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Um equívoco de Poiares Maduro

por henrique pereira dos santos, em 30.09.20

Poiares Maduro escreveu um artigo com um título absolutamente correcto: "A falsa escolha entre a pandemia e a economia".

O conteúdo do artigo, no entanto, é todo construído sobre um equívoco a que vale a pena fazer referência.

Não quero discutir os argumentos económicos (a evolução comparada da economia da Suécia não demonstra que uma abordagem à sueca da gestão da epidemia seja economicamente mais favorável, diz Miguel Poiares Maduro, mas parece-me que a argumentação consiste, mais uma vez, em aplicar um correlação estatística simples a processos complexos, com explicações à medida quando a correlação não existe) por me faltar base para isso.

O que me parece verdadeiramente relevante é a ideia de que a epidemia (e os seus efeitos, acrescento eu) é uma escolha, o que se fundamenta na ideia de que as diferenças de ataque da epidemia resultam das medidas tomadas.

Ora até hoje, continua a não haver qualquer evidência de que sejam as medidas - quais medidas? - a comandar a epidemia e partir dessa hipótese (é uma hipótese e não pode ser descartada sem mais) sem considerar outras hipóteses é como partir do princípio de que os fogos resultam das nossas acções, gerindo o território em função desse mito, em vez da realidade prosaica de que o fogo não é uma probabilidade, mas uma inevitabilidade.

A escolha não é entre epidemia e economia, Poiares Maduro tem razão em classificar essa dicotomia como falsa, as escolhas são dentro da economia, tomando a epidemia e os seus efeitos como um dado do problema, sendo um equívoco considerá-la como uma escolha, como se estivesse na nossa mão "controlar a epidemia", como pretende o artigo de Poiares Maduro.

Há muito quem, com boas razões, defenda a ideia de que foi a evolução da epidemia que foi controlando os surtos como, por exemplo, neste artigo muito recente, que reafirma a importância da heterogeneidade das populações afectadas para a evolução verificada.

Podem estar errados, claro, o que é realmente estranho é que a contestação a esta ideia não esteja a ser feita pela contestação aos artigos publicados por este grupo de investigadores, mas pelo silêncio e a ostracização, incluindo a recusa de publicação, não pelos deméritos científicos dos artigos, mas porque o que lá está escrito pode pôr em causa as políticas dominantes de gestão da epidemia.

A grande noite do espectáculo

por João-Afonso Machado, em 30.09.20

De tudo, talvez o mais curioso: segundo parece, estes debates, que percorrem todos os mundos televisivos, de pouca importância se revestem para o eleitorado americano a que se destinam. Serão mais uma amostra do show business, a sua Broadway política.

No da passada noite - artistas convidados: Trump e Biden, - parece que o sapateado excedeu todas as marcas. Trump, sobretudo, deixando Fred Astaire cada vez mais no esquecimento das gentes.

Hei de confessar a piada imensa que acho a Trump: o seu inaudito penteado, o tom grave com que diz, e desdiz, as maiores enormidades, a calma ou a fúria destemperada - Trump é uma surpresa permanente - em que solta bojardas capazes de abanar o equilíbrio mundial. Espantosamente, colecciona votos aos milhões, e a maior potência do planeta tem esse louco como presidente.

Biden, que já vinha acusado de alguma ineptidão mental, do muito pouco que vi pareceu um homem assinalavelmente mais aceitável. Mais não seja, pelo seu aspecto e por saber conjugar ideias, não proclamar apenas tontices.

Mas os EUA são o que são. São ainda o Texas, a arma no coldre, a vénia aos senadores e o nepotismo destes. Desbravaram, aniquilaram, enriqueceram com o ouro e o petróleo, criaram indústrias fabulosas, sempre deixando para trás, darwiniamente, os mais fracos. O make love not war só aconteceu porque o Vietname estava a matá-los em demasia.

Progósticos para as próximas eleições? Só depois de Novembro.

Gastar = Bom; Investir = Mau

por José Mendonça da Cruz, em 29.09.20

O primeiro-ministro decidiu hoje que do rio de dinheiro que poderia vir da UE só utilizará o que vier a fundo perdido; o que serviria para investir na economia e recuperar, ele não quer porque teria que pagar depois. Diz ele.

Ora, nós já sabíamos que António Costa não é um estadista, e, aliás, nem é bem um primeiro-ministro. É apenas um oportunista que cozinhou alianças para estar onde está; e que gasta o que for preciso do dinheiro dos outros para lá ficar, ainda que isso signifique zero-retorno e pesadas hipotecas futuras.

Nós sabíamos -- Costa e Silva talvez não -- que o «plano de recuperação» Costa e Silva, feito sobre o joelho em dois dias, não valia mais do que uma rábula teatral.

Temos agora a certeza, confirmada pelo próprio António Costa, de que António Costa não tem uma ideia na cabeça, e o seu ministro da economia também. E o amigo autor do grandioso plano decerto não se ofenderá do pouco caso que fazem dos seus projetos e alucinações, pois decerto sabe os amigos que tem.

Eles, que viveram de secção socialista em federação socialista, de federação socialista em comissão socialista, de comissão socialista em conselho socialista ou câmara socialista ou geringonça socialista, não sabem investir, porque ignoram o que seja investir -- uma ignorância que começa no desprezo d`«o privado» (para citar um grunho), que investe e arrisca para criar riqueza, com a qual paga os juros do capital e o saque fiscal.

De maneira que ficamos assim: nesta crise esmagadora e brutal, Costa traz de Bruxelas apenas o que puder gastar nas suas conveniências, e de que não lhe peçam demasiadas contas - que são, evidentemente, umas prebendas para clientes, uns tostões para o funcionalismo paralítico, umas «apostas» para amigos e consócios. Vai dar-se bem. Já tem a tonta da presidente da Comissão a dizer que o plano dele serve de print para todos; já tem os jornais entusiásticos que comprou cheios de jornalistas comprados com amor [eles aplaudem até quando morrem 18 velhos num lar, aplaudem sempre por sobre falências e cadáveres]; e tem uma oposição inexistente e um presidente a quem, em vésperas eleitorais, não convém nada acordar (excepto para dizer que van der Leyen é fantástica e gosta de Portugal -- são os afectos, compreendem?). E o povo ? O povo, como diria um parisiense, bééééé´...

Portugal iria perder esta oportunidade?, perguntavam alguns. A oportunidade é António Costa. Já perdeu!

Um dicionário novo para os serventes do poder

por José Mendonça da Cruz, em 29.09.20

O título da secção de economia do Expresso é 

TAP adia compra de 15 aviões e poupa 856 milhões de euros

Para o Expresso, portanto (e a Sic usa exatamente a mesma formulação), poupar significa não gastar. Pense: o leitor que decidiu não comprar uma moradia na Linha, uma T8 com vista para o mar, jardim de 1 ha e piscina acaba de poupar mais de 2 milhões de euros. O leitor não está feliz?

 

Erro ou inevitabilidade ?

por Jose Miguel Roque Martins, em 29.09.20

Depois de 1Milhão de mortes contabilizadas por covid, multiplicam-se as vozes clamando pelos erros que permitiram tamanha calamidade. 

O que se poderia ter feito mais, mesmo que pareça absurdo? 

A resistencia em se perceber que não passámos subitamente a sermos invulneraveis é aterradora. E faz adivinhar que as exigencias das populações, continuarão a crescer para alem do razoavel. 

 

 

 

 

A mansidão dos súbditos

por henrique pereira dos santos, em 29.09.20

Fui reparando que nuns parques infantis podia brincar com os meus netos e noutros não.

Cansado de ver alguns parques infantis fechados, tratei de saber por que razão as coisas eram assim.

Pois bem, a conclusão a que cheguei é que as normas e recomendações da DGS são tão boas, mas tão boas, que a câmara de Oeiras fecha os bebedouros e abre os parques infantis, enquanto a câmara de Lisboa as interpreta como sendo para manter abertos os bebedouros e fechar os parques infantis, sem prejuízo de haver juntas de freguesia em Lisboa que interpretam as directivas da DGS como a câmara de Oeiras e têm os bebedouros selados e os parques infantis abertos, ao contrário das que as interpretam como a Câmara de Lisboa e abrem os bebedouros e fecham parques infantis.

Resumindo, percebi que a possibilidade dos meus netos andarem de baloiço depende de umas regras únicas e da interpretação que delas fazem as entidades gestoras dos baloiços: se o parque é gerido directamente pela câmara os baloiços não baloiçam, se é gerido por uma junta de freguesia, depende da junta de freguesia, numas os baloiços baloiçam, noutras se os baloiços baloiçarem, morremos todos de covid.

Antes de 10 de Julho de 2020 a coisa era clara, estavam os parques infantis todos fechados (e todos sabemos como isso foi fundamental para impedirmos a actividade viral na fonte, com os resultados bem visíveis na forma como estamos a controlar magnificamente o crescimento de casos positivos logo que as condições ambientais se tornaram mais favoráveis à actividade viral).

Claro que os miúdos continuavam a ir aos jardins, jogavam à bola, andavam de bicicleta, os skates atropelavam os carrinhos de bebés, mas tudo se passava fora dos limites dos parques infantis, rigorosamente fechados, e a única diferença é que havia uma maior confusão nas partes dos jardins que não eram parques infantis.

Mas depois veio a DGS e Graça Freitas foi peremptória: as crianças devem brincar no modelo de "bolhas familiares".

Não me lembro de alguém ter perguntado a Graça Freitas de onde lhe vinha a legitimidade para querer impôr que os meus netos não poderiam estar juntos - numa altura em que as creches já estavam abertas - ou que se eu brincasse com a Teresa não poderia brincar com o Francisco, resultado que a DGS queria obter através do fecho de parques infantis.

Graça Freitas, especialista em gestão de espaço público, argumentou muito bem: "Pela sua natureza estes parques são habitualmente não vigiados, são públicos e de utilização pública, têm equipamentos, mas não têm um concessionário responsável que permita a desinfeção regular e a limpeza. E também por serem crianças, muitas vezes não se consegue manter a distância social. Não consideramos prioritário, nem de longe, nem de perto, a abertura de parques infantis porque as crianças têm todo o ar livre para brincar".

Por acaso os parques infantis até têm responsáveis pela sua manutenção, que são entidades públicas, e não sei a que propósito a Direcção Geral de Saúde decidiu que as câmaras e juntas de freguesia eram incompetentes para exercer essa competência que lhes está atribuída, e muito menos percebi a argumentação que se aplica aos parques infantis, que são ao ar livre, mas não se aplica aos bancos e outros equipamentos do espaço público (sim, cara Graça Freitas, há dezenas de equipamentos no espaço público, desde estatuária a que os miúdos trepam, a lagos e fontes em que os miúdos se debruçam e, mais que tudo, miúdos, muitos outros miúdos que se empurram, se abraçam, se mordem, se batem, se agarravam, violenta ou ternamente, que horror, Graça, que horror, tantas oportunidades de contágio).

Graça Freitas aconselha-nos mansamente: "Aconselhamos que as brincadeiras ocorram ao ar livre com bolhas familiares, ou seja, crianças do mesmo agregado familiar, sem cruzamento de risco com crianças de outros agregados familiares. Isto também se aplica às festas de família e jantares e almoços. Vimos de casas diferentes, com riscos diferentes e realidades diferentes".

O que tenho para lhe dizer, cara Graça, é que se os conselhos valessem de alguma coisa, eram vendidos, não eram dados e, neste caso, lamento dizê-lo, sou eu que tenho de gerir os meus riscos, os meus filhos os riscos deles e dos meus netos.

A sua pulsão totalitária, que a levou a aceitar e subscrever normas desumanas para a recepção de crianças em instituições de acolhimento sem reparar na bárbara desumanidade que quis impôr aos outros, não passa disso mesmo, de uma ânsia de controlo de uma epidemia que se está nas tintas para os seus conselhos e vai progredindo de acordo com o que seria de esperar a partir do que se aprendeu nos últimos cem anos de epidemiologia.

Provavelmente conta com a mansidão dos súbditos, e tem razão para isso, a sociedade civil é frágil.

Terá reparado como o seu conselheiro Filipe Froes, um dos mais influentes arquitectos da estratégia de gestão da epidemia é, ao mesmo tempo, o responsável do gabinete de crise da ordem dos médicos, ou seja, quando a ordem dos médicos se pronuncia sobre a gestão da epidemia, não é uma entidade independente que se pronuncia sobre outra entidade, é Filipe Froes da ordem dos médicos que fala de Filipe Froes da Direcção Geral de Saúde.

Repare que quando a associação dos médicos de saúde pública se pronuncia sobre a gestão da epidemia, não é uma entidade independente que se pronuncia sobre terceiros, é Ricardo Mexia, presidente dessa associação que fala de Ricardo Mexia, funcionário do Instituto Ricardo Jorge, a mais influente instituição pública que aconselha a Direcção Geral de Saúde.

E o resto é mais ou menos igual: eu pego nos meus netos e mudo de freguesia para os levar aos baloiços, encolhendo os ombros à parvoíce das bolhas familiares.

E a imprensa faz o que faz hoje o Público: uma capa sensacionalista com o facto de hoje se chegar ao primeiro milhão de mortos com covid, sem fazer qualquer referência às discussões sobre esta classificação, sem qualquer referência ao facto da esmagadora maioria dos que morreram terem um prognóstico de vida de poucas semanas ou meses e sem ao menos explicar que no mesmo período morreram à volta de 40 milhões de pessoas no mundo por outras causas, para que se possa ter uma ideia do que significa um milhão de mortos durante a epidemia.

Nisso, cara Graça, pode estar descansada: temos profundamente gravada a mansidão dos súbditos e, durante uns meses, a Graça pode gozar a graça de achar que põe e dispõe da vida de milhares de pessoas, determinando que os primos não podem brincar com os primos, sem ter a maçada de explicar qual é o risco associado a isso, bastando-lhe dizer as palavras mágicas: estamos em pandemia, portanto ou fazem o que eu digo, ou morremos todos amanhã.

Que nada do mundo ficcionado que existe na sua cabeça, um mundo em que proibir a venda de álcool depois das oito impede as pessoas de se juntarem na rua, um mundo em que fechar parques infantis impede as crianças de cruzar bolhas sociais, um mundo em que regras de acesso a espaços fechados não criam amontoados de pessoas à porta, um mundo em que despersonalizar o quarto de velhos em fim de vida é a melhor solução para esse fim de vida, um mundo em que colocar crianças de risco em absoluto isolamento é a melhor forma de as defender, um mundo em que criar regras de entrada absurdas nas escolas impede a mistura das bolhas sociais dos alunos, que absolutamente nada desse mundo tenha qualquer relação com o mundo real das pessoas concretas calculo que lhe seja indiferente, como é costume nos privilegiados que fazem regras para os outros, deixando as excepções para si próprios, como quando se mandava toda a gente para casa e imensas comitivas políticas continuavam a fazer acções de propaganda em hospitais.

É que se não for assim, se verdadeiramente não lhe forem indiferentes os outros, o mais que posso desejar é que tenha um stock bem grande de comprimidos para dormir, porque vai precisar deles quando finalmente perceber o imenso sofrimento para que está a contribuir à conta de regras estúpidas, inúteis para a gestão da epidemia, mas com efeitos reais na vida de pessoas concretas.

SIC Notícias | OE 2021. Catarina Martins pede sinais mais claros ao PS

A Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, deu uma entrevista ao Polígrafo na SIC e o seu discurso está carregado de equívocos. 

Desde logo põe o cerne da questão no "não se conhecem as imparidades do Novo Banco. Ninguém fiscaliza as imparidades do Novo Banco". Ora isto é mentira. Todos os bancos são obrigatoriamente auditados anualmente e nessa auditoria estão as imparidades para crédito ou outros ativos, e os bancos seguem as regras internacionais de registo de imparidades. Portanto as imparidades são auditadas anualmente e até são muitas vezes reforçadas a pedido das auditoras. Já agora as auditoras são supervisionadas pela CMVM.

É preciso não esquecer que as imparidades foram criadas mundialmente para proteger os bancos do malparado. Catarina Martins parece achar que as imparidades são umas coisas muito complicadas que servem para roubar o Estado.

"O Estado faz um contrato com autênticos gangs financeiros", diz a líder do partido que suportou parlamentarmente a subida ao poder do Governo que permitiu assinatura do contrato de venda do Novo Banco ao Lone Star. Não fosse isto já só por si hipócrita ainda fala em "gestão danosa" do Novo Banco, apesar de a própria PGR (entidade que avalia se há gestão danosa ou não) ter concluído que não há qualquer motivo para uma investigação nesse sentido.

Às páginas tantas diz que agora "há novos indícios". Não, não há, há o cumprimento dos contratos assinados em 2017, como sempre houve. 

Depois de condicionar a aprovação do Orçamento de Estado para 2021 à não inscrição da verba, contratualmente definida, de empréstimo anual do Estado ao Fundo de Resolução (cujo o tecto são os 850 milhões), eis que a líder do Bloco de Esquerda quer que o Estado proíba o Fundo de Resolução de injetar qualquer verba no Novo Banco, violando o que está contratado entre o Fundo de Resolução e o Novo Banco, e pondo em risco o cumprimento do contrato entre o Estado e a DG Comp de Bruxelas, que impôs remédios ao Novo Banco no acto da venda. 

Em primeiro lugar o Estado não pode romper um acordo entre duas entidades em que nenhuma delas é o Estado. O FdR é do Banco de Portugal e o Novo Banco é da Lone Star.

Em segundo lugar, se Catarina Martins espera que o Estado vá "crescer" para Bruxelas e violar acordos, ainda para mais numa altura em que o país espera fundos europeus para se reestruturar, bem pode esperar sentada.

O que diz a senhora? Diz que é contra a existência do Fundo de Resolução, porque é o Estado que empresta ao Fundo e porque os bancos canalizam a contribuição especial (que é um imposto) para financiar o Fundo de Resolução em vez de dar esse imposto ao Estado. Não sei como Catarina Martins espera "emendar" a criação do Fundo de Resolução? Espera exigir a sua extinção? No reino do absurdo tudo é possível, até isso.

Depois diz que quando os bancos têm problemas são os contribuintes que pagam. Mas é contra os Fundos de Resolução. Ora os Fundos de Resolução foram criados precisamente para pôr os credores, os acionistas e os bancos a pagar as resoluções. O Fundo de Resolução é uma entidade pública? É. Mas também o é o Fundo de Garantia de Depósitos, que é chamado a pagar 100 mil a cada depositante em caso de insolvência de um banco e ambos contam para o défice.

Depois diz que não quer que se injecte nada no Novo Banco até que se conheça o que se passa lá dentro. O que quer isto dizer, depois de uma auditoria especial aprovada pelo próprio Bloco? Quantas auditorias quer? Não me parece que as dúvidas da líder do Bloco se satisfaçam sem que ponha a Mariana Mortágua no board do banco. Tudo o que não for isso não serve. 

Diz ainda a senhora que as imparidades que estão a ser constituídas "são secretas" e servem para chamar cada vez mais capital ao Fundo de Resolução no âmbito do mecanismo de capital contingente. Mais uma vez é mentira. O que foi já mais do explicado, e também pela auditoria da Deloitte, é que o Acordo de Capitalização Contingente define que a realização de pagamentos pelo Fundo de Resolução ocorre caso se verifiquem, cumulativamente, perdas nos ativos abrangidos e os rácios Tier 1 ou Common Equity Tier 1 (CET1) se tornem inferiores aos níveis definidos. Deste modo, o montante dos pagamentos a realizar pelo Fundo de Resolução corresponde ao menor dos seguintes montantes: perdas líquidas acumuladas nos Ativos CCA, que em 31 de dezembro de 2018 totalizavam 2.661 milhões de euros; e o montante necessário para repor o rácio de capital do Novo Banco no nível acordado (Tier 1 de 12,75%, em 31 de dezembro de 2018 e 2017).

Ao longo da auditoria da Deloitte é explicado que os valores pagos pelo Fundo de Resolução, ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente (CCA), têm sido inferiores ao valor das perdas da carteira coberta por este mecanismo. 

Assim, para além da evolução das perdas associadas aos ativos cobertos pelo mecanismo, a eventual necessidade de pagamentos adicionais pelo Fundo de Resolução ao abrigo do CCA está dependente da evolução das necessidades de capital do Novo Banco, as quais estão condicionadas entre outros aspetos pelo resultado líquido anual, incluindo as perdas em ativos (incluídos ou não no CCA); por outros movimentos que afetam fundos próprios (desvios atuariais em responsabilidades com pensões, valorização de instrumentos de rendimento variável, etc); por efeitos de transição em fundos próprios (Phased-in, IFRS 9); e pela evolução dos requisitos de capital (requisitos Pillar 2, capital conservation buffer e other systemically important institutions capital buffer). Tal como explica o relatório da Deloitte, que a Catarina Martins diz que nada investiga.

A este respeito, com base no Relatório e contas de 2019 o rácio mínimo de Tier 1, com referência a 31 de dezembro de 2019, é de 13,51%, o que representa um aumento absoluto de 0,76% dos requisitos de capital regulamentar para o Novo Banco. A Deloitte acrescenta mesmo que de acordo com o Relatório do Agente de verificação (Oliver Wyman) referente ao ano de 2019, datado de 6 de maio de 2020, este aumento representa uma necessidade adicional de capital de cerca de 200 milhões de euros.

Já chega de ignorantes úteis. Todos nós sabemos que o Bloco de Esquerda cresceu muito à custa das comissões parlamentares de inquérito aos bancos e que precisam delas para fazer prova de vida.

A boa notícia é que Catarina Martins não vai conseguir destruir o Novo Banco, nem pôr em causa os depositantes, nem criar um risco reputacional que ponha os juros soberanos a subirem, nem vai criar uma situação de ruptura entre o Estado e Bruxelas. A boa notícia é que o Bloco de Esquerda faz muito barulho mas não governa o país. Graças a Deus.

 

Substituir dogmatismo por inteligência

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.09.20

No Expresso, vi uma proposta muito interessante de Luís Cabral. Considerando que parte da substituição de trabalho humano por maquinas se deve á alta taxação do trabalho, propõe que as contribuições para a Segurança Social de Trabalhadores e Entidades patronais seja extinta. Passe a zero. Sendo substituída por outros impostos que não onerem o custo do trabalho.

O racional da proposta é que, ao ficar mais barato, o trabalho só será substituído por maquinas, se for mesmo muito mais barato, ao contrario do que acontece hoje. No caso de inovações que aumentem a produtividade da sociedade, esta medida não impede a tão útil transição tecnológica que traz progresso.

A taxação excessiva do trabalho, tal como o salário mínimo,  é mais uma das muitas distorções que impede a nossa eficiência, e que tem alternativas, como esta. O desemprego tem que ser combatido com todas as armas que estiverem á nossa disposição.

É preciso pensar fora da caixa e substituir dogmatismo por inteligência.

 

PS: Aos mais preocupados com os possíveis lucros das empresas, há que descansa-los: a diminuição do custo do trabalho será compensada por aumentos de salários e diminuições dos preços de bens antes de impostos. O verdadeiro beneficio será de não termos pessoas desempregadas, porque no custo de uma maquina não se contabilizam impostos tão elevados como no trabalho.

Geografia

por henrique pereira dos santos, em 28.09.20

Desde o princípio da epidemia que há quem procure padrões geográficos na sua evolução.

Ainda por estes dias Miguel Araújo lembrava o que sobre o assunto escreveu muito no princípio da epidemia.

É verdade que não me parece que alguns dos pressupostos do Miguel (e meus, já agora, e penso que mais ou menos de toda a gente que olhou para isto com os olhos da geografia) se tenham verificado, pelo menos da forma como se pensou no assunto, com uma grande associação entre a actividade viral e o frio, como parece lógico a partir do padrão sazonal da Europa temperada (ainda hoje fico de boca aberta com as pessoas que não vêem sazonalidade na actividade viral do hemisfério Norte temperado, obcecadas que estão com a ideia de que somos nós e a forma como controlamos as nossas interacções sociais que determinam a evolução da epidemia).

Mas também é verdade que a ideia central de uma grande influência da geografia - o que pressupõe que em grande medida a evolução da epidemia é fortemente influenciada por factores naturais que não controlamos - me parece hoje uma hipótese bastante sólida.

A Europa temperada tem, para Sul, muito mar e deserto, isto é, uma descontinuidade geográfica que torna mais difícil ver a oscilação geográfica que foi ocorrendo desde o início da epidemia.

A América, desse ponto de vista, parece-me dar indicações mais claras.

O mesmo se poderia dizer da Ásia, mas não são claras para mim as razões para os padrões de ataque da epidemia na Ásia, em especial a hipótese, grandemente especulativa, de uma maior imunidade a vírus deste tipo, portanto não tenho perdido muito tempo a olhar par a evolução da epidemia nessa zona do mundo, para além de notar a diferença temporal do ataque na China (e arredores) e na Índia, coerente com o que vou escrever.

Os EUA têm duas grandes virtudes para esta discussão: 1) continuidade geográfica Norte/ Sul, com grandes estados muito povoados tanto a Norte como a Sul; 2) dados razoavelmente seguros.

É do conhecimento geral que primeiro os surtos estiveram a Norte, acompanhando a Europa temperada, e depois, durante o Verão em que praticamente desapareceu da Europa e dos estados do Norte dos EUA (não confundir a histeria sobre os dados resultantes de testes laboraratoriais positivos decorrentes de alterações profundas na política de testes com a verdadeira evolução da epidemia, em que estes números de testes positivos têm de ser lidos no contexto da evolução dos números de hospitalizações e mortes), a actividade viral desceu para os estados do Sul, nomeadamente os estados muito povoados da Florida, Texas e Califórnea.

Nos últimos tempos, em paralelo com a subida de testes positivos na Europa temperada - acompanhada de um aumento moderadíssimo de mortalidade, que provavelmente continuará pelo Outono/ Inverno fora, até valores semelhantes aos da gripe, nuns sítios mais acima, noutros sítios mais abaixo - a lista de estados dos EUA ordenada por números de casos diários começou a sofrer alterações, com a progressiva descida dos casos nestes grandes estados do Sul e a subida de outros estados mais a norte, embora na mortalidade ainda haja uma clara predominância dos estados do Sul.

Ontem o segundo estado com mais casos foi o Winsconsin, quase no Canadá, na região dos grandes lagos (por acaso, ontem, com zero mortes, mas dados diários não dizem nada).

Vale a pena olhar para os gráficos desse estado.

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Coerentemente com a Europa temperada, há um súbito crescimento de casos a partir do princípio de Setembro, mas a mortalidade, que sempre foi baixa no primeiro embate, continua sem reflectir este número de casos, sendo razoável supôr que irá, mais tarde ou mais cedo, reflectir este aumento de casos, embora com várias ordens de grandeza abaixo, isto é, à mais que duplicação de casos, que passaram dos menos de 700 a mais de dois mil em três semanas, sendo natural que continuem a aumentar, não corresponderá, no período de duas a três semanas em que seria de esperar ver o crescimentos de casos transformar-se em maior mortalidade, um crescimento da mortalidade mais de duas vezes maior, de acordo com o padrão que tem sido observado, até agora, em toda a Europa.

Nada disto são previsões, em lado nenhum tenciono dizer que o futuro vai ser assim ou assado, o que estou a dizer é que parece evidente a existência de padrões geográficos de evolução semelhantes para situações semelhantes, independentemente das medidas de controlo da epidemia tomadas.

Ou seja, os indícios que hoje temos da evolução observada da epidemia reforçam a hipótese de uma evolução natural da epidemia, e desconsideram a hipótese de uma evolução da epidemia determinada pelas nossas opções de controlo social de interacções entre as pessoas.

Talvez seja por isso que, até hoje, na enxurrada de estudos e coisas publicadas sobre a epidemia, não haja um único artigo concludente sobre os efeitos das medidas não farmacêuticas na evolução da epidemia.

Há muita modelação.

E há alguns estudos de base empírica que sugerem efeitos relevantes das medidas não farmacêuticas, mas os que vi, de maneira geral, têm a mesma arquitectura base: são estudos de caso que interpretam uma correlação estatística simples como a explicação para dados empíricos de um processo complexo, ignorando hipóteses explicativas alternativas, em especial hipóteses baseadas numa evolução natural do surto.

Em lado nenhum se encontram (que eu saiba, claro, agradeço todas as demonstrações de que esses estudos existem) análises globais, ou meta-análises que consigam explicar diferentes evoluções a partir da adopção de diferentes medidas não farmacêuticas, ou resultados semelhantes obtidos a partir das mesmas medidas não farmacêuticas.

Quer isto dizer que as medidas não farmacêuticas são inúteis e devem ser descartadas?

Seguramente que não, o que isto quer dizer é que os custos e benefícios de cada medida não farmacêutica têm de ser discutidos numa base sólida que permita a ponderação de todos os seus efeitos sociais, e não na opinião de um delegado de saúde qualquer sobre o confinamento de turmas inteiras só porque está convencido de que mandando os alunos para casa deixa de haver interacção social entre as bolhas sociais de cada um dos alunos e isso vai ser um grande contributo para a evolução da epidemia que, apesar de todas essas bravatas, eppur si muove indiferente às nossas opiniões sobre ela.

O voto útil da direita não será no PS ?

por Jose Miguel Roque Martins, em 27.09.20

 

Nas Ultimas décadas temo-nos habituado a um ciclo que se repete. Depois de deixarem o Pais de rastos, os primeiros ministros socialistas demitem-se, o PSD vai para o governo, apenas para suportar os anos de aperto e perderem de novo nas eleições seguintes. Fruto das medidas pouco populares que são obrigados a instaurar e das tímidas e insuficientes reformas que conseguem implementar. Nada substancial muda.

Infelizmente vamos a caminho de mais uma crise aguda, que nem os fundos europeus conseguirão disfarçar. Adivinho uma crise política e a demissão de António Costa. A desculpa do costume, uma minoria que não permite governar, legitimará a sua real vontade de passar á oposição em anos difíceis.  

Será interessante que o PS enfrente e resolva a crise com maioria. Sem austeridade. Sem crescimentos débeis e crescimentos da divida. Sem deixar de aumentar funcionários públicos e pensões. Sem diminuir o desemprego. Sem desculpas. 

Limpar a porcaria que se faz poderia levar a aprender importantes lições. 

Se o conseguir, legitima o seu discurso de governantes mágicos e serei o primeiro a tirar o chapéu.

Se não o conseguir, então talvez se consiga iniciar um ciclo de maior responsabilidade e verdade por parte de um regime, actualmente, caduco.

A regeneração do centrão ( a que não pertenço) é vital para impedir o declinio da democracia, da decadencia economica e do populismo. Mais do mesmo, não trará garantidamente as mudanças de que precisamos tão urgentemente:  menos dogmatismo, mais honestidade, mais eficiencia. 

Para melhorar talvez seja necessário piorar.

O voto útil da direita não será no PS ?

 

PS: nunca votei no PS. O PSD não é muito diferente. Não sou social democrara. Mas Portugal é. Ao menos que tenhamos uma social democracia razoavel. 

Diversidade genética

por henrique pereira dos santos, em 27.09.20

Manuel Carmo Gomes dá aqui uma boa entrevista, em grande parte por Vítor Gonçalves é um bom entrevistador.

Não vou demorar-me na primeira resposta - o actual crescimento de casos decorre da retoma das nossas actividades, ideia que se apresenta sem qualquer base objectiva que se possa discutir, como a relação entre as variações de mobilidade e a evolução da curva, diferenças na evolução da curva de casos em função das diferenças de retoma da mobilidade nos diferentes países e regiões, etc. - porque o que me interessa neste post é o que é dito a propósito da hipótese de Gabriela Gomes (e outros) de que a heterogeneidade na susceptibilidade à infecção reduz substancialmente o limite a partir do qual a infecção tem dificuldade em progredir por lhe faltarem hospedeiros disponíveis.

Que médicos ligados à prática clínica, sobretudo intensivistas, se assustem com patologias novas para as quais não existem protocolos de resposta razoavelmente estabilizados e acabem a falar de homogeneidade de susceptibilidade à doença, eu percebo.

Que organizações viciadas - e bem - em programas de vacinação acabem a olhar para a evolução natural de uma epidemia com os pressupostos dos programas de vacinação, que evidentemente descartam a heterogeneidade de susceptibilidade às doenças por ser um factor desconhecido em cada indivíduo, sendo racional vacinar toda a gente, partindo do princípio de que potencialmente todos são igualmente susceptíveis, eu percebo.

Agora que biólogos de "honesto estudo, com longa experiência misturada" partam da hipótese de que a susceptibilidade a uma nova doença é homogénea, com o argumento de que a heterogeneidade está demonstrada para uma série de doenças, mas esta é nova e não está demonstrada que o princípio de aplique neste caso, aí sim, fico de boca aberta de espanto.

1) Que a heterogeneidade na susceptibilidade está demonstrada numa série de doenças, é um facto;

2) Que toda a teoria darwinista da evolução das espécies assenta na ideia de que a variabilidade genética - incluindo a intra-específica, que é a que interessa para esta discussão - é a principal força modeladora da evolução, é um facto;

3) Que existem dezenas de testemunhos médicos sobre diferentes evolução da doença entre diferentes indivíduos com características aparentemente semelhante, é um facto;

4) Que as zonas de maior ataque da epidemia, com surtos mais fortes e afectando mais gente, pararam (pararam no sentido epidemiológico do termo, a infecção não pára, passa é a níveis que deixam de caber na definição de surto) com níveis de infecção das populações relativamente baixos, independentemente das medidas tomadas em cada sítio e do contexto em que ocorreram, quer seja em Nova York, quer seja num navio militar, é um facto.

Assim sendo, como é possível argumentar-se que não se deve levar a sério a hipótese da heterogeneidade implicar um nível de infecção das populações mais baixo que o que tem sido usado para prever mortalidades assombrosas, e nunca verificadas em lado nenhum, com o argumento de que não está demonstrada essa heterogeneidade?

Eu não só não entendo como, sobretudo, não entendo como a discussão deste ponto, como enormes implicações na ponderação das medidas de gestão da epidemia, é praticamente inexistente e arrumada a um canto com argumentações tão absurdas como a usada por Manuel Carmo Gomes nesta entrevista.

Com a ironia adicional, nesta entrevista, de poucos minutos depois Manuel Carmos Gomes explicar muito bem os mecanismos associados à imunidade que sustentam a hipótese de que há heterogeneidade e de essa heterogeneidade poder desempenhar um papel muito relevante na evolução natural da epidemia.

A única explicação que encontro, porque tenho encontrado frequentemente indícios dela nas mais variadas pessoas, está na primeira resposta da entrevista: uma recusa total e obstinada em admitir a hipótese de que a principal força de evolução da epidemia é interna, que é o vírus que está a comandar a evolução da epidemia, e que as nossas medidas até poderão influenciar alguma coisa essa evolução, mas estão longe de ser determinantes.

Que ao mesmo tempo que se nega esta hipótese se fale na inevitabilidade de um crescimento da infecção no período de Outono/ Inverno que se inicia, sem que se dê conta da evidente contradição com a ideia de que a epidemia evolui em função dos nossos comportamentos sociais, é uma forma fascinante de iluminar a natureza humana e a forma como nos enganamos colectivamente para nos defendermos dos nossos medos colectivos.

“Todo o homem em boa forma é um doente que se ignora.”

Razões porque vale a pena comprar o Expresso

por João Távora, em 26.09.20

TriunfoMorte.jpg

“O Triunfo da Morte“, Pieter Bruegel, “O Velho” (c. 1562), Museu do Prado, Madrid

(...) "Ora bem, eu vejo Paris amordaçada por esse lenço azul assético; penso nesta estética de bloco operatório que imprime o seu estilo por toda a parte; enquanto a epidemia parece estar sob controlo e, graças aos céus, nos encontramos longe das cenas infernais do início, com os hospitais a transbordar, os cuidadores extenuados e os velhotes abandonados ao seu azar de serem velhos, ouço os mestres da Opinião culparem os jovens por não se encontrarem em pior estado, os curados por não terem recaídas e os cidadãos infantilizados por se relaxarem; e não posso deixar de pensar que, por trás da impaciência dos números matraqueados como mantras, há qualquer coisa dessa querela que está a voltar à cena.

Um jansenismo sem Jansen, sem Agostinho, sem Pascal e sem Philippe de Champaigne.

Um jansenismo para idiotas, cinzento e pesaroso, que não pode ser senão o novo traje, demasiado folgado, da Humanidade carneirinha de sempre.

Mas um jansenismo extenuado que, à semelhança de um demónio cuja suprema astúcia fosse, segundo Baudelaire, fazer crer que não existe, se disfarçaria no seu oposto, pregaria o culto da vida, ao mesmo tempo que expia o inconveniente de haver nascido, e não exigiria mortificação e penitência senão em nome do imperativo de salvar os corpos." (...)

 

Excerto da crónica de Bernard-Henri Lévy publicada na revista do Expresso, aqui

 

Dizem que André Ventura é  racista, de extrema direita ou até mesmo fascista. Eu, que não o conheço, arrisco-me a iliba-lo de todas estas acusações.

André Ventura parece-me simplesmente um político que percebeu que o populismo não nasceu por acaso, que existe eleitorado desprezado pelos partidos estabelecidos. E que resolveu aproveitar a oportunidade de mercado que detectou. É certamente culpado de demagogia, de oportunismo, de discursos de odio, de mentir e não dizer o que realmente pensa. O que  já de si é muito mau e garante que do Chega nada de positivo vai resultar. 

O Chega, em tudo me faz lembrar o Bloco de Esquerda. Outro partido populista, nascido da incapacidade do PCP em largar a inconveniente bandeira marxista-leninista e da mobilização das franjas (ainda) mais exigentes em promessas de direitos e existencia de ódios de estimação,  que antes votavam no PS.  E que partilha todos, mas mesmo todos,  os traços negativos que se podem identificar no Chega .

As causas proclamadas são diferentes. Os métodos, a postura e o que trazem á sociedade, iguais. Até no ridículo se aproximam. André Ventura na tentativa de colagem a Sá Carneiro. Catarina Martins na sugestão de que é social democrata.

Ambos os partidos não são boas noticias para Portugal. Na melhor das hipoteses, poderão icentivar os partidos hegemonicos a serem mais eficientes. O que é pouco provavel. 

Mas o que dizer dos partidos tradicionais?

O PS e o PSD, tudo fizeram para que o populismo florescesse. Primeiro, por se aproximarem demasiadamente de um ponto ideologico,  na monocórdica afirmação da Social Democracia e de um Estado diretor. Depois, por serem responsaveis por instituíram um regime de meias tintas, do subdesenvolvimento económico, das promessas não cumpridas,  do sofisma, de uma moralidade publica duvidosa e da cedência a  milhares de grupos de interesse que sugam a energia nacional. 

O PCP teima em não largar uma ortodoxia caduca. E o CDS/PP, na ansia de se aproximar do centrão rico em votos, perdeu identidade e oportunidade. 

O Chega e o Bloco de Esquerda são produtos de um regime decadente. Não de André Ventura ou Catarina Martins. E são os Portuguses e a democracia que vão continuar a sofrer. 

E doentes, há?

por henrique pereira dos santos, em 26.09.20

Sim, claro que há, mas raramente são o centro da informação sobre a epidemia.

Por puro acaso, nos últimos dois ou três dias tenho estado em frente a uma televisão na altura em que o telejornal (uma jornalista da SIC, com quem conversava de vez em quando, corrigia-me sempre que eu falava do telejornal da SIC, porque o telejornal era da RTP, mas é como o cimbalino no Porto, que nem sempre é tirado em máquinas Cimbali) principal da SIC falava da covid - que aliás ocupa grande parte do notíciário - e acabo sempre a ir verificar os dados dos países que vão sendo citados, de tal forma a imagem com que fico do que ouço na televisão é distante da que tenho na cabeça, resultante de uma visita diária matinal aos números. A coisa é de tal maneira que fico com genuínas dúvidas sobre se terei visto bem os dados.

Por exemplo, quer Espanha, quer a Suécia eram citados ontem como países onde estão a ocorrer crescimentos imensos da epidemia, quando o que se vê nos gráficos é o que está abaixo.

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O mesmo se passa com o Observador, que agora se entretém, dia sim, dia sim, a fazer umas coisas sobre os recordes de casos que todos os dias são batidos.

Ao mesmo tempo, o mesmo Observador, publica este texto de opinião em que se lembra, e bem, o que é a intervenção médica clássica e como ela tem vindo a ser prevertida com invenções que nunca foram aplicadas antes e cujos efeitos benéficos estão por demonstrar, enquanto os efeitos negativos são já evidentes.

Sobre o fundamento das medidas preconizadas pelo fascismo sanitário - cujas consequências estão muito bem descritas por João Távora num post do Corta-Fitas anterior a este - tenho visto poucas coisas, em Portugal, mais esclarecedoras que esta entrevista de Filipe Froes.

Comecemos pelo desligamento da realidade social que Filipe Froes demonstra, logo ao início da entrevista, ao mostrar uma máscara nova, dizendo que acabou de a trazer do hospital. Eu sei que é um pormenor ínfimo, mas a verdade é que Filipe Froes está a demonstrar a natural cegueira do privilegiado em relação ao seu privilégio. Filipe Froes, que defende o uso de máscara em numerosas situações, e defende que esse uso seja feito de acordo com regras sanitárias muito estritas, incluindo a sua substituição frequente por outra nova, está a explicar que milhares de pessoas que ganham muito menos que Filipe Froes estão a pagar-lhe as máscaras que usa, mesmo em contextos privados como o de uma entrevista. Ao fazê-lo com a desenvoltura de quem acha isso natural, está a demonstrar não ter a menor ideia, ou pelo menos o menor respeito, pela dificuldade que milhares de pessoas de muito baixos rendimentos terão para usar três ou quatro máscaras por dia, acrescentando uns 50 euros por mês de despesas aos seus magros orçamentos. Esse problema nem sequer existe para Filipe Froes e portanto desconhece que por mais obrigatório que seja o uso de máscaras, elas nunca vão ter o efeito que pensa pela simples razão de que as pessoas as usarão de formas totalmente erradas, não garantindo os tais efeitos positivos que alguma literatura descreve, no pressuposto de que as máscaras são usadas correctamente.

Como disse, este é um pequeno pormenor, mais relevante é o paralelismo de bom senso que Filipe Froes estabelece ao considerar que não sendo possível fazer testes de evidência com grupos testemunha no uso de máscaras e saltos de pára-quedas, é razoável equivaler a atitude de não usar máscara à atitude de saltar de um avião sem pára-quedas. Não sou eu que estou a exagerar, é mesmo este o nível da argumentação usada para fazer a defesa do fascismo sanitário.

Mais grave é, por exemplo, uma leitura totalmente ilegítima de um estudo publicado na Lancet ali por volta dos 11 minutos da entrevista, em que Filipe Froes simplesmente sugere que o estudo que cita diz que as máscaras podem oferecer uma protecção de risco de infecção até 85%, quando na verdade não é nada disso que o estudo diz, sendo extraordinária a forma como lê uma parte do estudo, até que introduz, sem aviso, uma conclusão sua, que o estudo não suporta.

Saltemos por cima da sua opinião de que os portugueses não podem ser responsáveis por si próprios e portanto têm de ser protegidos por iluminados como Filipe Froes, razão pela qual a gestão da epidemia feita pela Suécia nunca poderia ser usada em Portugal e saltemos pelas fábulas das centenas de milhar de óbitos que existiriam se a abordagem fosse outra, que Filipe Froes se escusa de demonstrar ou fundamentar seriamente (é absolutamente inacreditável a resposta à objecção de que a percentagem de jovens em cuidados intensivos é muito reduzida, uma evidência impossível de negar, a que Filipe Froes resolve responder com uma piada de mau gosto, dizendo que para os que lá estão a percentagem é 100%).

Mas o que verdadeiramente caracteriza esta entrevista é a afirmação (por volta do minuto 30) de que as excepções de evolução grave da doença em jovens são em muito maior número na covid que na gripe. Isto é simplesmente falso - eu sei que Filipe Froes responderá que não é da gripe mas das pneumonias que as pessoas morrem, como se não estivesse mais que demonstrada a associação entre os picos de gripe e doenças pulmonares e a morte subsequente às respectivas complicações - e claro que Filipe Froes sabe que a mortalidade nos grupos etários mais baixos é muito maior por causa das gripes e doenças semelhantes que por causa da covid, isso está perfeitamente documentado neste momento.

O que isto quer dizer é que não se trata de ignorância (como dizia recentemente um comentador dos meus posts, Filipe Froes sabe mais disto num dedo mindinho, e a dormir, que eu inteiro acordado, o que é verdade), trata-se da execução de uma missão evangélica (como são características as referências à honestidade própria, à imensa dedicação, às horas de trabalho, à sua intervenção na salvação dos seus semelhantes, ao longo de toda a entrevista, por oposição à corrupção moral de todos os que discordam do profeta) que, como é normal no tipo de pessoas que se atribuem a si próprios missões transcendentes, não hesita em recorrer à mais evidente mentira para salvaguardar a grande missão (pungente, a forma como Filipe Froes leva a mão ao peito para falar das pessoas cujo prognóstico foi agravado pela falta de resposta do sistema de saúde, em consequência da estratégia de gestão da epidemia adoptada, para logo concluir que isso são meros danos colaterais da salvaguarda de um bem maior para todos).

E, no entanto, ao fim deste tempo todo, ficamos sempre com uma pergunta por responder: e doentes? Quantos há em cada momento? Com que consequências? Com que evolução?

Não sabemos porque médicos resolveram esquecer-se de que o doente é o centro da sua preocupação, para se passarem a preocupar com resultados de testes laboratoriais.

Se alguma vez eu tivesse dúvidas sobre as vantagens da democracia face à tecnocracia e, consequentemente, das vantagens de ter pessoas comuns a fazer política e influenciar as decisões para todos em detrimento do excesso de peso dos especialistas, esta epidemia ter-me-ia ter tirado todas as dúvidas: eu não quero o evangelista Filipe Froes a tomar decisões sobre a minha vida sem que para isso tenha passado pelo processo de legitimação social que são as eleições.

Fascismo higiénico também mata

por João Távora, em 25.09.20

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A maior parte das vezes são os casos que nos tocam de perto que nos despertam para determinados problemas que doutro modo nos passavam ao lado. É por isso que, de há uns anos para cá, por causa da minha mãe que sofre de uma grave doença respiratória degenerativa, a gripe sazonal e o receio de uma consequente pneumonia, me atormenta todos os invernos. Necessitada de assistência respiratória 24h por dia, com a sua autonomia física em constante degradação, viu-se ela obrigada a ingressar numa residência onde pudesse passar os seus últimos anos de vida com algum conforto, e foi assim que encontrámos um refúgio abençoado num lar de uma paróquia de Lisboa. Trata-se de uma casa com ambiente familiar e cristão com capacidade para cerca de dez senhoras de diferentes origens sociais, todas elas extremamente dependentes mas cheias de dignidade, que são assistidas com grande humanidade por uma pequena equipa incansável de profissionais e voluntários – não existem suficientes palavras para aqui expressar a gratidão que sinto.
 
Foi neste ambiente, que ao longo dos anos, com a ajuda da família, a minha mãe conquistou o direito de viver num quarto que em grande medida é reflexo das suas origens e interesses. Desde o retrato do Rei Dom Miguel na parede, a sua pequena biblioteca de biografias e romances, bibelots e muitas fotografias da sua família, pais, irmãos, filhos e netos; e uma decoração alegre criada em cumplicidade com a minha mulher. Tudo à sua volta existe para lhe proporcionar um ambiente acolhedor e ligação às raízes, coisa que estou certo tem contribuído para a ligar ao mundo e à vida, que apesar da sua doença amarga, merece ser desejada, em harmonia e na proximidade possível com os seus.
 
A epidemia do Covid19 veio abalar todos estes precários equilíbrios. Há mais de seis meses que nos tivemos de conformar e enfrentar mais este tormento, que ameaça ser fatal para a frágil saúde da minha mãe, não tanto por causa do vírus mas por causa das contingências a ele ligadas, nomeadamente ao isolamento e consequente solidão e degradação do seu estado psicológico.
 
Isto vem a propósito de uma reunião ocorrida ontem na dita paróquia para a qual os familiares das senhoras residentes foram convocados pelo director da residência - uma reunião de filhos, como lhe chamei. Ela serviu para nos comunicar que as nossas familiares dentro do possível se encontram bem, que a equipa de assistentes se tem desdobrado em esforço e precauções para que o ambiente se mantenha salubre, tanto psicológica quanto sanitariamente. Foi assim que soubemos da pressão a que aquele lar (é fundamental mantê-lo em anonimato para que não aumentem as represálias do Estado) tem sido submetido em constates inspecções feitas ao desafio pelas diferentes tutelas, com o aparente objectivo não de proteger os residentes, mas antes a si próprias; sempre com mais e mais exigências que colocam em causa a subsistência económica da estrutura, muitas delas contraditórias, extremamente difíceis de cumprir numa casa com aquelas especificidades. Da exigência de distanciamento físico entre as residentes dentro das instalações (são 10 senhoras por Deus!), que obrigou a criarem-se turnos para frequência da sala de estar e de jantar, do distanciamento milimétrico das camas nos quartos duplos, como se aquela pequena comunidade não fosse como uma família; a obrigação das janelas constantemente abertas, requisito que muito em breve poderá ser causa de pneumonias; e da nova e perturbadora proibição das residentes terem nos seus quartos objectos pessoais, livros, fotografias e decoração (até as cortinas foram retiradas), para a salvaguarda de um ambiente asséptico “fácil de desinfectar”. Como se não bastasse as senhoras estarem há 6 meses impedidas de sair e entrar na casa; que as visitas, retomadas em Junho, sejam feitas através dum acrílico na porta para as escadas que dificulta tremendamente a audição; como se não bastasse tudo isto, pretendem estes burocratas soviéticos, que as senhoras vivam encerradas em paredes brancas, por tempo indeterminado como se fossem presidiárias.
 
Pela minha parte estou convencido que, se os nossos entes queridos não morrerem por causa do Novo Coronavírus, irão morrer de desespero e solidão por causa desta sanha normativa que trata as pessoas como se fossem números de quem as brigadas do governo a qualquer preço se querem proteger. O número de mortes excessivas está aí para nos alertar das consequências da desproporcionalidade dos meios em relação aos fins. O centralismo burocrático e o fascismo higiénico matam mais que a epidemia.

Sim, é necessário lutar pela democracia.

por Jose Miguel Roque Martins, em 25.09.20

Os muitos comentarios do meu ultimo Post, que falam dos problemas da democracia, leva-me a partilhar uns estudos de opinião que demonstram até que ponto é grande a perda do seu prestigio.

Em 2017, não tenho dados mais actualizados, numa pesquisa em 36 paises, a maioria da população já estava insatisfeita com a sua democracia. Não vejo razão para hoje os numeros não serem ainda mais negativos. 

democracia1.png

Pior, para alem do descontentamento com a democracia, formas de organização politica não democraticas, ganham adeptos. 

democracia2.png

Note-se que a governação por peritos ( como se elegem? ) já é maioritaria. E as Ditaduras, já contavam, nesta altura, com 26% de apoiantes. 

E o fenomeno não se verifica apenas em paises exoticos.São muitos os paises da Europa incluidos. 

A este facto não é alheio a perda de prestigio dos governos. 

democracia3.png

Não parece nada estranho, depois de ver estes estudos, o aumento de partidos populistas em toda a Europa. E verificar que nalguns paises, como Portugal, ou temos alterações radicais na forma de governar, ou a democracia será cada vez mais facil de questionar, perante o desespero daqueles que sentem já nada ter a perder. 

Sim, é necessario lutar pela Democracia. 

Foguetes para Matos Fernandes

por henrique pereira dos santos, em 25.09.20

Por razões profissionais assisti hoje a uma conferência que foi encerrada pelo Ministro do Ambiente, Matos Fernandes.

Repito uma declaração de interesses anterior: conheço Matos Fernandes há muito tempo, tratamo-nos por tu, nunca fomos amigos no sentido clássico do termo, isto é, todos os nossos contactos sempre foram profissionais. Digo alto e bom som, além de publicamente (depois de dizer ao próprio), que provavelmente discordo de 90% do que tem feito nas áreas que me interessam mais (gestão do território e da biodiversidade), não tanto nas intenções mas nas opções concretas de execução.

Isso não nos impede de manter relação cordial, tanto mais que, da minha parte, acho muita graça ao sentido de humor e capacidade de encaixe de Matos Fernandes.

Neste caso, ao contrário do costume, não falo de Matos Fernandes para criticar as suas opções mas por o ter ouvido dizer uma coisa que não esperaria ouvir tão cedo do responsável político pela gestão florestal do país: não queremos andar a financiar plantações sem gestão de longo prazo associada (não sei se as palavras foram exactamente estas, mas era esta a ideia) porque isso não faz sentido nenhum, do que precisamos é de mais gestão, e não de plantações sem gestão.

Há anos que repito esta ideia - que não é minha, note-se, por exemplo, José Miguel Cardoso Pereira tem várias vezes dito que o país não tem capacidade de gestão para a área de povoamentos que tem e melhor faria em gerir melhor menos área de povoamentos, usando os espaços abertos libertos para diminuir o risco de fogo dos povoamentos, ideia que materializou no estudo que coordenou para Álvares, apoiado, entre outros, pelo Observador - como se pode ver neste texto do Corta-fitas e, ainda mais atrás, em 2008, neste texto da Ambio.

São só dois exemplos, de certeza que se procurasse mais encontraria mais textos meus a falar deste desperdício que é andar a plantar árvores para as ver arder mais tarde.

O que é novo para mim é ouvir alguém com responsabilidades políticas dizer, de forma clara e inequívoca, que não pode ser, não podemos andar a financiar plantações sem futuro, temos é de financiar a forma como esse futuro pode ser mudado.

Não faço a mínima ideia se a esta declaração de intenções de Matos Fernandes corresponderá qualquer coisa de útil - grande parte das minhas críticas e divergências estão exactamente na forma como se materializam boas intenções - mas sei que a declaração, em si, representa uma mudança de ponto de vista.

E, do meu ponto de vista, mudar de ponto de vista é bom ponto de vista sobre as políticas públicas de gestão florestal do país.

Segunda declaração de interesses: actualmente trabalho exactamente na instituição governamental que tem a responsabilidade da gestão florestal

Uma má democracia é melhor que qualquer ditadura

por Jose Miguel Roque Martins, em 24.09.20

No Ocidente as democracias abanam. Por muitas razões. A fraqueza do sistema manifesta-se, também, pela falta de rumo consistente que a volátil vontade popular impõe aos políticos, obrigados a agradar ás populações que votam. A atabalhoada e desproporcionada resposta ao Covid parece-me um exemplo do que acontece quando os poderes públicos não passam de uma caixa de ressonância de sentimentos, impulsos e emoções pouco esclarecidas dos cidadãos.

Não, a democracia não é perfeita.

Mas quando olhamos para os Países esmagados por ditaduras lembramo-nos logo porque é o menos mau dos sistemas.

Hoje li no Guardian que, para controlar e “educar” a sua minoria muçulmana, a China já construiu 380 campos de concentração. Rede de "estabelecimentos" que continua a expandir. Entre muitos outros horrores sem nome que acontecem nesta e noutras autocracias. 

 

 

 

Salario Minimo

por Jose Miguel Roque Martins, em 23.09.20

Ou democratizamos o trabalho para todos ou aumentamos o salário mínimo. Ou temos uma política de inclusão de todos no mercado de trabalho, ou aprofundamos a diferença entre os que têm emprego e os desgraçados que não têm. Ou assumimos que é com redistribuição que se combatem desigualdades ou ficamo-nos pela mentira dogmática de que o custo do trabalho é indiferente para as Empresas. Ou queremos resolver problemas ou queremos fazer de conta que resolvemos.

Não é simplesmente possível ter as vantagens de uma estratégia e as vantagens da estratégia diametralmente oposta. Ou se aposta no emprego, com uma interrupção da subida do salário mínimo, ou apostamos no aumento dos benefícios dos que estão instalados, condenando os desempregados ás agruras da falta de dinheiro e de orgulho próprio.

Pelo que estamos a ver, em Portugal, não há meio de apostarmos no caminho certo. 

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“Realizou-se domingo [14 de Setembro de 1902], na Quinta da Fonteireira em Belas, [Quinta pertencente à família Pinto Basto onde, por via do parentesco da minha avó paterna, eu passava umas divertidas jornadas em pequenino], o match de «Foot-ball» entre o Sport Clube de Belas [dos irmãos Gavazzo] e o Foot-ball Clube Peninsular, ficando este último a vencer por 6 goals contra 1. Aos vencedores foram oferecidas medalhas. O grupo vencedor compunha-se: goal-keeper, J. Lisboa; backs, E. Tito e F.G. Vieira; half-backs, E. dos Santos M. do Nascimento e Afonso Ortis; forwards, Abel Macedo, David Fonseca, C. Botelho, G.P. Basto e R. Pereira; refere, J. G. Vieira.

In “História do Sporting Club de Portugal" de Luís Augusto da Costa Dias com Paulo J. S. Barata – Contraponto


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