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Sobre o abandono dos velhos

Recuperação do modelo antigo de organização familiar é sem dúvida um passo na direcção certa.

por João Távora, em 31.10.20

(...) "Quando o pó pandémico assentar, temos de rever a nossa relação com os velhos. Por exemplo, as casas do futuro não podem ser apenas “verdes” e preocupadas com os ursos da tundra, têm de ser casas preocupadas com os nossos pais. As casas da cidade não podem ser pensadas apenas para a família nuclear, têm de ser pensadas para uma família mais alargada. A par desta mudança arquitetónica, precisamos de uma revolução moral: não podemos continuar a viver no pressuposto de que a velhice dos nossos pais não pode ocupar o nosso espaço, o nosso tempo e o nosso dinheiro."

Henrique Raposo hoje no Expresso

Trump e o outro .

por Jose Miguel Roque Martins, em 31.10.20

Quando se olha para as "gordas" dos principais jornais dos EUA, salta á vista que Biden  não aparece. Trump enche o palco, não dando lugar a mais ninguém.

Estas eleições não são entre dois candidatos. São as eleições de quem está a favor ou contra Trump. Praticamente nada, senão a promessa de decência de Biden, foi discutida. Os seus apoiantes, como eu, apenas acreditam que só poderá ser melhor do que Trump. 

Não foi a melhor das campanhas! 

 

 

Ganhar tempo

por henrique pereira dos santos, em 31.10.20

O governo (deveria escrever o Governo, talvez, porque é este e os outros) podem ter os mais diversos especialistas como conselheiros, que todos concordarão numa coisa: numa doença infecciosa respiratória, há uma subida da incidência, um pico ou planalto e uma descida.

Isto é certo como os impostos.

O problema central dos governos que têm medo de ser claros sobre o que é um surto epidémico, admitindo logo à partida que não há surtos de doenças altamente infecciosas, potencialmente fatais, sem mortes e hospitalizações, é gerir a expectativa de eleitorados que acreditam piamente que tudo o que acontece no mundo é controlado por nós - "e se todo o mundo é composto de mudança, troquemos-lhe as voltas que ainda o mundo é uma criança", acrescentou José Mário Branco ao soneto "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".

Reconhecendo isto, António Costa não se engana no que é a sua prioridade: chegar politicamente vivo ao fim das fases mais dramáticas da epidemia.

Como adoptar medidas radicais de confinamento liquida a base económica do país e da legislatura, a opção estratégica passa a ser bastante mais simples.

O fundamental é tomar medidas que, ao mesmo tempo, sejam simbolicamente fortes e práticamente irrelevantes para a economia. Terem ou não algum interesse para a gestão da epidemia passa a ser uma questão secundária: se possível, que sejam positivas para a gestão da epidemia, claro, mas se não for possível, paciência, os placebos servem perfeitamente para gerir a confiança e criar escapes para o medo.

O que levanta o problema da gestão do peso simbólico no tempo: se disparo um canhão agora, fico sem essa possibilidade no futuro.

António Costa tem sido bastante competente na gestão deste equilíbrio político frágil.

Primeiro toda a gente fala em três mil casos nos dias seguintes, preparando medidas muito visíveis, como a imposição de máscaras ou a proibição de circulação entre concelhos, qualquer das duas com tantas excepções que passam a meras "recomendações agravadas".

Depois os casos são mais de quatro mil, marca-se um conselho de ministros extraordinário para falar de medidas futuras e tomar algumas medidas imediatas com as mesmas características das anteriores (como o recolher obrigatório, por exemplo).

Começa a falar-se de um confinamento mais alargado no princípio de Dezembro, o que dependerá de como estará o nível de contágios, hospitalizações e mortes nos dias anteriores.

E o Natal vai servir de fusível: se o pico, ou planalto ainda não for evidente e o medo tiver crescido o suficiente, tomam-se medidas muito radicais (com excepções, claro), mas se o pico ou o planalto for suficientemente convincente (como é possível, nessa altura terão passado três meses desde o começo da subida acentuada de casos e dois meses da subida de mortes), pode anunciar-se que o êxito das políticas de contenção permitem um Natal mais distendido, salvando o ano comercial de muitas empresas e diminuindo a pressão social.

Desengane-se quem queira ler as medidas à luz da sua consistência com a ideia de que é preciso fechar tudo e o mais rapidamente possível para evitar males maiores: António Costa já não acredita nisso e está apenas a executar a política defendida na declaração de Great Barrington, sem o dizer a ninguém.

Podia ser pior, António Costa podia mesmo acreditar nos falcões do fecha tudo e já, e agir em conformidade, em vez de estar, como está, meramente a ganhar tempo sem ser responsabilizado pelo que suceda, responsabilidade que, em qualquer caso, já endossou aos cidadãos mal-comportados.

Afinal estamos todos ricos

por Jose Miguel Roque Martins, em 30.10.20

Querida mãe:

 

Só este ano a pandemia vai-nos custar 20.000 milhões de Euros. Ficámos a saber que, sendo necessário, há dinheiro a rodos para a saúde. Ou pelo menos quando ela está em primeiro lugar, como tem acontecido por este mundo civilizado.

Afinal estamos ricos e nem sabíamos! Salvar vidas passou a ser milagrosamente possível, numa escala e valores nunca antes pensados.

Como a pandemia vai um dia acabar, poderemos usar este dinheiro para erradicar a pobreza, ter um SNS de excelência, resolver o problema ambiental e acabar com a fome em África! Salvando ainda mais vidas, a um custo muito inferior! Um rapaz lá do partido, que tem jeito para números , calculou que só o dinheiro que foi gasto em Portugal salva ai uns 20 milhões de pobres. Descoberta a mina, ninguém nos para. O chefe só nos pediu mais um tempo. Ele acha que o melhor é começar por garantir férias nas Caraíbas, pelo menos para os nossos.

Finalmente ficou provado o que todos os camaradas já sabiam há muito tempo: os males deste mundo só existem por falta de vontade de os resolver.  Dinheiro não falta e o céu é o limite!

Valeu a pena a minha militância política , que me faz ver, agora, que até o povo anónimo pode  aspirar a todas as coisas óptimas que fui tendo, com o meu trabalho e trabalho constante. 

Tenho agora que ir para uma reunião em que vamos decidir mais e melhores condições para todos. Mas não te preocupes: com os meus contactos, ainda vais ficar melhor do que os outros. Estamos todos ricos.

 

Do teu filho entusiasmado com as conquistas de esquerda, um grande beijo.

 

 

O dilema de Costa

por Jose Miguel Roque Martins, em 30.10.20

Preservar a educação de uma geração é já, felizmente, uma linha vermelha na Europa. Evitar um colapso económico de proporções bíblicas, também é um consenso imposto pela necessidade.

As ultimas respostas Europeias centram-se no sacrifício da restauração, bares, ginásios, cultura, desporto e do comercio tradicional, embora quanto a estes último, em diferentes graus.  Acompanhada desse atropelo, há “compensações “ mais ou menos generosas, pela destruição da atividade económica atingida. Depois se verá, se mesmo com o fim da vida social, é possível baixar suficientemente os números de infectados, para que os SNS não colapsem de forma visível.

A realidade Portuguesa é mais apertada. E António Costa sabe que, mesmo continuando a não pagar aos negócios que encerre, a catástrofe social associada tem custos devastadores. Reais e políticos. Os pequenos negócios já não aguentam Layoffs.

Não reagir de forma viril ao agravamento da pandemia, tem custos políticos pesados, eventualmente devastadores, sobretudo se informação ou imagens de cuidados médicos, abaixo da expectável excelência em tempos de paz, ferirem a suscetibilidade dos cidadãos, que não percebem estarmos em tempos de guerra.

Espera-nos uma no cravo e outra na ferradura? Medidas aparentemente duras, acompanhadas de transportes públicos apinhados? Recolher obrigatórios que já se sabem que não funcionam? Deixar as pessoas andar na rua, mas só se for ao pé coxinho?

Confesso a minha curiosidade na “solução”, politicamente engenhosa, que ai vem.

Sei apenas que assumir limitações e responsabilidades está fora de causa, que a realidade não importa e as aparências são tudo.

Arrogância

por henrique pereira dos santos, em 29.10.20

"P: E como se responde às pessoas que dizem que a gripe mata tanto ou mais que a covid-19

R: Sugiro que vão ver o site do Euromomo e que comparem a mortalidade durante os meses de Março e Abril com épocas anteriores de gripe. Se olharmos para os gráficos de Espanha, Reino Unido, Bélgica, observamos que tiveram picos de excesso de mortalidade muito superiores ao de qualquer época de gripe."

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Caro Baltazar Nunes, fiz-lhe a vontade, mas em vez do escolher os gráficos que servem os meus pontos de vista (por exemplo, o de Portugal), ou os que servem o seu ponto de vista (Espanha, Reino Unido e Bélgica), resolvi escolher o gráfico global do EuroMomo.

Como sabe, muito melhor que eu, a mortalidade não se mede pela dimensão do pico - que é relevante, claro - mas pelo integral da curva e não é assim tão evidente que o pico provocado pela Covid, que é de facto mais alto, tenha um integral da curva maior que a época de gripe de 2017/ 2018, por exemplo, para não falar da época de gripe de 2016/ 2017 porque não estão aqui os dados de 2016.

Acresce que também sabe, igualmente muito melhor que eu, que houve épocas de gripe bem mais agressivas que as que estão representadas no gráfico acima.

O que me interessa, neste post, não é se a covid mata mais que a gripe, o que é cedo para saber, tanto mais que, como novamente sabe muito melhor que eu, a entrada de uma doença nova tende a ser mais agressiva por falta de defesas da população afectada.

O que me interessa é fazer-lhe notar que usar argumentação como se fosse uma evidência, sem que os factos sejam comprovados pelos dados existentes, não dá segurança nenhuma sobre seu trabalho, que é uma das principais bases para o governo tomar decisões sobre a epidemia.

A sua resposta à pergunta sobre o mistério da China ("não sei responder") é incomparavelmente mais séria e dá confiança ao que diz.

Poderia perfeitamente responder que não vale a pena desvalorizar a gripe, que é verdade que a gripe mata muito e que qualquer comparação que faça equivaler a gripe e a covid, em matéria de mortalidade, não desvaloriza a covid, apenas dá um contexto mais sólido à discussão sobre a gripe, que não é um problemazinho, é um problema bem sério de saúde pública.

Poderia mesmo dizer que a informação ainda é escassa para uma avaliação (como diz noutras respostas) mas que o pico da covid em Março/ Abril não nos pode deixar tranquilos porque ainda não sabemos como evolui a doença ao longo de uma estação inteira de Outono/ Inverno.

Poderia continuar a dizer que talvez tenhamos tido sorte em a covid ter aparecido tão tarde na época mais complicada das doenças respiratórias.

Claro que esta doença se pode comportar com as que resultam dos outros coronavírus (aparecem e desaparecem em oito semanas, mais coisa, menos coisa), mas pode não ser assim e ter um período de actividade viral mais alargado, não sabemos (já não lhe peço que explique às pessoas que achatar a curva significa diminuir o pico alargando o tempo de actividade viral, não significa um ataque menor).

Até poderia acrescentar que a actual subida acentuada tão temporã nos deve levar a olhar para o problema com alguma preocupação porque pode significar que em vez de oito semanas, tenhamos mais algumas de actividade viral, com a sobrecarga que isso comporta para todos.

Agora o que não pode é responder assim, arrogantemente, a questões perfeitamente pertinentes, muito menos quando os dados não suportam inequivocamente o seu ponto de vista.

Eu, pelo menos, fiquei com a sensação de que está mais focado em demonstrar que não houve qualquer excesso na reacção a esta doença que em transmitir o máximo de informação consistente sobre o problema, para que as pessoas ajam de acordo com a melhor informação disponível.

Espero estar enganado, porque se as autoridades, e quem lhes dá apoio, estiverem mais preocupadas em encontrar justificações para o que fazem que em aprender com o curso da epidemia, a coisa vai ser bem mais difícil que o que seria necessário.

Da exaustão

por João Távora, em 29.10.20
Aqui chegados, com os hospitais a rebentar pelas costuras, fartos de regras contraditórias e absurdas, oprimidos com a possibilidade de inadvertidamente sermos agentes transmissores do vírus, fica claro que a única coisa válida que o governo poderia ter feito para nosso bem, teria sido durante a bonança do Verão, a preparação de uma sólida rede médica e hospitalar reforçada com planos de contingência para o País enfrentar com os mínimos de eficiência a estação das doenças respiratórias e obviamente para acorrer às outras que são ainda mais letais que o Coronavírus. Em vez disso andaram entretidos à caça de gambozinos, à cata dos assintomáticos com que durante meses se alimentaram os relatórios da DGS e as parangonas dos jornais. Isso agora já não interessa nada. Antes como agora, incapazes de assumir a sua incompetência, o que lhes interessa é a gestão do ruído com base no medo que pressentem da rua e que os telejornais se encarregarão de ampliar.

Para sábado anunciam-se mais medidas. Obviamente espera-se o pior, que o governo tem de fazer de conta que nos protege. Apesar de sermos todos uns ingratos irresponsáveis e libertários, em democracia somos eleitores.

Trump é um sintoma, não a doença

por Jose Miguel Roque Martins, em 29.10.20

Nesta altura do campeonato, é muito provável que Trump deixe de ser Presidente dos EUA. Não gosto do personagem, como aliás a maior parte das pessoas e muitos dos seus próprios votantes. Dito isto, o voto em Trump, não é sinal de que os seus apoiantes sejam grunhos irresponsáveis, é o sinal da revolta de muitos americanos que deixaram de se sentir representados pelo seu sistema político.

A maioria do eleitorado de Trump é o homem branco sem escolaridade Universitária. Ironicamente o eleitorado que costumava votar no partido democrático. Trump está longe de ser de esquerda ou de direita, mas percebeu que uma grande parte da população estava órfã de representação política. E por isso, o seu discurso anti sistema deu-lhe a vitória há 4 anos e mantem-no candidato a uma semana das eleições.

Há décadas que os trabalhadores menos diferenciados, viram as suas condições de vida estagnar, enquanto que os enormes ganhos de comercio ficaram concentrados em 10% da população.

Há décadas que a percepção da população é que a globalização e a emigração latina lhes rouba o trabalho, ou pelo menos, o torna mais barato. No que não estão enganados.

Há décadas que são bombardeados, com discursos políticos sobre proteção de minorias, sobre uma sociedade mais justa, sobre os direitos de todos e mais uns.Estão cansados, considerando-se a única minoria desprotegida para quem, até Trump, ninguém de facto olhava. 

 Trump, fala em acções concretas e que fazem sentido ao seu eleitorado. Um muro que impeça os latinos de invadirem os EUA, uma luta contra a invasão de produtos do resto do mundo, emprego para os americanos, a defesa do Homem branco. 

Uma maior redistribuição de rendimento ( exatamente o oposto do que Trump e os antecessores republicanos e democratas fizeram) é imperativa e urgente nos USA. Tal como não ostracisar o homem branco nas descriminações positivas de todos os outros. White man also matter.  

Enquanto estes problemas não forem resolvidos, defender direitos de minorias, fazer discursos sofisticados, demonstrar compaixão pelos estrangeiros, defender uma globalização sem correções a nível domestico, será produzir o próximo Trump.

 

 

 

Resolver a caspa com uma decapitação

por henrique pereira dos santos, em 29.10.20

A imagem do título não é minha, é de Frank Zappa numa sessão do senado a propósito de umas audições a músicos (exemplar a forma como John Denver não tem a menor hesitação em se pôr do lado da defesa da liberdade de expressão, quando muitos poderiam esperar que o músico bem comportado não quisesse alinhar com os depravados), conduzidas por um então relativamente jovem senador Al Gore, em que se discutia a necessidade de intervenção do Estado para obrigar a indústria musical a regular a linguagem dos grupos de rock que estaria a corromper a juventude da América, perante a impotência das famílias se defenderem dessa agressão.

Curiosamente lá aparece um senador a explicar que se a indústria não se auto-regulasse, a intervenção do Estado se tornava necessária, na linha da inevitabilidade do autoritarismo das acções de controlo da epidemia, só na medida em que as pessoas não as queiram cumprir voluntariamente.

O ponto da epidemia em que estamos pode ser definido como uma encruzilhada onde se encontram:

1) o medo das pessoas comuns perante uma ameaça que não controlam e não sabem como controlar;

2) a militância de uma imprensa obcecada com a demonstração do seu papel de serviço público, em detrimento da produção de informação, o único valor social que a imprensa tem de carregar às costas;

3) o vislumbre dos sistemas e técnicos de saúde de uma oportunidade histórica para dar à saúde pública e aos sistemas de saúde, em especial à saúde preventiva, uma centralidade que a falta de dinheiro tem impedido;

4) governos apanhados numa armadilha em que sabem, neste momento, que os efeitos negativos das medidas de controlo sugeridas pelos técnicos podem ser largamente superiores aos seus efeitos positivos, mas em algum caso podem deixar crescer a ideia de que não fizeram tudo o que era possível para salvar vidas.

Desta situação resulta:

a) um população que aceita tudo o que lhe pareça que sirva para diminuir a ameaça, mesmo que não perceba como e em que dimensão altera a ameaça;

b) um clamor publicado que essencialmente repete discursos milenaristas sobre o apocalipse que chegará amanhã se não nos juntarmos todos nos mesmos rituais de exorcismo;

c) um discurso sobre a saúde essencialmente moral, sem grande base factual e racional, baseado no diferimento da recompensa dos sacrifícios de hoje, tanto mais eficazes quando maiores forem esses sacrifícios;

d) governos que decidem coisas, quaisquer que sejam, à espera que dessa forma não sejam responsabilizados pelos efeitos de uma epidemia que está para lá da sua (e da nossa) capacidade de controlo.

Assim sendo, não vale a pena remar contra a maré: vêem moinhos, são moinhos, vêem gigantes, são gigantes.

Parece ser tempo de deixar assentar a poeira, não há forma de salvar quem não quer ser salvo, quem quiser que marque uma ou duas noites na pensão da vila para ir visitar a família sem problemas (faz parte das excepções para se poder circular entre concelhos), e quem quiser que se esconda do mundo e aproveite para experiências místicas.

Por mim, vou comer uma laranja e beber um dedal de vinho tinto em cima.

"Faz-de-conta que funciona"

por henrique pereira dos santos, em 29.10.20

"Se não percebeu, eu traduzo: nós, decisores políticos e legisladores, não temos ideia sobre como travar a pandemia, mas sentimos a necessidade de agir firmemente para mostrar serviço, mesmo sem conhecermos indicadores que atestem a eficácia das medidas que impomos."

Um artigo que gostava de ter sido eu a escrever.

Talvez com uma pequena variação: ao contrário de Alexandre Homem Cristo, que acha que os cidadãos não são assim tão parvos que não percebam a desorientação de quem decide, eu acho que quem decide está perfeitamente alinhado com a desorientação dos cidadãos.

Um regime, dois partidos, uma enorme confusão.

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.10.20

O  que mais me impressiona, nas medidas contra o Covid, não é a sua eficácia mais que duvidosa. Afinal o governo precisa de mostrar as suas garras e o povo exige placebos. O nível de confusão  que o PS e o PSD, o regime,  conseguem lançar na vida dos pobres cidadãos é que me parece sobrenatural.

Os atropelos á constituição nem são o pior. Afinal estamos num País onde compreendemos que os nossos maiores nos têm que proteger mesmo contra a nossa vontade e a lei! Nem vale a pena pois, falar dessas minudencias...

O realmente extraordinário é que, apesar de tantos, tão ilustres e tão inteligentes deputados, supervisionados por um jurista tão extraordinário como o nosso presidente, conseguem produzir e passar leis que são uma total confusão.

Os mais recentes exemplos são a proibição de circulação entre concelhos e o uso de mascara: ou ninguém as percebe, ou destinam-se a meia dúzia de cidadãos, ou pretendem exatamente não terem eficácia por serem inconstitucionais ou ineficazes.

È este o triste retrato do nosso regime!

O Chile, os Chicago Boys, a imagem e a realidade

por Jose Miguel Roque Martins, em 27.10.20

As politicas económicas liberais, estão indissociavelmente ligadas ao Chile, desde Pinochet aos dias de hoje. Os media multiplicam-se em associar os Chicago Boys, a todos os males que afligem o Chile.

O que se esquecem de referir, é que o Chile, um pais pobre na década de 70, é hoje a economia mais prospera da América Latina. Parece que os Chicago Boys, afinal fizeram um excelente trabalho. È isso que se retira dos factos. Mas não é isso  o que vai por essa imprensa fora.

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Nos artigos que vou lendo, a propósito da sua revisão constitucional, tropeço na enorme confusão do costume. O mal da constituição atual é o liberalismo. Que impede (?) a maior distribuição de riqueza, politicas sociais mais generosas etc. Uma mentira.

Já o declínio histórico da Argentina, que já teve índices de primeiro mundo, não merece comentário especial, sendo o populismo peronista, aparentemente digno de aplauso. Talvez porque o  Chile só apresenta um  produto per capita 50% superior ao Argentino. 

Lá, como cá, nem as evidencias mais sólidas sobrevivem á propaganda dogmática. Receio que o menino vá com a água do banho.  E que o Chile comece a marcar passo.

Negacionismo e bom senso

por henrique pereira dos santos, em 27.10.20

"É certo que há falta de conhecimento e de evidência científica. Mas as doenças estão cá. A Covid-19 e as outras. O SARS-CoV-2 vai ficar por aí, a moer e a matar. Logo, na ausência de prática consensual, precisa-se de Bom Senso para enfrentar a pandemia e também para o combate ao negacionismo! Para aqueles que negam a pandemia, a questão não é entre liberdades e controlo do Estado, mas entre o que parece ser efetivo e o que não é. A inação será sempre a pior resposta."

Fernando Leal da Costa tem hoje um bom artigo no Observador, que vale o tempo de leitura.

Isto não significa que concorde com o artigo, muito menos que concorde com tudo o que está no artigo, significa apenas que acho que o artigo tem informação e pontos de vista que vale a pena considerar.

Se citei o seu parágrafo final - que aliás remete para o título do artigo - é porque entre outras coisas com que não concordo, ou que não percebo, no artigo (que me parece ter contradições evidentes, como acho frequentemente nos artigos de Fernando Leal da Costa) está a ideia de que é preciso combater o negacionismo, em especial quando se pretende fazê-lo a partir de uma posição moralmente fechada "a questão não é entre liberdades e controlo do Estado, mas entre o que parece ser efetivo e o que não é".

Na raiz do meu desconforto com muito do que escreve Leal da Costa, que leio sempre com proveito, está a sua frase final neste artigo: "A inacção será sempre a pior resposta".

Esta ideia é a negação de milhares de anos de conhecimento e treino sobre a forma de lidar com a incerteza, seja na Saúde, seja na guerra, seja onde for.

Quanto maior é a incerteza, mais cabeça fria é preciso ter para fazer o mínimo possível que dê garantias de nos levar de uma posição pior para uma posição melhor, também na saúde não há almoços grátis, e o "é preciso fazer alguma coisa" traduz-se frequentemente, se aplicado de forma voluntarista a uma situação de incerteza, numa maior posição de fragilidade, quanto mais não seja porque é sempre preciso gastar recursos a fazer alguma coisa e seria bom poupá-los para quando precisarmos mesmo de fazer alguma coisa útil.

Não foram os negacionistas que nos levaram a confinamentos generalizados, brutais e com efeitos positivos mais que discutíveis, foi o facto de se pretender silenciar todas as dúvidas, com o argumento de termos de ser todos agentes de saúde pública, que nos levou a não poderar devidamente as medidas maximalistas adoptadas com base em previsões delirantes dos efeitos desta doença na sociedade.

Não são a divergência, a heresia e a dúvida, por mais erradas que sejam e por mais aberrantes que nos pareçam, que nos levam por maus caminhos, pelo contrário, é a ideia de que "a inacção é sempre a pior solução" que nos leva a acrescentar incerteza à incerteza, com efeitos desastrosos nas nossas vidas.

O uso de máscaras, de forma generalizada e mesmo ao ar livre, como defende Leal da Costa (com a ressalva de que não faz ideia se tem bons efeitos ou não, mas que acha que mesmo assim vale a pena experimentar, uma seriedade que faz valer a pena ler os seus artigos) é um exemplo concreto de como a desvalorização dos custos de uma medida nos pode levar por maus caminhos.

Os efeitos positivos das máscaras no controlo de uma epidemia estão por demonstrar, isso é claro, quer na leitura da literatura científica sobre o assunto, quer nas meta-análises da Organização Mundial de Saúde, quer na mais frágil leitura dos gráficos de evolução da epidemia quando confrontados com a adopção dessa medida em vários países.

Os efeitos negativos de uma medida desse tipo estão também por demonstrar cabalmente, mas não podem ser desvalorizados com um simples "mal não faz com certeza".

Em primeiro lugar, o uso generalizado de máscaras tem um custo, pago individualmente ou colectivamente, mas um custo, é destruição de valor. Conheço a objecção que descarta este aspecto dizendo que é um custo marginal, mas não sei onde se vai buscar essa ideia de um custo marginal quando se conhecem os milhões gastos na sua compra e disponibilização, que naturalmente não são gastos noutra coisa que poderia ser mais útil. Não comprar, a tal questão da inacção, pode ser bem mais útil se faltarem recursos para coisas bem mais importantes, como o investimento directo na protecção dos mais frágeis.

Em segundo lugar, não se pode desvalorizar o problema do medo social durante uma epidemia, é mesmo o maior efeito social de uma epidemia, ainda antes dos efeitos médicos. O facto de não haver uma resposta linear, objectiva, verificável sobre o efeito da generalização de máscaras na rua para a gestão do medo não quer dizer que essa discussão não deva ser feita. Estou convencido, puro achismo, é certo, de que a sensação de perigo generalizado e grave associado à epidemia é potenciada pelo uso generalizado de máscaras. Para os aprendizes de feiticeiro que acham que o medo é um ingrediente essencial para que as pessoas tenham os comportamentos adequados, isso é um aspecto positivo. Para mim, que tenho mais medo dos efeitos sociais de uma sociedade transida de medo que da doença, esse é um aspecto negativo que não me parece que deva ser descartado sem discussão.

Em terceiro lugar, o famoso efeito da "falsa sensação de segurança" que a OMS refere em relação ao uso das máscaras, falando no efeito secundário das pessoas que relaxam outros comportamentos de defesa mais eficazes, como lavar as mãos e manter distância física por se sentirem protegidas pela máscara, não é nenhuma história da carochinha, é um efeito real bem visível à nossa volta porque todos temos pessoas próximas que usam máscaras sociais ou cirúrgicas convencidas de que assim se protegem face a comportamentos sobre cuja segurança têm dúvidas, sem a menor noção de que esse tipo de máscaras não protegem o próprio, no máximo limitam a projecção do ar que expiramos quando respiramos, falamos, etc..

E há mais etc. nesta discussão.

A inacção, quando não existe qualquer evidência de efeito positivo de máscaras na rua e há riscos associados a efeitos secundários, pode muito bem não ser a pior resposta.

Pretender bloquear este tipo de discussões exorcizando negacionismos vários, leva-me sempre a lembrar-me deste video em que Frank Zappa insiste no que para mim é óbvio, mas não para a maior parte das pessoas: "all the complaints are about words".

Eu não vejo utilidade nenhuma em eliminar a divergência a pretexto de que defender o contrário das autoridades tem um efeito negativo na saúde pública.

A ideia de compressão de direitos individuais a favor de um bem maior, não discutível nem escrutinável por ser definido técnica e cientificamente, parecia-me uma ideia largamente repudiada, a epidemia veio demonstrar que não é assim, pelo contrário, é uma ideia muito popular e eu andei enganado estes anos todos.

A Sic e a falta de noção

por José Mendonça da Cruz, em 26.10.20

Parece que o Chega obteve uma maioria substancial em determinada circunscrição açoriana. Logo a Sic entrevistou uma «artista plástica» e um professor universitário locais que «explicaram» que essa circunscrição tinha muito baixo nível de escolaridade.

Ora nós já depreendemos que a escolaridade da maior parte dos jornalistas da Sic não é grande coisa, que o seu discernimento não é o melhor, e que o seu projecto de vida consiste em servir o poder até que alguém no poder lhes dê uma esmola. Mas podemos lamentar, ainda assim, que os autores destes «apontamentos» os considerem superiormente inteligentes, em vez das embaraçosas palermices que realmente são.

A Sic e as «novas» informações sobre hospitais

por José Mendonça da Cruz, em 26.10.20

Diz a Sic que os hospitais públicos «já admitem o adiamento de consultas e cirurgias». Eu não sei se esta gente é apenas estúpida e incapaz de ver as realidades, ou se está disposta a passar até sobre doentes e cadáveres para defender a visão do governo.

A tenaz radical e uma nova realidade

por Jose Miguel Roque Martins, em 26.10.20

O centrão já teve melhores dias. Aqui em Portugal, o PS e o PSD, por culpas próprias, deixaram nascer e crescer dois monstros. O Bloco de Esquerda e o Chega. A alternância de poder, entre os dois partidos,  foi ferida de morte. António Costa julgou ter descoberto a solução: afinal sendo um país de esquerda, seria fácil ao PS eternizar-se no poder. Bastaria aliar-se aos partidos à esquerda, fazendo algumas concessões. Esta semana, demonstrou que estava enganado, e que o problema é mais denso.

Apesar de penalizantes cedências feitas pelo PS, o Bloco de Esquerda assumiu a sua ambição (ou radicalismo) , e anunciou não votar no Orçamento. O PS que não faça confusões: o objectivo do Bloco de Esquerda é “roubar” o seu eleitorado e não, apenas,  influenciar as suas políticas.

Nos Açores, a “direita” ganhou a maioria. Só que, nessa ampla definição, está o Chega. Outro partido radical, com o mesmo tipo de perfil do Bloco de Esquerda, que já anunciou que não dá a mão a nenhum partido do regime. Se o fizerem, perdem a aura de anti-sistema que tanto os têm ajudado. 

No País, como nos Açores, cada vez é mais claro que o status quo mudou.  E que cada vez será mais difícil encontrar uma maioria estável.

A mudança é inevitável.

Ou o PS ou o  PSD, ou ambos,  se aproximam do eleitorado, esmagando as franjas radicais. Ou vão ter que se entender, como tem  acontecido na Alemanha (entre CDU e o SPD) , permitindo o crescimento dos partidos populistas, adiando o problema, com essa “fusão” ao centro.

Ou os partidos radicais ficarão com o real poder de determinar as políticas.

Ou novos partidos que entendam as regras das democracias liberais ganham expressão e substituem os partidos radicais ou estabelecidos.

As alternativas ou são difíceis mas boas, ou são fáceis mas más. 

Certo é que, no entretanto,  o sistema político está feito num molho de brócolos!

 

 

Açores

por João Távora, em 26.10.20

Tenho ideia de ter ouvido que o Chega já rejeitou qualquer hipótese de aliança com os “partidos do sistema”. Mas se eu mandasse no CDS dos Açores, convocava os partidos da direita com uma proposta concreta de coligação para apear a esquerda do poder que por lá já anda há demasiado tempo. É a governar que se faz a diferença, não é a arrotar postas de pescada. De resto, acho que a melhor maneira de lidar com os radicalismos é convidá-los para um banho de realidade - de certo modo foi o que aconteceu ao PCP e ao Bloco nos últimos anos. 

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Xadrez nos Açores, aflição nos media

por José Mendonça da Cruz, em 26.10.20

O «risco de uma maioria absoluta» de direita que um pobre pivô temia concretizou-se nas eleições açorianas.

Esperam-nos, portanto, dias extremamente interessantes até ficarmos a saber se a direita de PSD e CDS é cobarde e deixa o PS formar governo; ou se faliu de vez, prestando-se uma ou outra das duas primeiras agremiações a formar governo com a terceira.

Claro que se a direita fosse politicamente corajosa, vencia o nojo ao Chega, como o PS venceu o nojo aos comunistas do PC e do Bloco, e assumia a governação, dando de passagem uma bofetada com luva de ferro ao governo central e sua geringonça.

Seja como for, esperam-nos tempos interessantes.

Se PSD e CDS formarem maioria absoluta e um governo com Chega, IL e PPM, havemos de divertir-nos muito com os contorcionismos de Sic, Tvi e RTP, em particular, e dos media, em geral, para explicarem que uma geringonça é benigna, natural e proveitosa em Lisboa, mas maligna, ilegítima e perniciosa em Ponta Delgada.

Se, por outro lado, PSD e CDS declararem nojo irreprimível a um Chega com o qual poderiam formar governo, teremos um Chega a fazer uma pergunta oportuníssima: «As luminárias da direita tímida que dizem que o Chega é o seguro de vida da esquerda não quererão explicar melhor essa sua tese?» A pergunta não deixaria de suscitar incómodos e consequências no continente.

Por fim, pode o Chega recusar qualquer negociação ou acordo. Com isso devendo esperar substancial perda de votos no continente.

O credo da Tvi

por José Mendonça da Cruz, em 25.10.20

O pequeno Pedro Pinto, parvus pivô da TVI, proclamou paulatinamente a encerrar o jornal das 20 horas que havia «um risco de maioria absoluta» nos Açores. Pinto proclama, portanto, piedosamente, que, para ele, uma minoria socialista é um perigo, e um resultado eleitoral que dá uma maioria somada a PSD-CDS-Chega-Iniciativa Liberal é um «risco». O que faz de Pedro Pinto, não um jornalista ou um homem da informação, mas um pobre pateta ao serviço de agendas políticas.

Esta declaração do chefe da unidade de cuidados intensivos do Hospital Universitário de Liège, sintetiza de forma notável o que penso sobre a atual crise.

A imposição de placebos com custos elevados, mas fáceis de impor, substitui o que se devia fazer, mas não se faz.

Mitigar a propagação da doença, como alguns têm conseguido, com menos enfâse nos seus superpoderes.

Fazer todo o possível para reforçar a capacidade de cuidados de saúde, o que não tem sido feito.

Reconhecer limitações e não culpabilizar os cidadãos.

Assumir que os custos em vidas vão ser importantes, por maior que a nossa vontade seja diferente.

Continuar a viver, procurando não tornar uma crise mais grave do que tem que ser.

 

Será assim tão impossível?


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