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As vacinas segundo Ana Gomes

por Vasco Mina, em 03.12.20

Nada como ser de esquerda e fazer como Frei Tomás, ou melhor, como Ana Gomes. Bem prega a candidata presidencial em prol do Serviço Nacional de Saúde mas quando chega a “hora da verdade” faz segundo a lógica privada e, até, se dá ao luxo de criticar a Direção Geral de Saúde (como se este departamento do Estado não fosse parte integrante do SNS). De facto, na atual circunstância da pandemia em que assistimos diariamente à falência dos serviços de saúde (especialmente para todos aqueles que não estão infetados pelo vírus), quem é rico ou influente resolve o problema e quem é pobre fica à espera. Foi a opção de Ana Gomes: sendo influente conseguiu importar (amigavelmente, claro) a vacina, resolveu o seu assunto e quanto aos que não podem o problema é da DGS. Mas onde ficou a solidariedade com os mais desprotegidos? E o respeito pelo plano de vacinação assente na distribuição de vacinas pelo SNS? Ora, para a esquerda (especialmente a dita intelectual) isso é com o Estado! É este que tem de se ocupar com os indivíduos! A iniciativa de cada um não passa de mero assistencialismo!

Imagine-se o que não seria se este acto tivesse sido praticado por alguém da direita! Seria de imediato acusado de rico e total falta de sensibilidade social. Mas sendo de esquerda os habituais comentadores do sistema assobiam para o lado. Enfim, bem prega Ana Gomes, olhem para o que ela diz mas não para o que ela faz.

Onde isto chegou!

por Jose Miguel Roque Martins, em 02.12.20

Dizem as noticias que sugeriram a Boris Johnson que se vacinasse à frente das câmaras, para “provar” que a vacina é segura.

Um truque tirado dos pais que tentam dar a papa a um bebé .

É nisto que as democracias Ocidentais se estão a tornar. Obrigar o primeiro ministro, o Pai, a provar a papa antes de a dar aos cidadãos completamente infantilizados.

Rezam as cronicas, que o pai Jonhson, apenas não  aceitou  o repto, porque se recusava a ser vacinado antes dos grupos de risco.

Já estou a ver a excitação do  nosso presidente, de tronco nu, a exibir galhardamente o fisico,  a sua coragem e o seu exemplo ao povo desconfiado! 

Onde isto chegou! 

 

PS: o facto de Boris já ter tido Covid, e por isso, estar muito provavelmente imunizado, nem contou no meio disto tudo. 

 

A Montis

por henrique pereira dos santos, em 02.12.20

De vez em quando publico aqui uns posts em causa mais ou menos própria, é o caso deste.

A Montis é uma associação de conservação da natureza focada na gestão directa de terrenos, prioritariamente na gestão de terras marginais, isto é, aquelas que não interessam a ninguém, nem à generalidade dos conservacionistas.

Sou um dos seus fundadores, fui o seu primeiro presidente e continuo empenhado na associação, fica a declaração de interesses feita.

Quando começámos a falar na hipótese de fazermos uma associação de conservação (éramos três, passámos a quatro, voltámos a ser três) a ideia era mais ou menos copiar o modelo da Associação Transumância e Natureza (também sou sócio, fui seu funcionário algum tempo, mas actualmente acompanho relativamente pouco), que é uma outra associação de conservação da natureza - não sei quantos hectares gere agora, mas não devo andar muito longe da verdade se disser que são à roda dos mil hectares, quase todos no vale do Côa.

Por necessidade ou convicção, queríamos apenas copiar o modelo de gestão directa de terrenos, mas não o modelo de gestão organizacional.

A ATN foi fundada muito assente na sua parceria com uma fundação holandesa (a STN, hoje extinta) e tinha fontes de financiamento externas a que nós, na Montis, não nos pareceria que fosse possível ter acesso no curto prazo, por isso concentrámo-nos em tentar resolver o financiamento da associação - a gestão de terrenos com objectivos de conservação é, de maneira geral, deficitária - em Portugal.

Olhando para o conjunto das organizações de conservação em Portugal, o que eu via (a partir daqui prefiro limitar-me ao meu ponto de vista, não garanto que as outras pessoas envolvidas tivessem exactamente os meus pontos de vista) era uma excessiva dependência de projectos de financiamento, e uma quase irrelevância dos sócios nesse aspecto.

Para mim, estas organizações pareciam-me - e ainda parecem - organizações de prestação de serviços, embora orientadas para o mercado especial dos financiadores de conservação, isto é, o Estado, as grandes empresas e as grandes organizações filantrópicas.

Para mim isto não é um defeito, é uma característica que tem vantagens e desvantagens, a principal das quais é a das organizações responderem progressivamente menos aos seus sócios e progressivamente mais às agendas dos seus financiadores.

A Montis procurou fugir disso tendo uma política de sócios agressiva - quem se quiser fazer sócio tem aqui uma ficha de inscrição e paga uma quota anual de vinte euros - e procurando usar subscrições públicas, que agora se chama crowdfunding, para financiar compra de terra e projectos concretos.

Na altura havia gente com muitas dúvidas de que isso fosse viável em Portugal, e poucos, se algum, acreditava que conseguíssemos juntar os primeiros quinze mil euros para comprar terra dessa forma, mas avançou-se para a primeira campanha, com muitas dúvidas e com a ideia de que mesmo que a campanha falhasse o seu objectivo, os ganhos de notoriedade justificavam o esforço.

Foi assim que descobrimos que o que parecia impossível em Portugal, afinal, não só era possível como havia um grande número de pessoas que jamais se ligariam a qualquer uma das grandes associações de conservação em Portugal, por discordarem dos seus pontos de vista ou dos seus métodos de actuação, ou dos dois, que não eram insensíveis à ideia de se ir comprando terra por aí para a retirar do processo económico e a dedicar à conservação da natureza.

O facto da Montis não ter pontos de vista (os seus membros e dirigentes com certeza têm, a organização, enquanto tal, não se pronuncia sobre opções de política) facilitou essa aproximação, mas tem um custo na dificuldade de mobilização que a associação tem porque é incomparavelmente mais fácil mobilizar pessoas contra qualquer coisa que a favor do que quer que seja.

Ainda assim o que gostaria de sublinar é que acaba nesta sexta-feira a quinta subscrição pública da Montis que consegue o objectivo, o que significa que a Montis mobilizou qualquer coisa como oitenta e cinco mil euros em campanhas deste tipo, ou seja, recorrendo à disponibilidade das pessoas comuns.

Para além da Montis, há outras organizações de conservação a recorrer ao crowdfunding para as suas acividades, com êxito.

Por isso quando me dizem que os portugueses não se mobilizam, que não é possível contar com a filantropia em Portugal fora dos temas sociais clássicos, e que a única solução possível é depender do Estado, seja do Estado central, seja do Estado local, eu não tenho a menor dúvida em responder que não é forçosamente assim, embora seja verdade que fazer de outra maneira dá muito trabalho, exige muita transparência, obriga a planear e executar com algum rigor, para além da sorte também ajudar.

E que a maior parte dos dirigentes das organizações, se quisermos, as elites, preferem, com alguma razão, usar as suas redes de contactos para intervir na sociedade: o preço que se paga pela liberdade, em Portugal é, frequentemente, um preço especulativo que só se paga por amor, que interesse não tem nenhum.

Campeões do indesejável

por Jose Miguel Roque Martins, em 02.12.20

Portugal, ao contrario do que muitos dizem, vai-se destacando em estatísticas internacionais. Pena é que seja pelos maus motivos. O destaque de hoje, é sermos os campeões da perda de massa salarial  no combate à pandemia.

impacto cortes de salarios.aspx.png

Alguns ajustamentos não foram tidos em conta. Mas a nossa persistência em sermos o numero 1, mesmo que pela negativa, é irritante. 

 

A greve da fome em S. Bento

por João-Afonso Machado, em 02.12.20

Suponho que os grevistas da fome, junto a S. Bento, começam realmente a chamar a atenção dos portugueses. Têm já os seus apoiantes e acompanhantes, gerou-se bastante expectativa sobre como passam os milhões de minutos de cada dia seu. Vão enfraquecendo à míngua de alimento, rodeados de uma multidão assistente e curiosa que os cerca - e, como disse, os apoia.

Não tenho, exactamente, uma opinião formada sobre a sua atitude, e dúvido a levem até às últimas instâncias.

Mas ela é o espelho de uma situação calamitosa que atinge grossa fatia da população; uma fatia, aliás, que só tende a engrossar mais. E é também o reflexo dos esquemas dos nossos dirigentes partidários, a saber:

Visando aquele protesto o Governo, foi a Direita a primeira a aparecer. A Direita mais básica e ingénua, entenda-se, começando pelo Chicão do CDS, que entrou a chamar «emplastro» a André Ventura - o seu concorrente - e saiu praticamente expulso. Julgo que o dirigente do Chega há de ter sido mais precavido, e, se não veio de lá com votos, com vaias também não.

A Esquerda não se manifestou. Os grevistas não são sindicalistas, são empresários... Complicado!

E assim o PCP se manterá até ao fim. O BE talvez não. Mas será necessário esperar pela agonia dos ditos grevistas para que o seu humanismo se faça ouvir. Chegará às escadarias de S. Bento, então, a meiguice de Catarina e de Marisa. Revoltadas com quem? Com Costa, naturalmente. Nessa altura já as Presidenciais estão no terreno.

Alemanha

por henrique pereira dos santos, em 02.12.20

Os gráficos de evolução de novos casos e mortalidade covid na Alemanha são estes dois.

alem cas.jpg

alem mor.jpg

Temos duas hipóteses: ou os Alemães desaprenderam da Primavera para agora e o aumento de cerca de 30% de mortalidade resulta de má gestão da epidemia, ou a evolução da epidemia depende menos de cada um de nós e das autoridades do que nos querem fazer crer.

Adoptem o ponto de vista que vos parecer mais razoável aplicar à interpretação dos dados.

Primeiro de Dezembro

por Corta-fitas, em 01.12.20
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O dia 1 de dezembro de 1640 pode ter efeitos míticos em Portugal, mas a sua realidade é histórica e a data, mais do que concreta, é uma daquelas que na história da Lusofonia merece particular atenção e respeito, pois o significado de uma data como esta é profundo e possui valor que não passa. A Restauração da Independência de Portugal representa um daqueles eventos que na história de Portugal e da Europa, para não mencionar o Brasil e largas porções da África ou da Ásia, tem um significado que, sendo histórico, merece consideração. Em primeiro lugar, porque a independência de um povo capaz de se governar, e de se afirmar no quadro das nações, é algo que mesmo em tempos de acelerada globalização deve ser comemorado, respeitado e, claro, entendido no seu significado mais profundo. Depois, porque um evento tão marcante como o do dia 1 de dezembro de 1640 e a consequente aclamação do rei D. João IV como rei de Portugal, é passível de uma leitura como esta que proponho: quando está em crise, o de Portugal é um povo que rapidamente se sente chamado a fazer o que possa, mesmo sacrificando-se, pelo Bem Comum da comunidade nacional. Para o bem ou para o mal, Portugal continua em estado de profunda crise. Não que o nosso maior problema seja hoje o da independência, pois no quadro europeu em que livremente nos inserimos esse não é mais o problema que nos preocupa, Mas como unidade sociopolítica, cultural e linguística, Portugal precisa de continuar a encontrar no interior de si mesmo uma renovada capacidade de resolver os seus problemas, sejam esses de natureza financeira, política ou social, religiosa ou cultural. Portugal precisa de ser capaz de dizer com voz que se ouça, na Europa e no concerto das nações do mundo, que a nossa história de mais de 800 anos não foi nem um engano nem um mero acidente do tempo, antes tem tudo a ver com um projeto de «Nação Fiel» às suas origens, de povo empreendedor que cruzou os mares quando estes estavam longe de serem domados e o fez para ao mundo dizer o que sem Portugal o mundo nunca tão bem teria percebido como hoje disso é capaz: que há mais na vida do que apenas prosperar; de que na vida das nações, como das famílias e dos povos, há mais a esperar do que apenas o pão de cada dia. Apesar de pequeno, e relativamente pobre, Portugal nunca deixou de mostrar em momentos cruciais da sua história, como crucial foi a data que hoje se recorda, ser uma Nação com insuspeitados recursos, capaz de se auto-superar, ou seja, de no presente voltar a fazer melhor do que fez no passado. Em 1640 as nossas elites tiveram um papel fundamental. Mas a pergunta continua a ser: que fazem, ou onde estão, as elites que nos governam? Por certo, na história de Portugal as elites nunca foram tudo, e nem sequer o nosso melhor, como de resto assim importa que seja. Mas nesta data um novo desejo para Portugal também tenho: que os Portugueses, ou os falantes da nossa língua, sobretudo se animados pela Fé que ao longo dos séculos os povos foram sendo capazes de aprender a estimar e a servir, possa continuar a assumir a responsabilidade de fazer o que nunca falhou, a saber, esforçar-se por transformar o destino coletivo que é de todos. O nosso destino é, hoje e mais do que nunca, Europeu; o nosso futuro, porém, passa pela obrigação de cuidar a memória do lugar que temos na História do mundo. Portugal nasceu como rebento da Fé em Cristo, como Utopia de uma nova civilização. Enraizado no movimento cristão, que fez a Europa, Portugal trabalha no quadro de uma civilização que se quer do Amor, da Justiça e da Paz. A ousadia de ser si-próprio foi um dom que a Restauração de 1640 nos conseguiu. Oxalá a memória de um momento histórico de tão boa e profícua fortuna nunca deixe de nos congregar. Não em torno de provincianismos sem razão de ser ou com méritos inferiores aos requisitos do tempo em que vivemos; antes sim ao serviço da Ideia que, desde a origem, fez o que é Portugal. Uma Ideia, portanto, que independentemente dos respetivos contornos coincide com uma outra, que nos é abrangente e que, se fiéis ao dinamismo e à cosmopolitização da História, não podemos deixar de continuar a abraçar: a Ideia de Europa, a de uma entidade sociocultural e política que sabe o quanto terá de permanecer fiel à matriz de onde provém caso tenha, de facto, a pretensão de ser dona do próprio Futuro.

«Amicus Plato, sed magis amica veritas!»

Imagem: Coroação de D. João IV (1908), quadro de Veloso Salgado (1864-1945); Museu Militar - Sala Restauração, Lisboa. Fonte: Wikipédia].


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