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Umas eleições pouco interessantes (5)

A mudança por falencia

por Jose Miguel Roque Martins, em 31.12.21

Temos aquilo que queremos, não por responsabilidade dos partidos políticos e dos políticos, mas do povo. Apenas teremos mudança quando o povo, ou mais corretamente, o centro, quiser. Burro velho não aprende línguas. Há 50 anos que não mudamos. Mas a mudança, pelas piores razões é, a curto prazo, inevitável.

Os jovens são fonte de mudança. Pela sua própria natureza. Pela ausência de fantasmas que ainda atormentam parte da população. Pelo maior conhecimento de outras realidades. Por serem quem vai pagar os direitos adquiridos dos mais velhos. Não serão, numa sociedade a envelhecer, a maioria. Mas vão contar.

A necessidade, essa sim, será o gatilho de uma revolução económica, pelo menos no final, positiva.

Ao longo de meio século, os direitos concedidos cresceram a um ritmo superior ao do pífio desenvolvimento económico. Temos vivido numa nuvem, antes da invenção da Cloud. A diferença entre a realidade e o concreto, foi ultrapassada através do recurso ao endividamento publico. Essa possibilidade, desapareceu. Já não existe folga de endividamento possível. A famosa bazuca é recurso inestimável, para continuarmos a viver acima das nossas possibilidades. Mas é solução de muito curto prazo e relativamente limitada: apenas um balão de oxigénio. Depois, teremos que voltar a viver com aquilo que produzirmos, somado à esmola mais habitual da Europa. Com agravantes. Os custos de Saúde disparam, o desequilíbrio do sistema de pensões agrava-se, a desertificação do interior aumenta, a população diminui, em particular a em  idade de trabalho. Embora conjuntural, o aumento das taxas de juro, também vêm aí. E alguns custos da necessária mudança climática, virão para ficar durante décadas.

Os jovens mais qualificados, podem emigrar, impedindo uma ainda mais violenta exploração dos mais novos, com cargas cada vez mais insuportáveis sobre o trabalho, o primeiro caminho “óbvio” a ser tentado.  Outros, nem precisam de emigrar fisicamente: trabalharão online para empresas estrangeiras, em países com maiores remunerações e menos impostos. Menos mal, mas com consequências na arrecadação de impostos e contribuições em Portugal. Apenas os custos com educação vão cair, com o triste decréscimo da população em idade escolar. Atrair imigrantes qualificados será também difícil: surpreendentemente(?) preferem países mais ricos e livres!

Teremos assim, em simultâneo, menos margem de manobra ( recurso ao endividamento), menos produção de riqueza ( menos trabalhadores, com menos qualificados) e mais pressão de despesas sociais “garantidas” ( mais reformados). O progresso pífio, que o regime providenciou e que o sustenta, nada mudando, não vai poder continuar. O imobilismo, deixará de ser uma receita de sucesso medíocre, apenas de decadência crescentemente visível.

Não mudar será então empobrecer de forma acelerada. Num clima de resignação tranquilo, pouco provável. Ou num registo de revolta, e ingovernabilidade do tipo da primeira república, espera-se, mais benigno.  

Algures neste percurso, olhar para outros países, para a sua maior produção de riqueza, eficiência e produtividade, pode passar a ser menos absurdo, a ser encarado com interesse e curiosidade. Não por questões ideológicas, mas como solução alternativa e necessária. Mudança sem revolução, é um cenário, não só desejável, como possível.

A ideologia, não será o elemento fundamental para escolhas diferentes dos portugueses. Será a política dos interesses e necessidades,  do pragmatismo, a poder mudar o Centro e as suas escolhas, pelo menos na Economia. O que significará, menos e melhor Estado, menos burocracia, mais mercado, menos direitos ilegítimos. Privilégios  e ideias fofinhas vão estar sob ataque. As consequências das decisões vão passar a contar. É o cenário em que a ameaça que defrontamos se pode tornar uma grande oportunidade.

Tudo pode acontecer, menos ficarmos na mesma.

A mudança acontece quando as estratégias estabelecidas deixam de apresentar resultados ou esperança e é exatamente  onde estaremos a curtíssimo prazo. Só a partir desse momento, poderemos começar a aspirar por mudança. Só quando o intervalo entre dolorosos programas de ajustamento for cada vez mais curto, as pessoas começarão a pensar que talvez mudar seja mesmo necessário e útil. Só quando as pessoas perceberem que o Estado não está roto, vai nu, poderão passar a querer que ele seja menos totalitário.

A mudança de sistema económico, para uma economia de mercado  é o único cenário interessante que, acredito, ser o mais provável, depois de naturais perturbações. O pragmatismo do centro, será o lastro essencial e determinante neste percurso.

Bom será que a mudança positiva, não seja acompanhada do fim da democracia e um retrocesso nas liberdades. Nada está garantido. É por isso, é tão importante que se debatam e confrontem ideias, soluções e ideologias, porque se nada parecem mudar no dia a dia, nalguns aspectos, são determinantes para a garantia do essencial: a liberdade e a democracia. Mandar o menino com a água do banho, não é nada que não possa acontecer. Em tempos mais agrestes, a liberdade e a democracia parecem perder valor, como a observação da História, sobre o valor da democracia,  nos demonstram.

Não é só a mudança de modelo económico ou a pobreza franciscana que teremos em cima da mesa: também a democracia e as liberdades, mesmo as mais  básicas, vão estar sob fogo. Não apenas por PCP, Bloco ou Chega, mas por parte do Centro. Quando o Estado falha clamorosamente, figuras ou comissariados messiânicos que prometam ordem e progresso, em troca de poder absoluto, tornam-se mais atraentes. Sempre assim foi, sempre assim será.

Umas eleições pouco interessantes (4)

A esquerda e direita

por Jose Miguel Roque Martins, em 30.12.21

 

Não temos só o centro, há mais dois grupos.

O dos fartos, descrentes e indiferentes, que já nem votam, e que são quase a maioria dos Portugueses. Fazem mal.

Os poucos que querem mesmo mudança e reformas, a que se chama esquerda ou direita, são relativamente insignificantes, agrupados em  pequenos nichos ideológicos. Temos muitas tendências. Só a social democracia, a verdadeira, não tem um representante alternativo. De, resto continuamos com o decadente e monolítico PCP, uma reminiscência histórica falida, o bloco de esquerda, uma espécie de travesti do comunismo, um CDS esgotado, e a jovem iniciativa liberal, que propõe o pouco tradicional e contra natura  liberalismo em Portugal. Temos ainda o Chega e o PAN, com ideologias difíceis de entender ( se é que existem) , uma espécie de franchising de movimentos copiados de êxitos eleitorais de partidos Europeus semelhantes, que reúnem pessoas que se sentem inapelavelmente excluídas da sociedade, que estão zangados, ou se dedicam a causas particulares, deixando o resto aos outros.

Estes partidos poderão influenciar o poderoso “centro”, por natureza, pouco inclinado a avançar com mudanças. Mas muito pouco. Essa influencia poderá ser mais imediata ( e fugaz), através da sua força eleitoral e na viabilização de governos mas, mais importante e permanente, na forma como conseguirem influenciar, de forma duradoura, as ideias do tempo. Apenas têm importância na forma como podem promover uma alteração da forma de pensar do centro e, dessa forma, promover mudança real no País. Não sendo adepto, pelo contrario, do Bloco de esquerda, há que reconhecer ter sido este pequeno partido o mais eficiente na imposição de transformação da sociedade Portuguesa a partir de uma posição de quase irrelevância eleitoral. Não pelo apoio ao PS, mas pelo trabalho constante de luta pelo seu extenso e muitas vezes excêntrico cardápio de causas fracturantes. A geringonça caiu, mas ideias do Bloco, na generalidade más ou muito más, ficaram.

À esquerda e à direita, existe apenas uma esperança: os mais novos, aqueles que vão pagar os privilégios dos instalados, os ainda mais generosos e abertos ao bem comum, aqueles que não têm nada a defender, porque nada lhes foi ou será dado. Aqueles que não podem enfrentar o grande capital, que já não existe. Aqueles que apenas são vitimas dos pequenos privilégios de quase todos os mais velhos.

Deste grupo destacam-se, como possíveis faróis ideológicos, capazes de mobilizar os jovens,  o Bloco e a Iniciativa Liberal. Representam as propostas de mudança mais claras e antagónicas. O confronto entre o colectivismo igualitário de Estado e a ditadura dos iluminados, por um lado, e uma sociedade mais livre e prospera, por outro. A clássica luta entre opostos, em que cada um oferece a possibilidade de uma luta heróica ( e por isso atraente) aos seus (poucos) eleitores. A eterna luta entre o bem e o mal, em que cada lado está, aos seus próprios olhos, do lado certo.

A sua importância, mais do que na esfera económica, será sobretudo na esfera dos direitos individuais e na importância da democracia que, no limite, poderá ser ignorada por imposição de necessidades mais prementes. O inverno está a chegar. As doutrinas de 50 anos, vão ter que mudar. 

 

(continua) 

Umas eleições pouco interessantes (3)

A ditadura do centro

por Jose Miguel Roque Martins, em 29.12.21

Nada vai mudar, enquanto os portugueses não mudarem. Ou melhor enquanto a maioria não mudar. E a maioria, nos últimos 50 anos, é o “centro”.

Os seus arautos, o PS ou PSD, em alternância ou coabitação, apenas irão mudar o necessário, para tudo se manter essencialmente na mesma. Servindo com lealdade, o que a generalidade dos Portugueses votantes consideram essencial. Quem desafia esta lógica, já se sabe, é posto a andar. A democracia funciona.

Os Portugueses do “centro”, não são diferentes dos outros cidadãos, não são particularmente inteligentes ou estúpidos, cultos ou ignorantes, generosos ou egocêntricos. Os do centro, tal como os outros Portugueses, não são heróis do mar, da terra ou do mar, nem vilões ou completos cobardes. Apenas Homens. Que acredito estarem muito errados. Alguns até são ideologicamente do centro, seja lá o que isso seja. Outros, acredito, sentem-se pobres e vulneráveis, com baixa auto-estima e confiança. Sentem a necessidade de se agarrar ao que têm, na errada crença de que é impossível , em liberdade, cada um abdicando dos seus pequenos e ilegítimos privilégios, que todos fiquem melhor. O óptimo é inimigo do bom, o medíocre, um resultado razoável, pelo menos melhor do que mau. A moderação é confundida com imobilismo, entendido como manter o que está bem e mal, pouco ou nada mudar ou corrigir, nunca arriscar. É melhor um diabo que se conhece do que a incerteza  e o risco da mudança. A liberdade é pouco valorizada e o sentimento da total superioridade e legitimidade dos direitos da maioria, só é contestada quando os direitos individuais, dos próprios, são atacados. E acima de tudo, como aliás nos últimos séculos, num traço também comum à esquerda e direita, olha-se para o Estado como única resposta ás preces individuais e colectivas. Esta característica, mais nacional do que do centro, é o que nos distingue, mais claramente, dos países mais felizes.

Claro que há traços, que suponho serem comuns em todas as sociedades, que só tornam um pouco pior o que já é mau. Há sempre aqueles que preferem abdicar da sua liberdade, para que os outros também não a tenham e aqueles que sentem uma necessidade de impor aos outros, em pormenor e detalhe, aquilo que deve ser a sua vida. Quando em maioria, democraticamente, apoiados no sistema político,  atropelam com arrogância inconsciente, todos os que não partilham das suas crenças. Foi o que aconteceu  na luta contra a COVID,  um exemplo flagrante mas apenas mais um pequeno episódio, nesta longa, forte e detestável tradição. O culto do bom aluno e do “virtuoso”, é especialmente encontrado em muitos destes cidadãos, que falam de barriga cheia, já que têm o que querem. E as dores dos outros são sempre mais doces do que as nossas.

O centro, representa o maior mercado editorial, beneficiando, por isso, de uma constante e  reconfortante confirmação das suas crenças nos órgãos de comunicação social, que têm que vender ( ou receber subsídios)  para sobreviver.

A demonstração da mediocridade do regime, a incapacidade de prover progresso, riqueza, qualidade de vida,  ao ritmo da esmagadora maioria dos países europeus, não impressiona este grupo.

Porque, apesar de tudo, temos progredido. Porque podia ser pior. Porque o sistema, mesmo com menos riqueza, é mais justo (?). Porque duvidam estarmos prontos para mais liberdades e responsabilidades. E o que vem primeiro? O desenvolvimento ou uma sociedade mais livre? Argumentos há sempre, para todos os gostos, em todos os sentidos. Cada um acredita nos seus. Contra factos afinal há argumentos.

Já as queixas da violação das liberdades e garantias constitucionais, esbarram ou na indiferença, quando não incompreensão absoluta do que se fala. Os mais atentos, esgrimem que, apesar de tudo, tem havido mudanças ou pelo menos intenções de correcção. Esquecendo que todos os dias, novas agressões são instituídas enquanto não se corrigem as anteriores, mesmo as mais graves. O regime é o centro. O centro é a democracia iliberal. E por isso é o centro é o responsável pela violação dos direitos e garantias constitucionais dos cidadãos, entre outros pouco razoáveis ditames. Vivemos a ditadura do centro.

Umas eleições pouco interessantes (2)

A democracia iliberal

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.12.21

Sou um descontente, faço parte de uma das minorias que quer mudança. No meu caso, quero mais liberdade, mais respeito pelos direitos e garantias de cada individuo e um sistema que produza mais riqueza, seja mais eficiente, em que haja menos  consumo público obrigatório, uma carga fiscal mais baixa. Não precisamos de menos desigualdade, precisamos de menos pobreza e mais liberdade e justiça para todos. Sermos igualmente pobres, oprimidos e sem justiça, não é um caminho decente.

Aceito que não posso ter o que quero, o que acho justo e melhor para mim. A maioria assim o decide.  Escolhe um sistema que já provou ser inferior a muitos outros, mas que é reiteradamente confirmado, eleições atrás de eleições. Em democracia, posso não me conformar, mas tenho que aceitar e respeitar a escolha da maioria, o que até faço com bonomia há décadas. Até que a maioria decida de outra forma.

Já no restante, tenho todo o direito a ter o que quero: mais liberdade e os direitos individuais garantidos pela constituição. Mas não tenho. Nem eu nem os outros.

A democracia é um outro nome para tirania, quando os direitos das minorias e do individuo não são garantidos. Para prevenir uma democracia tirânica, estabelecem-se constituições que defendem o individuo. Só quando assim acontece é que podemos falar de democracias liberais, as chamadas democracias boas. Formalmente, nem estamos mal. Na pratica, de forma mais e mais evidente, a constituição é letra morta: cada vez mais o desejo das maiorias, quando não apenas de burocratas, invadem o espaço de direitos individuais básicos. Vivemos numa democracia iliberal. Há bem pior, mas também muito melhor.

Assim acontece com a pródiga introdução de descriminações, positivas e negativas, a denegação de justiça, por excessiva morosidade ou inacessibilidade pratica, a violação, pelo Estado de direitos individuais defendidos constitucionalmente. A violação dos direitos e garantias individuais é uma realidade, cada vez mais evidente, em todas as esferas possíveis da nossa vida colectiva. Não vivemos num Estado de Direito.

A transferência coerciva de responsabilidades sociais aos privados, viola os seus direitos constitucionais. É o que acontece no perpétuo adiamento dos direitos de propriedade no caso das rendas antigas ou na transferência de protecção social de trabalhadores ás empresas, já antigas, e a impossibilidade de cortes de luz, água e gás ( sem substituição no pagamento pelo Estado), para já apenas em tempo Covid. Aliás a coberto de necessidades sanitárias, as agressões multiplicaram-se: que sentido faz fechar estabelecimentos licenciados, sem indemnização, ou transferir, sem compensação e escolha, deveres de policia aos privados, obrigados a controlar o estado sanitário dos seus clientes? Muito preocupante é que estados de excepção são aqueles que o homem quiser!

A imposição de descriminações positivas a grupos que nada mais são do que a imposição de descriminações negativas a outros. Não se devem combater descriminações (potenciais ou reais) com novas descriminações. Descriminações são descriminações, são erradas, com excepção das que protejam os portadores de deficiência comprovada, onde apenas se reconhece uma diferença objectiva.  Com pompa e circunstância, “sorteamos” casas para uns, deixando os outros completamente na mesma. Privilegiamos o acesso ao ensino superior para “grupos” desprivilegiados, de um ponto de vista social, mas também para policias e filhos de diplomatas. Porque não incluir Homens, hoje minoritários no sistema? Ou negros, que nada evidencia serem diferentes ou inferiores a brancos, institucionalizando o racismo, com o argumento de o combater? Porque um cidadão normal não pode aderir à ADSE? Porque pode andar em excesso de velocidade um político no exercício de funções?

E a imposição de descriminações negativas directamente? Agora estamos a retirar direitos aos não vacinados. Amanha aos fumadores, depois de amanha aos gulosos e depois a quem? Aos gordos, magros, baixos ou os altos? Para já, apenas os Ciganos estão a salvo. A desumanização do individuo começa quando se passa a ser apenas mais um, dentro de um grupo estatístico diferenciado que se crie. Estarei errado?

E a limitação abusiva de direitos e liberdades individuais, através de regulamentos que, sem prova de imprescindibilidade, ferem liberdades básicas? Será aceitável?  Sou um fervoroso defensor das vacinas, mas também um defensor intransigente daqueles que não o são tenham o direito de não as tomar. Obrigar crianças a vacinar-se, para o ( eventual) bem dos adultos, arrepia-me. A negação do direito consagrado na carta dos direitos do homem, do direito das famílias em educar os seus filhos, repugna-me.

O que virá, a seguir, para o “bem” do grupo, ou melhor, da maioria? Talvez um sistema de vigilância como o usado na China, que destrói completamente a privacidade, viola direitos individuais, mas garante uma maior eficácia do controlo da população, da segurança publica e dos desvios aos padrões consagrados pelo Estado. Para já vamos dando uns passos, felizmente ainda tímidos, na introdução de censura e limitação da liberdade de expressão. Pelo que vejo, questões só preocupantes na Hungria e na Polónia.

A cereja em cima do bolo, é a justiça, ou melhor a injustiça. Quem não tem dinheiro, não tem justiça. Quem tem dinheiro, normalmente não é condenado . Ninguém tem justiça em tempo útil. Um Estado de Direito?

Já percebi que o amor pela liberdade e direitos individuais, em Portugal, é visto como uma excentricidade, um luxo, uma aberração, a derradeira fantasia, que não merece demasiada atenção. Mas está consignada na constituição, na lei fundamental, e a sua permanente violação é um hino à ilegalidade e a definição de falta de liberdade e direitos individuais.

O povo é que mais ordena e deve ordenar. Mas os direitos e garantias dos cidadãos não são protegidos. A nossa democracia funciona. O nosso estado de direito não. Temos democracia, mas uma democracia iliberal.O que não vai mudar enquanto o centro não quiser. 

 

(continua)

 

Umas eleições pouco interessantes

O povo é que mais ordena

por Jose Miguel Roque Martins, em 27.12.21

Sou dos que querem mudança e reformas. Que detesto viver num País pouco livre, que não me conformo pela escolha da pobreza colectiva e com a falta presente de futuro que deixamos aos nossos filhos e netos que não emigrarem. Não gosto de viver numa realidade que me parece delirantemente virtual. Mas de falta de democracia não me queixo.

Cada vez mais estou convencido que o Povo é que mais ordena. Os nossos políticos, sistema político e partidos, podem ser acusados, com razão, de tremendas e até incompreensíveis barbaridades, mas entregam democracia.

O que conta é a  vontade profunda dos Portugueses e, qualquer fuga a essa realidade, independentemente das circunstâncias, qualquer que seja o líder o partido ou a ideologia proclamada, é fortemente punida em termos eleitorais e rapidamente corrigida. Não que nenhum cidadão goste de tudo o que acontece, das trapalhadas e escândalos. Mas nada disto tem a ver com aquilo que de facto conta na hora das eleições. O mais recente exemplo do que pretendo transmitir, foi a queda de Passos Coelho, ainda hoje um pária para a grande maioria dos portugueses e especialmente para pensionistas e funcionários públicos. Para muito poucos fez o que devia, começou a reformar. Para a maioria, feriu vacas sagradas e, em particular, as suas vacas. Para quase todos, cometeu a ousadia de ser honesto, o que também não é bem visto em Portugal. Político apreciado, tem que prometer o céu.  Pode não cumprir, mas tem que prometer. Palavra dada, não tem que ser honrada. Que isto, na política tem que obedecer à etiqueta, tem regras. Não admira por isso,  que as suas reformas tenham sido anuladas em tão pouco tempo. O país quer mesmo o que tem. A democracia, não há duvida, triunfou e funciona. Os Portugueses, nas questões essenciais, não querem mudar!

Quem ousar afrontar as linhas vermelhas da maioria, está destinado ao fracasso.

PS e PSD, como Portugal, estão encalhados, condicionados, presos ao seu eleitorado. Será possível esperar que, mesmo que o queiram, façam reformas? Não me parece. Seria ir contra o que a maioria realmente quer. Não há reformas sem ferir interesses e convicções. E no nosso caso, há demasiados interesses e convicções de fé, tão cristalizadas como por vezes eventualmente  absurdas. Os partidos de poder, sabem com clareza, por experiência própria, que ofenderem os interesses reais dos Portugueses, os seus minúsculos mas letais direitos adquiridos, as suas convicções dogmáticas, só trará a derrota eleitoral e o rápido regresso ao ponto de partida, realizado por outro partido.  O que conta é dar um ar de progresso, mesmo que poucochinho, de esperança, de prudência, de que alguém vai ao leme e que o Estado lá estará, sempre capaz de amparar.

Certo é que temos um Pais menos livre do que o desejável e exigível, mais pobre do que o possível, mas temos o País que a maioria quer. Temos democracia.

 

 

 (continua)

Ainda sou do tempo...

por henrique pereira dos santos, em 27.12.21

... em que as medidas não farmacêuticas para controlar a epidemia tinham de ser tomadas muito cedo porque demoravam duas a três semanas a ter algum efeito na incidência, o que era uma desgraça por causa da natureza do crescimento exponencial.

Ainda sou do tempo em que as incidências mais altas do mundo eram da Estónia, Hungria e Roménia e por aí, países com baixas taxas de vacinação.

Ainda sou do tempo em que as diferenças de incidência entre a Suécia e a Dinamarca eram demonstrações de como diferentes abordagens da epidemia resultavam em incidências muito diferentes.

Ainda sou do tempo em que o crescimento da incidência na Alemanha ou na Áustria e por essas regiões era por causa da resistência dos povos de língua alemã à vacinação.

Ainda sou do tempo em que a taxa de vacinação em Portugal nos punha a salvo de crescimentos de incidências semelhantes aos dos países que tomavam medidas contra não vacinados com o objectivo de forçar a vacinação que protegeria os que já estavam vacinados.

Ainda sou do tempo em que era matematicamente demonstrável a utilidade do controlo de contágios porque havia relações practicamente fixas e estáveis entre incidência, internamentos e mortalidades.

Desde o início há duas escolas de pensamento sobre a epidemia que assentam em pressupostos diferentes sobre o que fazer face à incerteza.

A escola da OMS, muito bem ilustrada por Myke Ryan, o homem que não se coibiu de chamar "estupidez epidemiológica" aos desconfinamentos demasiado rápidos do Verão por causa dos estragos que a variante Delta iria provocar, declarações que foram feitas logo após o anúncio do Reino Unido de que iria abrir tudo em 19 de Julho. É o mesmo homem que é peremptório a afirmar que o que aprendeu com os surtos de Ébola é que precisamos de agir rapidamente "be fast, have no regrets, you must be the first mover ... if you need to be right before you move, you will never win ... the problem we have in society is everyone is afraid of making a mistake", ou seja, a escola que entende que agir rapidamente para quebrar as cadeias de contágio é mais importante que tomar decisões certas tendo em atenção a incerteza e a escassez de conhecimento sobre o processo em que estamos a querer intervir.

E há a escola minoritária, que entende que a incerteza é um dado do problema e a rapidez de intervenção ou a possibilidade e importância de quebrar cadeias de contágio está associada ao grau de risco social, que tanto pode ter origem na epidemia, como nas medidas tomadas para gerir a epidemia. Para esta escola de pensamento, "estupidez epidemiológica" é gerir uma doença altamente transmissível por aerossóis, mas relativamente benigna, que mata muito menos de 1% dos infectados, com base no risco e capacidade de quebrar cadeias de contágio de outra epidemia que se transmite por contactos com fluidos e mata 50% dos infectados.

O difícil é encontrar um chão comum entre estes diferentes pontos de vista que permita tomar decisões colectivas equilibradas, esse é o papel da política, de que grande parte dos políticos se demitiram por razões racionais e politicamente compreensíveis.

O risco político associado à actuação sugerida pela primeira escola de pensamento é quase nulo: fazer qualquer coisa rapidamente e depois correr mal, resulta do facto de sabermos pouco sobre o assunto, é difícil responsabilizar politicamente os governos por serem excessivamente prudentes.

O risco político associado à actuação sugerida pela segunda escola de pensamento é altíssimo porque os governos podem ser responsabilidados por estarem paralisados pela incerteza e o medo, não fazendo o que poderiam fazer, pondo nas costas do governo a responsabilidade por tudo o que possa correr mal.

Mesmo decisões completamente ineficazes, sim, verdadeiras estupidezes epidemiológicas, como cortar as ligações com a África Austral para para a transmissão de uma variante altamente transmissível, ou o confinamento dos Países Baixos (é comparar as curvas dos Países Baixos com a Bélgica para ver se se encontra qualquer sinal dos efeitos desse confinamento), têm um efeito marginal na credibilidade da primeira escola de pensamento (tal como a curva de incidência do Reino Unido logo após a abertura que Myke Ryan indirectamente estava a dizer que era uma estupidez epidemiológica).

Por isso continua a não haver grande esperança sobre a gestão da epidemia.

Tutu e Mandela

por Miguel A. Baptista, em 26.12.21

Não foi a luta contra o apartheid que fez de Tutu, ou Mandela, pessoas excepcionais que vão ficar indelevelmente marcados da História do século XX. 

A luta pelo fim do apartheid, para além de justa, tinha os ventos da História a seu favor. Se não existissem Tutu e Mandela haveria muitos sul-africanos que conduziriam essa luta ao inevitável sucesso. 

No que Tutu e Mandela fizeram toda a diferença foi na promoção da paz, da concórdia e da reconciliação. É muito mais fácil acicatar a turba estimulando os primários instintos vingativos, do que promover a harmonia e a nobreza de carácter. 

Sem Tutu e Mandela a transição teria sido um enorme banho de sangue, levando à saída da comunidade branca e ao mergulho do país no caos. Tutu e Mandela promoveram a luta contra o regime ignóbil do apartheid, mas foi na promoção da paz que se afirmaram como heróis. 

Domingo

por João Távora, em 26.12.21

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.

Palavra da salvação.

Comentário: Um dos poucos episódios que os Evangelhos nos contam da vida da Sagrada Família de Nazaré mostra-nos a orientação profunda de Jesus para o Pai celeste e a descoberta progressiva que Maria e José iam fazendo da pessoa e do mistério de Jesus. Assim há-de ser o progresso contínuo da vida da família cristã, vivida ela também sempre em relação a Jesus.

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Georges de La Tour c. 1644

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era governador da Síria. Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

Palavra da salvação.

Comentário: A manifestação do Filho de Deus entre os homens, feito homem em tudo igual a eles, excepto no pecado, é fonte de alegria e de paz. Deus entra nos caminhos dos homens, sem mesmo eles terem disso consciência, e por esses caminhos leva a salvação a todo o mundo. Foi assim que até o imperador romano se tornou instrumento de Deus para que Maria e José venham de Nazaré a Belém e o Menino aí venha a nascer.

O fim da linha?

por João Távora, em 24.12.21

Curioso é como o PPM, o maior equívoco do movimento monárquico português (que se justificou no início do regime pela qualidade humana intelectual dos seus fundadores) pela primeira vez desde a sua fundação não irá concorrer a umas eleições legislativas sem ninguém dar pela falta. Isto é que é morrer de forma pacata - antes assim.

Talvez seja tempo dos partidos formarem nas suas estruturas núcleos monárquicos uma ideia que há muito defendo.

Liberdade

por João Távora, em 24.12.21

(...) E julgo que foi isso que aconteceu nos últimos 25 anos: a meio dos anos 90, mais coisa menos coisa, a sociedade do ‘risco zero’ retirou qualquer liberdade física às crianças. E esta infância ultraprotegida criou gerações de pais e filhos que não sabem lidar com a liberdade e com o consequente risco. É por isso que estamos a caminhar alegremente para fenómenos autoritários e securitários: o politicamente correto, o tribalismo nativista, a hipocondria securitária. Estas três correntes vivem na e para a obsessão securitária do ‘risco zero’. O politicamente correto exige viver um ambiente sem o risco de ouvir piadas ou pensamentos considerados ‘inseguros’ para as sensibilidades de x e y. O nacionalismo tribalista exige viver num ambiente sem o risco de piadas ou pensamentos considerados ‘inseguros’ para as suas crenças e, já agora, também considera o estrangeiro como ‘inseguro’. De igual forma, a hipocondria do #ficaremcasa é o maior instrumento xenófobo deste século: o ‘outro’ passou a ser um foco ‘inseguro’ de infeção. De resto, passados dois anos, a sociedade ainda não conseguiu assumir que nunca haverá ‘risco zero’ contra um coronavírus, que nunca haverá ‘zero mortos covid’. Ou seja, além de não conseguirem lidar com o risco inerente da vida, estas gerações vivem obcecadas com o controlo humano sobre tudo, a pior de todas as ilusões, a porta de entrada de todos os ditadores. Exagero? Vejam a série “Years and Years” e depois digam-me se aquele futuro distópico e próximo já não está à nossa porta.

Henrique Raposo hoje no Expresso

Ajuntamentos e Boas Festas

por João-Afonso Machado, em 22.12.21

O Governo, acabo de saber, proibiu ajuntamentos na rua de mais de dez pessoas. Não, não vou invocar semelhanças com as idas normas da II República, em que a PIDE onde visse conversa lia conspiração. Prefiro antes comparar esta restrição anti-colóquio com a - ainda da República de Salazar - licença de "uso e porte" de isqueiro. 

Jamais conheci alguém multado por acender o seu cigarro com um isqueiro. E jamais, também, conheci alguém que tirasse a referida licença. Ou seja, algo de inócuo, do ponto de vista da vigência ou da eficácia de obrigatoriedade. (Outra do antigo Código da Estrada consistia no lado do passeio em que os peões deviam circular "atento o seu sentido de marcha" - multa pelo incumprimento: cinco tostões!!! Estava lá bem escarrapachado nesse diploma legal!)

Não há meios para controlar esta imposição que deveria consistir somente numa recomendação. Nem sequer meritória porque nesta altura, as pessoas, a juntarem-se pró cavaco, até dispensam as esplanadas, antes preferem o interior dos cafés - está frio e vai chovendo.

Mas, sempre consciencioso, aproveito a oportunidade para desejar aos parceiros do Corta-Fitas e aos leitores, aqui deste lado da rua (- Estou sozinho, sr. Agente... -), sonoramente, com as mãos em concha na boca, um Santo Natal e um novo ano de 2022 sempre com saúde.

Muito Boas Festas!

Ameaça

por henrique pereira dos santos, em 22.12.21

As medidas que se vão tomando aqui e ali para gerir a epidemia deveriam ser proporcionais à ameaça que representa.

Daí que a avaliação da ameaça devesse ser uma questão central da discussão.

Não é isso que se passa: fala-se na quebra de contágios e chega, já ninguém pergunta qual é a vantagem de ter menos contágios, ou melhor, já ninguém quer discutir os riscos associados a ter mais contágios.

Mas devíamos, sobretudo numa doença em que para a generalidade dos contagiados não há, realmente, ameaça nenhuma.

Comecemos então pela chamada de atenção para esta definição num comentário a um post anterior: "A COVID-related death was considered an all-cause death accompanied by a positive RT-PCR test that occurred within 30 days prior".

Olhemos agora para umas contas feitas por Fernando Batista há dias, comparando tempos semelhantes em 2020 e 2021 na curva de evolução da epidemia (que não é o mesmo que comparar dias de calendário iguais entre diferentes anos): "Os óbitos abaixo dos 80+ tem uma queda entre -35% a -40%, Os óbitos acima dos 80+ tem uma queda entre -15% a -20%".

Nas hospitalizações também havia quedas, aliás maiores, entre os dois períodos com incidências semelhantes.

Este é o resultado provável da vacinação, e para o que eu queria chamar a atenção é para as diferenças muito menores da queda da mortalidade acima dos 80 anos, como seria de esperar a partir da definição de mortalidade covid citada acima.

Se continuamos a não expurgar da mortalidade covid a mortalidade que ocorreria em qualquer caso, com ou sem covid, é claro que a ameaça que a doença representa nos parece muito maior do que realmente é.

E tem sido assim o tempo todo: andamos a matar moscas com canhões.

Não estou a negar a existência de uma ameaça colocada por uma doença nova, estou simplesmente a dizer que essa ameaça foi muito empolada e, depois da vacinação, esse empolamento é muito maior porque de facto a ameaça passou a ser menor com a vacinação.

E, no entanto, continuamos a reagir à ameaça como se fosse o ébola, como demonstrou recentemente o director da OMS para a resposta de emergência, que explicitamente se referiu à sua experiência de gestão de surtos de ébola como a matriz a partir da qual pensava a resposta à covid

Pobres por opção

por henrique pereira dos santos, em 20.12.21

"The comments provided by FCT were factually incorrect, and pathetically bad from a scientific standpoint.
– claims made in direct contradition to the project’s abstract
– claimed I was “too junior” to be the PI (no rules placed any age constrait, and my CV is top compared with any full professor in Portugal; so this is an example of Portugal gerontocracy, and probably illegal)

The History panel was in fact mainly composed of archeologists (this is public information) and funded instead of mine, projects such as (again this is public information which ca be found online):

“A aldeia histórica de Idanha-a-Velha: cidade, território e população na antiguidade (séc. I a.C. – XII d.C.) – The historical village of Idanha-a-Velha: city, territory and population in ancient times (first century BC. – twelfth century AC)”

“O Percurso Cromático do Azulejo Português – The Chromatic Journey of the Portuguese Azulejo”

“Pensa em grande sobre as pequenas vilas de fronteira: Alto Alentejo e Alta Extremadura leonesa (séculos XIII – XVI) – Think big on small frontier towns: Alto Alentejo and Alta Extremadura leonesa (13th – 16th centuries)”

“Na espessura das paredes e na profundidade do solo – In the width of the walls, in the depth of the soil”

Undeterred, I tried FCT again the following year. To avoid the History panel, I tried Economics, and got these comments:
– contributions the proposal not clear
– only one study country (Mozambique) fits into East Africa (!!)
– The PI (…) has insufficient expertise and the team isn’t sufficenyl international

In fact, the proposed team was composed of the PI, me (having my main affiliation abroad) and only two other Portuguese scholars with affiliations in Portugal; the latter two were experts in the sources, located in Portugal. All the other 4 proposed team members are nationals of other countries with affiliations in foreign institutions and all were experts in these types of sources.

To be fair, you sometimes get idiotic comments from referees at good journals too. But FCT does this far too consistently. A key source of criticism to FCT concerns not only the bad scientific quality of the comments one gets but also the fact that one does not have a chance to respond. In ESRC, I got 4 referee assessements of my project, and had a chance to respond to clarify any misunderstanding. Two of those 4 classified this project as “outstanding” along all categories and there was really nothing to respond to; while the other two had minor criticisms, and I got a chance to clarify whether these were misunderstandings. This led to much more transparency of the process. By contrast, FCT hires supposedly “international” experts – but really most are substandard researchers – perhaps because it pays them badly, so no one better wants to do the work. The result is what it is. They send their assessment, and if you raise issues, it goes to the same people again (so they just repeat the same)."

Nuno Palma, a propósito da aprovação de um projecto que nos interessa, cujo financiamento foi chumbado pela FCT em Portugal, aprovado pela FCT do Reino Unido.

E se afinal...

por henrique pereira dos santos, em 19.12.21

"No ano passado decidimos aliviar restrições no natal e pagamos caro essa decisão com um janeiro de 2021 de má memória".

André Peralta Santos é muito claro: com a situação que temos, e sem reforço sério de medidas - fala em fecho de não sei quantas coisas e o habitual - teremos um Janeiro com semelhanças com o Janeiro de 2021.

É natural que tenhamos de facto aumento de casos (é o normal em Janeiro e não há razões para supor que este Janeiro seja muito melhor que o de anos anteriores), internamentos e mortes, mas a previsão de André Peralta Santos é bem mais especifica:

estamos a cometer os mesmos erros, portanto vamos obter os mesmos resultados.

No fim de Janeiro avaliaremos esta previsão.

Não vale a pena argumentar, nessa altura, que afinal as pessoas se portaram bem e os números não chegaram aos de Janeiro do ano passado, provavelmente porque as pessoas estavam conscientes do que aconteceu no ano passado.

O que André Peralta Santos diz é que estamos, já hoje, a fazer os mesmos erros.

Se os resultados não forem os de Janeiro de 2021 (não me ponho a fazer previsões, apenas digo que se as condições meteorológicas estiverem dentro da relativa normalidade, os números não serão os do ano passado), então André Peralta Santos estará a ver mal como evolui a epidemia.

Infelizmente, até agora, a quantidade de vezes que as previsões saíram furadas não beliscou minimamente a credibilidade da previsão seguinte.

Não tenho esperança de que isso mude tão depressa.

Domingo (4º do Advento)

por João Távora, em 19.12.21

Rembrandt_van_Rijn_190.jpg

Visitação, por Rembrandt (1640)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

Palavra da salvação.

Comentário: As intervenções de Deus na História da Salvação são, por vezes, designadas como «visitas» do Senhor ao Seu povo. A última intervenção de Deus, com a Encarnação, é também para S. Lucas uma «visita» do Senhor aos Seus (Lc. 1, 68; 7, 16), sendo a família do Precursor a primeira a participar dela e a beneficiar.
Maria aparece intimamente unida a esta «visita» do Senhor ao Seu povo. Ela é, na verdade, a morada de Deus entre os homens, a nova Arca da Aliança, perante a qual, João, ungido pelo Espírito que repousa sobre o Messias, exulta de alegria, à semelhança de David (2 S. 6, 2-16). Em Maria concretiza-se, de algum modo, o encontro de Deus com a humanidade. Ela inicia a era messiânica. É a mulher que assegura ao seu povo a vitória absoluta sobre o pecado e o mal (a saudação de Isabel lembra a que foi dirigida a Judit, após a vitória sobre os seus inimigos). Esta união continuará no prolongamento da «visita» do Senhor a todos os homens, que é a vida da Igreja.

Um Estado disfuncional

por henrique pereira dos santos, em 17.12.21

De vez em quando lembro-me de escrever sobre o Fundo Ambiental, quer porque me parece um bom instrumento de gestão das políticas ambientais, quer porque me parece um bom instrumento muito mal usado, quer porque é um bom exemplo da discricionariedade do Estado, quer, ainda, por ser um bom exemplo de um Estado disfuncional.

O Fundo Ambiental tem um monte de dinheiro cujo destino depende essencialmente da caneta de um ministro, sendo mais que frágeis os mecanismos de avaliação e auditoria associados.

Mas não é nada disto que aqui me traz hoje, mas apenas um exemplo de como o Estado português é tão disfuncional, que manifestamente concorre para a nossa pobreza global.

O gasto do Fundo Ambiental pode fazer-se por programas plurianuais, e nesse caso a despesa tem de ser aprovada pelo Ministro das Finanças, ou por despesas anuais, e nesse caso a decisão é inteiramente do Ministro do Ambiente.

Esta regra, em si mesma é bastante tonta.

Mas vejamos o seu efeito práctico.

Como o Ministro das Finanças demora a aprovar a despesa, podendo aprovar a 30 de Dezembro uma despesa para o ano corrente, naturalmente o Ministro do Ambiente prefere executar programas anuais, para cuja despesa não tem de esperar pelo Ministro das Finanças.

Acontece que o Fundo Ambiental apoia programas na área do ambiente e, dentro dessas, as que mais me interessam, despesas na área da conservação da natureza (um parente mais que paupérrimo do Fundo Ambiental e, genericamente, das políticas ambientais, mas vamos esquecer isso por agora).

Na pequena parte do Fundo Ambiental que se executa com base em candidaturas abertas, os projectos têm de ser, de maneira geral, executados no ano da candidatura. Ou seja, há a aprovação do orçamento do estado, depois há o despacho do ministro a afectar as verbas, depois há o lançamento dos avisos, depois há o prazo de candidatura, depois há o prazo de apreciação das candidaturas (frequentemente com critérios absurdos, mas isso agora não interessa nada) e a decisão de financiamento vai andar entre Maio (quando é tudo muito rápido) e Agosto.

E os projectos têm de estar executados até Novembro.

Como a mim me parece evidente, não é possível ter projectos de conservação da natureza com um mínimo de consistência a ser executados nuns meses, sem qualquer sequência posterior.

Ou seja, como é preciso que o Ministro das Finanças aprove despesa plurianual, para o que demora o máximo tempo possível para não haver despesa, o Ministro do Ambiente adopta regras que transformam o gasto de recursos em conservação da natureza completamente ineficiente.

E é isto.

PS - Graça Freitas terá dito hoje que o Natal deveria ser de janela aberta e lá na DGS trabalha tudo de sobretudo e cachecol. Devemos agradecer a sinceridade de explicar que tudo o que a DGS produz provém de cérebros congelados, mas a afirmação de Graça Freitas é bastante grave, do ponto de vista de saúde pública: a quantidade de pessoas com fragilidades pulmonares e que fazem pneumonias frequentes, e a quantidade de pessoas com problemas cardio-vasculares que podem ser potenciados por baixas temperaturas, é demasiado grande para que a Directora-Geral de Saúde possa fazer afirmações destas. A minha sugestão é a de que se mude a Direcção Geral de Saúde para Bragança, para ver se para além do cérebro também a língua fica congelada.

Gerir problemas

por henrique pereira dos santos, em 15.12.21

Desde o princípio da epidemia que procuro perceber uma coisa: as medidas de gestão da epidemia que adoptamos são razoáveis, proporcionais e resultam em maiores benefícios que prejuízos?

Todas as discussões em que me envolvi sobre a epidemia procuravam responder a uma pergunta, o que sempre me interessou foi saber: estávamos a tomar as decisões certas, nas circunstâncias que conhecíamos, o que inclui a incerteza inerente a processos deste tipo?

O meu pressuposto base, que mantenho ao fim deste tempo todo, é o de que uma epidemia não é controlável com medidas não farmacêuticas, é um processo natural que está para lá da nossa capacidade de gerir os processos naturais.

Esta é a minha discordância radical em relação ao que se tornou a abordagem dominante da gestão da epidemia, assente na ideia de que é possível, com medidas não farmacêuticas, controlar epidemias, controlando contactos sociais (curiosamente, ao fim de quase dois anos disto, continua sem haver evidência sólida do êxito da opção tomada, um ou outro estudo com evidência empírica insuficiente, uma ou outra meta análise cheia de dúvidas e problemas metodológicas, e muita modelação cuja base se engana sistematicamente quando projectada para o futuro).

As reacções absurdas, histéricas e evidentemente ineficazes de isolar uma série de países por causa da comunicação da descoberta de uma nova variante, pelos sul-africanos, deveriam ser suficientes como demonstração de como a irracionalidade tomou conta dos decisores.

O facto de gente muito responsável, como a generalidade dos governos europeus e a comissão europeia, concordar com uma parvoíce, não transforma a parvoíce numa coisa razoável.

Infelizmente, continuamos a achar que foi uma reacção proporcional e adequada, com a informação existente. Se mais tarde viemos a saber que não valia a pena isolar esses países porque a variante já estava disseminada, isso resulta da informação entretanto produzida.

Só que não é verdade, logo no momento da comunicação sul-africana foi explicado que a variante não parecia produzir efeitos relevantemente negativos, parecia ser mais transmissível, mas menos problemática do ponto de vista da evolução para sintomas graves e mortes.

O problema é que a generalidade dos decisores, pressionados por opiniões públicas que continuam histéricas, sobrevalorizam, de forma sistemática, o contágio da doença e desvalorizam, de forma sistemática, os efeitos secundários das medidas adoptadas para "quebrar cadeias de contágio" e outras fantasias que tais.

É exactamente o que se passa em Portugal, com a DGS informalmente comprometida com a estratégia Covid Zero, com particulares efeitos negativos em meio escolar, onde o que se passa é completamente absurdo.

"Um garoto de três anos testou positivo no infantário. Resultado TODA a família de TODOS os outros garotos ficam isolamento até dia 24 de Dezembro." leio num mural (e eu tive o pudor de citar a conclusão final) e logo alguém responde: "A minha irmã é cirurgiã pediátrica. Contou-me hoje que têm o serviço pejado de miúdos internados com COVID. Crianças. Internadas com COVID. O que nunca aconteceu antes. Levem isto a sério, sff".

Vejamos, desde o princípio da epidemia deverão ter sido internadas cerca de 300 crianças covid (não fui verificar com cuidado suficiente este número, há vários números a circular, mas seguramente não serão milhares de crianças internadas com covid), das quais uma boa parte - seguramente pelo menos um terço - por "quadros clínicos não compatíveis com a covid", mas que testam positivo, e uma outra parte, mais difícil de avaliar com os dados que conheço, com quadros clínicos compatíveis com a covid, mas sobre as quais não existe qualquer garantia de que a razão do internamento seja a covid (como os níveis de internamento de crianças não me parece que tenham aumentado assim tanto em relação a outras épocas de doenças respiratórias noutros anos, estou pessoalmente convencido de que a covid não terá tido um impacto por aí além no internamento de crianças, mas não tenho dados para ter mais que uma opinião não fundamentada).

Logo, a informação da irmã médica é a típica história de quem conta um conto e acrescenta um ponto, e isso de haver serviços pediátricos pejados de crianças internadas por causa da covid não passa de uma ilusão sem tradução nos dados objectivos sobre o assunto.

No entanto, o nível geral de informação veiculado pela imprensa não ultrapassa, de maneira geral, este nível, que é o nível do boato (com certeza existe boa informação sobre o assunto, só que sendo uma parte muito pequena, perde-se na informação geral que é passada para a sociedade).

Só que isto é o normal numa epidemia, o pânico social.

O que é grave não é isto, mas sim a gestão política assente nisto, de que a prática do que se passa nas escolas é talvez o exemplo mais grave.

A opção política, até agora, tem sido a de dar força à opção de "quebrar cadeias de contágio" quase a qualquer custo (o quase diz respeito às decisões políticas que contrariam a opinião da DGS e da sua corte de especialistas especiais, porque o governo tem a percepção de que a opinião pública aceitaria mal algumas opções).

Por isso as regras nas escolas continuam a ser absurdas em si e absurdas na forma como é tomada cada decisão concreta, atribuindo ao delegado de saúde um poder que não lhe devia caber (uma das minhas primeiras divergências com André Dias, cuja visão global do que deveria ter sido feito inicialmente com a informação existente me continua a parecer essencialmente adequada, foi exactamente por eu divergir da ideia de que as decisões sobre a epidemia deveriam ser tomadas por entidades técnicas e não pelos poderes políticos).

Quando um miúdo de três anos, num infantário, testa positivo, qual é o benefício social associado à decisão de confinar 14 dias toda a família e a de todos os outros miúdos?

O delegado de saúde que toma a decisão dirá que está a "quebrar cadeias de contágio" e não lhe cabe a ele avaliar se os prejuízos escolares e de desenvolvimento das crianças, bem como os que resultam de ter não sei quantas pessoas confinadas em casa, são maiores ou menores que os que resultam do desenvolvimento (acompanhado) de um surto.

Mas admitindo que quebrar cadeias de contágio está na mão do delegado de saúde, qual é o benefício de o fazer face a uma doença que afecta muito marginalmente as crianças em causa, e afectará marginalmente os adultos vacinados com que contacta, incluindo os mais velhos, com excepção dos muito mais velhos e com problemas que podem ser agravados por esta doença.

Excepção essa que pode ser gerida pela quebra de contacto dos mais mais velhas, nestas circunstâncias (por amor de Deus, não me venham com a conversa da falta de meios, sai muito mais caro ao Estado pagar baixas a 100% a toda esta gente que pôr os poucos potenciais afectados em hoteis de cinco estrelas durante três semanas).

Ou seja, o potencial ganho social (diminuição de contágios de vacinados) é completamente marginal face ao risco que a doença cria, mas as perdas sociais são brutais.

E não, o problema não é a DGS, o problema é a opção política e o facto de não haver oposição política consistente a parvoíces como estas ou como a suspensão de vôos para Moçambique.

Santos (socialistas, bem típicos) da Casa

por José Mendonça da Cruz, em 14.12.21

Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas futuras e das promessas da habitação, glória da incompetência, luz radiosa das ideologias arcaicas, espada dos desastres ferroviários e aéreos, promotor e entusiasta da nacionalização da TAP campeã de exportações, grande empregadora, grande compradora da indústria nacional (só até Costa e ele, Santos, lhe deitarem a mão) está muito preocupado com a não aprovação do plano de recuperação [passe a expressão] da transportadora aérea que já foi privada e promissora, mas agora é de Costa e dele, socialista e falhada.  E como, nos verdadeiros socialistas, a preocupação toma a forma de rejeição de toda a culpa, e o desastre só exige que se aponte o dedo a quem calhe, o Dr. Santos diz agora que a TAP, que ele prevê que vai falir, vai falir por culpa da União Europeia, que ainda não aprovou um pobre plano pedestre. E diz isto ostentando no rosto o seu facsimile de indignação, patrotismo e pena. Enumera, até, as consequências: o negócio perdido, o ganho dos espanhóis, o ganho das companhias privadas, a orfandade dos portugueses, coitados sem a não sei quê «de bandeira». E fá-lo como se nada disto resultasse de suas inteiras, ideológicas, persistentes, exaltadas e graves incompetência e responsabilidade, e das de António Costa.

Os Drs. Costa e Santos quiseram nacionalizar a TAP e a Tap vai falir por culpa deles. Mas o Dr. Santos garante que a culpa não é dos socialistas, é da Europa. Logo, pela incompetência ululante e a persistente rejeição de toda a  culpa -- e também pela propaganda que finge o contrário --, Santos é o único e legítimo herdeiro de Costa.

 

O "Roialista" e um bocadinho mais

por João-Afonso Machado, em 13.12.21

MONARQUIA DO NORTE.jpg

O  meu querido amigo Tomás Moreira enviou-me, e eu recebi hoje, o seu imprescindível livro Memorias dum Roialista. (Andei por fora, não pude ir à sua apresentação.) Li-o na diagonal e logo me apercebi, faltava ali uma nota fundamental: telefonei ao Tomás, pedindo licença para agora a expor. Segue-se uma breve nota preambular:

Na transacta Década de 90, eu ainda rapaz e cheio de vontade e paciência, enquanto era membro dos orgãos sociais da Real Associação do Porto (e mesmo depois), encarreguei-me da cordenação do seu boletim Monarquia do Norte (1995-2000). Era a minha praia... O Boletim saía com regularidade, tinha os comentadores previamente estabelecidos, tinha as notícias do momento e tinha mais: sucessivas entrevistas a monárquicos de peso na sociedade portuguesa, na causa pública do dia-a-dia. Cito alguns nomes: o General Carlos de Azeredo (então Chefe da Casa Militar do Presidente Soares), o Eng. António Leite de Castro (Governador Civil do Porto), o Dr. José Luís Nunes (deputado socialista às Constituintes de 1975) , a escritora Agustina de Bessa Luís, o empresário Américo Amorim, o advogado Dr. Damião Velozo Ferreira (Cônsul da Bélgica no Porto), o Eng. Francisco de Almeida e Sousa, da Associação Industrial Portuense, José Augusto Granja da Fonseca, Presidente da Câmara de Paredes, os Engs. Paulo Valada e Nuno Cardoso (ambos Presidentes do Município portuense), o Prof. Doutor Vieira de Carvalho (também Presidente da edilidade da Maia)...

O Tomás levou o meu comentário na conta de uma nota importante que falhou nos seus apontamentos: teria sido uma época em que andou mais arredio. E entusiasmou-me a esta "apostila".

Evidentemente, tais depoimentos de gente envolvida no quotidiano da época, - todos manifestavam a sua crença na Monarquia, sem jamais questionar a nossa Casa Real de Bragança. Tudo eram personalidades ordeiras e civilizadas, com a correspondente consciência. A Monarquia, o rumo desejável... E o Boletim era querido de quem o lia, a Monarquia credibilizava-se em crescente.

Desculpar-me-ão, hei, por fim, de contar o episódio do nascimento da nossa Infanta, a Senhora Dona Maria Francisca. Com baptizado marcado em Vila Viçosa e com a nossa estreiteza de meios, ainda assim conseguimos cerca de 200 depoimentos telefónicos de alentejanos acerca da importância do acontecimento. Fomos de Portalegre a Beja, de terra em terra, ao longo de todas as classes sociais - a satisfação, a alegria, eram gerais. Desse modo parti para lá, de boné na cabeça, qual ardina - orgulhosamente! - e os quase 300 exemplares do Boletim, páginas de depoentes identificados, que levava foram-se num ápice.

Fica o complemento. Fica, ainda, a memória do tempo em que não me faltava o tempo, nem a insubordinação, para organizações e conversações. Eu escrevo, não faço reuniões... De tudo resta o supremo Ideal - a Monarquia! Sempre! Que a Maçonaria vai escangalhando nas redes sociais com tergiversações labregas fundadas em coisinhas dinásticas.


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