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A hipótese do frio

por henrique pereira dos santos, em 26.01.21

Há uns posts atrás escrevi que me parecia absurdo esquecer a importância da anomalia meteorológica que começou a 24 de Dezembro e terá terminado entre 13 e 19 na explicação da evolução da epidemia.

Inicialmente a hipótese que formulei (que palavra pretensiosa, mas é a que encontro agora para o que quero) partia do princípio de que haveria uma relação quase imediata entre frio e mortalidade, para além de presumir, erradamente, que o episódio de frio tinha terminado no dia 13, provavelmente influenciado por ser nesse dia que acabava a análise do IPMA.

A vantagem de dizer asneiras publicamente é que há sempre umas almas caridosas que nos dizem que não é assim e nos mandam informação relevante.

Foi por isso que reformulei a hipótese, tendo em atenção o desfasamento de 4 a 7 dias que a literatura dizia que se verificava entre o frio extremo e o seu reflexo nos dados da mortalidade, para além de deixar de partir do princípio de que a anomalia das temperaturas mínimas tinha terminado a 13 de Janeiro (o que é mais ou menos verdade para a raia a Norte do Tejo, mas não tanto para o litoral).

Se esta hipótese estivesse tão certa como admiti, por estes dias, 25, 26 de Janeiro, a mortalidade global estaria em queda livre.

Não é, de maneira nenhuma, o que se verifica há de facto uma relativa paragem do crescimento da mortalidade global por volta do dia 15 de Janeiro (com um máximo a 20 de Janeiro) e uma descida lenta que parece estar a acontecer (os dados de hoje ainda são demasiado frágeis, mas sugerem que talvez os números da mortalidade global desçam ligeiramente em relação a ontem). Ao mesmo tempo a mortalidade covid continua a subir e vai aumentando o peso na mortalidade global.

Apesar deste gráfico ter erros e imprecisões, fi-lo só para me ajudar a pensar, dá uma ideia do que estou a dizer (já com os dados de mortalidade covid de hoje).

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Ou seja, a minha hipótese em relação à mortalidade global não parece ter uma base muito convincente, mas o arrastamento da mortalidade covid permite pensar que talvez não esteja totalmente errada e a subida excepcional verificada combine mortalidade covid e frio, a primeira a descer mais tarde, a segunda descendo mais cedo.

Amanhã avalio a hipótese de que as previsões sobre a evolução da epidemia não seguiria as previsões da equipa de Manuel Carmo Gomes, tal como apresentadas pelo Público na sua primeira página do dia 13 de Janeiro, quando tiver os dados da DGS de amanhã, 27, que era quando acabavam essas previsões.

Abstencionistas, somos só 60%!

por Duarte Calvão, em 26.01.21

 

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Estou bastante decepcionado com os comentários que tenho ouvido sobre a abstenção de 60% nestas presidenciais – percentagem para a qual contribuí alegremente, como já tinha feito para os não-pandémicos 51% de 2016 e os 53% de 2011. Em vez de, como de costume, esta opção da maioria absoluta do eleitorado em mandar à fava os candidatos semi-presidenciais provocar a necessidade de uma “profunda reflexão”, agora há um sentimento de alívio por a abstenção não ter sido ainda maior. Foi a pandemia, foi não sei quê com cadernos eleitorais e emigrantes, foi as reeleições serem sempre menos participadas (esquecendo, claro, os 70% com que Mário Soares conseguiu o segundo mandato em 1991).

Políticos, comentadores e demais especialistas que passam horas a examinar meticulosamente sondagens garantem-nos que “esperavam muito pior”. Pois eu esperava muito melhor, porque confiei em sondagens meteorológicas e queria ver a abstenção superar os 70%, já que não estava a ver o eleitorado esperar em filas ao ar livre, à chuva e ao vento previstos, para cumprir o seu “dever cívico”.

Por falar em “civismo”, parece que é isso que nos falta a nós abstencionistas em presidenciais. Isso e não sermos suficientemente espertos, deixando que “outros decidam por nós”. Claro que não mereceríamos essas classificações se apoiássemos candidatos do comunismo, do venturismo ou do tinoismo. Ou se fossemos contribuir com o nosso voto para eleger semi-presidentes de uma república falida, venal, imbecilizada com esquematismos esquerda x direita, que nem sequer consegue identificar os motivos da sua decadência, quanto mais mudar de rumo para os ultrapassar. E vamos mas é avançar, porque temos de novo um “presidente de todos os portugueses”, eleito, de facto, por 23% dos eleitores.

Nota: Quadro de abertura retirado da página de Facebook de Nuno Garoupa

Poucos mas Poderosos

por Jose Miguel Roque Martins, em 26.01.21

Quando somamos os resultados de Ana Gomes, Marisa Matias e de João Ferreira , obtemos cerca de 20% dos votos expressos. São apenas 1 em 5. E no entanto, tanto mal conseguem fazer......

O PS, tem alguns socialistas verdadeiros. Daqueles que continuam a militar numa ideologia já desacreditada pela História. A maior parte, serão sociais democratas e outros são do PS, porque sempre o foram. Bom seria que a maioria migrasse para o PSD, que por sua vez fizesse a purga daqueles  que são mais á direita do que o centro tão desejado pelo seu Líder, Rui Rio. Hoje, os sociais democratas votam no PS, porque sabem que na sua maioria, os apoiantes do PSD, estão, de facto, mais à direita.

Conseguir-se-ia, desta forma, arrumar a perfeita complicação instalada e passarmos a ter um quadro representativo das grandes correntes ideológicas: os Comunistas, os Socialistas, os Sociais democratas, os Liberais e os Conservadores. Para além, claro está,  dos pouco úteis populistas ( bloco de esquerda e Chega)  que com uma clarificação talvez perdessem momento. Nada disto vai acontecer rapidamente.

 No entretanto, floresce o populismo, ninguém sabe em que vota e, no final, uma pequena minoria,  a ala esquerda do PS, os comunistas e o bloco de esquerda, manda nisto tudo. Poucos mas poderosos.

 

 

A felicidade de não ser de Esquerda permite-me, em toda a minha liberdade interior, ajuizar um pouco sobre os resultados eleitorais de ontem. A saber:

- Passámos anos e anos a gozar com o nosso Célito, mas a verdade é que ele ganhou esmagadoramente. A grande maioria dos portugueses gostou dele - e em número que, olhando para um lado e para outro, permite concluír, Marcelos foi votado à esquerda e à direita;

- Depois o banho levado por Ana Gomes, pelo PCP e pelo BE. A Esquerda toda, afinal uma minoria - mas sempre heróica, chamando logo a si o feito de ter afastado o «perigo da extrema-direita»;

- Ou seja, o Chega!, a tal extrema-direita na falácia esquerdista. O populismo, a xenofobia, uma série mais de estigmas que lhe vão lançando para cima. O tal fantasma que a Esquerda tem de agitar, porque sem encher de medo os cidadãos breve morre no marasmo político;

- Ocorre, porém, o Chega! é um partido sem ideário que apenas diz alto na rua o que as pessoas bichanam em casa. É, fatalmente, um caso passageiro, um protesto. Daí o seu sucesso no Alentejo, à frente das hostes comunistas. E daí as muitas dezenas de pessoas que ouvi, profundamente desencantadas com a inépcia do CDS e do PSD, com todos os caprichos da Geringonça, entusiasmadas agora com a alternativa Chega!

- Gente absolutamente normal, séria e educada - e como tal não especialmente veneradora de António Costa - afinal de contas, o verdadeiro pai (incógnito) do Chega! 

Procedimentos

por henrique pereira dos santos, em 25.01.21

Ontem, uma boa parte dos portugueses tiveram uma experiência prática do efeito das regras na eficiência dos processos.

Para assegurar uma votação segura, foram adoptados um conjunto de procedimentos definidos centralmente, e aplicados com razoável rigidez por pessoas concretas, apoiadas nos meios disponíveis.

O resultado é que apesar da afluência às urnas não ter aumentado muito, o tempo de votação para cada pessoa aumentou substancialmente, uma parte por causa da situação em si, outra por causa da aplicação concreta de regras razoavelmente rígidas.

Por exemplo, em condições normais o ritmo de atendimento das mesas de voto é regulado, espontaneamente, pela bicha das pessoas que querem votar. Ontem não. Ontem as bichas formavam-se longe das mesas de voto e não eram as pessoas que decidiam avançar ou não, mas sim um conjunto de pessoas que ia recebendo informação sobre o que se passava nas mesas de voto e iam transmitindo às pessoas, com a inevitável consequência de falhas de comunicação, distracções de quem dava as ordens, que fazia com que pessoas estivessem à espera quando na verdade poderiam já estar a fazer o que era suposto.

O mesmo é válido para a gestão da epidemia e do sistema de saúde que lhe responde.

Como a covid é uma doença de notificação obrigatória e se optou por considerar o contágio como o primeiro problema a resolver - em detrimento da doença - há um conjunto de procedimentos adoptados que têm efeitos reais na capacidade de resposta do sistema de saúde, incluindo nele a forma como são tratados os corpos dos que morrem.

Uma parte visível da gestão da epidemia, como os problemas com os atrasos em funerais, sobretudo na primeira fase, como as famosas acumulações de caixões, ou bichas de ambulâncias à porta das urgências, não resultam primariamente de um número ingerível de pessoas a morrer ou a afluir às urgências, mas sim da combinação entre um pico de utilização e dos procedimentos adoptados para evitar contágios, que limitam fortemente a eficiência do sistema.

"Do total de 95 doentes, temos com 30 anos dois doentes, com 50 anos estão nove doentes. Isto significa que há vários doentes na urgência dos Covões que dão trabalho para estabilizar e controlar e optimizar, mas não são centenas de doentes. A grande falha é mesmo no plano sequenciador dos cuidados. Onde internar, quem internar, porque internar. Portanto, está a falhar o encaminhamento ou em linguagem popular o arrumo das soluções. Aqui se percebe as filas de ambulâncias. Os doentes não podem permanecer em urgência e sobretudo numa em que os condicionalismos são limitadores de espaço. Por cada um que demora a encaminhar há uma ambulância que não liberta o seu ocupante", escreve Diogo Cabrita, que desde o início da epidemia tem trabalhado na urgência do único hospital exclusivamente covid - o covidário nacional, como lhe chama.

Nem de propósito, o Público tem hoje uma peça com o título "Norma da DGS "retém" doentes dos lares nos hospitais", exactamente sobre o agravamento do congestionamento dos hospitais que resulta de uma norma da DGS "que obriga a que os doentes internados nas enfermarias dedicadas covid 19 e que vão ser reencaminhados para os lares ou estruturas de cuidados paliativos ou integrados não possam ter alta se, ao fim de dez dias de evolução clínica favorável, o teste continuar a dar positivo".

Note-se que a alta médica deixa assim de ser um acto médico tomado em função da evolução de uma doença para passar a ser um acto administrativo decidido em função de um teste laboratorial cuja relação com a infecciosidade não tem, hoje, qualquer base técnica.

"na prática obrigam a que o doente permaneça internado por mais dez dias, ocupando camas que são muio necessárias para outros doentes, quando a evidência científica já demonstrou que já não existe qualquer risco de contágio... estes dez dias em que os doentes ficam retidos nos hospitais têm um efeito dramático porque bloqueiam a entrada de novos doentes, esses sim, com critérios de internamento, e que congestionam as urgências ou não conseguem sair das ambulâncias, que depois se acumulam à porta dos hospitais", diz José Manuel Silva.

Como é inevitável em sistemas burocráticos cheios de pequenos poderes não escrutinados - e por vezes não escrutináveis - à irracionalidade da norma, juntam-se as interpretações criativas ultra-garantísticas de responsáveis de lares que se recusam a receber doentes sem testes negativos, mesmo muitos dias para lá do que a norma estabelece.

Pois bem, perante isto, que são meros exemplos dos efeitos das regras na eficiência de processos - podem acrescentar a isto o que se passa em cada empresa, em cada café, em cada restaurante, em cada centro de saúde, em cada serviço público, etc., de cada vez que alguém decide aplicar uma norma bem intencionada, aparentemente inócua e orientada para o bem comum, seja ela determinada por razões de saúde, ambiente, justiça social ou qualquer outra grande razão ligada à bondade, à justiça e à igualdade - qual tem sido a opção da generalidade do jornalismo?

Escrutinar cada regra, avaliando os seus efeitos e a sua fundamentação ou cavalgar o crescimento metastático da intervenção burocrática, justificando-o com o bem comum e acusando de uma qualquer deficiência de carácter quem se limite a perguntar porquê ou porquê assim?

Bastaria o exemplo da obrigatoriedade do uso de máscaras, e a forma como a imprensa não tem procurando perceber as razões da Alemanha, Áustria e França para alterarem as suas políticas sobre o uso de máscaras para perceber que não é o jornalismo que nos vai defender de regras iníquas e da utilização ilegítima do Estado pelas classes dominantes, estamos mesmo condenados a só contar com cada um dos que queiram defender a liberdade contra o abuso do poder.

Valha-nos D. Sebastião

por Jose Miguel Roque Martins, em 25.01.21

As eleições provaram que os radicais nem são assim tão poucos. Os 4 candidatos extremistas, somaram    perto de 1/3 dos votos. O que é muito. E até seria preocupante se esses votos traduzissem convicções e estivessem concentrados. Não foi assim.

A grande maioria dos Portugueses não é extremista. E mesmo quem votou nos radicais, só o fez porque está desesperado. Sabe que, como estamos, não vamos lá.

Quando olhamos para o futuro vemos que mais do mesmo é o caminho mais provável. Mas também se pode ser optimista. Até o centrão começa a acumular duvidas e interrogações perante a devastadora demonstração de incapacidade colectiva das ultimas décadas. Nem as espantosas revoluções semânticas a que assistimos, conseguem confundir tudo! Depois do desastre de Sócrates, as insuficiências de Costa, não poderão criar alergias duradouras ao incapaz e corrompido socialismo Português?

Por evolução ideológica dos Portugueses, não há condições de termos mudanças tão cedo. Do que gostamos é mesmo de líderes em que tenhamos fé.

E se numa manhã de nevoeiro ( ou de sol, tanto faz)  regressa D. Sebastião?  Alguém como Passos Coelho. E se ele tiver um projecto, suficientemente fracturante para assegurar evolução, mas suficientemente moderado para evitar o medo da revolução? E que as pessoas vejam depois que é possível mudar?

Será que só nos resta mesmo sonhar?

 

Domingo

por João Távora, em 24.01.21

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.

Palavra da salvação

Comentário: a Boa Nova do Evangelho de Jesus Cristo traz aos homens um ideal novo e nova luz para os seus caminhos. É por este caminho novo, que a palavra do Filho de Deus lhes aponta, que os homens hão-de sair da prisão escura em que o pecado os mantém e ser conduzidos ao mundo novo a que o Senhor os quer levar. Para isso, é necessário deixar para trás muita coisa e seguir o Senhor que chama, como logo fizeram os primeiros discípulos que Jesus chamou e que logo O seguiram.

Mais umas eleições, mais uma derrota

por Jose Miguel Roque Martins, em 24.01.21

Acredito na democracia. Acredito tanto, que continuo adepto, apesar de perder sempre as eleições. É o que acontece a quem não é social-democrata em Portugal. Já os outros, ganham as eleições e depois perdem no terreno de jogo, porque a tal social democracia ou socialismo , não tem encontrado grandes interpretes ou não presta. É por isso que somos cada vez mais o parente pobre da Europa.

Somos impermeáveis á esperança. A acreditar que é possível sermos como os outros Europeus. Mais exigentes, livres, ricos ou até mais felizes.

Somos incapazes de arriscar e sair do conhecido, mesmo que mau, com medo de ainda ser pior. Não somos conservadores, estamos apenas paralisados.

E dos poucos rebeldes, a grande maioria, está tão frustrada, que segue o caminho dos radicais espalhafatosos e inconsequentes de esquerda e direita. Para protestar. Ou na esperança de deslocar o centrão para longe da social-democracia, correndo o risco de apenas o assustar com as alternativas.

Vai ter que piorar para melhorar.

 

Nota intercalar

por henrique pereira dos santos, em 24.01.21

Lá para o dia 27, se avaliará o que disse neste post.

Para já, queria deixar uma nota intercalar.

Em primeiro lugar, a ideia de que a anomalia climática teria terminado antes de 19 de Janeiro é excessiva. Provavelmente fui sugestionado pelo relatório do IPMA, que é de 13 (penso que actualizado a 14) de Janeiro, tomando as previsões dos dias seguintes como boas.

A verdade é que, olhando para a monitorização diária ao dia de hoje, parece-me claro que no interior Norte e sobretudo Centro a situação melhorou bastante a partir de 13 de Janeiro (é impressionante como nos dias 8 e 9 a temperatura máxima na Guarda ficou abaixo da normal para as temperaturas mínimas), mas na generalidade do país, nomeadamente nas zonas onde vive mais gente, as coisas só mudaram mesmo a 19, em especial no que diz respeito às temperaturas mínimas, apesar da melhoria pontual do dia 15 (ver abaixo o gráfico para Lisboa), com alguma diferença em relação à previsão do IPMA a 13 de Janeiro.

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Considerando o desfasamento de 4 a 7 dias entre condições meteorológicas e efeito na mortalidade, será de esperar, se este facto tiver um efeito relevante na mortalidade, que comece a haver efeitos visíveis na mortalidade global por estes dias, mais acentuados a partir de 25 a 26 de Janeiro.

Para já esses efeitos não são muito visíveis, digamos que a mortalidade global deixou de aumentar, mas se é verdade que o valor mais alto foi no dia 20, com 735 mortos, ainda estamos na mesma ordem de grandeza, por volta dos 700 mortos diários (ontem estavam em 668, mas podem subir ao longo do dia).

O gráfico abaixo procura perceber o que se passa porque à relativa estabilidade da mortalidade global de há uma semana, dez dias, contrapõe-se uma subida muito expressiva da mortalidade Covid, o que se traduz, como se vê no gráfico, no aumento do peso da mortalidade covid na mortalidade global, saltando da ordem dos 20% no Natal, para os 40% de ontem.

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Ou seja, o que estes dados sugerem é que houve uma conjugação do aumento simultâneo da mortalidade covid e devida a outros factores até 10 a 12 de Janeiro, que se traduziu num expressivo aumento da mortalidade global (que pode ou não, ser influenciada pela dificuldade dos hospitais prestarem cuidados de saúde. Não estou convencido de que esse factor se reflicta em picos de mortalidade, mas mais em aumentos estruturais de menor expressão, mais prolongados no tempo, embora não tenha muita informação que dê fundamento a esta convicção), e que a partir daí a normalização meteorológica esteja a ir no sentido de baixar a mortalidade global e a mortalidade covid esteja a ir no sentido inverso.

Espero que nos próximos dias o saldo seja favorável à diminuição da mortalidade global e que a incidência da covid também acabe por parar o seu crescimento (quer porque entretanto estamos a entrar em quatro semanas de subida, quer porque eventualmente as condições ambientais são menos favoráveis à actividade viral), até porque as famosas previsões catastróficas parecem estar muito longe de se verificarem (a média dos sete dias segue solidamente colada à previsão de crescimento sob confinamento duro), apesar da falta de tempo para a existência  de efeitos relevantes das medidas tomadas até agora.

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Pandemia em Portugal: Se alguma coisa pode correr mal, corre

por Maria Teixeira Alves, em 23.01.21

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Este texto não pretende crucificar governantes, nem o chefe do Estado, em véspera de eleições presidenciais. Pretende antes alertar para os efeitos de sermos um país que peca por amadorismo. Amadorismo esse que, se em situações normais, conduz ao aperfeiçoamento do "desenrasca", em situações graves tem efeitos devastadores.

O que falha nesta gestão da pandemia? 

Falha o estudo de medidas cirúrgicas, que, por um lado seriam mais eficazes para conter a pandemia, e por outro, menos danosas para a economia.

Reparem, não se impõem os testes massivos por concelhos (com o encerramento até aos resultados), o que, pelo menos, permitiria detectar as cadeias de contágio.

Não se impõem os testes rápidos a todas as pessoas que entram em Portugal. Sabem que em alguns países emergentes se compram os testes para se poder viajar? Não será importante que a testagem seja feita à chegada?   De que vale fecharem restaurantes, cafés e lojas se o vírus entra pelas fronteiras e passa concelhos livremente? Portanto mata-se a economia e o vírus continua alegremente a espalhar-se.

O Natal foi trágico por causa da abertura dos concelhos? Não digo que não (foi de facto uma imprudência não fechar os concelhos quer no Natal quer na Passagem de ano). Mas pior do que isso é a falta de controlo no aeroporto. Numa altura em que vêm pessoas de todos os lados do mundo passar o Natal a Portugal qual foi o controlo que foi feito? Pouco ou nenhum. Como é que entram as variantes do vírus do Reino Unido, África do Sul e Brasil, se não for através da entrada de pessoas que vêm do estrangeiro com o vírus?

Falta profissionalismo também na gestão dos casos de isolamento profilático (as pessoas são deixadas em casa 14 dias sem qualquer acompanhamento, sem qualquer prescrição de testes). Mas essas pessoas têm filhos que continuam a circular. 

Porque se há-de demonizar os testes rápidos em farmácias? Será para agradar aos grandes laboratórios? Porque é que neste momento não há testes rápidos em todas as farmácias?

Porque não se facilita o acesso aos testes? Já nem peço que a UE suporte o custos dos testes de modo a que cheguem gratuitos à população, mas que isto não era má ideia, não era.

Em setembro, no regresso às aulas, não era de terem imposto a testagem nessa altura? Só quando quiseram manter as escolas (em janeiro) é que se lembraram dos testes rápidos nas escolas?

Porque razão se há-de fechar as praias (quando já se sabe que o mais eficaz contra o vírus é o sol e a sua vitamina D)? Porque se fecham os paredões, os jardins e os campos de ténis - e outros - ao ar livre? Qual o efeito prático disso na contenção da pandemia? Porquê proibir os cafés ao postigo? Qual a racionalidade disso quando antes as pessoas ficavam numa fila gigante para ir ao supermercado antes do fecho imposto às 13 horas?  

Porque se há-de fazer um encerramento cego de tudo? Só para agradar a comentadores e à indignação do Twitter?

Medidas que têm um custo muito elevado (porque a pobreza provocada pelo lockdown levará décadas a desaparecer) têm de ser tomadas com base na racionalidade o mais científica possível, de modo a só fechar aquilo que é mesmo uma zona de risco e deixar a funcionar o que tem pouco efeito prático na contenção da pandemia. 

Nem tudo é mau. Algumas coisas são de elogiar. Como por exemplo o teletrabalho obrigatório.

Mas já os transportes públicos deviam ser como os restaurantes, e terem um número limitado de lugares disponíveis. No entanto andaram a abarrotar o ano todo, como sempre.

Correr atrás do prejuízo é o maior pecado português e agora mais do que nunca são visíveis as consequências dessa característica cultural.

Falemos agora do impedimento do ensino online? Diz o Governo que é para não cultivar o fosso social entre os mais ricos e mais pobres (esta mania da esquerda de nivelar por baixo).

Deixo aqui um post publicado no Facebook, que relata mais uma vez o problema do amadorismo português em relação a isto das escolas.

Portugal precisa de 15 dias, para conseguir dar aulas à distância num país de 10 milhões de habitantes. "Aqui no Reino Unido com 65 milhões, Boris Johnson , que a imprensa tanto gosta de gozar, fê-lo num dia".

"Qual é a diferença? Tudo foi antecipado, professores receberam treino de Microsoft Teams, as escolas organizaram a aquisição de laptops ou tablets para os alunos que não tinham qualquer meio. Foram criadas escalas de serviço entre professores para receberem um reduzido número de alunos vulneráveis ou filhos de trabalhadores essenciais (saúde, polícia etc).
Na escola onde trabalho, até se organizou a recolha e distribuição de alimentos para alunos carenciados.
Não se esperou para fechar escolas e depois reagir. Preparou-se a eventualidade com semanas, se não meses de antecedência.
Estamos a chegar ao primeiro ano de pandemia e o incompetente governo do indigente intelectual Costa não se preparou, e continua sem se preparar. Precisa de 15 dias para tentar ganhar tempo e sair com mais uma ideia genial, "férias de emergência" no fim terá uma amálgama de aulas a entrar pelo verão adentro.
Portugal é desgovernado aos repelōes, mais interessado em passar o tempo a atacar um deputado, a colorir bocarras com baton ou a passar leis à surra no meio da confusão institucional em que se vive, como foi o caso da lei da eutanásia.
O povo ressona, e a mancha vermelha avança".

 

***

Não vou atribuir uma autoria, porque não pedi autorização. Mas este testemunho dá uma ideia de como o nosso país funciona mal e é por causa disso que vamos pagar um preço muito mais alto do que os nossos pares europeus.

 
 

Uma Família Real

por João Távora, em 23.01.21

Em vésperas de eleições presidenciais e quase terminada uma caricata campanha eleitoral é no mínimo revigorante assistir à entrevista integral dada ontem pelos Duques de Bragança ao programa «Dois às 10» da TVI com uma surpreendente aparição dos Infantes que que falam da experiência de pertencer a uma família real com tanta história em Portugal.

Volta Passos, estás tramado.

por Jose Miguel Roque Martins, em 23.01.21

Olhando para o que se passa, vejo semelhanças com os últimos tempos de Sócrates: a pura impossibilidade de manter o rumo.

Um deficit publico, parcialmente compreensível, mas insustentável. Gastos Públicos em alta. Uma economia estropiada. Salários mínimos incompatíveis com o pleno emprego. Uma conjuntura de recuperação internacional lenta. Um forte abalo na confiança no Estado. Uma indisfarçável incompetência na forma como o Governo reagiu á Covid.  

Será Costa capaz de aguentar as adversidades e dificuldades que aí vêem? Será que, para além de hábil, tem capacidade de sofrimento? Será capaz de implementar reformas impopulares, ao mesmo tempo que impõe nova e indesmentível austeridade? Será capaz de reverter o actual processo de estatização da Economia? Ou teremos, de novo,  um ministro das finanças a ligar para Bruxelas e para o FMI?

E o que acontece se Costa não se aguentar? Que nova maioria será possível? Que novo líder, vamos ter?

Quando olho para tudo isto, estou certo que não serei o único a dizer, volta Passos, estás tramado. Ou então estamos todos, se não aparecer um Passos qualquer! 

 

Real Gazeta do Alto Minho, nº 26

por João-Afonso Machado, em 23.01.21

ONDE TODOS SOMOS PELA MONARQUIA

 

 

A Eutanásia e as Presidenciais

por Vasco Mina, em 22.01.21

Escrevi aqui, no final de Dezembro, em quem intencionava votar e por isso não me vou repetir. Destaquei, nesse post, a dificuldade que tinha com o candidato Marcelo no que à eutanásia diz respeito. Um mês volvido e com o país a viver uma verdadeira catástrofe sanitária (na quarta feira registara-se 721 óbitos, o maior número de sempre em Portugal) a eutanásia volta, uma vez mais, a ser assunto do dia. Não, não sou eu a puxar o tema mas sim os deputados da Assembleia da República que, ontem mesmo, aprovaram, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, a lei da morte medicamente assistida. O diploma deverá ser votado e (quase com toda a certeza) aprovado na sessão plenária do próximo dia 29 de Janeiro. Choca, choca mesmo, constatar que o parlamento português tenha dado um passo em frente para a aprovação da morte a pedido exatamente no dia em que mais mortes aconteceram no nosso país. Estamos todos numa luta contra a pandemia, com muitos a sofrerem nos hospitais, com os médicos e enfermeiros num esforço colossal para conseguir a sobrevivência dos cerca de seis mil internados e temos os nossos deputados a aprovar a eutanásia. E o que tem isto a ver com o próximo Presidente da República? Tem tudo! Será, aliás, o primeiro assunto que terá de decidir! A eutanásia é um tema que divide a sociedade portuguesa e por isso de uma elevada delicadeza que deverá merecer uma ponderada decisão do próximo PR. Não é uma mais uma Lei nem uma Lei qualquer e por isso o poder constitucional, que um Presidente da República tem, torna-se relevante na decisão de voto na eleição de depois de amanhã.  Excepto Marcelo Rebelo de Sousa, todos os outros candidatos promulgarão a Lei. Sim, Ventura também o fará desde que seja devidamente regularizada. O atual PR tem dito repetidas vezes que só tomará posição após a Lei ser aprovada na AR e, em iguais vezes, afirmou que não coloca de parte qualquer das três alternativas possíveis. Ou seja, a posição de Marcelo é um mistério. Irei votar com esta dificuldade na minha consciência mas, como já o referi, em República temos de escolher o Chefe de Estado e, sem dúvida alguma, Marcelo é (comparativamente) o mais bem preparado politicamente (e especialmente num tempo de grandes dificuldades que todos iremos enfrentar).

Marcelo Rebelo de Sousa vai continuar a ser igual a si mesmo.

Marisa Matias foi extremamente útil, no sentido em que revelou a sinistra cara que escondem os olhos verdes e a fala melíflua de Catarina Martins: a de uma força que, em podendo, ilegalizaria e perseguiria quem não concordasse com ela.

Tino Rans enganou os fakejornalistas todos; é muito mais do que a qualificação de «calceteiro» em que pretendem fechá-lo.

Ana Gomes é uma fraude; junta os antigos apoios a Sócrates à convicção (que é dela e de alguns néscios) de que é uma campeã do combate à corrupção.

Mayan é um grande candidato, prejudicado pelo extremismo liberal da IL, que quer adoptar temas da agenda de esquerda.

O senhor do PCP chama-se João qualquer coisa, e diz o que se espera que um fóssil diga.

Quem tiver vergonha do governo que tem, e das lamentáveis profundezas políticas, sociais, económicas e éticas em que enterrou o país, vota Ventura, para que Marcelo não seja igual a si mesmo, os fakejornalistas espumem, a IL saia da bolha, e PSD e CDS acordem.

Os fake newsmen...

por José Mendonça da Cruz, em 22.01.21

... da Sic e da Tvi, que se proclamam grandes defensores das «liberdades» (não da liberdade, obviamente) não têm qualquer sobressalto perante um governo que proibe os colégios privados de ensinar, visto ele próprio, governo, falhar miseravelmente no ensino público. Os fake newsmen apenas vislumbram alguma divergência nas posições dos colégios privados -- vislumbre com o qual os fake newsmen confirmam a sua venalidade.

O urubu

por João-Afonso Machado, em 22.01.21

O urubu andou espreitando os dizeres do deputado Ricardo Baptista Leite sobre os óbitos no Hospital de Cascais  há dois dias.

Eram números record e o referido clínico não deixou passar isso em claro: referiu-os claramente. O urubu (fémea) em vez de atentar no sentido da afirmação, foi conferi-los.

O urubu é o Governo - não se preocupa se morreu muita gente; apenas se preocupa com a estatística. Se o médico (Baptista Leite) estivesse enganado (+ um, - outro), o saldo seria favorável ao Governo.

Isso é que importa!

O pelotão presidenciável

por João-Afonso Machado, em 22.01.21

Felizmente a três dias do termo da campanha eleitoral, anoto algumas ideias já definitivas e conclusivas.

A primeira quanto à candidatura patrocinada pelo PCP - impressiona como os comunistas são avessos a qualquer mudança, in casu, a um protagonista aberto, afável, de diálogo franco. Não, João Ferreira - tudo indica, o sucessor de Jerónimo, - mantem a rigidez, a ortodoxia, a contracção muscular, sempre de Constituição no bolso, como um frade e o latim das suas orações.

Sobre Marisa... face a tanta desilegância, não sejamos também desilegantes...

Já o BE merece um reparo - o BE, a Esquerda toda e a Direita prudente também. Obviamente, pelo comportamento desde o início - e generalizadamente - adoptado contra André Ventura. Com os propósitos de boicote que relembram o PREC e, ainda hoje, nos fazem pensar que democracia é a nossa. A do covid por igual para todos nesses ajuntamentos de protesto?

Ventura nunca será presidente. Ventura seria um péssimo presidente. E dá imenso jeito à Direita que, por contraposição, realça o seu democratismo; à Esquerda também, porque a Esquerda sem fantasmas e "inimigos do povo" nada consegue, conforme se aprende na dialéctica marxista.

No mais... Onde está o militarismo, a falta de pluralismo, o autoritarismo de Ventura? Oxalá os portugueses demonstrem nas urnas o seu esclarecimento, e não se deixem levar no canto da sereia da Comunicação Social.

De Ana Gomes pouco se dirá: descobriu há 15 dias que Marcelo afinal não presta. Outrossim, se prestasse, o que faria ela nas eleições?

E Marcelo... dá-se como vitorioso, já age como tal.

Tiago Mayan - educadíssimo. Demasiadamente, para ser um bom candidato.

O meu Amigo Tino! Pois meu caro Amigo, é o grande e  o concorrente mais genuinamente português. Delicio-me sonhando com a sua vitória eleitoral. O Amigo saberá, a entrada em Belém estar-lhe-ia vedada: nem queira imaginar o que juristas, politólogos, linguístas e o zoo em geral, inventariam para sustentar a sua inoperacionalidade. Além de que, sem o apoio dos partidos não se chega lá. Mas se o meu Amigo, desta feita, alcançar um score equivalente ao de uma campanha (PCP) que dispendeu 100.000 euros - o meu Amigo é o grande vencedor: falando aos cidadãos de sua casa, como um cidadão igual aos outros, em confinamento, conforme tão bem referiu.

"O medo vai ter de voltar"

por henrique pereira dos santos, em 22.01.21

O título do post replica o título que o Público escolheu para uma entrevista excepcional e excepcionalmente interessante de Carlos Antunes, provavelmente o mais influente modelador da epidemia, da equipa de Manuel Carmo Gomes.

O título da entrevista não é sensacionalista, corresponde mesmo ao conteúdo da entrevista e ao que se consegue perceber que seja o pensamento de Carlos Antunes sobre o assunto.

Tinha feito para meu recreio e instrução um pequeno gráfico que replica o que o Público usou na sua primeira página de dia 13 de Janeiro, que se baseia nas previsões da equipa de Manuel Carmo Gomes por alturas da reunião do Infarmed.

Note-se que confinamento, no conceito associado a esse gráfico, é uma coisa próxima do que Carlos Antunes defende ser a única alternativa para baixar contágios de forma relevante (em oito semanas, ao contrário dos dois meses e meio que estima se não forem adoptadas as medidas que defende): "Daquilo que vejo noutros países, só permitir a saída de casa mesmo só exclusivamente para aquilo que é essencial e só uma pessoa de cada casa. Não ter ninguém na rua.".

Carlos Antunes defende uma experiência social brutal, cujas consequências sociais colaterais negativas ignora, tal como ignora a necessidade de sopesar face às consequências sociais negativas de uma epidemia, apenas com uma base: projecções matemáticas nas quais confia cegamente.

Por isso resolvi usar aqui um gráfico básico, que não discute a primeira e segundas derivadas associadas aos gráficos nowcasting, é mesmo um gráfico básico, básico, pelo que tem um interesse limitado, mas ainda assim, o suficiente para lembrar que antes de embarcar em engenharias sociais radicais com base na certeza científica e na promoção do medo (onde é que já terei ouvido qualquer coisa semelhante?), convém começar por olhar bem para a evidência científica empírica que realmente existe, em vez de a substituir por modelos.

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A igualdade segundo o socialismo

por Jose Miguel Roque Martins, em 22.01.21
O governo decidiu fechar as escolas hoje. Mas fez muito mais do que isso: começou por não cumprir o prometido, fornecer computadores aos alunos do ensino publico, para prevenir a impossibilidade de estes serem ensinados à distancia, no caso de novo confinamento. Se a palavra dada tivesse sido honrada, não teria sido necessário impedir que os alunos deixassem de aprender. Nem se condenaria, mais uma vez, uma geração de estudantes a novo atraso ( recuperável?) da sua formação. Incapacidade governativa e promessas não cumpridas, não é nada de novo ou especialmente notável. É o dia a dia.
 
O que é particularmente repugnante é a forma como foi feito.  Pressionando a  que os estudantes que pudessem continuar a ter aulas online ( como por exemplo no ensino privado), deixassem de as ter. Como disse o ministro, Brandão Rodrigues, os Colégios não devem "olhar para a exceção" e aproveitar para fazer “diferente”, mantendo atividades durante uma interrupção letiva que é "para todos. O argumento será o de evitar o aprofundamento das desigualdades. Entre os alunos do publico e os do privado. Uma sanha hipócrita, cobarde, ilegal, injusta, estúpida e perigosa.  
Hipócrita, porque é este o mesmo Estado que é responsável por prover Saúde para toda a população, mas que cria um subsistema de saúde ( ADSE) só para os seus.

Cobarde, porque pretende branquear as promessas não cumpridas e impedir que os dogmas da superioridade do publico sobre o privado sejam contestáveis.
 
Ilegal, porque impõe a falta de educação, até àqueles que a poderiam ter, sem comprometer o dogma de saúde publica. Violando o direito fundamental à educação previsto na Constituição e na declaração Universal dos direitos do Homem.
 
Injusta, porque nega a liberdade individual a troco de um pretenso nivelamento por baixo.
 
Estúpida, porque esquece que a igualdade de oportunidades, num mundo global, não se mede dentro das fronteiras.
 
Perigosa por indiciar que, sendo a igualdade o bem supremo, no limite, poderemos vir a assistir à tentação de discutir como fazer para que os mais inteligentes e aplicados, sejam “normalizados”. Uma anti-eugenia digna de Nazis.  
 
Enfim, muitas palavras para um exemplo que lembra um dos mais simples e cruéis dogmas do nosso tempo e País: a igualdade segundo o socialismo.




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