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Ninguem gosta da Policia. A não ser quando se precisa dela. 

por Jose Miguel Roque Martins, em 16.04.21

Os EUA decidiram abdicar do seu papel de policias do mundo. Fartaram-se de gastar dinheiro, vidas e prestigio, sobretudo quando o petróleo deixou de ser um interesse vital. Apenas a Àsia está a salvo deste desinteresse.  Ou me engano muito, ou os protestos contra o imperialismo americano serão substituídos por protestos de falta de policiamento mundial. 

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Ninguém gosta da Policia. A não ser quando se precisa dela. 

Num mundo sem policia, vamos continuar a ver o aumento do que há uma década  era impensável.

Golpes de Estado de quem não receia verdadeiras sanções. Como acontece, por exemplo, em Myanmar.

A afirmação de potências militares regionais, que usam a sua força com impunidade. Só no Médio Oriente temos agora a Turquia, a Arábia Saudita e o Irão a fazer das suas. 

Invasões de países periféricos, como a Ucrânia, por potências militares de primeira grandeza, como a Rússia, porque não vale a pena o risco de conflitos nucleares.

Nada como experimentar a alternativa para reapreciar o que tanto se criticou anteriormente.

Poderá ser, também o que  acontecerá nas sociedades  Ocidentais, se a luta justa e necessária contra a brutalidade policial, tornar ineficaz o mínimo de capacidade de repressão e defesa dos policias. 

 

A psicologia da natureza *

por João Távora, em 15.04.21

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A poucas semanas de poder sagrar-se campeão ao fim de dezanove anos de jejum, a coisa mais natural do mundo é que reine grande ansiedade não só entre os adeptos, mas principalmente entre os jogadores e a equipa técnica do Sporting. Na verdade se estivéssemos a seis pontos do primeiro não havia grande ansiedade a jogar contra o Farense.
Acontece que a ansiedade quando bem direccionada é um estado psicológico com grande potencial criativo. Não vale a pena negar a realidade, mas sim aproveitar o potencial que ela oferece aos protagonistas. A oportunidade de ficarem na história, nada menos.

Sendo assim, amanhã é cerrar os dentes, cair-lhes em cima e vencer o jogo.

* "Não contrariar a psicologia da natureza" era uma expressão sabiamente usada pela minha avó que Deus tem. 

Publicado originalmente aqui

Não foi isto que os meus pais me ensinaram

por henrique pereira dos santos, em 15.04.21

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Este gráfico começa a 24 de Dezembro, naqueles dias que, na opinião dominante, nos portámos tão mal, mas tão mal, que a epidemia disparou para um nível impensável.

Felizmente fomos salvos por um grupo de matemáticos que, pelo menos desde antes de Setembro, vinha a prevenir para o desastre que estava para vir. A pressão que fizeram, com largo apoio da opinião pública e publicada, obrigou o governo a fechar as escolas a 22 de Janeiro.

Dizem eles que sem esse fecho seria impossível fazer descer os números de forma relevante e, mais ainda, acrescentaram, na altura, que mesmo com esse fecho, porque era tardio, a descida ia demorar meses.

De repente passaram a dizer que esse fecho a 22 de Janeiro tinha dado resultados tão fantásticos, que a 28 de Janeiro a queda se acentuou tão bruscamente que afinal os números desceram em poucas semanas.

Mas atenção, nem pensar em abrir nada, disseram, logo no princípio de Março, que o facto de no último fim de semana de Fevereiro ter estado bom tempo e as pessoas terem ido todas para a rua, nos ia sair muito caro, com uma inevitável subida de casos aí por 15 de Março, que iria impedir a abertura de escolas.

15 de Março passou, abriram muito mais escolas do que eles pretendiam, a ameaçaram-nos com os efeitos evidentes desse erro, que iria impedir uma maior abertura de escolas a 5 de Abril, se o governo insistisse nessa teimosia, íamos pagar caro, sofrendo uma quarta vaga, talvez com a dimensão do que se viu depois do Natal.

5 de Abril passou, abriram mais escolas, e as esplanadas (meu Deus, as esplanadas, como é possível?) e ameaçaram-nos com uma subida estonteante do R(t), que seria imparável e avisaram-nos para a loucura de abrirmos mais a sociedade em cima desse crescimento do R(t), que iríamos pagar quinze dias mais tarde.

Agora, que estamos a 15 de Abril, avisam que é preciso esperar mais uma semana para ter mais informação sobre o impacto de medidas que, em Março, demoraram apenas uma semana a ter um efeito brutal, na opinião deles.

Caramba, desde o tal fim de semana de Fevereiro, cujos efeitos se iam ver em quinze dias, passou um mês e meio e raio da quarta onda não dá sinais visíveis para os leigos (para os especialistas os sinais não só existem, como são evidentes desde Agosto e vamos pagar muito caro o facto de não lhes darmos ouvidos).

Meus caros, eu sei que não foi assim que me ensinaram em casa, mas se ao fim deste tempo todo, com toda a informação que já existe, continuam a manifestar o mais completo desprezo pela vida de todos e pelos efeitos dos vossos conselhos na vida de terceiros (estou como o Johnn Lennon, "How can you sleep at night?" sabendo como os vossos fantasmas têm mantido presos e longe de todos milhares de velhinhos cuja principal alegria é exactamente estar perto de quem gostam?), é mesmo a altura de pedir desculpa aos meus pais e dizer-vos para irem à merda mais ao mau uso que fazem da vossa influência.

Amanhã, se se começar a formar uma onda brutal, cá estarei para assumir responsabilidades intelectuais pelo que escrevo (outras não tenho) mas, infelizmente, nenhum de vocês manifestou, até agora, qualquer intenção de assumir qualquer responsabilidade nas imensas perdas e sofrimento que os erros das vossas previsões (compreensíveis, só não erra com previsões quem não faz previsões, não é esse o problema, o problema é insistirem em apresentar previsões que sabem ter uma enorme incerteza como certezas que obrigam a opções únicas e inevitáveis), dizia, que os erros das vossas previsões induzem.

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Ontem à noite fui surpreendido no carro por uma alocução do Presidente da República em directo e até pensei que era por causa de alguma coisa de grave acontecida recentemente. Mas não, era ele a dizer que nos portámos muito bem, que somos os maiores e que por isso merecemos desconfinar.

Não percebo a relutância de Marcelo abordar aquilo que verdadeiramente aflige os portugueses por estes dias. A desculpa da não interferência entre órgãos de soberania soa-me a falso, tanto mais que todos estão envolvidos no edifício da nossa Justiça: Marcelo Rebelo de Sousa, preocupado com a sua inoperância, teve como bandeira até há pouco tempo o célebre “Pacto para a Justiça” para uma reforma do sistema, e na realidade são os partidos políticos que, no parlamento, aprovam com as leis que o aparelho judicial vai ter de lidar.

Como é previsível vai tudo ficar na mesma, o assunto esquecido, Sócrates a banhos na Ericeira e o povo conformado à cata das migalhas que lhe são destinadas e não são garantidas. Os principais actores políticos e as elites estão enterradas até ao pescoço no lodaçal em que sobrevive o nosso regime irreformável, tolerante para com a corrupção e o clientelismo. 

Ontem à noite não ouvi a entrevista a José Sócrates porque tenho pudor e sinto uma enorme vergonha alheia - limitei-me a ouvir hoje os comentários na telefonia. Mas percebo a curiosidade mórbida daqueles que tiveram estômago para aquilo. É como o mirone que não resiste a espreitar os escombros de um desastre sangrento. 

Custo de oportunidade

por henrique pereira dos santos, em 15.04.21

Recentemente, numa conversa sobre o controlo de háqueas (uma invasora cujo controlo é muito complicado e que pode estar no mesmo sítio anos a fio sem problema, tendo uma expansão explosiva após fogo), lá apareceu alguém, como  de costume, a falar na necessidade de arrancar eucaliptos também (a ideia absurda de gastar recursos a controlar o que pode ser facilmente controlado, renunciando a alocar recursos para o controlo de invasoras agressivas que estão presentes no mesmo local, é uma ideia muito difundida e aceite, mesmo entre elites que têm a obrigação de estar bem informadas).

No movimento ambientalista a ideia de custo de oportunidade é muito mal conhecida, com efeitos reais na vida de todos nós. Um bom exemplo é exactamente a legislação sobre espécies invasoras, uma péssima regulamentação que resulta da péssima qualidade das nossas instituições, muito permeáveis aos poderes fácticos e muito pouco ancoradas na produção de informação socialmente validada, de forma aberta e racional.

Não tive qualquer envolvimento na elaboração ou discussão deste diploma legal, mas há anos estive envolvido na revisão da legislação então existente e o processo era todo ele absurdo: de um lado um movimento ambientalista - e uma academia - fortemente radicalizado, que sem grande enraizamento social tenta sistematicamente usar a legislação para ter ganho de causa, do outro processos de decisão obscuros, pouco transparentes e, sobretudo, conduzidos de forma timorata, que procuravam garantir que se evitavam muitas ondas políticas e sociais (ao dizer isto, não posso deixar de dizer que, nessa altura, eu era vice-presidente do ICN e a proposta dessa legislação passava directamente por mim, portanto a descrição do processo de decisão que faço é com conhecimento de causa e não pretendo omitir as minhas responsabilidades nesses processos de decisão, sejam elas quais forem, o que não estou a discutir agora).

Em vez de se procurar, de forma aberta, uma legislação aceite por todos (o que é diferente de ter uma legislação com que todos estão de acordo, todos nós aceitamos no nosso dia a dia milhares de coisas com que não estamos de acordo), em que se procurasse atender à realidade de haver espécies invasoras muito agressivas e de elevado risco, espécies comprovadamente invasoras mas de baixo risco, espécies potencialmente invasoras, mas cuja presença entre nós não demonstra, até agora, qualquer evidência de comportamento invasor e espécies não presentes ainda, potencialmente invasoras, tratando cada um destes grupos de forma diferenciada, o que se procura é bem mais complicado.

De um lado, um grupo muito pequeno de pessoas, muito conhecedoras e conscientes dos riscos associados às espécies invasoras, que pretendem aproximar-se, tanto quanto possível, do risco zero associado ao uso de espécies exóticas, sabendo como o problema é relativamente fácil de controlar inicialmente (mas com o problema, inevitável, de nos faltar quase sempre a informação necessária para termos a visão correcta e atempada do problema antes dele se tornar grande), mas virtualmente impossível de resolver uma vez atingida uma certa dimensão (como acontece com um fogo ou uma epidemia).

Do outro uma administração pública incapaz de tomar decisões e correr riscos, pressionada por regulamentos e disposições europeias ou globais, expressas em convenções ou outros tratados internacionais a que Portugal se obrigou, sem capacidade nem recursos para ter instituições suficientemente crediveis e fortes na produção de informação de gestão consistente nos domínios nos quais se detem competências, dependendo, portanto, do primeiro grupo para a produção da informação de gestão de que necessita.

Em consequência, o que está na legislação a que fiz ligação acima, é que uma albizia julibrissin, há décadas nos nossos jardins, sem dar sinais de comportamento invasor (o que não quer dizer que não seja potencialmente invasora), é tratada com o mesmo rigor das háqueas, sendo proibida a sua detenção, comercialização, utilização, etc..

E o resultado dessa legislação é que a espécie continua a ser usada, incluindo pelo Estado, que ignora a sua própria legislação e, evidentemente, a ninguém passa pela cabeça andar a arrancar todas as albizia julibrissin que existem por aí, ao mesmo tempo que são muito raras e inconsistentes a maioria das acções necessárias de controlo de verdadeiras invasoras de alto risco.

Um bom exemplo são as milionárias intervenções do Estado (sim, há muito dinheiro alocado a isso) de emergência e recuperação pós fogo, que brotam como cogumelos depois de grandes incêndios, que tratam os riscos de expansão de invasoras  - sobretudo acácias e, em especial nos xistos, háqueas - como uma questão menor, em vez de ser o principal problema em que investir recursos, quer porque é depois do fogo que há uma maior expansão destes dois grupos de invasoras, quer porque é nessa altura que é mais fácil o seu controlo, nomeadamente o controlo da germinação dos milhões de sementes de háquea que o fogo liberta da prisão em que a planta as segura até que o corte, a secura ou o fogo consigam abrir as cápsulas que as protegem.

O problema destas invasoras muito agressivas no pós fogo é um problema social e de gestão de recursos naturais incomparavelmente maior que o eventual comportamento invasor do eucalipto, que o problema da erosão pós fogo, que o problema da reposição do potencial produtivo, que o problema da transformação da paisagem e todos essas coisas em que gastamos os recursos disponíveis.

O custo de oportunidade associado aos recursos gastos a fazer plantações pós fogo - é tão mais giro e reconfortante plantar carvalhos, quando comparado com o arranque das jovens háqueas antes que comecem a dar semente outra vez, em dois anos -, ou a fazer controlo da erosão e da torrencialidade, apesar de brutal, é totalmente invisível para a generalidade das pessoas comuns, para a generalidade dos decisores (públicos e privados, a quantidade de voluntariado corporativo que insiste em fazer plantações, em vez de controlar invasoras, é inacreditável) e para a generalidade dos poucos para quem a gestão de invasoras é um problema realmente sério (incluindo o grupo, ainda mais pequeno, mas em crescimento, dos que acham a guerra das invasoras uma guerra perdida, não valendo a pena gastar recursos num problema sério, sim, mas insolúvel).

Precisaríamos de um grupo de economistas com boas capacidades pedagógicas para fazer umas acções de formação em "custos de oportunidade" ao movimento ambientalista.

E, já agora, talvez fosse boa ideia reservar alguns dos lugares disponíveis nesses cursos para epidemiologistas, suspeito que também aí os custos de oportunidade sejam invisiveis.

Aqueles que não se devem nomear

por Jose Miguel Roque Martins, em 15.04.21

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Sabiamente, o Ministério da magia proibiu uma personagem que, de tão má, não devia ser chamada pelo nome. Passou a ser , "aquele que não se pode nomear". 

Por aqui, ao contrario,  dão-lhes palco e importância. Tudo aquilo que não se deve fazer. Ignorar o  personagem e impedir o seu regresso, é um balsamo para as vitimas e o seu verdadeiro castigo. 

A incidência e o RT são péssimos indicadores

por Jose Miguel Roque Martins, em 14.04.21

Toda a nossa estratégia de acompanhamento da pandemia continua a incidir em dois indicadores, os infectados e o RT, que podem ser substituídos por indicadores bem mais potentes: os internados e as mortes. Nada sei de epidemiologia, mas tenho esperança de perceber alguma coisa de lógica, que por vezes não substitui o conhecimento.

A suposta utilidade da monitorização das infecções é elas nos darem o quadro do que possa acontecer . São uma "proxy" do que pretendemos verdadeiramente controlar, os efeitos negativos da infecção. Mas nada disto faz sentido, quando ocorrem mudanças na virulência da doença ( impedindo de comparar o incomparável).  Sobretudo, como é o caso,  quando temos dados directos do que realmente importa. 

Estar infectado mas assintomático (ou quase), não é um problema em si mesmo, apenas é relevante pela possibilidade de induzir novos contágios. Imagine-se que mais nenhum infectado fosse internado ou morresse, mas houvesse um enorme surto de infecções. Pelas regras actuais estaríamos todos confinados.  Para quê?

Em vez de traçarmos limites para infecções, deveríamos traçar limites para o que efectivamente pretendemos evitar: internamentos e óbitos. O RT, deveria ser calculado em termos de internados e mortes e não de infecções .

Com a vacinação dos mais velhos ( que infelizmente ainda não aconteceu completamente) a mortalidade da doença vai necessariamente diminuir, tal como está a acontecer em países com um processo mais avançado. Fará sentido mantermos métricas que se alteram em termos de consequências? Fará sentido medir o potencial dano em vez de danos reais?

Ao contrário, se a mortalidade ou os casos graves dispararem, para um mesmo numero de infectados, faz sentido continuar a usar as mesmas métricas desactualizadas ? 

A mim parece-me que não. Mas estou curioso com os comentários a este post. 

A entrevista de hoje com Sócrates? - Haja higiene mental!!!

por João-Afonso Machado, em 14.04.21

Parece que essa pinoquiana figura será entrevistado dentro em pouco na TVI. Se vou assistir a esse despautério? - Não, não vou.

Não vou por cuidados de saúde. Não quero enervar-me com o descaramento... Antevejo o filme, aliás um remake de longos anos de outros remakes:

- Sócrates tentará denunciar a «cabala».

- Insistirá que não se trata de um processo judicial mas político. Do seu assassinato político. Ele que já ia a caminho da Presidência desta República...

- Vergastará o MP e apoiar-se-á numa decisão instrutória que a generalidade dos portugueses não tem meios de compreender, enquanto não decisão final do processo.

- Dir-se-à inocente (at finis) valendo-se do que as pessoas desconhecem: em que fase processual estamos e quais as que se seguirão.

- Indignar-se-á com a acusação de 3 crimes de branqueamento de capitais e jurará que se inocentará deles. Pelo meio, tudo há de fazer para que se não fale em falsificação de documentos. Está pronunciado por 3 crimes dessa natureza, e papel é papel, assinatura é assinatura. E o 1º Ministro foi 1º Ministro.

- Vitimar-se-à, crucificar-se-á e tentará silenciar o entrevistador. Como fez, há uns anitos, com Vítor Gonçalves.

- Para memória dos leitores, este link - https://observador.pt/2017/10/13/gaffe-na-rtp-entrevista-de-socrates-interrompida-por-serie-policial/.

- Ou seja, se o entrevistador da TVI estiver à altura dos acontecimentos, ao menos todos ficaremos a saber: estatisticamente, a Relação de Lisboa mandará Ivo Cruz dar uma volta ao bilhar grande. O dito entrevistador decerto acabará insultado pelo seu bom serviço a Portugal.

 

Enfim, nesta perspectiva, um share baixo dessa hora, só poderá demonstrar o crédito dos portugueses na Justiça. Ou o seu vómito sobre a personagem em causa...

 

Fernando Medina, anjinho ou impostor?

Discurso de Fernando Medina em Viana do Castelo 03-06-2011

por João Távora, em 14.04.21

“Porque nós precisamos da tua (José Sócrates) liderança, conhecimento, experiência, determinação e energia neste momento tão difícil. Mas porque nós precisamos também da tua ambição de progresso, de crescimento e modernidade. Porque nós precisamos da tua dedicação sem reservas a Portugal e aos portugueses.”

Gelo fino

por João Távora, em 14.04.21

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Parece-me evidente que a comoção nacional da passada sexta-feira não teve expressão clara nos partidos do sistema. Ademais o silêncio de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa quanto às questões levantadas pela decisão instrutória de Ivo Rosa é gritante. O respeito pela independência dos órgãos de soberania que não se dão ao respeito não explica tudo. Para mim que sou um conservador que preza instituições sólidas tudo isso parece-me um grave prenúncio. Que nos habituámos definitivamente a viver no pântano, ou o regime, incapaz de se olhar ao espelho, ameaça cair com estrondo um dia destes, incapaz ler o alarme da rua. Por agora ainda é possível a um antigo primeiro-ministro corrupto que enterrou o nosso país numa brutal crise financeira vir gozar com a cara de todos nós num canal de televisão – eu por pudor não vou assistir.

Caminhamos em gelo fino. Com uma dívida pública que fechou o ano de 2020 nos 133,7% do PIB de 274,1 mil milhões de euros,  com a economia confinada há mais de um ano, prenúncia-se de uma crise de proporções inimagináveis. Talvez seja tempo das oligarquias que se alimentam do regime parar para pensar. É que quando a crise chegar ao estômago dos portugueses não haverá geringonça que os salve nem causas fracturantes que os distraiam.

Não é ele, são os outros

por henrique pereira dos santos, em 14.04.21

Quando Guterres ganhou as eleições, em 1995, fez um governo de coligação PS/ independentes.

Nessa altura Elisa Ferreira fazia parte dos independentes e José Sócrates fazia parte do aparelho do PS e, como acontecia em vários ministérios, a tensão entre os independentes e o aparelho do PS era alta, e era gerida com pinças pela cúpula do PS e do governo.

Em muitos ministérios os independentes eram ministros, mas na verdade não escolhiam integralmente os seus secretários de Estado, pelo contrário, tinham secretários de Estado que estavam ali para reestabelecer o equilíbrio entre PS e independentes (e, aparentemente, também para serem controleiros dos ministros).

No caso desse Ministério, Elisa Ferreira fazia questão de marcar a sua independência, trazendo Ricardo Magalhães, em que depositava confiança pessoal, como seu secretário de Estado a quem atribuiu todas as competências mais relevantes do Ministério à época (água, conservação da natureza, etc.), e a José Sócrates atribuiu a posição formal de secretário de Estado adjunto, ou seja, a segunda figura do ministério, ao mesmo tempo que lhe dava competências em matérias que, na altura, eram marginais (resíduos, defesa do consumidor, etc.) ao ponto do próprio se intitular a si próprio como o "Zé das Sobras".

Elisa Ferreira nomeou para a presidência do ICN Teresa Andresen e isso teve um resultado inesperado: eu fui nomeado vice-presidente do ICN, o que me levou a ser uma testemunha relativamente próxima dos métodos de actuação de José Sócrates, mesmo que o meu secretário de Estado de tutela fosse Ricardo Magalhães e não Sócrates.

Uma pequena história ajuda a perceber a natureza das coisas.

Sócrates estava profundamente empenhado na co-incineração dos resíduos nas cimenteiras e uma das cimenteiras ficava (e fica) localizada no Parque Natural da Arrábida.

O director da área protegida fez umas declarações moderadíssimas sobre o assunto: se houvesse decisões de nível nacional sobre o assunto não caberia ao director da área protegida ter opinião sobre o assunto, mas estritamente do ponto de vista da área protegida, preferiria que a co-incineração fosse feitas noutras cimenteiras e não na que se localizava na Arrábida.

Sócrates, a braços com a contestação do movimento ambientalista à co-incineração - inicialmente Sócrates foi apoiado pelo movimento ambientalista na gestão dos resíduos, mas a opinião depois mudou - considerou estas declarações inaceitáveis (punham em causa a ideia de que a incineração era inócua e não tinha qualquer problema ambiental) mas não tinha tutela directa sobre o ICN e estava em permanente conflito com a ministra e os independentes para ganhar espaço político (o que sempre fez com enorme eficácia).

Esperou pelas férias da ministra, nas quais assumia o papel formal de ministro em substituição, para chamar ao seu gabinete, sem dar conhecimento à cadeia hierárquica, o director da área protegida, para o destratar e ameaçar (escuso-me a pormenores, a forma como Sócrates tratava os seus subordinados, a quem exigia fidelidade absoluta, é do conhecimento público) com o objectivo de condicionar a sua opinião e eventual decisão numa matéria a que Sócrates dava importância política.

As questões formais, a lei, a decência ou a mera urbanidade no tratamento eram, para Sócrates, meros pormenores sem qualquer relevância face ao seu ganho político (não falo dos outros, não tenho informação concreta sobre isso) em cada situação.

Se eu, um mero subalterno sem ligação funcional directa (e que sempre procurei manter uma distância higiénica de Sócrates e do seu círculo próximo, muito influente na área da conservação da natureza em que sempre trabalhei), sabia perfeitamente quais eram os métodos de actuação de Sócrates e a forma como sempre tratou as pessoas (primeiro tentando seduzi-las para os seus pontos de vista, em falhando, tentando comprá-las, em falhando, ameaçando e perseguindo), e de como as regras, a lei e a decência se submetiam sistematicamente aos seus objectivos pessoais, como é que os outros, todos os outros que lidavam todos os dias com ele, anos seguidos, não sabiam de nada e nunca perceberam os riscos institucionais associados à atribuição de poder a uma pessoa que agia sem o menor respeito por o que quer que achasse um obstáculo para os seus objectivos?

A lei e a justiça são importantes, claro, mas antes disso a questão está em perceber que raio de pessoas e que raio de princípios seguem as pessoas que durante anos seguiram Sócrates, sabendo perfeitamente quem era e como actuava?

Eles, como eu, sabiam perfeitamente que a enorme eficácia política de Sócrates - é dos melhores nisso - assentava na sua amoralidade e na forma como lhe era completamente indiferente a forma como obtinha ganho político, desde que o obtivesse, o que nos distingue é que eu valorizo mais os meios que os resultados, ao contrário dos apoiantes de Sócrates que sempre desvalorizaram os meios, desde que os resultados lhes parecessem bons.

Os inteligentes e os pobres de espírito

por Jose Miguel Roque Martins, em 13.04.21

Em 6,8 milhões de vacinas da Jansen administradas nos EUA, uma pessoa morreu, outra está em estado grave e outras 4 tiveram uma trombose menos maligna. Todas os casos foram em senhoras jovens. Suspeita-se que estas tromboses, tenham acontecido como consequência da vacina.

Tanto basta para que a suspensão da vacina tenha sido declarada, pelo menos por uns dias, nos EUA. E no actual concurso internacional para apurar quem é mais prudente e responsável, não admirará que o mesmo venha a acontecer na Europa, apesar do seu atraso brutal na vacinação.

Se vacinássemos 6,8 milhões de pessoas em Portugal e morressem, em consequência da vacina, 30 pessoas, muito mais do que aconteceu nos EUA, não seria melhor do que não as vacinar?

Se continuássemos a vacinar homens com esta vacina, desviando as Senhoras para outras vacinas, não seria um caminho menos drástico mas igualmente prudente ?

A resposta para mim é evidente. Os custos têm que ser comparados com os benefícios. Mas nada disto é o meu ponto com este Post.

A minha irritação é porque não são os cidadãos, devidamente informados das estatísticas e possíveis consequências, chamados a tomar a sua própria decisão, quanto a tomarem ou não a vacina?

Assim como vacinar grupos e grupinhos prioritários tira a vacina aos mais idosos, o que faz com que mais morram, não aproveitar vacinas que não podem ser substituídas por outras, implicará  um maior risco de mortes. Como não dar a liberdade de escolha aos cidadãos a quem não é oferecida nenhuma alternativa?

Como sempre, os “inteligentes” decidem pelos pobres de espírito, aquilo que lhes é mais conveniente. Lamentável.

Em louvor do fogo

por henrique pereira dos santos, em 13.04.21

Há semanas que ocorre um debate num grupo que se interessa por questões florestais sobre o uso do fogo na gestão do território.

A maior parte do debate tem de um lado as pessoas que gerem concretamente terrenos com alguma dimensão, e que, com variações, admitem o uso do fogo, tendo uma ideia muito clara de que a opção não é entre arder ou não arder, mas entre arder da forma que se entende, nos sítios que se entende, nos tempos em que se entende, com as melhores condições para controlar os efeitos potencialmente negativos do fogo, ou arder descontroladamente quando calha e nas condições que potenciam os efeitos negativos do fogo.

O outro lado tem uma série de pessoas que nunca conseguem explicar que áreas gerem - há um pequeno grupo que gere áreas agrícolas, não áreas marginais, que alinham neste lado do debate - e que têm ideias definitivas sobre o fogo, tendo a absoluta certeza de que é possível eliminar o fogo dos sistemas naturais que ocorrem nas nossas condições.

Até aqui, nada de anormal, a discussão entre quem se baseia no "honesto estudo, com longa experiência misturado" e aqueles que jamais deixarão que os factos influenciem as suas ideias é um debate eterno (e útil, é fundamental que os primeiros avaliem os argumentos dos segundos e consigam dar-lhes resposta racional porque nenhum dos grupos alguma vez terá todo conhecimento).

O que mais me espanta não é a existência destes dois grupos na discussão, o que me espanta são os poucos que seguramente praticam o "honesto estudo com longa experiência misturado" mas se fixam num aspecto do problema, esquecendo todos os outros e as relações entre os diferentes factores envolvidos em processos complexos.

São os que sabendo muito, reconhecendo que os outros podem saber muito de fogo, decretam que não sabem nada de ecossistemas e vegetação, para concluir que não se percebe por que razão alguém perde tempo a queimar giestais quando os giestais beneficiam com o fogo.

É bem verdade que os giestais se dão bem com vários padrões de fogo e é bem verdade que são dos principais beneficiários do padrão de fogo dominante actualmente em Portugal, os grandes fogos de Verão, com frequências que em média andarão pelos doze a quinze anos de intervalo, situação que, aparentemente, em muitas circunstâncias, conduz a um bloqueio da sucessão ecológica, com dominância esmagadora do giestal.

Quando um giestal se instala - e instala-se facilmente porque a giesta está especialmente adaptada a este tipo de fogos, comportando-se como uma invasora muito agressiva, só não sendo considerada uma espécie com comportamento invasor porque a definição de espécie invasora implica que não seja uma espécie autóctone - o tempo relativamente longo até ao fogo seguinte, os tais dez ou quinze anos, permitem o domínio quase total do giestal, que forma uma massa densa de giestas que impede a insolação do solo, dificultando enormemente a germinação do banco de sementes que possa existir no meio desse giestal.

Quando ocorre um fogo intenso de Verão - e ocorre sempre, mais cedo ou mais tarde - a camada superficial do solo é profundamente afectada, o banco de sementes que exista é destruído, a matéria orgânica existente na camada superficial do solo é calcinada, ao mesmo tempo que as sementes da giesta beneficiam de todo o processo por estarem preparadas para essas circunstâncias, a dormência das suas sementes é quebrada pelo fogo, sendo beneficiárias desse fogo intenso.

O resultado é a rápida reinstalação da dominância do giestal, momentaneamente quebrada pelo fogo, retomando a evolução que mantém o giestal denso como esmagadoramente dominante.

A questão a que aparentemente alguns ecólogos, que se recusam a estudar a ecologia do fogo, parecem não dar importância é que ao mexer nas características do fogo - frequência e intensidade - é possível quebrar o processo de auto-perpetuação do giestal.

Ao fazer um fogo controlado - o giestal arde muitíssimo bem nos fogos intensos de Verão, mas é dos sistemas mais difíceis de queimar com fogos prescristos porque, não havendo continuidade de combustiveis no solo, a propagação tem de ser feita através de um fogo de copas no giestal, com riscos muito elevados de ultrapassar a intensidade pretendida, aproximando-se de um fogo de Verão, nas suas consequências - não há afectação da camada superficial do solo, não há afectação do banco de sementes de outras espécies que existam e a vantagem das giestas face a outras espécies é bastante menor que a que existe em fogos intensos de Verão, abrindo oportunidades à germinação e sucesso reprodutivo de muitas outras espécies.

Ainda assim, se se mantiver a frequência de fogos de dez/ quinze anos, é natural que o giestal vá retomando a sua anterior preponderância, mesmo que com maior dificuldade dada a presença de outras espécies que competem pela luz, nutrientes e água.

Mas se se encurtar a frequência de fogo para quatro ou cinco anos, repetindo o fogo controlado - o segundo fogo será muito mais fácil que o primeiro dado que a continuidade de combustíveis no solo é maior e não será preciso fazer um fogo de copas para assegurar a progressão da chama - quebram-se as vantagens competitivas do giestal e a evolução vai tomando outro caminho.

Claro que todo o processo pode ser acompanhado por outras medidas de gestão entre fogos que garantam a progressiva perda da dominância do giestal, aumentado a diversidade ecológica e, sobretudo, mudando a agulha na evolução dos sistemas naturais, fugindo ao beco sucessional do giestal denso.

A solução ideal é juntar a este processo o pastoreio, por razões que não vou agora explicar (seria outro post tão igualmente extenso como este e com provavelmente tão poucos leitores interessados como este), mas nem sempre isso é possível.

O que me interessa é mesmo esta dificuldade que todos temos de pensar de forma diferente em assuntos que conhecemos muito bem: já olhámos para eles tantas vezes, já os estudámos tanto, como é possível que haja uma coisa básica que nos tenha escapado?

Não só é possível, como acontece frequentemente, como até é o mais natural que aconteça, é por isso que a democracia, isto é, o governo das pessoas comuns, de maneira geral é bastante mais eficiente, no longo prazo, que a tecnocracia, isto é, o governos dos técnicos.

Uma pessoa que sabe que não sabe está, por definição, muito mais disponível para admitir que talvez haja outra maneira de ver um assunto que o maior especialista nesse assunto.

Max Planck sintetisou bem a coisa "“A new scientific truth does not triumph by convincing its opponents and making them see the light, but rather because its opponents eventually die, and a new generation grows up that is familiar with it.”

Um jornalismo militantemente contra teorias de conspiração

por henrique pereira dos santos, em 12.04.21

O Público é, neste post, um mero exemplo de como o jornalismo militantemente contra teorias de conspiração tem dias.

O Público, como a generalidade da imprensa, recusa dar a voz ao contraditório em matéria de epidemia porque não alinha em teorias de conspiração e entende que os terraplanistas não devem ter espaço mediático por serem um perigo público, embora até agora ninguém tenha encontrado nenhuma evidência do efeito das teorias de conspiração na evolução da epidemia.

O mesmo Público, militantemente contra terraplanistas com teorias de conspiração, por outro lado, acha normal entregar uma página inteira sem qualquer contraditório a um aldrabão que mercadeja o seu cargo e vende a sua personalidade, para que possa explicar pormenorizadamente a sua teoria de conspiração, assente, aliás, em mentiras comprovadas, como a de dizer que o tribunal demonstrou que tudo de que era acusado era mentira.

Com a agravante de que os efeitos sociais negativos deste terraplanista, vendedor de ilusões e teorias de conspiração, estão absolutamente comprovados.

E, já agora, esses efeitos sociais negativos foram grandemente amplificados por esta mesma imprensa que sempre tratou com displicência, brandura e compreensão as mais variadas teorias de conspiração com que este terraplanista justificava as mais mirabolantes peripécias da sua longa carreira política, pelo menos desde o aterro da Cova da Beira que, já em 2003 (2003, senhores, há 18 anos), levou a PJ a querer fazer buscas em casa de Sócrates (o que o Ministério Público não autorizou, sem que a imprensa achasse o assunto suficientemente sumarento para investigar seriamente o que se tinha passado).

E continuam a tratar o negacionismo (ele nega tudo de que é acusado, claro) de Sócrates como mera matéria de opinião a que é preciso dar espaço mediático.

Pobreza socialista

por Jose Miguel Roque Martins, em 12.04.21

Mais um relatório sobre a pobreza em Portugal, lança de novo a consternação generalizada, que ao contrario da pobreza, logo irá passar, depois de alguns lugares comuns sobre o tema.Afinal todos sofremos muito com os pobrezinhos. 

De que apoios sociais, políticas redistributivas pesadas, empregos não precários e muita vontade não acabam com a pobreza, não se tiram conclusões.

Não é possível acabar com a pobreza num pais pobre. Não é possível acabar com a pobreza, enquanto não nos concentrarmos em produzir riqueza. Não basta criar riqueza, se a esbanjar-mos, a seguir, num Estado ineficiente.

É simples, mas parece complicado. Não é apenas Ivo Rosa a recusar-se a ver o evidente. São a maioria dos Portugueses. 

 

 

Domingo

Da Misericórdia

por João Távora, em 11.04.21

Rembrant.jpeg

Rembrandt (1634)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

Palavra da salvação.

Comentário: Com a Ressurreição, começou um novo modo de existência para Jesus Cristo. A partir desse momento, já não será mais possível conhecê-l’O através dos meios humanos. Tem que se passar da visão à fé. Será ela que nos permitirá «ver» Cristo Ressuscitado nos Seus sacramentos e na vida da Sua Igreja.
Aqueles, porém, que crêem no Filho de Deus, sem O ver, sem O tocar, sem discutir, serão tão felizes como aqueles que foram testemunhas oculares da Sua glória de Ressuscitado.

Realidades paralelas

por Jose Miguel Roque Martins, em 11.04.21

Opiniões , estratégias, objectivos e interpretações, são natural e saudavelmente diferentes , idealmente gerando debate e correcções de perspectivas individuais.

Realidade e factos deviam ser partilhados por todos. Não é o que acontece.

Quando se olham para as estatísticas, em proporção dos habitantes, Portugal, os EUA, ou o Reino Unido, entre outros, apresentam piores resultados do que o Brasil. Apesar de disporem de um nível de riqueza francamente superior ao do Pais irmão, o que lhes permite ter mais meios para o combate á pandemia . Quem vê os telejornais, será difícil de não ficar com a impressão que o Brasil enfrenta a mais terrível crise de Covid do Planeta. O que fica? Os factos ou as impressões?

Os problemas do Brasil, por mais dolorosos que sejam, são nos mais distantes do que os nossos, servindo para ilustrar que se criam facilmente fábulas que, repetidas 1000 vezes, passam a verdades. Mesmo quando existe informação numérica e exacta que contraria frontalmente a tese. É oficial : as convicções sobrepõe-se mesmo à realidade.Deixamos de viver no mundo real e entramos na fantasia. 

Quando um regime, como os antigos estados comunistas, construíam muros para impedir os seus cidadãos de fugir, não deixaram de continuar a existir pessoas, ainda hoje, que continuam a achar serem esses regimes ideais.

Quando nos EUA,  construir muros para impedir a avalanche de pessoas que nele querem viver, passou a ser motivo de propaganda política para os residentes, nem assim o holocausto capitalista deixou de ser o pior dos mundos para muitos.

Cada vez mais, cada um de nós,  pertence a um grupo que tem uma visão completamente diferente da realidade dos outros. Tão distante, que vivemos, de facto,  em realidades paralelas. Na melhor das hipóteses partilhando algumas verdades com outros grupos.  Estes grupos não param de se multiplicar, com mais novas causas e credos. Enquanto assim for, o radicalismo veio para crescer.

E o difícil é  garantir que a nossa realidade é a certa.

Decência

por João Távora, em 10.04.21

Filipe.jpg

Para vos dar um pouco de alento, aqui parilho uma fotografia extraordinária de um homem decente. Cumpriu honradamente o seu papel, como um verdadeiro príncipe. Adeus Filipe de Mountbatten.

Em equipa que ganha não se mexe

por Jose Miguel Roque Martins, em 10.04.21

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Para muitos, como Al Capone, ter nascido nos EUA  foi um azar. Se tivesse nascido Português, não tinha sido preso: aqui, os frutos do crime não pagam impostos! 

Nos EUA, pelo que vejo nas series, os procuradores são avaliados pela taxa de condenações que conseguem. Em Portugal, o que importa são cruzadas mesmo que infrutíferas. 

No direito Anglo-saxonico, compete ao juiz ou a um júri, apreciar as evidencias e decidir. Aqui, compete a um juiz, verificar se os pontos e virgulas batem certo. 

Os casos graves nos EUA, são julgados rapidamente e os condenados presos com celeridade. Aqui, nada acontece, a não ser passarem anos até o presumível culpado morrer de tédio. 

Em Portugal não temos dinheiro nem justiça nem liberdade. Mas estamos a salvo de viver em países mais liberais que se preocupam com a eficiência das coisas. Em equipa que ganha, não se mexe. 

 

Alienação e inercia totais

por Jose Miguel Roque Martins, em 10.04.21

Todos nós temos fantasias. A maior das quais, de que a justiça a 100% é possível.

O espectáculo de ontem, devidamente televisionado, tornou claro que o ministério publico tem insuficiências, que o literalismo de juízes os envia para uma realidade alternativa, que as nossas leis e  processo judicial são incapazes de produzir resultados compreensíveis.

A substância das coisas, não  importa. Apenas a forma conta. E os objectivos da justiça, garantir direitos aos cidadãos e punir prevaricadores, perde-se. Apenas o "devido processo" importa.

Quem esteve pior?

O ministério publico, que gastou imensos recursos da sociedade atrás de crimes prescritos e acusações tecnicamente erradas ( a confirmarem-se) , em busca de vitorias morais? 

O Juiz do processo, que na sua literalidade considera que o dinheiro proveniente de crimes não é uma infracção fiscal ( porque não há um impresso onde possa ser declarado)  e onde testemunhas com declarado interesse em causa própria se sobrepõe a suspeitas de testemunhos corrigidos por eventual interesse próprio?

A lei, que estabelece prazos de prescrição ridículos e estabelece um colete de forças intransponível à prova do que quer que seja, em nome da protecção de direitos e garantias e impede que um juiz possa corrigir a natureza dos crimes evidenciados, de forma a que sejam aproveitados os factos apurados?

A arquitectura do sistema jurídico,  que não permite um maior grau de  interpretação da realidade conhecida, por um júri representativo da sociedade, com o medo de sempre, de que as pessoas são estúpidas e compete apenas aos inteligentes e certificados a ultima palavra?

A morosidade habitual do processo,  que impede, desde logo, a possibilidade de justiça?

É difícil decidir. Sabemos apenas que a justiça não funciona razoavelmente, e que as possíveis causas são múltiplas e conhecidas. E no entanto parece fácil: o que parece, sabe e cheira a mel, normalmente é mel. 

E na discussão  dos detalhes, vamos como sempre, cair nos dois pecados capitais de sempre: perder de vista os verdadeiros objectivos e nada mudar. 

 

 

 

 


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