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À Tout Va

por José Mendonça da Cruz, em 31.07.20

O Sr. ministro da Economia disse, ontem, a propósito do desemprego, que «o pior já passou».

Soube-se, hoje, que o PIB português caíu 16,5%.

O Sr. ministro da Economia «já vê a recuperação» (diz a Sic) e o Sr. ministro das Finanças está optimista.

Podem os Srs. ministros da Economia e das Finanças dizer estas coisas perante microfones alegadamente empunhados por jornalistas, e com tais afirmações granjear o apoio popular?

Estou muito pessimista, penso que sim.

A austeridade mata

por henrique pereira dos santos, em 31.07.20

Lembram-se do grandes paladinos da campanha de comunicação "A austeridade mata"?

Tinham absoluta razão, a austeridade e a pobreza matam.

Poderiam não ter razão em dizer que havia alternativas melhores na altura, e eu acho que não tinham, mas essa é outra discussão.

Tenho a certeza de que vão voltar em força neste trimestre em que "a economia portuguesa contraiu 16,5%, em termos homólogos, no segundo trimestre de 2020, no qual já foi totalmente afetada pela pandemia. Já face ao trimestre anterior, em cadeia, a quebra foi de 14,1%".

E vão voltar explicando que, como diz o João Caetano Dias, gerir uma epidemia com base num único KPI é absurdo.

Finalmente a imprensa vai olhar para as consequências indesejadas das medidas tomadas, os governos vão assumir que a prioridade é diminuir o medo, não o contágio e que o que se pode fazer é proteger os grupos vulneráveis, não é liquidar o vírus, etc., etc., etc..

Finalmente estes extraordinários comentários de Filomena Martins vão ganhar o justo reconhecimento e destronar Ricardo Araújo Pereira do seu lugar de mais reconhecido cómico do país.

Há vida para além do coronavírus ?

por Jose Miguel Roque Martins, em 31.07.20

O coronavírus é uma doença grave. É letal, sobretudo para os mais velhos.

Dito isto, importa não esquecer que o combate ao coronavírus, de forma cada vez mais evidente é também  letal e provoca efeitos colaterais devastadores. Deixamos de perceber que a vida é um tecido complexo, cheio de doenças, problemas e alegrias. A pedra de toque passou a ser só uma: é positivo ou negativo para o combate ao coronavírus? Nada mais importa. Estamos tão concentrados numa árvore que perdemos a perspectiva da floresta

Ninguém pode afirmar o que é mais letal. Se o Coronavírus ou o seu combate: não há dados. E quando existirem, vão persistir interpretações diferentes.

Mas parece cada vez mais evidente que o combate ao coronavírus tem provocado uma hecatombe:

Mortes por falta de cuidados médicos ;

Mortes anunciadas na mais de centena de milhões de seres humanos que vão entrar em pobreza extrema;

Doenças e mortes por subnutrição;

Morte do sentido critico e da liberdade dos cidadãos;

A destruição da vida de centenas de milhões de pessoas, que perdem trabalho, negócios, rendimento, casa, alimentação e muito mais;

Aumento das desigualdades;

Depressões causadoras de sofrimento atroz e até mortes;

Atraso no desenvolvimento afectivo das crianças;

Retrocesso na educação geral de países desenvolvidos e sub desenvolvidos;

 

A saúde primeiro, o grande chavão,  não está a levar em conta essas realidades, bem mais abrangentes. A pandemia está longe de ser a nossa única doença e o nosso único problema.

Não combater a pandemia é loucura. Assumir medidas com custos sociais inferiores ao mal que provocam, parece um caminho evidente. Impor medidas que trazem, noutros tabuleiros, males maiores, também é loucura.

Viver no medo exorbitado, um peso que terá consequências. Qualquer letalidade é uma desgraça. Não proteger seriamente os mais vulneráveis e não aceitar a morte, uma tragédia maior.

Os justos equilíbrio são sempre difíceis. Parece-me, que a balança está irremediavelmente inclinada em favor da pandemia. O que levanta outra questão.

A vacina não vai fazer desaparecer as mortes e infecções. Vamos continuar com o mesmo registo no futuro?

São cada vez mais as  evidencias que poderemos estar a colocar  esta doença em primeiro lugar e a vida em ultimo.

 

 

PS: aproveito para me retratar: afinal as noticias que justificaram o meu post de ontem não eram corretas. A fuga á possibilidade de lay off , pelo Estado, não se concretizou. Afinal foi mais uma mão cheia de nada.

A pandemia à lupa num estudo definitivo... salvo erro

por José Mendonça da Cruz, em 31.07.20

As televisões divulgaram hoje um estudo que revela que a letalidade do vírus é maior nos maiores de 55 anos.

É, portanto, um estudo pioneiro, no sentido em que nos revela o que já sabíamos.

Mais diz o estudo que espera mais dados da DGS para que deles saiam confirmadas ou infirmadas as conclusões agora apresentadas.

É, portanto, um estudo revolucionário, no sentido em que diz que fica à espera para ver se acertou.

Aguardamos ansiosamente os próximos episódios.

Bares e Discotecas : sacudir mais água do capote

por Jose Miguel Roque Martins, em 30.07.20

Hoje de manha ouvi na rádio que finalmente os Bares e Discotecas iriam reabrir. Já quando li o jornal percebi que os equipamentos de diversão noturna só podem abrir até ás 20.00.

Ou seja, podem funcionar  num horário em que não são procurados po definição. A única consequência relevante é que afinal, não estando fechados por imposição publica, já não podem recorrer ao lay-off . Já de si insuficiente para pagar funcionários , rendas e outros contratos.  

Não acabou o sofrimento deste tipo de estabelecimentos em vias de extinção, mas pelo menos o Estado sacode a água do capote. Brilhante! Mais e melhor apoio publico, como sempre. 

 

 

 

Dizem que é exagero

por henrique pereira dos santos, em 30.07.20

"Uma fonte ligada à Proteção Civil, que pediu anonimato, explicou ao i que pode, de facto, existir alguma desproporcionalidade possivelmente causada pelo receio acrescido no atual momento de pandemia – sobretudo se se analisar o que está a acontecer do lado dos agricultores.

“A estrutura operacional tem um conjunto de estados de alerta especiais que vão desde a situação verde, que é a normal, à vermelha. A situação do estado de alerta vem no seguimento desta história da pandemia e, se calhar, usou-se e abusou-se deste instrumento. Recordo-me que houve dias em que as condições meteorológicas nem para aí apontavam”, disse, explicando o outro lado: “Agora, o que é verdade é que, do ponto de vista operacional, quanto mais instrumentos estiverem em vigor para evitar trabalhos nas florestas e que haja qualquer movimentação, nomeadamente com máquinas agrícolas, melhor. Tudo o que possa concorrer para que haja uma ignição deve ser evitado e, desse ponto de vista, o estado de alerta é mais um instrumento”.

Segundo a mesma fonte, a prevenção operacional é fundamental porque continua a haver um uso abusivo do fogo por parte das pessoas. “Por isso, na perspetiva do operacional, quanto mais instrumentos, melhor, mas percebo que a perspetiva do agricultor ou de quem precisa de fazer trabalhos na floresta seja certamente outra”.

E se se olhar desse ponto de vista, diz, “é desproporcional esta paragem”: “Há aqui alguma desproporcionalidade, não me custa aceitar isso. Mas também tenho de entender o fator medo por parte dos governantes”.

Defendendo que o incêndio de Oleiros acabou por empurrar o país para um estado de alerta que noutras circunstâncias poderia não ter sido declarado, este especialista afirma que ontem fez um trajeto com alguma extensão durante o qual até choveu: “Por isso, não me custa admitir que houve desproporcionalidade”."

O contexto destas extraordinárias declarações pode ser visto aqui.

E vale a pena notar o seguinte:

1) Apesar de não haver qualquer razão para supor qualquer prejuízo para quem faz as declarações, o jornalista acha normal usar fontes anónimas;

2) Do ponto de vista operacional, parece claro que há e é aceitável o abuso do poder do Estado: "A situação do estado de alerta vem no seguimento desta história da pandemia e, se calhar, usou-se e abusou-se deste instrumento. Recordo-me que houve dias em que as condições meteorológicas nem para aí apontavam"

3) Há consciência clara do abuso, mas acha-se que se justifica porque "o que é verdade é que, do ponto de vista operacional, quanto mais instrumentos estiverem em vigor para evitar trabalhos nas florestas e que haja qualquer movimentação, nomeadamente com máquinas agrícolas, melhor".

4) Realmente, de um ponto de vista global, até se admite que isto possa ser um exagero, mas para a missão a executar, isso não é muito relevante.

5) Resumindo, o agente do Estado acha que quanto mais instrumentos de poder tiver para obrigar as pessoas comuns a fazer o que ele entende que é vantajoso para o bem comum - note-se, o bem comum não é a liberdade das pessoas limitada nos termos da lei geral, é mesmo o que o agente do Estado definiu como bem comum, mesmo que não saiba explicar em que medida evitar trabalhos e movimentações, restringindo direitos individuais constitucionalmente garantidos, se vai reflectir no bem comum -, melhor.

6) Todo o poder ao Estado e o que sobrar pode ser deixado à liberdade das pessoas, com base na ideia de que são as sociedades humanas que controlam a doença, o fogo, a morte e outros fenómenos naturais e, para que isso seja possível, o fundamental é vivermos todos de acordo com normas estritas, impostos e controladas pelo Estado, seja no trabalho dos campos, seja na forma como vamos à escola, seja na forma como usamos a noite, seja na forma como entramos numa loja, seja na forma como vamos à praia, seja na forma como organizamos enterros e casamentos, seja na forma como vamos ao teatro ou decidimos lançar um livro ou abrir uma exposição de pintura, etc., etc., etc..

Que não seja por falta de aviso sobre onde nos leva a mansa aceitação dos abusos do Estado e da pressão social a propósito de uma epidemia que acabemos a lamentar a falta de liberdade e consequente responsabilidade, a que cada um de nós tem direito.

O modelo chinês de lidar com o mundo - "é preciso deslocar vinte milhões de pessoas para fazer uma barragem? Sem problema, se houver questões, manda-se o exército" - nem que tivesse tido o êxito que a propaganda diz que teve no controlo da epidemia valeria mais do que vale.

"Quase 1500 mortos em 24 horas"

por henrique pereira dos santos, em 29.07.20

Este título está em grande destaque no Observador, mas poderia ser noutro qualquer porque a orientação é a mesma.

Depois lê-se o texto a que o título diz respeito e percebe-se que 600 correspondem a uma mera reclassificação administrativa das causas de mortalidade feita no dia anterior.

Resumindo, o título é falso (não, não morreram quase 1500 pessoas em 24 horas, registaram-se 1500 mortes em 24 horas, das quais, umas seiscentas correspondem a mortes ocorridas antes e que agora foram classificadas de outra maneira).

Na verdade há nisto matéria informativa substancial: a reclassificação constante da mortalidade covid, isso sim, é notícia porque nos ajuda a ler melhor os números: o que classificamos como mortalidade covid não é absolutamente lienar.

É normal e natural que assim seja, esse é um problema desde a primeira hora - não é específico desta doença, a atribuição da causa da morte de uma pessoa não é matemática e há margem para diferenças de opinião ou de critério - e por isso a Organização Mundial de Saúde tem procurado, tanto quanto possível, padronizar a definição do que é uma morte covid.

Só que racionalizar a informação, dar contexto, ajudar-nos a compreender a realidade, tudo isso é posto de lado, a favor da perspectiva mais assustadora. Ainda ontem ou anteontem lia que as mortes aumentaram porque num dia registou-se uma morte covid e no dia seguinte foram registadas três. Qual é o significado desse aumento? Nenhum, claro, nem o valor de um dia tem qualquer interesse em si, nem variações desta ordem de grandeza dizem o que quer que seja de útil.

Mas é assim que vamos sendo conduzidos para aceitar parvoíces como a obrigatoriedade de máscaras na rua, como decidiram agora na Madeira, sem que haja uma única base técnica sólida que apoie essa medida.

Nem mesmo as recomendações da Organização Mundial de Saúde, já muito marteladas por pressão da opinião pública e dos governos, desesperados por dar a impressão de que controlam a epidemia e fazem tudo o que está ao seu alcance para proteger os eleitores, aconselham o uso indiscriminado de máscaras na rua.

Estará na altura de percebermos que quem determina a evolução da epidemia é o vírus, não os governos, e que nos cabe defendermo-nos dos efeitos da doença, e não armarmo-nos em super-heróis capazes de parar o contágio de uma epidemia em curso, coisa que nunca aconteceu antes.

E para os jornalistas estaria na altura de perceber que o seu papel não é serem soldados de guerra nenhuma, mas apenas, o que já não é pouco, colectores de informação que nos ajude a compreender o mundo.

Por exemplo, bem podiam escrever coisas assim.

Big brother

por henrique pereira dos santos, em 28.07.20

Célia Santos está muito zangada porque a praia da Manta Rota é um perigo.

Eu tenho uma sugestão para Célia Santos (para o jornalista Célia Santos é "os utentes" da praia, os outros, os que lá estão, são apenas malandros que não cumprem regras, não são igualmente utentes): não vá à praia, fique em casa (que é onde ocorre a esmagadora maioria do contágio, mas isso agora não interessa nada) e deixe os outros em paz, que não há notícia de que a praia seja uma fonte relevante de contágio.

Primeiro acharam normal não nos deixar sair do concelho em que vivemos, depois acharam normal inventar multas para actividades tão perigosas como beber um copo na rua, agora acham normal interditar actividades no mundo rural por causa de uma paranóia qualquer com ignições e mais regras e regrinhas de viagem, de ida às compras, de ida à escola, etc..

O corolário, inevitavelmente, seria sempre este: Célia Santos queixa-se à Lusa de que a praia da Manta Rota está muito cheia.

Não, não pensem que fica por aqui.

Eu sei da tolerância para com as máscaras, a ideia é de mesmo com a Organização Mundial de Saúde a dizer que não tem evidências de que sejam úteis, é um bom placebo para trazer outra vez as pessoas para a rua.

Já tive simpatia por essa ideia, mas entretanto percebi que as máscaras, as regras, os sinais, os avisos, tudo isso embrulhado em ameaças de multas e ostracismo, são uma peça fundamental para prolongar o medo que mata a confiança.

E a confiança é a base das relações humanas saudáveis.

Estou cada vez mais próximo de defender a desobediência civil face a regras iníquas com benefícios difusos e prejuízos bem reais na vida das pessoas comuns, em especial dos mais pobres e desprotegidos, como sempre.

Como socialistas e Patriotas Úteis (PUs) destruiram a TAP

por José Mendonça da Cruz, em 28.07.20

(...) Mas não, nem a TAP nem Portugal participarão nesse bom negócio, nem TAP nem Portugal beneficiarão dessa excelente vantagem comercial numa actividade muito competitiva, nem a TAP crescerá (muito ao contrário), nem será fonte de riqueza, porque o socialismo prefere a dependência à liberdade económica, prefere o controlo, ainda que à custa de uma TAP “pública”, regional, irrelevante em termos de negócio, e irremediavelmente deficitária. “É nossa”, cantam os PUs. “É nossa”, dizem os socialistas.

O artigo completo aqui

Obrigado, Carlos da Câmara

por henrique pereira dos santos, em 27.07.20

"O fogo deve ser encarado como os gatos. Um gato não é domesticável, nós aprendemos a conviver com um gato. Com o fogo é exatamente a mesma coisa. A ideia de um Portugal sem fogo mostra uma ignorância total do assunto. Um Portugal sem fogo é o mesmo que um gato a vir-nos lamber as mãos quando chegamos a casa. Não funciona."

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Nos últimos tempos estive a ler um livro que me foi oferecido por um bom amigo, a História de Vila Nova de Milfontes publicada pela Câmara de Odemira, da autoria do historiador António Martins Quaresma, uma coisa séria com muita investigação e profusamente ilustrada. A história de Milfontes é uma longa história de pobreza extrema e resistência duma vila fundada com homiziados (uma espécie de degredados), desde a carta de foral de Dom João II até ao Século XX, quando a beleza natural finalmente se torna um motivo de fortuna (!) - pouco mais a vila teve alguma vez para dar que o encanto da Foz do rio Mira. Com umas terras muito pobres e uma barra traiçoeira e sem um porto decente que só foi construído em meados do séc. XX, (a pesca só era praticável no Verão), as populações até ao século XVIII eram constantemente fustigadas por galés de corsários argelinos, que pilhavam o pouco que havia e raptavam os habitantes para negociar resgates. O emblemático forte a que chamam castelo, cuja ponte levadiça já estava irremediavelmente avariada poucos anos depois da sua construção no séc. XVII, nunca estava suficientemente equipado, nem de soldados nem de armamento (pólvora, por exemplo), tornou-se mais um elemento dissuasor. E também há a extraordinária historia de um tal António Afonso (que chegou a ser cabo da praça ou “capitão” do castelo) raptado e resgatado aos argelinos, um tipo insolente, espadaúdo e bebedolas que foi condenado a 6 meses de degredo em Évora pela Inquisição por, num casamento, dentro da Igreja, sob o efeito do álcool se ter metido com a noiva e pronunciado terríveis blasfémias. Afinal isto não mudou assim tanto, pois não?

Entretanto, com base nesse livro, durante as férias vou dedicar mais uma crónica a esta terra que desde a minha infância me conquistou o coração. Brevemente. 

Assistência presidencial activa

por José Mendonça da Cruz, em 26.07.20

Perante fogos que se devem ao calor ou ao vento, ou às fadas, ou aos bruxos, ou aos incendiários, ou às festas, ou ao tractor, ou à ceifeira-debulhadora, ou ao avião, perdão, «meio aéreo» da monda, fogos esses que duram uma semana, Marcelo já veio dizer que a pandemia prejudicou a prevenção dos fogos (além do mais, o vírus é incendiário, agora). A ajuda do Presidente ao Governo está cada vez mais incondicional e activa.

O ressurgimento do fascismo

por henrique pereira dos santos, em 26.07.20

Um dias destes era a câmara de Leiria a promover uma "polícia anti-covid".

Hoje é a polícia que apresenta contas da sua acção de defesa da sociedade "Restrições ao Covid com 346 contraordenações. O maior número foi por consumo de álcool na via pública".

E vai lembrando que as festas passaram a ser uma coisa estritamente controlada pelo Estado, através dos seus mecanismos de repressão.

Que exagero, dir-me-ão, será que não vejo a enorme ameaça que estamos a enfrentar?

Sim, sim, eu vejo uma enorme ameaça, mas não é vírus nenhum (esse, tal como os outros milhares de vírus são uma ameaça com que lidamos há milhares de anos), é mesmo o ressurgimento dos fascistas que nos querem proteger de nós próprios: "O ministro da Administração Interna anunciou que “pelo menos até às 24 horas da próxima terça-feira” serão proibidos “todos os trabalhos em espaço rural, exceto os combates a incêndios florestais e a garantia da alimentação dos animais”. Este anúncio surge porque, diz Eduardo Cabrita, a “grande parte dos incêndios” registados nos últimos dias “são evitáveis”."

Para quem não perceba bem: o Ministro da Administração Interna, não se sabe bem com que mandato e com que mecanismos de controlo, decidiu que os trabalhos no mundo rural passam a estar proibidos porque podem provocar fogos, decidindo discricionariamente sobre a vida de milhares de pessoas.

Pode ser que haja quem não veja aqui nenhuma evolução - nunca em nenhum outro ano alguém se lembrou disto, mas pelos vistos a gestão da epidemia deu umas ideias à protecção civil - mas para mim é clarinho, clarinho: o abuso do poder do Estado passou de ameaça a opção querida por nós.

Continuem a procurar o fascismo em Venturas e afins, e a não o ver em nós, e logo veremos onde isto nos leva.

Cansaço

por henrique pereira dos santos, em 26.07.20

O título do post é de um fado fantástico de Amália, mas neste caso é motivado por uma coisa bem pequenina:

"“Neste momento [07:45] temos 207 veículos com 644 operacionais. Houve um reforço significativo durante a noite com 11 grupos terrestres para reorganizar o teatro de operações, visto que o perímetro já é demasiado extenso”, disse à agência o comandante Carlos Pereira, oficial de operações do Comando Nacional de Emergência e Proteção Civil."

Uma conversa tonta, sem nada de relevante, que se repete, repete, repete em cada fogo mais complicado.

Meus caros senhores jornalistas - sim, o problema é de jornalistas transformados em pés de microfone, não é dos esforçados funcionários da protecção civil - nisto que transcrevem não há valor informativo nenhum.

Não interessa nada o número de veículos, não interessa nada o número de operacionais, não interessa nada o número de grupos terrestres, isto é como os vossos críticos de cozinha descreverem a cozinha do restaurante, dando informação sobre o número de panelas, ou  quilos de batatas, em vez de explicarem o que se come, que tal é e essas coisas que convém ao leitor saber.

Num incêndio o que interessa é a caracterização do incêndio (francamente, dizer que o perímetro já é demasiado extenso, e por isso tem de se reorganizar o teatro de operações, está ao nível da redacção da vaca que diz que tem quatro patas e um par de cornos), isto é, onde está a frente de fogo, qual a sua relação com o terreno e a meteorologia, o que se prevê nas próximas horas em função dessa caracterização - por estranho que vos pareça, é possível prever a evolução de um fogo, com razoável precisão, para as próximas três ou quatro horas, nem precisam de grande coisa, basta acompanhar o facebook de algumas pessoas que o fazem com um histórico de acerto bastante sólido -, quais são os objectivos do dispositivo de combate em função dessa situação de referência, que oportunidades existem de intervenção, e o que está a ser feito para gerir o fogo com o mínimo de perdas.

Mas não, nada disto é perguntado e exigido pelos senhores jornalistas, que como papagaios amestrados repetem incessantemente o número de veículos, meios aéreros e operacionais que estão no teatro de operações a fazer não se sabe o quê.

Não dá mesmo para um bocadinho mais de exigência?

Se não fizerem ideia do que se pretende, podem treinar acompanhando os briefings de quem sabe ao que anda. Comecem na teoria que está nesta ligação, e depois podem ver casos práticos nesta outra ligação, se por acaso não estiverem para ir procurar no google.

Domingo

por João Távora, em 26.07.20

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,

Criador do Céu e da Terra,

De todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,

Filho Unigénito de Deus,

nascido do Pai antes de todos os séculos:

Deus de Deus, luz da luz,

Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;

gerado, não criado, consubstancial ao Pai.

Por Ele todas as coisas foram feitas.

E por nós, homens, e para nossa salvação

desceu dos Céus.

E encarnou pelo Espírito Santo,

no seio da Virgem Maria.

e se fez homem.

Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;

padeceu e foi sepultado.

Ressuscitou ao terceiro dia,

conforme as Escrituras;

e subiu aos Céus,

onde está sentado à direita do Pai.

De novo há-de vir em sua glória

para julgar os vivos e os mortos;

e o seu Reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo,

Senhor que dá a vida,

e procede do Pai e do Filho;

e com o Pai e o Filho

é adorado e glorificado:

Ele que falou pelos Profetas.

Creio na Igreja,

Una, Santa, Católica e Apostólica.

Professo um só batismo para a remissão dos pecados.

E espero a ressurreição dos mortos

e vida do mundo que há-de vir.

Amém.

Os Médicos, mais um grupo de pressão ilegítimo

por Jose Miguel Roque Martins, em 25.07.20

Hoje nos jornais apareceram duas noticias.

A primeira,  referia que 60 vagas para médicos no Algarve não tiveram um unico concorrente.

A segunda notava que, das 200 vagas adicionais  que o governo permitiu em cursos de medicina, nenhuma foi aberta pelas escolas acreditadas. O ministro, desapontado, falou na Universidade Católica, que tem vindo as suas pretensões de abrir uma faculdade de medicina constantemente negada, pelos órgãos da classe. E da sua vontade de impulsionar que a universidade de Évora e de Viseu, abrissem os os seus cursos. Afinal não é ao governo que compete impulsionar os cursos que considere estrategicos. 

Mais uma vez, os médicos, escudando-se na falta de evidencia de que não existe falta de médicos, impedem a formação daqueles que olham como concorrentes, capazes de ferir os seus privilégios.

Costa e Silva, também não viu a oportunidade de transformar Portugal num centro de tratamentos médicos. Ao invés, propôs que passássemos a ser o fabricante europeu de instrumentos médicos!?

Continuamos a formar ( e pagar) médicos no estrangeiros, de estudantes que não atingiram as medias estratosféricas necessárias para fazer o curso em Portugal.

Continuamos a perder a possibilidade de exportar serviços de formação na area medica, onde somos bons, como fazemos noutras áreas.

Continuamos a não ter médicos suficientes em Portugal.

Continuamos a não nos podermos projetar como País de prestação de cuidados médicos para Companhias de Seguro na Europa.

Continuamos a insistir que não precisamos de mais médicos.

Continuamos a insistir que temos é que ser engenheiros e desperdiçar os talentos que nos são reconhecidos, continuando a só termos a alternativa de sermos um pais turístico de baixos salários.

Mais um caso, como tantos outros em que os interesses corporativos não são combatidos pelo Estado, como lhe competia. Mais uma das razões para a nossa pobreza colectiva.

Grosseria, a outra epidemia

Reflexões sobre a anormalidade do novo normal

por João Távora, em 24.07.20

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Existem danos colaterais da pandemia que, na hierarquia das prioridades vistas da enfermaria, acabam menosprezados e não deviam. Nem me vou centrar no problema causado pelo distanciamento social que, para muita gente que com esforço fomentava a sua rede de relações, a dinâmica será difícil de inverter. Constato com alguma tristeza como, apesar do desconfinamento, muitos ainda resistem a uma presença física numa reunião, mesmo que dentro das regras sanitárias, na possibilidade de poderem fazê-lo através de uma plataforma virtual. E nem estou a falar daqueles mais frágeis, prudentes ou temerosos, mas daqueles que por comodismo ou timidez evitam deslocações ou confronto pessoal. Acontece que as relações humanas são por natureza uma construção complexa que, para a maioria das pessoas civilizadas mas sem especiais dotes, exige algum esforço. Talvez por causa dessa falta de “ginástica” venho notando aqui e ali algumas sensibilidades exacerbadas e espíritos melindrosos. A manutenção de uma rede de afectos compensadora requer exercício contínuo e músculos oxigenados em sociabilidade. O problema não são os outros, está sempre em nós. Também não me vou centrar na questão do teletrabalho. Há muitos anos que o pratico, mais por necessidade que por opção. Evidentemente aqui, uma vez mais, a dinâmica relacional faz muita falta seja na tomada de decisões ou no processo criativo, já para não falar da competitividade que o convívio presencial promove com consequentes resultados na produtividade. A convivência com uma equipa ou hierarquia permite uma aprendizagem que nenhuma ferramenta virtual substitui. Além do mais o teletrabalho impede uma saudável separação de dois mundos distintos mas complementares, o familiar (e de lazer) com o laboral.

Mas se queremos mesmo encarar a regressão civilizacional que nos ameaça, devemos ter cuidado com a degeneração do cumprimento e das boas maneiras em geral. Digo-vos que aquela cotovelada adoptada pelos políticos em Bruxelas que vemos na televisão é uma coisa esteticamente deplorável. Mais vale usar a vénia chinesa. Suspeito que vai ser difícil voltar a por toda a gente a cumprimentar-se com urbanidade.

Mas isso dá muito trabalho tanto a ensinar quanto a praticar. Desde pequeno que na minha família todos fomos insistentemente educados a ser corteses e cumprimentar todas as pessoas, de qualquer condição, na obediência de um protocolo exigente. Evidentemente que não me esqueço como era desagradável quando em ocasiões festivas ou à porta da missa tinha de cumprimentar alguma senhora de cerimónia, com perfume demasiado intenso e muito pó de arroz na cara. Havia o risco de ficar com a marca do batom impresso numa bochecha que me enojava. Em casa dos meus avós o protocolo era uma longa tarefa de distribuição de beijinhos e pequenos inquéritos pretensamente simpáticos, a começar nos donos da casa e a continuar nas tias, terminando a empreitada nuns desafiantes passou-bens apertados, que me deixavam as mãos em brasa, ministrados pelos meus tios mais caturras. Só depois de consumado todo este ritual, estava livre para brincar com os meus primos. Imaginem vocês que os meus pais até nos ensinaram a beijar a mão a senhoras de um certo estatuto socio-etário, e nos deram aulas práticas de como se cumprimentam os príncipes. Esses ”sacrifícios” apesar das voltas que a nossa vida deu para longe desses universos, vieram a revelar-se-me muito úteis. Acontece que as boas maneiras são o chão com que se constroem relações harmoniosas e sãs. As boas maneiras são uma boa máscara para os nossos estados de alma, o mais das vezes instáveis, por razões tantas vezes obscuras.

Por estes dias de COVID19, nos encontros sociais que graças a Deus já vou retomando, tenho notado por entre a miudagem nova um certo alívio por estarem formalmente dispensados de cumprimentar os mais velhos, preceito que, suponho, sentem como uma espécie de incómoda vassalagem ou simplesmente uma limitação da sua liberdade. Ainda não descobriram que somos todos vassalos uns dos outros, e que estas cortesias todas nos enquadram e libertam para relações francas, construtivas e mais duradouras. Sem equívocos desnecessários.

De resto, como bem sabemos, é mais fácil destruir que construir. Por isso suspeito que não será fácil a retoma das boas maneiras, principalmente entre os mais novos, sabendo nós que é graças a esses complexos protocolos que construímos a nossa civilização. Que espero ninguém queira trocar por outra coisa.

Centenário de Amália

por João Távora, em 23.07.20

"Uma Casa Portuguesa" - A Fonseca - R Ferreira - M. Sequeira

Angel Recrds USA - Extended Play 45 rpm 1955, da minha coleccção. 

Um dia negro

por João Távora, em 23.07.20

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Lamentavelmente o que os partidos do bloco central promovem hoje em São Bento é a menorização do parlamento, no seu papel fundamental de fiscalização do executivo, que aliás o nosso regime semipresidencialista não favorece grandemente. Um monárquico como eu só pode deplorar profundamente este retrocesso. É que basta olhar à nossa volta por essa Europa afora para perceber que um parlamento com poderes e legitimidade reforçados é a fórmula que viabiliza as persistentes monarquias contemporâneas e… o progresso económico e social desses povos.

 

Na imagem cerimónia de abertura do parlamento em 1904. 

Costa e Silva: as infraestruturas e os estivadores (2)

por Jose Miguel Roque Martins, em 23.07.20

 

Costa e Silva propõe um conjunto de infraestruturas imponente. É a sua primeira proposta vertical, como lhe chama.  

Não deixando de concordar que quanto mais e melhores infraestruturas estiverem ao nosso dispor, melhor, se não tivermos que prescindir de nada mais importante. O investimento em pessoas e em liberdade económica são bem mais essenciais. Do que temos que abdicar para termos mais infraestruturas? Um tema não tratado. 

Como exemplo de pormenor das omissões insanáveis das propostas deste relatório, neste capitulo, escolhi os Portos.

O tão enaltecido valor dos Portos nacionais e a sua privilegiada localização estratégica, enquanto geradores de valor, não é contestável. Resta saber para quem. Se para quem investe ou para os estivadores que vão sugar, como têm feito, a competitividade das infraestruturas. Que eu saiba, os portos não estão saturados. Porquê? Sem resolver o problema do grupo de pressão constituído pelos  estivadores dos portos, desconfiamos que serão eles, não os investidores ou o Pais os principais usufrutuários de qualquer investimento. Porque então faze-lo? Já temos a nossa capacidade esgotada? O investimento é tão bom que resiste a qualquer ataque? Então porque é que os privados não investem?

Como não mencionar este pormenor, que torna os nossos portos pouco competitivos, ao contrario do que aconteceria se existisse um mercado laboral livre? Como conciliar os investimentos com uma situação de rendas excessivas dos estivadores que se eterniza á anos? Como aceitar em democracia e numa sociedade que se pretende mais igual, que grupos de pressão impeçam criação de riqueza para a sociedade? Como aceitar que um plano para os próximos 10 anos seja completamente omisso quanto ao desmantelamento da enorme teia de grupos de pressão que são um colete de forças para a nossa economia?

As soluções aparentam sempre passar por investimentos de recursos que não temos, e não corrigirmos problemas estruturais que não requerem investimento. 

Todos os  problemas de uma economia de mercado distorcida e manietada, são sistematicamente ignorados ao longo do relatório de Costa e Silva que, quanto muito, prevê agudizar o problema.

 


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