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Selective immunisation

por henrique pereira dos santos, em 03.05.20

"Here we demonstrate that individual variation in susceptibility or exposure (connectivity) accelerates the acquisition of immunity in populations. More susceptible and more connected individuals have a higher propensity to be infected and thus are likely to become immune earlier.

Due to this selective immunisation, heterogeneous populations require less infections to cross their herd immunity thresholds than homogeneous (or not sufficiently heterogeneous) models would suggest.

We integrate continuous distributions of susceptibility or connectivity in otherwise basic epidemic models for COVID-19 and show that as the coefficient of variation increases from 0 to 4, the herd immunity threshold declines from over 60% to less than 10%.

Measures of individual variation are urgently needed to narrow the estimated ranges of herd immunity thresholds and plan accordingly."

A partir desta entrevista no Observador, e com ajuda de Carlos Duarte, cheguei a este estudo de que retirei os parágrafos anteriores.

Não percebo o suficiente do assunto para avaliar a solidez do que é dito, o que queria assinalar é a existência de um modelo matemático que não trata as sociedades e os indivíduos como uma massa homogénea.

Sem surpresa, ao fazer isto, este modelo chega a resultados substancialmente diferentes dos outros, por acaso muito mais próximos do que tem sido dito por vários epidemiologistas mais experientes e que passaram já por vários surtos.

"O tempo, esse grande escultor".

Hoje é Domingo

por Vasco Mina, em 03.05.20

Hoje é Domingo e, como tem acontecido, desde 15 de Março vou assistir è Missa pela TV. Sim assistir, não participar como gostaria. Para um católico (que me assumo como tal ) é grande a diferença entre o ver pela televisão e o estar presencialmente. Não tomar parte da Eucaristia, não participar do partir do pão, provoca uma grande fome espiritual. Entre o muito que já aprendi com as circunstâncias da epidemia, foi a privação do culto e do quanto isso marca individualmente cada um e toda uma sociedade. Hoje, mais do que nunca, sinto a liberdade religiosa não só como um direito inalienável mas como fazendo parte da essência humana.

Nesta condição, de privação religiosa, permanecerei, pelo menos, até 31 de Maio. Sou cidadão e membro de uma comunidade religiosa e por isso vou respeitar as decisões dos que governam a sociedade e dos que indicam o caminho aos seus fiéis. No silêncio de quem não entende mas também de quem opta pelo respeito por aqueles que reconhece como sendo seus legítimos condutores. Apenas peço aos governantes que tenham respeito pela Lei e por todos os que acreditam que existe um outro Reino que não é deste Mundo. Aos meus Pastores peço que me ensinem e que me indiquem o caminho.

O silêncio é o maior desafio a que sou confrontado nestas circunstâncias. Conforta-me ser hoje também Dia da Mãe e por isso recordar-me especialmente de Maria que, conforme nos relata São Lucas no seu Evangelho, «guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração» (Lc 2, 19)

Uma boa ideia de negócio

por henrique pereira dos santos, em 03.05.20

Há empresas texteis que acham que vão reconverter-se a fazer máscaras, mas suspeito que há um nicho mais interessante.

Quer ir a 13 de Maio a Fátima? Substitua as velas por bandeiras da CGTP

Quer ir à praia? Substitua o guarda sol por uma bandeira da CGTP

Quer ir ao futebol? Esqueça o cachecol e leve uma bandeira da CGTP

Tem o casamento marcado? Não tem problema, avise os convidados de que até podem ir sem gravata, mas que não se esqueçam da bandeira da CGTP

Precisa de fazer um espectáculo de música para sobreviver? Esqueça os isqueiros e as luzes do telefone, peça bandeiras da CGTP

E assim sucessivamente (para citar João César Monteiro)

PS - Quando me perguntaram num programa de rádio se o nosso mundo seria diferente depois da covid eu, não sendo bruxo, disse que o que me parecia mais perigoso era a erosão da confiança nas instituições decorrentes do que se iria concluir no fim da epidemia. Mudo muitas vezes de opinião, mas esta ainda a mantenho.

Domingo

por João Távora, em 03.05.20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João


Naquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».


Palavra da salvação.

Confinamento

por henrique pereira dos santos, em 02.05.20

"37% foram infetados em lares, 33% nas próprias casas, 15% no trabalho, 7% em contexto social e 6% em instituições ligadas à prestação de cuidados de saúde."

Já sei, seria muito pior sem confinamento, a amostra não é representantiva, que é num contexto excepcional, que se andasse tudo na rua era isto a somar ao resto, etc..

A informação é imperfeita, tem limitações, etc., mas que responsabilidade tenho eu se a informação empírica, cheias de imperfeições, claro, aponta sempre no mesmo sentido?

No sentido inverso existem modelações matemáticas, bom senso, lógica e juras de que não sabemos nada, já quanto a informação verificável, népias.

Sabemos alguma coisa, a informação é imperfeita mas pela parte que me cabe não vejo qualquer utilidade em substituir dados reais por modelações matemáticas para tomar decisões que têm impactos dramáticas na vida quotidiana de milhares de pessoas.

"Memórias do cárcere" - III

por João-Afonso Machado, em 02.05.20

MORCEGO.JPG

A liberdade estava por horas e o carcereiro resolveu-se a uma breve prelecção sobre os nossos deveres de cidadão. A manhã era húmida, cacimbada, desagradável de todo, mesmo a pedir nos abrissem os portões, enfim.

- Que o mundo estava diferente -  dizia ele, o carcereiro. Que não podíamos aproximarmo-nos das outras pessoas... - ?!?!?! - E era obrigatório o uso de uma máscara na cara.

Bom, quanto a essa prática, muitos estavamos já familiarizados (pela minha parte, devo esclarecer, abandonei-a depois do tempo das brincadeiras do Zorro e do Tonto). O problema da aproximação ao próximo era mais complexo, sobretudo para os colegas carteiristas.

Mas o carcereiro não era homem merecedor de grande confiança. Treslia, inventava, titubeava, sempre numa vozinha ténue, assustadiça. Tinha uma estranha, comprometedora, paixão por lesmas, carochas, aranhas, toda a bicharada imunda que povoava as pedras escorregadias de paredes e chão dos corredores da prisão. Dos mais antigos, quase todos juram que o carcereiro conhecia essa parasitagem um por um, e a cada atribuiu um nome próprio. Nome de gente! No mais, é um inspirado cagarola, o carcereiro.

- Ó Sr. carceireiro, anda aqui um morcego! - ouvia-se de uma cela. - Na China parece que acompanha muito bem a caldeirada de pangolim... - ouvia-se de outra. E o homenzinho de voz ténue nada dizia, tomava cores de pânico e refugiava-se no seu cúbiculo. Em noites dessas, fumávamos à vontade e até jogávamos à batota.

Mas a hora de saírmos chegou por fim. Esquecido das recomendações do carcereiro, dirigi-me a um transeunte, que de máscara e luvas calçadas fugiu espavorido, os olhinhos dele, muito rotativos,  correndo à frente com se gritassem por socorro. Não se viam autocarros, gente, qualquer cãozito... Até que chegámos à Alameda, e aí sim! Camionetas por todo o lado, uma fartura de gente conversadora e animada, muitas bandeiras. Aos magotes, nos passeios, no meio da rua, até se ouvir no microfone uma voz autoritária, ordenando a formatura. Ei-los então, essas centenas de paisanos, dispostos militarmente, à distância regulamentar.

Foi o nosso primeiro espectáculo depois da liberdade - uma parada norte-coreana em Lisboa.

Reportagem. O estranho 1.º de Maio de Isabel Camarinha ou a luta ...

 

"Um 1.º Maio da CGTP contra a “borracha” que apaga direitos". É assim que a líder da estrutura sindical, Isabel Camarinha, justifica esta manifestação que juntou este amontoado na Alameda em pleno Estado de Emergência.

A pandemia não impediu que centenas de pessoas enchessem esta tarde os relvados da Alameda, em Lisboa, para celebrar o 1.º de Maio. 

O pior de tudo é que há empresas a morrer porque não podem receber agrupamentos de pessoas. Há empresas que fecharam abruptamente com o Estado de Emergência e que não sabem sequer se vão abrir. Há cinemas que só podem abrir condicionados à venda limitada de lugares. Os festivais de verão, o futebol, os restaurantes, as boites, os ginásios, as conferências, os eventos, e por aí fora. Mas a CGTP leva centenas em 12 autocarros para a Alameda.

Empresas a morrer significa desemprego. Paradoxalmente, o mesmo desemprego que foi hoje invocado pelos manifestantes.

A “desproteção” dos trabalhadores está a aumentar e há hoje mais de 370 mil trabalhadores inscritos nos centros de emprego, número que cresceu mais de 50 mil só no mês de março. Pois é. Tudo porque há setores que não podem beneficiar desta exceção de que beneficiam os sindicalistas da CGTP, a de juntar pessoas.

Mesmo tendo a CGTP comprometido-se a manter os participantes nas celebrações do 1º de Maio a uma distância mínima de três metros e em filas dispostas a intervalos de cinco metros, a verdade foi o que se viu, tal como revela esta fotografia. Foi um erro deste Governo ter autorizado esta manifestação.

Os palhaços dos telejornais...

por José Mendonça da Cruz, em 01.05.20

... estão a dar rédea solta à sua vocação censória e pidesca em relação a qualquer português que queira sair de casa, enquanto aplaudem a abjecta excepção à lei decorrida na Alameda, em Lisboa.

Viva a república! *

1 de Maio em tempo de pandemia

por João Távora, em 01.05.20

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Talvez em termos de salubridade não advenha daqui mal algum. Mas a questão aqui é de regime, do favorecimento às suas oligarquias em contraste com as outras proibições: note-se que estão proibidas as deslocações entre concelhos ou celebrações religiosas.

* Este tipo de fenómeno de submissão aos comunistas estalinistas não acontecem nas democracias mais desenvolvidas.

O dever de desobediência

por henrique pereira dos santos, em 01.05.20

O governo determinou um conjunto de regras de governo das nossas vidas a vigorar enquanto o governo quiser, a pretexto de nos proteger da ameaça de uma epidemia.

À cabeça dessas regras está um obrigação geral de reserva que, tanto quanto percebi, determina a minha obrigação de não sair de casa a não ser quando as circunstâncias o exijam, pondo nas mãos da polícia o poder arbitrário de me mandar para casa se o agente concreto que me pergunta o que estou a fazer na rua assim o entender.

Não há fundamento técnico e científico nenhum que dê suporte a esta decisão.

Mesmo as pessoas que olham para isto tudo apenas com os olhos da defesa em relação à doença - um absurdo social com forte apoio popular - reconhecem que as medidas neste sentido decorrem apenas do bom senso, e não de qualquer evidência de eficácia, e muito menos de necessidade ou utilidade, em manter confinadas pessoas saudáveis por tempo indeterminado.

Ninguém pode dizer que será possível fabricar uma vacina para esta doença, muito menos quando estará disponível, qual o seu grau de eficácia e quanto tempo demorará a imunidade que ela vier a conferir mas aceitamos que nos digam que até esse momento, a nossa vida está condicionada pelo dever geral de reserva, e não pela nossa liberdade e o respeito pela liberdade dos outros.

Ou seja, sem qualquer fundamento sólido para além de modelos matemáticos e bom senso, o governo achou normal violar uma série de direitos constitucionais das pessoas comuns, por tempo indeterminado.

O simples facto do governo ter omitido (obrigado João Gonçalves pela chamada de atenção) qualquer perspectiva do que pretende fazer para resolver os gravíssimos problemas que a proibição de visitas aos lares levanta, condenando milhares de pessoas em fim de vida e indefesas à solidão, demonstra bem como a prepotência é a primeira premissa das decisões tomadas.

Mesmo num sector em que o Estado tem fortes responsabilidades na garantia de protecção dos grupos de maior risco, onde ocorrem, não apenas em Portugal, mas em toda a Europa, 40 a 50% das mortes com esta nova doença, a única coisa que o Estado se propõem fazer é manter uma regulamentação administrativa desumana e que, para mais, foi incapaz (e eu não estou a dizer que haveria soluções para ter sido de outra maneira) de assegurar a protecção que se pretenderia assegurar.

A única coisa que, como sociedade, temos para oferecer às pessoas de maior risco, mais velhas e indefesas é acrescentar ao medo e à insegurança da situação a solidão imposta, mesmo quando essas pessoas prefiram, legitimamente, correr o risco de viver a vida que lhes resta na companhia de quem lhes é próximo.

A nós, os que não estamos nesta situação, só nos resta uma atitude digna: resistir à prepotência do governo e estar lá, ao pé de quem queira e prefira correr esse risco, desobedecendo.

Outro exemplo simples: a distância social recomendada pela Organização Mundial de Saúde é de um metro. Vamos admitir que queremos ser mais prudentes e usemos um metro e meio. Ou seja, um raio de pouco mais de sete metros quadrados, arredondemos para dez metros quadrados. Assim sendo, qual é o fundamento para cada loja ter de garantir 25 metros quadrados por cliente? Ninguém sabe, o que sabemos é que a consequência concreta é a lotação das lojas diminuir drasticamente para menos de metade, diminuindo administrativamente a liberdade económica do operador sem qualquer fundamento. A liberdade de quem não se queira meter em espaços confinados com esta lotação não seria minimamente beliscada, mas ainda assim o governo entende que pode restringir a liberdade do dono da loja e dos clientes com base em critérios que simplesmente não têm qualquer fundamento.

Eu não sou jurista, mas diria que há aqui uma violação flagrante do código do procedimento administrativo ao tomar-se uma decisão administrativa sem fundamento (ou com fundamento obscuro) e sem qualquer respeito pelo princípio da proporcionalidade.

A epidemia não suspendeu os direitos fundamentais das pessoas, no máximo pode fazer-nos aceitar a compressão desses direitos de forma proporcional à ameaça, com fundamentos de defesa dos bens colectivos bem claros e com absoluta transparência.

Não foi essa a opção do governo, o que é mau, mas o pior é que não foi essa a opção do governo porque somos nós que pedimos ao governo que se esqueça da liberdade para nos acalmar o medo.

Aos outros, ao que prezam a liberdade e a responsabilidade inerente, só lhes resta desobedecer.


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