vinte euros que paguei por ele.

Timor 20 anos

por João Távora, em 20.05.22

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S.A.R. Dom Duarte de Bragança acompanhado pela sua filha a Infanta D. Maria Francisca, encontra-se por estes dias em viagem a Dili para as celebrações do XX aniversário da independência a convite do governo timorense, por quem é reconhecido como um dos mais decisivos activistas do direito à autodeterminação daquele povo. De realçar que já em 2011 foi atribuída a SAR pelo parlamento desta jovem nação a nacionalidade timorense por “altos serviços prestados ao país nos momentos mais difíceis em que a luta pela independência não era falada, nem comentada pelos meios de comunicação internacionais.”
 
Fotografia Nuno De Albuquerque Gaspar

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A república do faz-de-conta

por João Távora, em 18.05.22

Para além do transtorno para os clientes, parece não haver qualquer noção do prejuízo para o ambiente que significa uma greve do metropolitano de Lisboa. Os mesmos que fomentam estes conflitos querem acabar com o transporte individual na cidade. Já o ministro Pedro Nuno Santos assobia para o lado, como se não fosse nada com ele.

Cuidado com o que se deseja

por Jose Miguel Roque Martins, em 17.05.22

A oposição ( maioritária) na CML, aprovou um medida que visa diminuir em 10 quilómetros todos os limites de velocidade em Lisboa. Um estudo recentemente vindo a publico (BA&N Research Unit) , vem revelar que não só os lisboetas vão pagar em tempo esta medida, como também vamos aumentar as emissões de Co2. A ser verdade, como pode muito bem ser, para que foi instituída esta medida? Porque só há estudos à posteriori? 

Um grupo de cidadãos escolhidos aleatoriamente em Lisboa, de um pequeno grupo de 2300 cidadãos que se candidataram, empossados enquanto uma experiência de um conselho de cidadãos. Entre outras medidas propostas, destaco a redução em 84% da entrada de carros em Lisboa ( até 2048). Uma medida que a ser assumida, a não haver uma revolução previa no modo de vida e logística, poderá ser um pesadelo para quem viva numa cidade deste tipo, ou até uma hecatombe urbana. 

Políticos ou cidadãos, deviam ter cuidado com o que desejam.

PS: Considero muito interessante a medida de um conselho de cidadãos. Percebo a escolha dentro daqueles que se candidatam. Receio que, com este procedimento de eleição,  o conselho se transforme, em larga medida, num espelho das opiniões de  activistas de causas raras e/ou extremas. 

Mortalidade, covid e jornalismo

por henrique pereira dos santos, em 17.05.22

Mais uma corrida, mais uma viagem.

Ontem o Instituto Nacional de Estatística publicou os dados provisórios sobre as causas de morte em 2020. (aconselho a leitura integral, não se fiquem pelo resumo, apesar dos resumos do INE serem, de maneira geral, bastante bons. Deveriam, aliás, ser estudados nas escolas de jornalismo).

Logo de manhã tinha visto que um jornal fazia a sua grande manchete com a afirmação de que a Covid era a segunda causa de morte em Portugal em 2020, e o Público fez também um destaque a dizer o mesmo, até porque esse é mesmo o destaque que o INE faz.

Só que na notícia sobre o assunto, do Público, aparece um gráfico em que a Covid aparece muito atrás dos maiores grupos de causas de morte.

Entre doenças isoladas, a Covid aparece em segundo, com um pouco mais de metade das mortes por AVC, mas se se agruparem as doenças do aparelho circulatório, as 7 125 mortes Covid (entendidas como "óbitos em que a causa básica de morte, ou seja, a doença que iniciou a cadeia de acontecimentos patológicos que conduziram à morte") já parecem menos impressionantes face às 34 593 deste grupo. O mesmo acontece com as 28 393 mortes por cancros e mesmo as 11 266 mortes por doenças do aparelho respiratório (nas quais não se inclui a Covid).

Uma coisa é fazer uma parangona a dizer que a Covid é a segunda causa de morte no país, outra seria fazer uma parangona dizendo que a Covid foi responsável por 5,8% das mortes no país.

Note-se que 5,8% de mortes no país não é pouco e, mesmo que se optasse por ter em atenção a diminuição de mortes por doenças respiratórias que ocorreu, nomeadamente pneumonias, argumentando que parte das mortes Covid ocorreriam de qualquer maneira com outras doenças, como os dados parecem sugerir, não deixa de ser relevante uma doença responsável por 5,8% das mortes no país.

Estas hipóteses são especialmente relevantes se se tiver em atenção que a idade média da mortalidade Covid é semelhante à idade média global e por outras doenças, o que sugere que a Covid matou essencialmente pessoas que estavam fragilizadas ao ponto de qualquer perturbação poder desencadear "a cadeia de acontecimentos patológicos que conduziram à morte".

Pois bem, para os profetas das novas crenças, nada disso conta.

"Estes dados mostram que a covid-19 não era uma simples gripe e que as medidas [restritivas] fizeram sentido. ... A covid provocou um excesso de mortalidade e pode ainda ter tido um impacto no excesso de mortalidade por outras patologias ... Algumas pessoas com AVC, que precisavam de uma actuação imediata, terão acabado por não ir às urgências ... Entretanto, a vacinação "veio mudar completamente este paradigma, mas não podemos ainda deixar o vírus circular livremente".

Esta argumentação extraordinária assenta numa afirmação sem qualquer base nos dados em causa: "as medidas [restritivas] fizeram sentido".

A gestão da epidemia até pode ter sido a mais adequada possível, mas os dados do INE sobre causas de morte não o confirmam como, pelo contrário, até sugerem que talvez não tenha sido bem assim.

Em primeiro lugar, foi responsável por 5,8% da mortalidade, sendo 64% dessa mortalidade nos meses de Novembro e Dezembro, ou seja, com a forte sazonalidade tradicional da mortalidade do país e sem qualquer relação com as medidas tomadas ao longo do ano.

Em segundo lugar, a Covid parece vir a substituir mortalidade por outras causas, é o que os números sugerem.

Em terceiro lugar, uma pessoa que precisou de assistência e não a teve adequadamente , não é uma consequência da Covid, é uma consequência das medidas tomadas, tanto mais que existe hoje informação bastante sólida que demonstra que a pandemia não veio aumentar a prestação de serviços de saúde mas, pelo contrário, houve uma diminuição da prestação de cuidados de saúde nesse ano.

Em quarto lugar, a idade média da mortalidade covid é semelhante à da mortalidade geral (é, até, ligeiramente superior), o que sugere que a Covid não seria um problema de saúde pública que justificasse as medidas adoptadas, na forma como foram adoptadas.

O que nos leva à ultima frase de Tato Borges: há alguma demonstração de que alguma vez tenhamos tido alguma influência na liberdade do vírus circular?

O facto é que os dados de mortalidade Covid sugerem que não: ou bem que conseguimos gerir a circulação do vírus, e fomos tão incompetentes que a Covid foi a segunda causa de morte; ou bem que (como é provável) não temos grande influência nisso e o melhor é deixarmo-nos dessa fantasia.

A começar por ter os jornalistas a pensar um bocadinho, em vez de telefonarem às pessoas que conhecem.

Soberania alimentar e proteccionismo alimentar

por henrique pereira dos santos, em 16.05.22

Soberania alimentar é o que chamamos à protecção dos mercados internos de alimentos, quando somos nós a fazer, e muita gente acha isso óptimo e uma boa política a adoptar.

Proteccionismo alimentar é o que chamamos à protecção dos mercados internos de alimentos, quando são os outros a fazer (como agora, que a Índia proibiu a exportação de trigo) e muita gente acha isso horrível e um egoísmo intolerável.

"A questão cerealífera: o trigo" é um dos textos mais interessantes que li sobre estes dois assuntos - a nobre soberania alimentar e o execrável proteccionismo alimentar - , muitíssimo bem escrito, muitíssimo bem argumentado, e procurando responder a esta pergunta, que consta tal e qual da tese em causa: “De modo que este país da vinha e da oliveira, das frutas magníficas e das flores preciosas, podendo oferecer nos grandes mercados, com antecedência de bastantes dias, os produtos mais caros e mais raros, de maior procura e consumo, vive agarrado à miséria da sua cultura de cereais. Porque não a abandonará?”.

Uma das coisas interessantes sobre esta tese é a de que é a tese de um académico que está a prestar provas para entrar a Universidade de Coimbra, por volta de 1916, se não me engano, António de Oliveira Salazar, cujo regime, mais tarde, é conhecido por ser responsável pela fortíssima protecção à produção nacional de cereais a que se chamou "Campanha do trigo".

Como de costume, as coisas não são assim tão simples.

A "Campanha do trigo", em grande parte copiando a "Batalha do pão", de Mussolini, não é uma invenção de Salazar, ou do Estado Novo, foi lançada por Linhares de Lima, ainda no tempo da Ditadura Militar que precedeu o Estado Novo, e a tomada de poder por Salazar.

Para complicar, essa campanha do trigo na verdade era uma evolução do que resultou da Lei da Fome, de Elvino de Brito, a legislação proteccionista da cultura de cereais que foi aprovada em 1899 (tinha alguma legislação precedente no mesmo sentido) que é exactamente o objecto da tese de Salazar.

O nome pelo qual ficou popularmente conhecida a legislação de Elvino de Brito é muito esclarecedor: a protecção à produção de cereais nacionais, como forma de combater a entrada de cereais mais baratos vindos do Novo Mundo, resultou, como seria de esperar pela teoria económica, em pão mais caro para os consumidores e ineficiência produtiva por parte do sector.

Salazar é um feroz crítico dessa política - devo dizer que o que mais me espantou na tese de Salazar é o facto da crítica ser, essencialmente, liberal, que é coisa que Salazar nunca foi - e parece ter existido uma tentativa de desmantelar o proteccionismo à lavoura, por parte de Salazar, logo depois da segunda guerra mundial, tentativa que Salazar faz abortar para não perder o apoio da lavoura ao regime.

De uma forma ou de outra, Salazar, o académico, tinha razão: viveríamos muito melhor usando as nossas vantagens para vender caro os nossos produtos no mercado internacional, comprando barato os cereais estrangeiros, em vez de persistirmos na cisma de produzirmos o que comemos.

Um desvio para dizer que quando fiz um doutoramento sobre a evolução da paisagem rural em Portugal, ao longo do século XX, este assunto era tratado e havia um capítulo a que eu queria chamar, ironicamente, o triunfo de Salazar, referindo-me ao académico e ao perído de adesão à União Europeia em que que foi desmantelado, e bem, o que restava do sistema de protecção à produção ineficiente de cereais. Disseram-me que talvez a academia não estivesse preparada para aceitar teses com títulos desses. Ri-me, encolhi os ombros - queria era despachar aquela porcaria - e mudei o nome do capítulo.

Voltando ao assunto, até pode haver quem, perante um cenário de potenciais rupturas de cadeias de abastecimento, pretenda erguer barreiras ao comércio internacional de alimentos (como aliás faz, excessivamente, quer a União Europeia, quer o Estados Unidos, e muitos outros, embora de forma muito mais mitigada do que pretenderiam os fisiocratas que falam de soberania alimentar).

Convém é ter bem presente que a lei da fome não se chamava assim por acaso: o controlo administrativo de preços e as barreiras ao comércio, pagam-se, quase instantaneamente, em escassez e carestia.

O principal fermento das revoluções, como penso ser do conhecimento comum.

Propaganda

por João Távora, em 15.05.22

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Ainda com o coração cheio de tantos e tantos amigos que ontem acorreram ao Palácio da Quinta da Piedade para o lançamento do meu livro Casa de Abrantes, Crónicas de resistência. Com a honrosa presença do Senhor Dom Duarte de Bragança e do Presidenteda Câmara Municipal de Vila Franca de Xira Dr. Fernando Paulo Ferreira, o evento foi animado. O debate sobre a obra foi moderado João Miguel Tavares e nele participaram os meus amigos Carlos Bobone e Francisco Lobo de Vasconcelos. Não tenho palavras para agradecer a todos.
 
Para os potenciais interessados informo que o livro está à venda aqui

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Domingo

por João Távora, em 15.05.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João Quando:

Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».

Palavra da salvação.

Comeentário: Aos discípulos, que não podem ainda segui-l’O na Sua glória, Jesus entrega-lhes, como Seu testamento espiritual, o mandamento novo: amar os homens, nossos irmãos, como Ele os amou, até ao amor do inimigo, até ao dom da vida, até às últimas consequências.
Este amor não é uma simples norma legal. É uma espécie de instituição «sacramental», pela qual se assegura, continuamente a presença de Jesus no meio de nós. Vivido em realidade, é o mesmo amor do Pai, encarnado em Jesus, que através de nós se comunica aos homens. É este amor que torna a Igreja, esta «nova» comunidade de Deus com os homens, uma comunidade distinta de todas as comunidades humanas e um sinal do «mundo novo», onde só se fala uma linguagem – a do amor.

A praia de Castelo Branco

por henrique pereira dos santos, em 14.05.22

Tenho muitas discussões por aí, por passar o tempo a tentar demonstrar o absurdo da argumentação contra coisas de que não gosto: eucaliptos, barragens, estradas, agricultura superintensiva, urbanizações mal amanhadas, etc..

É que uma coisa é eu gostar, ou não, de uma coisa, outra coisa é achar que, por eu não gostar de uma coisa, todo o tipo de argumentação é válido para impedir essa coisa, independentemente de ser verdadeira ou falsa, ter em conta, ou não, os diferentes interesses, avaliar se as alternativas são piores, ou não, e coisas que tal.

É uma actividade estúpida da minha parte porque não ganho nada com essas discussões e só arranjo conflitos, mas nasci com esta panca cartesiana e a irracionalidade numa discussão é uma coisa que me incomoda muito.

A verdade é que a maioria destas discussões seguem um padrão que as tornam surrealistas: alguém defende que era muito melhor que Castelo Branco tivesse uma praia oceânica.

Eu argumento que Castelo Branco está relativamente longe do mar (aliás, essa é uma das razões pelas quais eu defendo, há muitos anos, que a capital do país deveria mudar para lá).

A partir daí, o dito alguém descreve-me as vantagens para o turismo que viriam de Castelo Branco ter uma praia oceânica, de como isso iria contrariar os efeitos económicos e sociais da interioridade de Castelo Branco, de como seriam mais bonitos e variados os pores do sol em Castelo Branco, de como isso facilitaria a mobilidade, que como se poderia investir na energia das ondas para aumentar o uso de energias renováveis em Castelo Branco, etc., etc., etc..

A cada novo argumento, eu respondo dizendo que não é possível haver uma praia oceânica em Castelo Branco nos próximos milhares de anos.

Os que ainda ouvem os meus argumentos, talvez me respondam que eu tenho vistas curtas, o futuro está por inventar e podemos trocar-lhe as voltas, que o mundo ainda é uma criança.

Os outros, a larga maioria, ignora simplesmente a impossibilidade do que propoem, continuando a argumentar sobre as vantagens associadas a um mundo impossível que defendem que seria bem melhor que o mundo actual (coisa que não contesto, não tenho dúvidas de que seria um mundo melhor, o único problema advém do pequeno pormenor de ser um mundo impossível, claro).

Espero que antes de chegar aos setenta anos me consiga convencer de que não vale a pena argumentar contra a grandeza de mundos imaginários com a discussão mesquinha sobre a sua viabilidade prática.

Razão tem Paulo Tunhas: "as máquinas de palavras são indiferentes à verdade".

Um contagio de Putinismo

por Jose Miguel Roque Martins, em 13.05.22

A força bruta, deve ser combatida com força bruta, no terreno de batalha, não na subversão dos estados de direito. Mas é isso que está a acontecer um pouco por esta Europa fora, desde que a Rússia invadiu a Ucrânia.

Primeiro com casos isolados e pontuais, depois com um despudor cada vez maior ,na ignorância dos mais básicos princípios de Estados de direito, já para não falar em hipocrisias dignas de Putin.  Respostas emocionais, depois de uma brutal agressão em larga escala como a praticada pela Rússia até são compreensíveis, mas não podem ser toleradas. Parecendo mais actos que se esperam e são praticados por Putin do que por democracias liberais Europeias.

Despedir cidadãos russos por não assinarem declarações de repúdio a Putin, será um episódio que ratifica a liberdade individual?

Fechar órgãos noticiosos pró russos, não é censura?

Impor sanções ( condenações) a pessoas ou empresas, sem julgamento prévio, até pode ser popular e eventualmente eficaz, mas não será injusto e contra  os direitos mais básicos de qualquer  individuo, nomeadamente o direito a julgamento? Quando, como acontece, os critérios utilizados serem  tão questionáveis como os alvos de sanções serem supostamente Oligarcas   ou simplesmente pertencerem à família de Putin, não estaremos já a entrar no delírio absoluto?

Quando altos dignitários, com naturalidade, falam na apropriação dos fundos soberanos Russos, para financiar a reconstrução da Ucrânia, não estamos a falar em violações  do direito mais elementar?

Aplicar sanções e depois acusar a Rússia de fazer chantagem com o fornecimento de gás é minimamente sério?

Não importa se são bravata de políticos à cata de votos ou o desejo profundo dos Europeus. São manifestações profundamente erradas  e inaceitáveis de um delírio iliberal que varre as democracias na Europa, um triste contagio de Putinismo

Amanhã, na Póvoa de Sta. Iria...

por João Távora, em 13.05.22

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O lançamemto do livro Casa de Abrantes, crónicas de resistência, decorrerá amanhã dia 14 de Maio às 11:00hs no Salão Nobre do Palácio da Quinta da Piedade, na Póvoa de Sta. Iria, antigo refúgio e paradisíaco retiro espíritual da família, um sugestivo passeio a uma bucólica quinta às portas de Lisboa (veja como chegar aqui).

O evento de entrada livre, contará com um debate moderado pelo jornalista João Miguel Tavares

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Uma questão de decência

por henrique pereira dos santos, em 12.05.22

A minha associação profissional, de que até fui dirigente mas de que hoje nem sócio sou, mandou-me um mail a lembrar-me que passam hoje dez anos sobre a morte de António Viana Barreto.

Tive a sorte profissional de ter alguma proximidade a alguns dos melhores pensadores portugueses da arquitectura paisagista em Portugal, Caldeira Cabral, com quem estive na direcção da Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas, Álvaro Dentinho, com quem nunca trabalhei (eu sei, eu sei, alguns dirão que terá sido uma condição sine qua non para ter dele a imagem que dele tenho, dados o seu e meu feitios), Ilídio de Araújo, com quem aprendia mais numa manhã pela estrada fora que em meses de proximidade de gabinete, Robert de Moura, com quem estagiei e que me ensinou a ver Trás-os-Montes, fora o resto, Alexandre Cancela de Abreu, que eu diria ser o meu professor de referência e, com grande proveito, Viana Barreto, o mais discreto e mais sólido de todos, mesmo que não tivesse a profundidade de Caldeira Cabral aqui e ali, a criatividade de Álvaro Dentinho, o conhecimento visceral do mundo rural de Ilídio de Araújo, a inquietação intelectual permanente de Robert de Moura e a influência pedagógica de Cancela de Abreu (não incluo nesta pequena lista a minha amiga Teresa Andresen exactamente porque neste caso se misturam os planos profissional e pessoal, do que resulta uma relação pessoal diferente da de todos os outros, que evidentemente diminui a objectividade do que eu pudesse dizer sobre o assunto).

Bebendo do fértil corpo teórico de Caldeira Cabral, é Viana Barreto o que melhor soube ligar toda a profissão nos seus primeiros anos, o que soube encontrar respostas teóricas e práticas para os problemas que iam surgindo, sendo o principal responsável teórico por instrumentos como a Reserva Ecológica Nacional e a política de ordenamento do território do país (não tendo, evidentemente, qualquer responsabilidade na caricatura que dela fizeram hoje, tornando-a um passivo para o país, e não um instrumento de discussão do futuro).

Ao neto, Francisco Salvação Barreto, igualmente paisagista (arquitecto-paisagista, diria a primeira geração da minha profissão, no mesmo sentido em que um limpa-chaminés não é nem limpa, nem chaminés), ficamos a dever esta tese que contém uma entrevista muito interessante, de que transcrevo um parágrafo sobre o primeiro projecto do estagiário que tinha acabado de chegar ao seu lugar de trabalho: “Sim também tinha chegado ao Ministério das Obras Públicas, um projecto do então Director-Geral dos Monumentos Nacionais. Ele tinha criado uma alameda desde a Torre de Belém até à Avenida da Índia, com estátuas dos Descobridores de ambos os lados. Que era o que se fazia na altura. Não digo nem mal, nem bem mas não era a minha visão. A minha solução foi totalmente oposta. Foi não fazer aparentemente nada e deixar brilhar a Torre de Belém. Era procurar acessos e pontos de vista sucessivos que valorizassem os diversos pontos de observação, visto que estamos perante as “traseiras” da Torre e não do alçado principal, porque esse está virado para o rio. Basicamente pretendia-se enquadrar a Torre com uma mancha de vegetação. A única coisa que se deixava separado era um conjunto de três exóticas a indicar o caminho de Goa.

Felizmente ainda fui a tempo de deixar muito claro a Viana Barreto o quanto sempre gostei dele e o respeito que tinha por ele, incluindo algum inconformismo pela forma como, frequentemente, a sua natural e educada discrição permitia que fosse injustamente tratado, em especial como principal projectista do Jardim da Gulbenkian, em Lisboa. 

Cabrita à solta

por João-Afonso Machado, em 11.05.22

É notícia fresca, o MP - em tempo record!, finalmente, e decerto só por coincidência, - arquivou o inquérito aberto ao ex-ministro Eduardo Cabrita por causa do acidente que vitimou um trabalhador na A6. A aguentar-se ao balanço, sozinho, ficou o seu motorista.

Estranhíssimo. Dos meus poucos conhecimentos jurídicos, creio ter presente, pelos actos do comissário no exercício das suas funções é também responsável o comitente - neste caso Cabrita, que ainda por cima ia com pressa, agarrado a uns papeis que já devia ter lido, e que, na versão inicial, terá dito ao motorista para carregar no acelerador.

Acresce, indo pelo senso comum, por aquilo para que o Direito tem uma expressão - o "procedimento de um bom pai de família" (pessoa normalmente diligente) - que interessava ao motorista correr riscos inúteis, se a pressa não era dele ou não lhe foi comunicada pressa alguma? Para quê a velocidade excessiva, se podia seguir apenas tranquilamente?

E, tendo já sido afirmado que apressado estava Cabrita, com base em quê e em quem afastar a hipótese da ordem ilegitima que deu para "levantar voo".

Como disse, foi um inquérito aberto e tapado à velocidade a que o carro de Cabrita seguia... E não sei porquê, acabam de me acorrer ao espírito os nomes peregrinos de Pedroso e Ferro. Termino, já incomodado com estes fantasmas que não nos largam. 

tolerancia zero ao covid

por Jose Miguel Roque Martins, em 10.05.22

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Nos idos de 2020, o Ocidente pasmou com a capacidade Chinesa, com a sua superioridade autocrática em combater a pandemia do Covid 19, com a política de tolerância zero que praticou de forma altamente musculada e intransigente. 

Hoje, desde os doidos da Suécia aos Países com os mais rigorosos e castradores sistemas de saúde, no Ocidente, respiram de alivio. As vacinas e as infecções acabaram por tornar a Covid endémica. A Covid ainda mata e vai continuar a matar, mas apenas para os mais extremistas, continua a ser um gravíssimo problema de saúde publica. Já na China, o confinamento de grandes cidades continua. Nem as vacinas chinesas, nem a política seguida permitiram acabar com coisa nenhuma. A crise continua, serena e imperial, sem fim à vista. 

O que acontece, a realidade, não altera convicções. Quem acredita na superioridade do Estado musculado total, nos "especialistas", não vai mudar a sua opinião. Quem acredita no individuo e no bom senso, também não. 

Cansaço

por henrique pereira dos santos, em 10.05.22

"Hospital de São João com "recorde triste" de admissões na Urgência na segunda-feira
Hospital registou o maior número de casos de urgência da sua história e cenário pode piorar. Diretor pediu "coerência" nas medidas sobre a Covid-19, lembrando que testes deixaram de ser grátis."

Título e lead de uma noticia do Observador que na verdade é da Lusa e por isso não sei se toda esta parvoíce é do director das urgências do São João (tenho-me cruzado com várias parvoíces dele sobre a Covid, portanto a hipótese não é de excluir) ou dos jornalistas da Lusa, em primeiro lugar, de vários outros sítios que reproduzem, acriticamente, este trangolomango.

Vejamos os números de Nelson Pereira, o tal director das urgências.

Foram atendidos 1022 doentes na urgência, na Segunda-Feira. Destes, 144 foram admitidos na área respiratória (menos de 15%) foram-no na área respiratória (ou seja, 85% dos doentes atendidos, seguramente, não tinham nenhuma relação com a Covid), e 53% testaram positivo (ou seja, cerca de 5%).

Daí eu não perceber o que tem a Covid com o recorde nas urgências, visto que 95% dos doentes não eram doentes covid.

"O diretor contou que “as pessoas continuam à procura de um teste”, teste esse que deixou de ser gratuito nas farmácias e em outros locais, e do documento que lhes permite não ir trabalhar quando está a fazer isolamento, “um isolamento que continua a ser obrigatório”, sublinhou".

Esta parte é ainda melhor: as pessoas Covid, ou potencialmente Covid, vão à urgência resolver um problema administrativo: fazer um teste sem pagar ou arranjar o papelinho que lhes permita justificar um isolamento obrigatório, mesmo quando não estão doentes.

Finalmente, tudo se esclarece: "Ainda sobre o aumento de incidência por infeção pelo vírus SARS-CoV-2, Nelson Pereira admitiu que a Queima das Fitas ou os festejos pelo título de campeão do FC Porto estejam a ter repercussões".

Os festejos do Porto foram no Sábado à noite, o vírus tem um período de incubação superior a dois dias, e na Segunda o recorde das urgências, com 95% de doentes não covid, já resulta desses festejos.

O problema não o vírus nem a Covid, é gente desta que diz coisas erradas e irresponsáveis porque estão fartos de ter doentes nas urgências que dirigem.

Parabéns à prima.

Quem entende Putin?

por Jose Miguel Roque Martins, em 09.05.22

Quanto mais se prolonga a guerra na Ucrânia, mais difícil é encontrar qualquer racionalidade nas acções de Putin.

Hoje, no discurso de Vitória ( II grande Guerra) esperava que Putin anunciasse a nova vitória ( sobre a Ucrânia Nazi) . Não aconteceu.

Se o que pretende é uma paz negociada, falta-lhe o que perdeu quando não conseguiu manter pressão sobre Kiev, colocando a existência da Ucrânia  em duvida: algo que seja suficientemente valioso para que a Ucrânia abra mão de território.  Terá sido por acaso que a Ucrânia deixou de negociar depois de perceber que a sua existência enquanto nação soberana, já não estava no fio da navalha?  O uso de armas nucleares pela Rússia,  ou melhor, a ameaça credível que poderiam recorrer a poder nuclear, parece desvanecida, mas passa de novo a ser uma possibilidade perante tamanha falta de equilíbrio. O que será menos grave para Putin, não cumprir as suas promessas aos Russos, ou ser responsável por um ataque nuclear?  

Se o que pretende é uma vitória esmagadora, parece que lhe faltam todos os meios. Já ficou claro que esmagar a Ucrânia, só será possível com custos astronómicos. As armas mais sofisticadas vão faltando aos Russos, os Ucranianos estão cada vez mais bem armados. Mobilizando milhões de soldados cada vez mais mal preparados, usando as armas possíveis, cada vez mais primitivas, pela força dos números, conquistar a Ucrânia ou apenas o Dombas, continua ao alcance da Rússia. Com custos humanos exponencialmente maiores dos que os actuais, exactamente quando o peso das sanções vão começar a fazer-se sentir na população. Será que faz sentido, mesmo para um autocrata no pleno domínio da população que governa ?

Porque não aproveitou Putin para reduzir perdas declarando vitória? Quem entende Putin?

 

O Mundo Disneylândia

por Miguel A. Baptista, em 09.05.22

Yachts in a fake marina at the Formula 1 World Championship, Miami Grand Prix on May 4.Os americanos têm jeito para o showbiz. Agora que a Fórmula 1 é dirigida a partir dos EUA algumas coisas estão a mudar. 

Para “dar glamour” ao recente GP de Miami contrui-se uma “marina” fake com água falsa, mas com barcos reais. Os milionários pagam uma fortuna para ver a corrida a partir dos barcos. 

É a tentativa de transformar tudo numa imensa Disneylândia, onde fantasia e realidade se se interpenetram e confundem. É o mundo onde importa a imagem e o substrato conta muito pouco. É o universo das selfies, do Photoshop e da futilidade. De manhã dizemos que nos preocupamos com a pegada de carbono e à tarde mandamos deslocar uns iates para o prazer de uns ricos absolutamente incultos e infantilizados. 

É o mundo do qual eu gosto de estar longe. 

Domingo

por João Távora, em 08.05.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só».

Palavra da salvação.

Comentário: Aquele que, pela fé, aceitou a palavra de Jesus e aderiu à Sua Pessoa, fica estreitamente unido a Ele. Na verdade, o Senhor Jesus estabelece com o Seu discípulo relações de profunda intimidade, caracterizadas por um conhecimento mútuo e uma amizade recíproca, que levam a uma comunhão de vida: Jesus comunica àquele que acredita n’Ele a Sua vida, a vida mesma de Deus, a vida que não morre.
Em virtude desta união com Cristo, o cristão sente-se já salvo em plenitude e, mesmo no meio das vicissitudes da vida, experimenta uma inabalável segurança, que tem o seu fundamento no próprio poder do Pai, de que Jesus participa, pois é um com Ele.

Objectivo Marrocos

por João-Afonso Machado, em 07.05.22

COLUNAS HERCULES.JPG

- É altura de avançar! - exclamou o nosso Presidente - É agora ou nunca! - E minunciou a sua visão de estadista - Temos a nascente uma monarquia; a poente o oceano, o reino dos thalassas, monárquicos que são, e na extremidade sul outra Coroa, a de Marrocos. Estamos cercados e a culpa é dos EUA, da NATO e da UE que nos roubam o nosso espaço vital!

Os conselheiros entreolharam-se, temerosos, e o Presidente prosseguiu - De caminho, restauram a Realeza nesta nossa ético-República! Defendamo-nos! A Espanha é aliada da NATO e dos EUA, o oceano um domínio dos pescadores do arrasto espanhois, resta-nos a salvaguarda por Marrocos. Quero todos os Portas-submarinos em acção, prontos a lançar mísseis sobre Ceuta, e as forças terrestres entrando por Ayamonte, que os separatistas andaluzes fecham os olhos!

O Presidente vislumbrava já os gloriosos Rebelos e Sousas de outrora, façanhudos comparsas da Ínclita Geração nos primórdios da Epopeia. Não, decididamente a ético-República não seria absorvida, não se renderia.

- Em uma semana a mouraria fugirá para o deserto e Rabat será nossa vassala. Jamais nos deixaremos enforcar nesta corda que nos puseram ao pescoço. E vamos a isso - now!!! - que na segunda-feira o preço do combustível aumenta!

- Presidente - um mais afoito alvitrou - e sob que pretexto? - Ora, todos sabem, Marrocos é o valhacouto dos nazis do Chega! - Mas o Chega está aqui connosco, dizendo que sim... - Então´- foi a resposta final de S. Ex.cia - salvemos Portugal dos monárquicos divisionistas que tão mal fazem à Nação!

"De qualquer maneira, para os crentes a oração é já um bunker, espiritual e verbal, forma de protecção; o betão será uma espécie de 2a camada, material e densa. E claro, matéria e convicção não têm tempos semelhantes - e pode parecer estranho, mas por vezes a crença demora mais tempo a construir do que um bunker compacto. Como se constrói aquilo que não ocupa espaço como a crença?"

Gonçalo M. Tavares na revista do Expresso de ontem

Oratório S. Jerónimo 1.JPG

Imagem: aspecto do fascinante Oratório eremítico de São Jerónimo na Quinta da Piedade na Póvoa de Sta Iria (a reclamar restauro urgente), minúscula e erudita jóia arquitectónica do renascimento, um espaço que foi concebido para a oração individual e meditação.


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